Laurence Gardner



A LINHAGEM DO SANTO GRAAL
A verdadeira histria do casamento de Maria Madalena e Jesus Cristo




Traduo: Marcos Malvezzi Leal

MADRAS



CONTEDO

Agradecimentos  ................................... 11
Crditos das imagens .............................13
Prefcio ..................................................15
Origens da linhagem
A quem serve o Graal? ..........................17
dolos pagos do Cristianismo................20
Linhagem dos reis...................................25
No princpio
Jav e a deusa        ........................................29
Herana do Messias................................33
Pergaminhos e tratados...........................35
Os segredos dos cdigos dos escrives .37
Armagedon ............................................41
Jesus, filho do Homem
A Concepo Imaculada.........................44
Matrimnio dinstico..............................48
Descendncia do rei Davi.......................51
A disputa messinica..............................52
A misso inicial
Quem foram os Apstolos?....................55
Tiago e Joo...........................................57
Simo Zelote..........................................58
Judas lscariotes......................................59
Tadeu, Tiago e Mateus..........................59
Filipe, Bartolomeu e Toms..................60
Simo- Pedro e Andr............................61
Sacerdotes e anjos..................................62
o Messias
gua e vinho.........................................67
O rei e seu jumento...............................70
A rainha messinica..............................74
Supresso da evidncia de casamento...78
Traio
Poltica e a Pscoa.................................81
Crucificao.......................................................85
Para Glgota.......................................................88
Crucificao
Lugar da Caveira................................................90
Trs horas de escurido......................................94
O tmulo vazio...................................................97
Ressuscitado dentre os mortos...........................98
A linhagem continua.........................................103
Tempos da restaurao.....................................103
A Jesus um filho...............................................106
O Jesus mitolgico de Paulo............................107
O filho do Graal...............................................111
Registros ocultos e os Desposyni....................113
Maria Madalena
Noiva e me real..............................................117
Mulher escarlate - a Madona Negra................122
Madalena e a Igreja.........................................125
As mulheres e a seleo do Evangelho...........126
Senhora do Lago.............................................127
Jos de Arimatia
A capela de Glastonbury................................133
O Domnio do Graal.......................................138
O escudo do dignssimo..................................141
Misses apostlicas no Ocidente....................143
O novo Cristianismo
O bom rei Lcio.............................................147
So Miguel.....................................................149
Ascenso da Igreja Romana...........................151
Santa Helena..................................................156
Religio e a linhagem
O debate da Trindade.....................................159
Declnio do imprio.......................................161
Os reis feiticeiros...........................................163
Os Pendragons
Corte dos reis pescadores..............................171
Camelot.........................................................173
So Columba e Merlin..................................178
Rei Artur
O histrico senhor da guerra.........................182
Modred e Morgana ......................................187
As santas irms.............................................191
Ilha de Avalon...............................................192

Intriga contra a linhagem
A Igreja em evoluo....................................196
Cisma no Cristianismo..................................200
Controle da arte religiosa...............................202
Entram os carolngios....................................205
Reis dos judeus..............................................207
O Santo Imprio Romano..............................208
Templo do Graal............................................210
Legado do Sangral.......................................210
A pedra filosofal............................................216
Os smbolos sagrados do Graal......................222
O clice e a videira.........................................222
O rebento de Jesse..........................................225
Tar e o Graal        ................................................226
Guardies da Relquia Sagrada.......................231
Os cavaleiros cruzados....................................231
Santurio da Arca............................................234
Notre Dame.....................................................239
Irmandade do terceiro grau.............................242
Massacre em Languedoc.................................244
O reino dos escoceses
A perseguio dos Templrios........................247
Banquo e Macbeth..........................................249
Os High Stewards.................................252
Robert, o Bruce...............................................256
A Casa Real de Stewart..................................257
A Era do Cavalheirismo
Guerra e a peste negra....................................258
Romance arturiano ..        ...................................259
A feliz Inglaterra............................................263
A Esccia e o Graal.......................................264
A pedra do destino.........................................268
Joana d' Arc....................................................270
A Amrica antes de Colombo........................272
Heresia e Inquisio
O martelo das bruxas......................................276
A revolta protestante......................................277
A Ordem da Rosa-cruz ..................................281

Casa dos Unicrnios
A unio das Coroas........................................286
Guerra civil....................................................290
O colgio invisvel.........................................292
Liberdade de conscincia
Jacobi tas........................................................295
Tratado da Unio............................................299
Bonnie Prncipe Charles.................................301
Assassinato de carter.....................................302
O Sangral hoje...............................................305
A conspirao da linhagem.............................305
A coroa da Amrica.........................................313
Preceito do Sangral.......................315
Bibliografia.....................................406
ndice remissivo.............................427

AGRADECIMENTOS

Por sua valiosa assistncia na preparao desta obra, muito devo aos bons ofcios da Casa Real de Stewart,  Santa Famlia de S1. Columba, ao Conselho Europeu de 
Prncipes,  Ordem dos Cavaleiros Templrios de Santo Antnio,  Nobre Ordem da Guarda de St. Gennain e  Corte do Drago Imperial e Real e Ordem da Hungria.
Gostaria tambm de agradecer aos arquivistas e bibliotecrios que me ajudaram nas buscas, principalmente os da Biblioteca Britnica (British Library), dos Departamentos 
de Antiguidades do Oeste da sia e de Antiguidades Egpcias no Museu Britnico, Bibliotheque Nationale de France, Bibliotheque de Bordeaux, a Biblioteca do Condado 
de Devon, Biblioteca Central de Binningham, Biblioteca Nacional da Esccia, Galerias de Arte da Cidade de Manchester e da Academia Irlandesa Real.
Sou muito grato  minha esposa ngela, cujo esforo incansvel fez essa obra vingar, e ao meu filho James, por seu encorajamento. Expressa gratido tambm vai para 
o meu agente Andrew Lownie, bem como para os diretores e a equipe da Element and HarperCollins Publishers.
queles meus colegas que facilitaram o caminho deste empreendimento, de uma forma ou outra eu ofereo meus agradecimentos. Sou particularmente grato a Adrian e Helen 
Wagner, e a Stephen e Tracy Knight da MediaQuest, por seu projeto original desta obra. Agradeo ainda ao Chev. David Roy Stewart, Chev. Jack Robertson, Rev. David 
Stalker, Karen Lyster, Scarlett Nunn, John Baldock, Matthew Cory, Jenny Carradice, Tony Skiens, Chev. David Wood, Gretchen Schroeder, Laura Wagner, Jaz Coleman, 
Dr. A. R. Kittermaster, Chris Rosling, Colin Gitsham e lan F. Brown.
Por seu generoso apoio ao ajudar o meu trabalho em nvel internacional, agradeo especialmente a Eleanor Robson e Steve Robson, do Peter Robson Studio; Duncan Roads, 
Ruth Parnell, Marcus e Robyn Allen de Nexus; Adriano Forgioni de Hera; JZ Knight e todos na Ramt School of Enlightenment; Christina Zohs de The Golden Thread; Nancy 
e Mike Simms da Entropic Fine Art; Laura Lee, Ann e Whitley Strieber, Robert Sessions da Penguin Books; Greg Brandenburgh da Fair Winds Press; Jeanette Limondjian 
de Bames & Noble.
  Meus profundos reconhecimentos a Sir Peter Robson por ter criado as pinturas de inspirao alegrica que acompanham meu trabalho, e ao compositor Adrian Wagner 
pelo lbum musical que o acompanha, Holy Spirit and the Holy Graal. Um agradecimento tambm especial ao HRH Prncipe Michael de Albany, por me conceder acesso privilegiado 
aos arquivos da Casa e da Cavalaria. Como este livro  uma sntese de assuntos inter-relacionados, sou profundamente grato queles autores especialistas cujo domnio 
em seus respectivos campos facilitou a abordagem de aspectos especficos. Sua pesquisa pessoal, conhecimento especializado e suas preeminentes obras j publicadas 
foram de inestimvel importncia. 
E, finalmente, devo transmitir minha gratido a todos os leitores que tm apoiado e incentivado meu trabalho no decorrer dos anos - especialmente queles que me 
escrevem com tantos comentrios e contribuies teis.
Laurence Gardner



CRDITOS DAS IMAGENS

Devo agradecer aos abaixo mencionados pelas seguintes ilustraes fotogrficas e pelas imagens com direitos reservados:
1,20, BridgemanArt Library, Londres; 2, 15,23, Mary Evans Picture Library, Londres; 3, 8, 21, E. T. Archive, Londres; 4, Kunstistorisches Museum, Viena; 6, 13, Galleria 
Uffize, Scala Museum, Florena; 7, National Gallery, Londres; 9, 12,24, Tate Gallery, Londres; 10, 19,22, Entropic Fine Art, Ontrio; 11, National Gallery of Art, 
Washington; 14, British Library, Londres; 16, Edwin Wallace and Mary Evans Picture Library, Londres; 17, Walker Art Gallery, Liverpool.
Embora todos os esforos tenham sido feitos para a obteno das devidas permisses, se houver qualquer erro ou omisso quanto a direitos reservados, pedimos desculpas 
e nos comprometemos a corrigir as falhas em qualquer edio futura.

PREFCIO

A Linhagem do Santo Graal  uma notvel realizao na rea de pesquisa genealgica. So raros os historiadores familiarizados com fatos to bombsticos quanto os 
expostos neste livro. As revelaes so absolutamente fascinantes e, sem dvida, sero apreciadas por muitos como verdadeiros tesouros de iluminismo. Nelas se encontra 
a histria vital daquelas questes fundamentais que ajudaram a dar forma  Igreja Crist na Europa e nos Estados das Cruzadas.
Talvez algumas pessoas considerem de natureza hertica alguns aspectos deste livro.  direito de qualquer indivduo acalentar tal viso, uma vez que as exposies 
inerentes so um tanto alheias  tradio ortodoxa. Contanto, permanece o fato de que Chevalier Labhrn penetrou as profundezas dos manuscritos disponveis e dos 
dados arquivais de qualquer domnio convencional. O conhecimento desvelado resultante  apresentado de maneira muito articulada, interessante e apaixonante.
Esta obra traz uma incrvel viso dos sculos de alianas governamentais estratgicas, junto a engodos e intrigas inerentes. Durante cerca de dois mil anos, os destinos 
de milhes de pessoas tm sido manipulados por personalidades singulares, freqentem ente caprichosas, que pervertem as aspiraes espirituais de nossa civilizao. 
Com riqueza de detalhes, o autor removeu as constries do interesse tendencioso para relatar numerosas histrias suprimidas de nossa herana. Fazendo isso, ele 
ressuscita a histria politicamente silenciada de uma dinastia real resoluta que a Igreja h muito se esfora por extinguir, para garantir interesses prprios. Agora, 
nesta nova era de entendimento, que a verdade prevalea e que a Fnix ressulta mais uma vez.


             HRH Prncipe Michael de Albany
        Chefe da Casa Real de Stewart









ORIGENS DA LINHAGEM

A QUEM SERVE O GRAAL?

Aps a Revolta dos Judeus em Jerusalm, no I sculo da era crist, os senhores romanos teriam destru do todos os registros a respeito do legado de Davi da famlia 
de Jesus, o Messias. A destruio, porm, nunca foi completa, e alguns documentos relevantes foram guardados pelos herdeiros de Jesus, que trouxeram a herana messinica 
do Oriente Prximo para o Ocidente. Como confirma a Enciclopdia Eclesistica de Eusbio, bispo de Cesaria,  esses herdeiros eram chamados de Desposyni (antigo 
termo grego para "do Mestre"), um ttulo sagrado reservado exclusivamente para aqueles da mesma descendncia familiar de Jesus. Eles tinham o legado sagrado da Casa 
Real de Jud - uma linhagem dinstica existente ainda hoje.
No decorrer deste livro, estudaremos a extraordinria histria dessa linhagem soberana, desvendando um detalhado relato genealgico do Sangue Real Messinico (o 
Sangral) em descendncia direta de Jesus e seu irmo Tiago. Contudo, para abordarmos esse tema, teremos de considerar primeiramente as histrias bblicas do Antigo 
e do Novo Testamento sob uma perspectiva diferente daquela normalmente transmitida. No estaremos reescrevendo a histria, mas remodelando relatos conhecidos - levando 
a histria de volta  sua base original, em vez de perpetuar os mitos de estilo estratgico daqueles cujos interesses so tendenciosos.
Com o passar dos sculos, uma contnua conspirao governamental e da Igreja tem prevalecido acima do legado messinico. Essa tendncia aumentou quando a Roma Imperial 
desviou o curso do Cristianismo para servir a um ideal alternativo, e continua at o presente.

Muitos eventos histricos aparentemente no relacionados foram, na verdade, captulos da mesma e contnua supresso da linhagem. Das guerras judaicas do 1o. sculo 
d.C., passando pela Revoluo Americana do sculo XVIII e alm, as maquinaes tm sido perpetuadas por governos europeus e ingleses, em colaborao com a Igreja 
Catlica Romana e a Igreja Anglicana. Em suas tentativas de restringir o direito nato real de Jud, os Altos Movimentos cristos instalaram vrios regimes prprios 
- tal como a prpria Casa de Hanover, da Gr-Bretanha - SaxeCoburg - Gotha. Essas administraes foram foradas a apoiar doutrinas religiosas especficas, enquanto 
outras foram depostas por pregar a tolerncia religiosa.
Agora, na entrada de um novo milnio,  hora de reflexo e reforma no mundo civilizado - e para a realizao dessa reforma  apropriado considerar os erros e os 
sucessos do passado. Para essa finalidade, no h registro melhor do que o existente nas crnicas do Sangral.
A definio Santo Graal apareceu pela primeira vez na Idade Mdia, como um conceito literrio, baseado (como veremos mais adiante) em uma srie de erros de interpretao 
por parte de escrives. O termo derivava imediatamente como uma traduo de Saint Grail e das antigas formas San Graal e Sangral. A antiga Ordem do Sangral, uma 
Ordem dinstica da Casa Real Escocesa de Stewart, era diretamente aliada  continental Ordem Europia do Reino de Sion, e os cavaleiros de ambas as Ordens eram adeptos 
do Sangral, que define o verdadeiro Sangue Real (o Sang Ral) de Jud: a A Linhagem do Santo Graal.
Bem distinto de seu aspecto fsico dinstico, o Santo Graal tambm tem uma dimenso espiritual. Ele tem sido simbolizado por muitas coisas, mas, como objeto material, 
costuma ser visto como um clice, especialmente contendo (ou que j conteve) o sangue vital de Jesus. O Graal tambm j foi retratado como uma vinha, estendendo 
seus ramos atravs dos anais do tempo. O fruto da vinha  a uva, e da uva vem o vinho. Nesse sentido, os elementos simblicos do clice e o vinho coincidem, pois 
o segundo h muito  comparado como o sangue de Jesus. Na verdade, essa tradio est presente bem no corao do sacramento da Eucaristia (Sagrada Comunho), e o 
sangue perptuo do Graal, ou do clice, representa nada menos que a duradoura linhagem messinica.
Na cultura esotrica do Graal, o clice e a vinha sustentam o ideal de "servio", enquanto o sangue e o vinho correspondem ao eterno esprito de "cumprimento". A 
busca espiritual do Graal , portanto, um desejo pelo cumprimento, prestando e recebendo servio. Aquilo que  chamado de Cdigo do Graal , em si, uma parbola 
para a condio humana, da busca de todos ns, por meio do servio.
O problema  que o preceito do cdigo foi sufocado por um complexo avaro da sociedade, baseado na noo da "sobrevivncia do mais forte". Hoje,  evidente que a 
riqueza, no a sade,  um demarcador na trilha dos socialmente fortes, enquanto outro critrio seria a obedincia  lei. Acima dessas consideraes, porm, h outra 
exigncia: submeter-se  disciplina do partido enquanto se serve aos semideuses do poder. Esse pr-requisito nada tem a ver com a obedincia  lei ou o comportamento 
adequado; depende totalmente de no balanar o barco nem se ater a opinies no-conformistas. Aqueles que quebram as regras so considerados hereges, intrometidos 
ou criadores de encrenca, e como tais reputados por seu governo elementos socialmente imprprios. Conseqentemente, a adequao social  conseguida quando se submete 
 doutrinao e se abandona a individualidade pessoal para que seja preservado o status quo administrativo. Sob qualquer padro de reconhecimento, isso dificilmente 
seria descrito como um modo de vida democrtico.
O ideal democrtico  expressado como "Governo pelo povo para o povo". Para facilitar esse processo, as democracias so organizadas com base eleitoral, em que os 
poucos representam os muitos. Os representantes so escolhidos pelo povo para governar para o povo - mas o resultado paradoxal geralmente  o governo do povo. Isso 
 contrrio a todos os princpios da comunidade democrtica e nada tem a ver com servio. Est, portanto, em oposio direta ao Cdigo do Graal.
Em nvel nacional e local, os representantes eleitos h muito tempo vm conseguindo reverter o ideal harmonioso, colocando a si prprios sobre pedestais acima do 
eleitorado. Em virtude disso, os direitos individuais, as liberdades e o bem-estar so controlados por ditames polticos, que determinam quem  socialmente adequado 
e quem no , em todos os momentos. Em muitos casos, isso implica at decises sobre quem pode ou no sobreviver. Com essa finalidade, h muitos que almejam posies 
de influncia pela pura gana de poder sobre os outros. Servindo a interesses prprios, eles se tomam manipuladores da sociedade, causando o enfraquecimento da maioria. 
O resultado  que, em vez ser servida da maneira justa, a maioria  reduzida a um estado de servido.
No  por acaso que, desde a Idade Mdia, o lema dos Prncipes de Gales tem sido Ich dien ("eu sirvo"). Tal lema nasceu diretamente do Cdigo do Graal durante a 
Era do Cavalheirismo. Chegando ao trono real por linhagem hereditria em vez de eleies, era importante para os sucessores promover o ideal de servio. Mas a que 
os monarcas realmente serviam? Ou melhor, a quem serviam? De um modo geral (e certamente atravs das eras feudais e imperiais), eles "governaram" em conluio com 
seus ministros e a Igreja. Governar no  servir, e faz parte da justia, igualdade e a tolerncia do ideal democrtico. E portanto incompatvel com a mxima do 
Santo Graal.
Assim, A Linhagem do Santo Graal no se restringe em contedo a genealogias e histrias de intriga poltica, mas suas pginas contm a chave do Cdigo do Graal essencial: 
a chave no s de um mistrio histrico, mas tambm de um modo de vida.  um livro a respeito do bom e do mau governo. Explica como o reino patriarcal do povo foi 
suplantado pela tirania dogmtica e pelo domnio ditatorial da Terra.  uma jornada de descobrimento atravs de eras passadas, com os olhos voltados para o futuro.
Nesta era da tecnologia dos computadores, de telecomunicaes por satlite e da indstria espacial internacional, o avano cientfico acontece a uma velocidade assustadora. 
 medida que cada estgio de desenvolvimento chega mais rpido, os indivduos funcionalmente competentes emergiro como os "sobreviventes", enquanto o resto ser 
considerado "inadequado" por um establishment impetuoso que serve s prprias ambies, mas no a seus sditos.
Mas o que tudo isso tem a ver com o Santo Graal? Tudo. O Graal tem muitas formas e atributos - como ser revelado. Contudo, em qualquer forma que seja retratada, 
a busca do Graal  regida por um dominante desejo de honesta conquista.  a rota pela qual todos podem sobreviver entre os fortes, ou adequados, pois ele  a chave 
da harmonia e unidade em todo estado social e natural. O Cdigo do Graal reconhece o avano por mrito e respeita a estrutura da comunidade - mas acima de todas 
as coisas, ele  inteiramente democrtico. Seja apreendido em sua dimenso fsica ou espiritual, o Graal pertence tanto a lderes como a seguidores, determinando 
que todos devem ser como um, em servio comum e unificado.
Para algum pertencer aos fortes, deve estar plenamente informado. S por meio da conscientizao podem ser feitas preparaes para o futuro. O regime ditatorial 
no  uma rota de informao;  uma constrio com o objetivo de impedir o livre acesso  verdade. A quem, portanto, serve o Graal? Ele serve queles que, apesar 
dos contratempos, buscam - pois so os campees do iluminismo.

DOLOS PAGOS DO CRISTIANISMO

No decorrer de nossa jornada, confrontaremos um nmero de afirmaes que podem, a princpio, parecer assustadoras, mas isso costuma acontecer quando se traz a histria 
de volta s suas bases, pois a maioria das pessoas  condicionada a aceitar determinadas interpretaes da histria como fatos. Muito do que aprendemos de histria 
 por meio de propaganda estratgica, seja ela motivada pela Igreja ou por poltica. Tudo  parte do processo de controle; separa os mestres dos servos e os fortes 
dos fracos. A histria poltica tem sido escrita por seus mestres: os poucos que decidem o destino e a sina dos muitos. A histria religiosa no  diferente, pois 
seu desgnio  implementar o controle pelo medo do desconhecido. Dessa forma, os mestres religiosos retiveram sua supremacia  custa de devotos que genuinamente 
buscam iluminao e salvao. Quanto  histria poltica ou religiosa,  evidente que os ensinamentos estabelecidos chegam s raias do fantstico, mas mesmo assim 
raramente so questionados. Quando estes so menos do que fantsticos, porm, costumam parecer to vagos que quase no fazem sentido, se examinados em qualquer nvel 
de profundidade.
Em termos bblicos, nossa busca do Graal comea com a Criao, conforme definida no livro do Gnesis. Em 1779, um consrcio de livreiros de Londres publicou uma 
obra gigantesca com 42 volumes, Universal History - que viria a ser muito reverenciada e que afirmava, com grande grau de convico, que o trabalho de Criao de 
Deus comeou em 21 de agosto de 4004 a.C.  Surgiu, ento, um debate a respeito do ms exato, pois alguns telogos achavam que 21 de maro seria uma data mais precisa. 
Todos concordavam, porm, que o ano estava correto, e aceitavam que s seis dias tinham passado entre o nada csmico e o surgimento de Ado.
Na poca da publicao, a Inglaterra se via em meio  sua Revoluo Industrial. Era um perodo instvel de extraordinrias mudanas e desenvolvimentos, mas, assim 
como no acelerado ritmo dos avanos da atualidade, pagou-se um preo. As preciosas artes e tcnicas de outrora se tomaram obsoletas diante da produo em massa, 
e a sociedade se reagrupava para acomodar uma estrutura comunitria com base na economia. Uma nova estirpe de vencedores emergia, enquanto a maioria da populao 
cambaleava num ambiente desconhecido que nada tinha a ver com os costumes e padres de sua educao. Certo ou errado, esse fenmeno  chamado de Progresso, e o seu 
critrio inflexvel  aquele preceito do naturalista ingls Charles Darwin: a "sobrevivncia do mais forte". O problema  que as chances de sobrevivncia das pessoas 
costumam diminuir quando elas so ignoradas ou exploradas por seus mestres: aqueles mesmos pioneiros que forjam a rota do progresso, auxiliando (mas no garantindo) 
apenas a sobrevivncia prpria.
 fcil vermos hoje que a Histria Universal de 1779 estava errada. Sabemos que o mundo no foi criado em 4004 a.C. Sabemos tambm que Ado no foi o primeiro homem 
na Terra.? Essas noes arcaicas j esto ultrapassadas; mas para as pessoas no fim do sculo XVIII, essa impressionante histria era o produto de homens mais esclarecidos 
do que a maioria e, portanto, presumivelmente correta. Vale a pena, portanto, fazermos a ns mesmos a seguinte pergunta, neste estgio: quantos fatos aceitos pela 
cincia e pela histria atualmente tambm sero considerados ultrapassados  luz de futuras descobertas?
Dogma no  necessariamente verdade;  apenas uma interpretao fervorosamente divulgada da verdade, com base nos fatos disponveis. Quando novos fatos influentes 
so apresentados, o dogma cientfico muda naturalmente, mas isso  raro de acontecer com o dogma religioso. Neste livro, estamos particularmente interessados nas 
atitudes e ensinamentos de uma Igreja Crist que no presta ateno a descobertas e revelaes, e que ainda mantm boa parte do dogma incongruente que remonta a 
tempos medievais. Como observou astutamente H. G. Wells no incio da dcada de 1900, a vida religiosa das naes ocidentais "subsiste numa casa da histria construda 
sobre areia".
A teoria da evoluo de Charles Darwin em The Descent of Man, em 1871 no causou nenhum dano pessoal a Ado, mas a idia de que ele seria o primeiro ser humano caiu 
por terra. Como todas as formas de vida orgnica no planeta, os humanos evoluram por mutao gentica e seleo natural, no decorrer de centenas de milhares de 
anos. O anncio de tal fato encheu de horror a sociedade, orientada pela religio. Alguns simplesmente se recusavam a aceitar a nova doutrina, mas muitos caram 
no desespero. Se Ado e Eva no eram os pais primordiais, no havia Pecado Original e, portanto, o prprio motivo do perdo no tinha fundamento!
A maioria entendera de maneira completamente errada o conceito de Seleo Natural. As pessoas deduziam que, se a sobrevivncia era restrita aos mais fortes, ento 
o sucesso devia depender de superar o prximo! Estava nascendo uma nova gerao, ctica e cruel. O nacionalismo egotista florescia como nunca antes na histria, 
e as divindades domsticas eram veneradas como, no passado, adoravam-se os deuses pagos. Smbolos de identidade nacional (como Britannia e Hibernia) se tomaram 
novos dolos do Cristianismo.
Dessa base insalubre se gerou uma doena imperialista, e os pases mais fortes e avanados reivindicaram o direito de explorar as naes menos desenvolvidas. A nova 
era da construo de imprios comeava com uma luta indigna por domnio territorial. O Reich alemo foi fundado em 1871, com a amlgama de estados at ento separados. 
Outros estados se juntaram para formar o Imprio Austro-Hngaro. O Imprio Russo expandiu-se consideravelmente e, na dcada de 1890, o Imprio Britnico j ocupava 
nada menos que um quinto de toda a massa territorial do globo. Aqueles eram os dias dos resolutos missionrios cristos, muitos dos quais enviados da Inglaterra 
da rainha Vitria. Com a estrutura religiosa gravemente ferida em casa, a Igreja procurava uma justificativa no exterior. Os missionrios viviam particularmente 
ocupados na ndia e na frica, onde as pessoas j tinham as prprias crenas e nunca tinham ouvido falar de Ado. Mais importante, porm: nunca tinham ouvido falar 
de Charles Darwin!
Na Inglaterra, um novo estrato intermedirio na sociedade emergira dos empregadores da Revoluo Industrial. Essa prspera classe mdia deixou a verdadeira aristocracia 
e a classe governamental muito longe do alcance do povo, efetivamente criando uma estrutura de classes - um sistema de divises no qual todos tinham seu lugar designado. 
Os chefes e comandantes se refestelavam em empreendimentos arcdicos, enquanto os mercadores oportunistas competiam por espao em meio ao consumo exacerbado. Os 
homens da classe trabalhadora aceitavam seu estado servil, com hinos de aliana, um sonho de Esperana e Glria, e um retrato de sua sacerdotisa tribal, Britannia, 
acima da lareira.
Os estudiosos da histria sabiam que no tardaria at que os imprios comeassem a mirar uns aos outros, e previam o dia em que os poderes concorrentes se digladiariam 
em feroz oposio. O conflito comeou quando a Frana se empenhou em recuperar a Alscia-Lorena da ocupao alem, enquanto as duas guerreavam pelas reservas de 
ferro e carvo do territrio. A Rssia e o Imprio Austro-Hngaro se enfrentavam em luta pelo domnio dos Blcs e havia disputas resultantes de ambies colonialistas 
na frica e em outros lugares. O pavio foi aceso em junho de 1914, quando um nacionalista srvio assassinou o arquiduque Fernando, herdeiro do trono austraco. Nesse 
ponto, a Europa explodiu numa grande guerra, fortemente instigada pela Alemanha. As hostilidades foram dirigidas contra a Srvia, Rssia, Frana e Blgica, e a contra-ofensiva 
era liderada pela Inglaterra. A luta durou mais de quatro anos, chegando ao fim com uma revolta na Alemanha, quando o imperador (Kaiser) Guilherme II fugiu do pas.
Diante de todos os avanos tecnolgicos de uma era industrialista, a histria tinha feito pouco progresso em termos sociais. As conquistas da engenharia levaram 
a uma habilidade marcial sem precedentes, enquanto o Cristianismo se tornara to fragmentado que j no mais se deixava reconhecer. O orgulho da Inglaterra permanecia 
intacto, mas o Reich alemo no se conformava em aceitar passivamente suas perdas. Seu desptico Fhrer (lder), Adolf Hitler, anexou a ustria em 1937 e invadiu 
a Polnia dois anos depois. A segunda grande guerra - verdadeiramente uma Guerra Mundial - comeava: a mais feroz disputa territorial at hoje. Durou seis anos e 
foi centrada nas crenas vitais da prpria religio: os direitos de todos num ambiente civilizado.
Subitamente, a Igreja e o povo perceberam que a religio nada tinha a ver - nunca tivera - com patriarcas e milagres. Ela tinha a ver, isso sim, com a crena num 
modo humanitrio de vida, numa aplicao de padres morais e valores ticos, de f e caridade, alm da constante busca por liberdade e salvao. Finalmente, toda 
contenda geral e contnua a respeito da natureza evolucionria da descendncia humana era deixada de lado; esse era o territrio dos cientistas e a maioria das pessoas 
podia relaxar e aceitar o fato.
A Igreja emergia como um oponente muito menos temvel dos estudiosos, e o novo ambiente era mais agradvel a todos os envolvidos. Para muitos, o texto da Bblia 
j no tinha mais de ser considerado um dogma inviolvel e venerado, por si. A religio estava incutida em seus preceitos e princpios, no no papel onde ela era 
impressa.
Essa nova perspectiva abria espao para infinitas possibilidades especulativas. Se Eva realmente era a nica mulher existente e seus trs filhos eram homens, ento 
com quem seu filho Set se uniu para gerar as tribos de Israel? Se Ado no foi o primeiro homem na Terra, qual seria o seu verdadeiro significado? Quem ou o que 
eram os anjos? O Novo Testamento tambm tinha seus mistrios. Quem foram os Apstolos? Os milagres realmente aconteceram? E o mais importante: a Concepo Imaculada 
e a Ressurreio de fato tinham ocorrido da maneira descrita?
Consideraremos todas essas questes antes de seguirmos o caminho da linhagem do Graal em si. Na verdade,  imperativo conhecermos a origem histrica e o ambiente 
de Jesus para compreendermos os fatos de seu casamento e sua paternidade.  medida que avanarmos, muitos leitores estaro pisando em solo totalmente novo, mas que 
j existia antes de ser acarpetado e escondido por aqueles cuja motivao era suprimir a verdade para reter o controle. S quando removermos o carpete do disfarce 
estratgico, teremos sucesso em nossa busca pelo Santo Graal.





LINHAGEM DOS REIS

De modo geral, j se reconhece que os captulos iniciais do Antigo Testamento no representam o comeo da histria do mundo, como parecem sugerir. Mais precisamente, 
eles contam a histria de uma famlia que se tornou uma raa compreendendo vrias tribos - uma raa que se tornou  nao hebraica. Se Ado foi o primeiro de uma 
espcie, ento ele deve ter sido o progenitor dos hebreus e das tribos de Israel.  De fato, como descreve o livro, ele foi o primeiro de uma linhagem predestinada 
de governantes sacerdotais.
Dois dos mais intrigantes personagens do Antigo Testamento so Jos e Moiss. Cada um teve um papel importante na formao da nao hebraica e ambos tm identidades 
histricas que podem ser examinadas independentemente da Bblia. Em Gnesis 41:39-43, lemos como Jos se tornou Governador do Egito:
Disse o Fara a Jos: administrars a minha casa, e  tua palavra obedecer todo o meu povo; somente no trono eu serei maior que tu... Desse modo, f-lo governar 
sobre toda a terra do Egito.
Referente a Moiss, em xodo 11:3, descobrimos tambm que:
Moiss era muito famoso na terra do Egito, aos olhos dos oficiais do Fara e aos olhos do povo.
Entretanto, a despeito do status e de toda a proeminncia, nem Jos nem Moiss aparecem em qualquer registro egpcio sob seus nomes bblicos.
Os anais de Ramss II (c.1304-1237 a.C.) especificam que o povo semita se assentou na terra de Gsen, explicando que tambm para l se dirigiram os semitas vindo 
de Cana, em busca de alimento. Mas por que os escrivos de Ramss mencionariam esse povoado do delta do Nilo em Gsen? De acordo com a cronologia padro da Bblia, 
os hebreus foram para o Egito uns trs sculos antes da poca de Ramss e fizeram seu xodo por volta de 1491 a.C., muito antes que ele chegasse ao trono. Assim, 
diante desse registro em primeira mo, vemos que a cronologia padro da Bblia est incorreta.        .
Tradicionalmente, presume-se que Jos foi vendido como escravo no Egito na dcada de 1720 a.C. e nomeado Governador pelo Fara uma dcada ou duas depois. Mais tarde, 
seu pai Jac (cujo nome foi mudado para Israel) e 70 membros da famlia o seguiram at Gsen para escapar da fome em Cana. Apesar disso, Gnesis 47:11, xodo 1:11 
e Nmeros 33:30 fazem referncias  "terra de Ramss" (egpcio: "a casa de Ramss") mas se tratava de um complexo de armazns de gros construdos pelos israelitas 
para Ramss II em Gsen, uns 300 anos aps a poca em que, presumivelmente, se encontravam l!
Ao que parece, a verso judaica alternativa  mais correta do que a Cronologia Padro: Jos esteve no Egito no no incio do sculo XVIII a.C., mas no incio do 
sculo XV a.C. L, ele foi nomeado Ministro Chefe de Tutmsis IV (c.1413-1405 a.C.). Para os egpcios, porm, Jos (Yusuf, o Vizir) era conhecido como Yuya, e sua 
histria  particularmente reveladora - no s em relao ao relato bblico de Jos, mas tambm com respeito a Moiss. O historiador e lingista nascido em Cairo, 
Ahmed Osman, fez um estudo profundo dessas personalidades em seu ambiente egpcio contemporneo e as descobertas so de grande significado. 
Quando o fara Tutmsis morreu, seu filho se casou com a irm, Sitamun (como era a tradio faranica) para poder herdar o trono como o fara Amenhotep III. Pouco 
depois, ele desposou tambm Tiye, filha do Ministro Chefe (JosNuya). Foi decretado, porm, que nenhum filho de Tiye podia herdar o trono e, por causa da extenso 
de terras governadas por seu pai,
Jos, havia um medo geral de que os israelitas estivessem ganhando poder demais no Egito. Ento, quando Tiye engravidou, foi passado um edito determinado que o beb 
deveria ser morto ao nascer, se fosse menino. Os parentes israelitas de Tiye viviam em Gsen e ela possua um pequeno palcio de vero, um pouco rio acima, em Zarw, 
para onde se dirigiu quando ia dar  luz. De fato, Tiye teve um menino, mas as parteiras reais conspiraram com ela e o colocaram  deriva num cesto de vime, que 
desceu o rio e foi parar na casa do meio-irmo de seu pai, Levi.
O menino, Aminadab (nascido em 1394 a.C.), foi devidamente educado na regio a leste do delta pelos sacerdotes egpcios de R. Depois, na adolescncia, ele foi viver 
em Tebas. Naquela poca, sua me tinha adquirido mais influncia do que a rainha mais velha, Sitamun, que nunca tivera um filho e herdeiro do fara, s uma filha 
chamada Nefertite. Em Tebas, Aminadab no aceitava as divindades egpcias com sua mirade de dolos; e assim ele introduziu a noo de ton, um deus onipotente que 
no tinha imagem. ton era, portanto, equivalente ao Adon dos hebreus (um ttulo emprestado da lngua fencia e que significa "Senhor"), de acordo com os ensinamentos 
israelitas. Naquela poca, Aminadab (o equivalente hebraico de Amenhotep: "Amon est alegre") mudou o nome para Akhenton, que significa "Servo de Aton".
O fara Amenhotep passou por um perodo com problemas de sade e, como no havia um herdeiro homem direto da casa real, Akhenaton desposou sua meio-irm Nefertite 
para ser co-regente durante o conturbado perodo. No devido tempo, porm, quando Amenhotep III morreu, Akhenaton pde ascender ao trono como fara, ganhando o ttulo 
oficial de Amenhotep IV. Ele e Nefertite tiveram seis filhas e um filho, chamado Tutankhton.
O fara Akhenaton fechou todos os templos dos deuses egpcios e construiu novos templos a Aton. Ele tambm administrava uma casa distintamente domstica - muito 
diferente da norma real no antigo Egito. Ele se tomou impopular em muitas frentes, particularmente entre os sacerdotes da antiga divindade nacional, Amon (ou Amen) 
e do deus sol R(ou Re), o que resultou na proliferao de intrigas contra a sua vida. As ameaas de insurreio armada eram fortes, se ele no deixasse que os deuses 
tradicionais fossem venerados junto ao deus sem rosto, ton. Mas Akhenaton recusou, e acabou sendo forado a abdicar em favor de seu primo Smencare, que foi sucedido 
pelo filho de Akhenaton, Tutankhaton. Quando assumiu o trono aos 11 anos de idade, porm, Tutankhaton foi obrigado a mudar o nome para Tutankhamon, mas s viveu 
nove ou dez anos, morrendo ainda muito jovem.
Akhenaton, enquanto isso, foi banido do Egito. Ele fugiu com alguns seguidores para a remota segurana de Sinai, levando seu cetro real, encimado por uma serpente 
de bronze. Para os seus partidrios, ele continuava sendo o monarca por direito (o herdeiro ao trono que lhe fora usurpado) e ainda era considerado por eles o Mose, 
Meses ou Mosis, que significa "herdeiro" ou "nascido de" - como no nome Tuthmosis (nascido da Verdade) e Ramss (modelado por R).
Evidncias do Egito indicam que Moiss (Akhenton) conduziu seu povo de Pi-Ramss (perto da moderna Kantra) para o sul, atravs do Sinai, e na direo do lago Timash. 
Era um territrio extremamente pantanoso e, apesar de passvel a p com certa dificuldade, qualquer cavalo ou carroa em perseguio cairia desastrosamente.
Entre os seguidores de Moiss estavam as famlias de Jac-Israel: os israelitas. E, com a inspirao de seu lder, eles construram o Tabernculo e a Arca da Aliana 
no sop do monte Sinai. Quando Moiss morreu, eles comearam a invadir a regio abandonada por seus antepassados muito tempo atrs, mas Cana (Palestina) tinha mudado 
consideravelmente nesse meio tempo, tendo sido infiltrada por ondas de filisteus e fencios. Os registros falam de grandes batalhas martimas e de poderosos exrcitos 
marchando para a guerra. Finalmente, os israelitas (sob seu novo lder, Josu) tiveram sucesso e, aps atravessar o Jordo, tomaram Jeric dos cananeus, garantindo 
uma posio segura em sua tradicional Terra Prometida.
Aps a morte de Josu, o perodo de governo nas mos de Juzes nomeados foi um rol de desastres, at que as tribos hebraicas e israelitas se uniram sob o primeiro 
rei, Saul, por volta de 1048 a.C. Futuramente, porm, com a conquista de Cana mais completa possvel, Davi de Belm se casou com a filha de Saul e se tomou rei 
de Jud (correspondente  metade do territrio palestino) por volta de 1008 a.C. Subseqentemente, ele tambm adquiriu Israel (o equilbrio do territrio) para se 
tomar rei geral dos judeus.

NO PRINCPIO
JAY E A DEUSA

Alm das exploraes militares dos israelitas, os compiladores do Antigo Testamento descreveram a evoluo da f judaica desde os tempos de Abrao. No  a histria 
de uma nao unificada devotada ao Deus Jav, e sim de uma seita tenaz que, a despeito de todas as dificuldades, esforou-se para instituir a religio dominante 
de Israel. Na opinio deles, Jav era do sexo masculino, mas esse era um conceito sectrio que originou muitos e graves problemas.
No cenrio mais amplo contemporneo, entendia-se geralmente que a criao da vida deveria emanar tanto de uma fonte masculina como de uma feminina. Outras religies 
- no Egito, na Mesopotmia e em outros lugares - tinham divindades de ambos os sexos. O deus masculino primrio costumava ser associado ao solou ao cu, enquanto 
a divindade feminina primria tinha razes na terra, no mar e na fertilidade. O sol d sua fora a terra e s guas, de onde surge a vida; uma interpretao muito 
natural e lgica.
Em relao a essas idias testas, um dos personagens mais flexveis mencionados nos textos bblicos  o filho do rei Davi, Salomo, clebre no s pela magnificncia 
e esplendor de seu reino, mas por sua sabedoria. Muito tempo depois, o legado de Salomo seria crucial para a emergente cultura do Graal, pois ele foi o verdadeiro 
defensor da tolerncia religiosa. Salomo foi rei sculos antes do perodo do cativeiro dos israelitas na Babilnia, e era uma parte importante do velho cenrio.
Na era de Salomo, Jav tinha considervel importncia, mas outros deuses tambm eram reconhecidos. Era uma poca espiritualmente incerta, na qual, no raro, as 
pessoas apostavam em deidades alternativas. Afinal de contas, com tal pletora de diferentes deuses e deusas sendo homenageados na regio, seria falta de viso depreciar 
todos, exceto um - pois quem podia afirmar que os devotos hebreus estavam certos?
Nesse sentido, a renomada sabedoria de Salomo era baseada no bom senso. Embora venerasse Jav, o Deus da seita de uma minoria, ele no tinha motivo para negar aos 
sditos o deus deles (l Reis 11:4-10). Ele prprio no abriu mo de suas crenas nas foras da natureza, independentemente de quem ou o que as liderasse.
A venerao da divindade feminina primria era muito comum e popular em Cana, onde ela assumia a forma da deusa Astorete. Ela correspondia a Ishtar, a principal 
deusa dos babilnios. Como Inana, seu templo sumrio ficava em Uruk (Ereque na Bblia, atualmente Warka) no sul da Mesopotmia, enquanto na Sria e Fencia, regies 
prximas, ela seria chamada de Astarte, segundo os antigos gregos.
O Santo dos Santos (Santurio interior) do Templo de Salomo supostamente representaria o ventre de Astorete (ou Asera, mencionada vrias vezes no Antigo Testamento). 
Astorete era venerada abertamente pelos israelitas at o sculo VI a.C. Como senhora Asera, ela era esposa superior de EI, suprema divindade masculina, e juntos 
eles formavam o casal divino. Sua filha era Anat, rainha dos Cus, e seu filho, o rei dos Cus, era chamado He. Com o passar do tempo, os personagens separados de 
EI e He se fundiram para se tornaren Jav. Asera e Anat se tornaram uma, convertendo-se na consorte de Jav, conhecida como a Sekin ou Matronit.
O nome Jav  uma transliterao posterior e um tanto anglicizada de Yahweh, por sua vez uma forma de raiz hebraica de quatro consoantes YHWH,  qual duas vogais 
foram correta ou incorretamente interpoladas. Originalmente, essas quatro consoantes (que futuramente se tornariam uma espcie de sigla para o Deus nico) representavam 
os quatro membros da famlia celeste: Y representava EI, o Pai; H era Asera, a Me; W correspondia a He, o Filho; e H era a Filha, Anat. De acordo com as tradies 
reais da poca e da regio, a misteriosa noiva de Deus, a Sekin, tambm era reconhecida como sua irm. No culto judaico da Cabala (uma disciplina esotrica que 
atingiu seu pice nos tempos medievais), a imagem dual masculina/feminina de Deus era perpetuada. Enquanto isso, outras seitas reconheciam a Sekin (ou Matronit) 
como a presena feminina de Deus na Terra. A cmara marital divina era o Santurio do Templo de Jerusalm, mas a partir do momento em que o Templo foi destru do 
a Sekin foi destinada a vagar pela Terra, enquanto o aspecto de Jav se restringia aos cus.
Em termos prticos, a solidificao do ideal hebraico do Deus masculino nico s ocorreria aps cinqenta anos de cativeiro na Babilnia (c.586-536 a.C.). Quando 
os israelitas foram deportados pela primeira vez por Nabucodonosor, eram tribos efetivamente separadas e pertencentes  pelo menos duas ramificaes tnicas principais 
(Israel e Jud), mas eles retomaram a Terra Santa com um propsito nacional comum, como "o povo escolhido de Jav".
Boa parte do que conhecemos hoje como o Antigo Testamento (a Bblia hebraica) foi primeiramente escrito na Babilnia. Portanto, no  nenhuma surpresa que histrias 
sumrias e mesopotmicas tenham se imiscudo  antiga tradio cultural judaica - incluindo relatos sobre o Jardim do den (o paraso de Eridu), o Dilvio e a Torre 
de Babel. O patriarca Abrao tinha migrado para Cana, vindo de Ur dos caldeus (na Mesopotmia), de modo que a fuso cultural era justificvel; mas permanece o fato 
de que as histrias como de Ado e Eva de modo algum se restringiam  tradio hebraica. Nesse sentido, suas vidas e relevncia histrica so discutidas extensivamente 
no livro Genesis of the Graal Kings.
Verses alternativas  verso bblica de Ado e Eva podem ser encontradas nos escritos dos gregos, srios, egpcios, sumrios e abissnios (antigos etopes). Alguns 
relatos falam da primeira consorte de Ado, Lilith, antes de ele cair nos encantos de Eva. Lilith era serva da Sekin e abandonou Ado porque ele tentou domin-la. 
Fugindo para o mar Vermelho, ela gritou "Por que devo me deitar sob ti? Sou tua igual!" Um alto-relevo em terracota sumrio, mostrando Lilith (aproximadamente de 
2000 a.C.), retrata-a nua e alada, de p sobre as costas de dois lees e segurando os bastes e anis do governo divino e da sabedoria. Apesar de no ser uma deusa 
no sentido tradicional, seu esprito encarnado teria florescido na mais renomada amante de Salomo, a rainha de Sab. Lilith  descrita no livro sagrado dos mandaens 
esotricos do Iraque como a filha do Submundo e, por toda a histria at os dias atuais, ela tem representado a tica fundamental da oportunidade da mulher.
Quando os israelitas retomaram da Babilnia para Jerusalm, os cinco primeiros Livros de Moiss foram compilados na Tora (a Lei) judaica. O resto do Antigo Testamento 
foi, entretanto, mantido separado. Durante muitos sculos, ele foi considerado sob diferentes graus de venerao e suspeito, mas, com o tempo, o livro dos Profetas 
se tomou especialmente significativo para o estabelecimento da herana judaica. O principal motivo para hesitao era que, embora os judeus fossem vistos como o 
povo escolhido de Deus, Jav no os tinha tratado de maneira muito gentil. Ele era seu Senhor tribal todo-poderoso e prometera ao patriarca Abrao exaltar a raa 
deles acima de todas as outras. E, no entanto, apesar de tudo isso, tiveram de enfrentar guerras, fome, deportao e cativeiro! Para contrabalanar as crescentes 
decepes da nao, os Livros dos Profetas reforaram a promessa de Jav, anunciando a vinda de um Messias, como Rei ou Sacerdote ungido e que serviria ao povo, 
conduzindo-o  salvao.
Essa profecia era suficiente para garantir a reconstruo do Templo de Salomo e a Muralha de Jerusalm, mas no surgiu nenhum salvador messinico. O Antigo Testamento 
termina nesse ponto no sculo IV a.c. Entretanto, a linhagem de Davi continuava, embora no ativamente reinando. E ento, mais de 300 anos depois, comeou um captulo 
inteiramente novo da histria soberana, quando o revolucionrio herdeiro de Jud corajosamente se lanou no domnio pblico. Era Jesus Nazareno, o Rei de jure de 
Jerusalm.

HERANA DO MESSIAS

O Novo Testamento retoma a histria nos ltimos anos antes de Cristo. Mas o perodo intermedirio e no relatado foi imensamente importante, pois montou a cena poltica 
na qual o aguardado Messias faria a sua entrada.
A era comeou com a ascenso ao poder de Alexandre, o Grande, da Macednia, que derrotou o imperador persa Dario em 333 a.C. Aps destruir a cidade de Tiro, na Fencia, 
ele marchou para o Egito e construiu sua cidadela de Alexandria. Com controle total do imprio persa, Alexandre prosseguiu pela Babilnia, dirigindo-se ainda mais 
para o leste, at finalmente conquistar o Punjab. Quando morreu prematuramente em 323 a.C., seus generais assumiram o controle. Ptolomeu Soter tomou-se o governador 
do Egito e Seluco foi governar a Babilnia, enquanto Antgono dominou a Macednia e a Grcia. Na virada do sculo, a Palestina tambm foi anexada ao Imprio de 
Alexandre.
Nesse ponto, uma nova fora crescia na Europa: a Repblica de Roma. Em 264, os romanos expulsaram os govemantes cartagineses da Siclia capturando tambm Crsega 
e Sardenha. O grande general cartagins Anbal retaliou, tomando Saguntum (atualmente na Espanha); e avanou com suas tropas pelos Alpes, mas foi impedido pelos 
romanos em Zama. Enquanto isso, Antoco m (um descendente do general macednio Seluco) tomou-se rei da Sria. At 198 a.C., ele j tinha se livrado das influncias 
egpcias para se tomar mestre da Palestina. Seu filho, Antoco IV Epfanes, ocupou Jerusalm - imediatamente provocando uma revolta liderada pelo sacerdote Judas 
Macabeu. Ele foi morto em batalha, mas os macabeus conquistaram a independncia israelita em 142 a.C.
Numa luta contnua, os exrcitos romanos destruram Cartago e formaram a nova provncia de Roma do Norte da frica. Outras campanhas deixaram a Macednia, a Grcia 
e a sia Menor sob controle romano. Mas as disputas eclodiam em Roma porque as guerras de Cartago (ou pnicas) tinham arruinado os fazendeiros da Itlia enquanto, 
ao mesmo tempo, enriqueciam a aristocracia, que construa grandes propriedades utilizando trabalho escravo. O lder democrata Tibrio Graco adiantou propostas para 
uma reforma agrria em 133 a.C., mas foi assassinado pelo partido senatorial. Seu irmo assumiu a causa dos fazendeiros e tambm foi assassinado, sendo a liderana 
democrtica passada para o comandante militar Caio Mrio.
Em 107 a.C., Caio Mrio era cnsul de Roma. Mas o Senado encontrou um campeo prprio: Lcio Cornlio Sula, que deps Mrio e se tornou ditador em 82 a.C. Seguiu-se 
um horrvel reinado de terror at o estadista democrata e general Caio Jlio Csar ganhar popularidade e ser devidamente eleito para o mais importante posto em 63 
a.C.
Naquele mesmo ano, as legies romanas marchavam at a Terra Santa, que j se encontrava em estado de tumulto sectrio. Os fariseus, que observavam as antigas leis 
judaicas, bem mais estritas, tinham se revoltado contra a cultura grega, mais liberal. Fazendo isso, eles se opunham tambm  casta sacerdotal dos saduceus, e o 
ambiente intranqilo deixava a regio vulnervel a invases. Vendo a oportunidade, os romanos, sob a liderana de Pompeu Magno (Pompeu, o Grande), subjugaram a Judia 
e tomaram Jerusalm, tendo anexado a Sria e o resto da Palestina.
Enquanto isso, a hierarquia romana tambm sofria seus reveses. Jlio Csar, Pompeu e Crasso formaram o primeiro Triunvirato governante em Roma, mas sua administrao 
conjunta sofreu quando Csar foi enviado  Glia enquanto Crasso supervisionava a situao em Jerusalm. Em sua ausncia, Pompeu mudou suas tendncias polticas, 
desertando os democratas e juntando-se aos aristocratas republicanos. Com o retorno de Csar, eclodiu a guerra civil. Csar foi o vitorioso ~m Frsalo, na Grcia, 
e acabou obtendo total controle das provncias imperiais quando Pompeu fugiu para o Egito.
At aquela poca, a rainha Clepatra VII governava o Egito ao lado de seu irmo Ptolomeu XIII. Entretanto, Csar visitou Alexandria e conspirou com Clepatra, que 
mandou assassinar o prprio irmo e comeou a governar sozinha. Csar prosseguiu com suas campanhas na sia Menor e no Norte da frica, mas ao retomar a Roma em 
44 a.C. foi assassinado pelos republicanos nos idos de maro. Seu sobrinho Caio Otvio formou um segundo Triunvirato com o general Marco Antnio e o estadista Marco 
Lpido. Otvio e Marco Antnio derrotaram os principais assassinos de Csar, Bruto e Cssio, em Filipe, na Macednia, mas Marco Antnio abandonara sua esposa Otvia 
(irm de Otvio) para ficar com Clepatra. Isso levou Otvio a declarar guerra contra o Egito, vencendo na Batalha de Actium, o que levou ao suicdio de Marco Antnio 
e Clepatra.
A Palestina, nesse ponto, era composta de trs provncias separadas: Galilia, ao norte, Judia, ao sul e Samaria entre as duas. Jlio Csar tinha colocado o idumeu 
Antipater como Procurador da Judia, com seu filho Herodes como governador da Galilia, mas Antipater foi morto pouco depois, e Herodes foi chamado a Roma para ser 
nomeado rei da Judia.
Para a maioria de seus sditos, Herodes era um usurpador rabe. Ele tinha se convertido a uma forma de Judasmo, mas no era da sucesso de Davi. Na prtica, a autoridade 
de Herodes se confinava  Galilia,j que a Judia era governada pelo procurador romano na Cesaria. Entre os dois, o regime era rigoroso ao extremo, e mais de 3.000 
crucificaes sumrias foram feitas para forar a populao  submisso. Impostos proibitivos eram cobrados, a tortura se tornara uma prtica comum e a taxa de suicdio 
entre os judeus subia de maneira alarmante.
Foi em meio a esse ambiente brutal que Jesus nasceu: um clima de opresso controlado por um monarca-marionete, apoiado por uma fora ocupacional militar altamente 
organizada. Os judeus viviam desesperados pelo seu to aguardado Messias ("Ungido" - do verbo hebraico maisach, "ungir"), mas nem se pensava que tal Messias fosse 
divino. O que as pessoas esperavam era um libertador que usasse a fora para garantir-lhes a liberdade dos senhores romanos. Entre os famosos Pergaminhos do Mar 
Morto, o texto conhecido como a Regra de Guerra determina uma estratgia para a batalha final, chamando o Messias de comandante militar supremo de Israel.

PERGAMINHOS RETRATADOS

Os Pergaminhos do Mar Morto so atualmente os recursos mais teis para compreendermos a cultura judaica da era anterior aos evangelhos, mas foram descobertos por 
acaso em 1947. Um pastorzinho beduno, Mohammed ed-Di'b, estava procurando uma cabra perdida nas cavernas de um penhasco de Qumr, perto de Jeric, quando encontrou 
um nmero de antigos e altos potes de terra. Foram chamados arquelogos profissionais e feitas escavaes - no s em Qurnr, mas tambm em Muraba e Mird, nas proximidades, 
e no deserto da Judia. Muitos outros foram descobertos em 11 cavernas diferentes. Ao todo, os potes continham 500 manuscritos rabes e aramaicos - entre eles, escritos 
do Antigo Testamento e numerosos documentos de registros das comunidades, com algumas de suas tradies remontando a cerca de 250 a.C. Os Pergaminhos tinham sido 
escondidos durante a Revolta dos Judeus contra os romanos (entre 66 e 70 d.C.) e jamais recuperados. O livro do Antigo Testamento de Jeremias (32:14) Diz profeticamente: 
"Assim diz o Senhor dos Exrcitos: Toma esta escritura... Tanto a selada como a aberta, e mete-as num vaso de barro, para que se possam conservar por muitos dias. 
Entre os textos mais importantes dos manuscritos, o Pergaminho de Cobre traz um inventrio, dando as localizaes dos tesouros de Jerusalm e do cemitrio do vale 
de Cedrom. O Pergaminho da Guerra contm um relato completo de tticas e estratgias militares. O Manual da Disciplina especifica as leis e a prtica legal junto 
ao ritual habitual e descreve a importncia de um Conselho dos Doze, designado para preservar a f da terra. O fascinante Habacuc Pesher faz um comentrio sobre 
as personalidades contemporneas e desenvolvimentos importantes da poca. Tambm faz parte da coleo um manuscrito completo de Isaas que, com cerca de 9 metros 
de comprimento,  o pergaminho mais longo, sculos mais velho que qualquer outro documento conhecido dos livros do Antigo Testamento.
Para complementar essas descobertas, outro achado significativo da era anterior aos Evangelhos tinha sido feito dois anos antes. Em dezembro de 1945, dois irmos 
camponeses, Mohammed e Khalifah. Ali, estavam escavando em busca de fertilizantes num cemitrio perto da cidade de Nag Hammadi, quando encontraram um grande pote 
selada contendo livros encadernados com couro. As folhas de papiro dos livros continham um sortimento de escrituras, compostas na tradio que futuramente seria 
conhecida como gnstica (viso esotrica). Obras inerentemente crists, mas com tons judaicos, elas ficaram conhecidas como a Biblioteca de Nag Hammadi. 
Os livros foram escritos na antiga lngua cptica do Egito, durante os primeiros anos da era crist. O Museu Cptico em Cairo certificou que eram, na verdade, cpias 
de obras muito mais velhas, originalmente compostas em grego. De fato, descobriu-se que alguns dos textos tinham origens muito remotas, incorporando tradies anteriores 
ao ano de 50 d.C. Os 52 tratados separados incluem vrios textos religiosos e alguns Evangelhos at ento desconhecidos. Eles costumam retratar um ambiente muito 
diferente daquele descrito na Bblia. Sodoma e Gomorra, por exemplo, no so apresentadas como centros de perversidade e lascvia, mas como cidades de grande sabedoria 
e cultura. Servindo mais ao nosso propsito aqui, eles descrevem um mundo no qual Jesus narra pessoalmente a Crucificao e seu relacionamento com Maria Madalena 
atinge novas e elucidativas propores.

A revoluo em 168 a.C., na qual a casta sacerdotal dos Macabeus chegou  proeminncia, foi grandemente impulsionada pela ao do rei Antoco IV Epfanes da Sria, 
que imps um sistema de culto grego  comunidade judaica. Posteriormente, os Macabeus consagraram o Templo novamente, mas, apesar do sucesso dos judeus contra Antoco, 
muito dano social interno fora causado porque a campanha os tinha obrigado a lutar no sab. Um ncleo de rigorosos judeus devotos conhecidos como os Hassdicos ("os 
piedosos") se opunha fortemente a isso e, quando a triunfante Casa dos Macabeus assumiu o controle e colocou seu rei e sumo sacerdote em Jerusalm, os hassdicos 
no s expressaram sua oposio, mas tambm saram em massa da cidade para estabelecer sua comunidade "pura" nas proximidades do deserto de Qumr. O trabalho de 
construo foi iniciado em 130 a.C.
Muitas relquias da poca j foram descobertas e, na dcada de 1950, mais de mil covas foram desenterradas em Qumr. Um vasto complexo monstico da segunda habitao 
tambm foi exposto, com salas de reunies, bancos de gesso, uma enorme cisterna de gua e um labirinto de canais de gua. Na sala dos escrives havia poos de tinta 
e os vestgios das mesas onde os Pergaminhos eram estendidos - alguns com mais de cinco metros de comprimento. Foi confirmado por arquelogos e estudiosos que o 
assentamento original fora danificado num terremoto e reconstrudo pelos essnios no fim da era herodotiana. Os essnios formavam uma das trs principais seitas 
judaicas filosficas (as outras duas sendo os fariseus e os saduceus).        .
Muitos manuscritos bblicos foram encontrados em Qumr, relacionados a livros como Gnesis, xodo, Deuteronmio, Isaas, J e outros. H tambm comentrios a respeito 
de textos selecionados e vrios documentos de leis e registros. Entre esses antigos livros esto alguns dos mais antigos escritos j encontrados, precedendo a qualquer 
fonte de onde a Bblia tradicional tenha sido traduzi da. De particular interesse so certos comentrios bblicos compilados pelos escrives que relacionam os textos 
do Antigo Testamento aos eventos histricos de sua prpria poca.Tal correlao  especialmente visvel no comentrio dos escrives sobre os Salmos e alguns livros 
profticos como Naum, Habacuc e Osias.
A tcnica aplicada para relacionar desse modo esses escritos do Antigo Testamento  era no Novo Testamento se baseava no uso do "conhecimento escatolgico" - uma 
forma de representao codificada que usava palavras e passagens tradicionais s quais eram atribudos significados especiais e relevantes ao entendimento contemporneo. 
Esses significados s podiam ser compreendidos por aqueles que conheciam o cdigo.
Os essnios eram treinados no uso desse cdigo alegrico, que ocorre nos textos do Evangelho, particularmente em relao quelas parbolas transmitidas pelas palavras 
"quem tem ouvidos para ouvir, oua". Quando, os escrives se referiam aos romanos, por exemplo, escreviam sobre os Kittim - ostensivamente um nome para os povos 
da costa mediterrnea, termo que tambm era usado para denotar os antigos caldeus, que o Antigo Testamento descreve como "os caldeus, nao amarga e impetuosa, que 
marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que no so suas" (Habacuc 1:6). Os essnios ressuscitaram a velha palavra e a usaram em sua poca, e 
os leitores esclarecidos sabiam que Kittim era sempre uma referncia aos romanos.
Para que os Evangelhos no fossem compreendidos pelos romanos, eles foram, em grande parte, construdos com camadas duplas de significado (escritura evanglica na 
superfcie e informao poltica por baixo), e as mensagens cuidadosamente dirigidas geralmente se baseavam em cdigos de substituio passados pelos escrives. 
Entretanto, um conhecimento bsico do cdigo s se tornou acessvel quando os Pergaminhos do Mar Morto foram descobertos recentemente. A partir de ento, o entendimento 
da tcnica crptica propiciou maior compreenso da inteligncia poltica velada nos textos dos Evangelhos. O mais extenso trabalho nesse campo  o de uma renomada 
teloga, a Dra Brbara Thiering, conferencista da Universidade de Sydney, a partir de 1967.
A Dr Thiering explica o cdigo de forma muito clara. Jesus, por exemplo, era citado como "a palavra de Deus". Assim, uma passagem superficialmente rotineira como 
em 2 Timteo 2:9: "A palavra de Deus no est algemada" seria imediatamente compreendida como uma referncia a Jesus - nesse caso indicando que Jesus no estava 
confinado. De modo semelhante, o imperador romano era chamado de Leo. Portanto, ser "salvo da boca do leo" significava escapar das garras do imperador e de seus 
oficiais.
O estudo dos Pergaminhos - particularmente o Pesharim, o Manual da Disciplina, a Regra da Comunidade e a Liturgia Anglica revela um nmero de definies em cdigo 
e pseudnimos que costumavam ser mal compreendidos ou no considerados importantes. Por exemplo, os "pobres" no eram os cidados atingidos pela pobreza e marginalizados, 
e sim aqueles que tinham sido iniciados nos escales mais altos da comunidade e, por causa disso, eram obrigados a abandonar suas propriedades e posses mundanas. 
"Muitos" era um ttulo usado para os lderes da comunidade celibatria, enquanto "multido" era uma designao do tetrarca (governador) regional e uma "concentrao 
de gente" era um conselho governante. Os novios no estabelecimento religioso eram chamados de "crianas" (filhos). O tema doutrinal da comunidade era conhecido 
como o Caminho e aqueles que seguiram os princpios do Caminho eram conhecidos como os Filhos da Luz.
O termo "leprosos" costumava ser usado para denotar aqueles que no tinham sido iniciados na comunidade superior, ou por ela denunciados. Os "cegos" eram aqueles 
que no partilhavam do Caminho e, portanto, no viam a Luz. Nesse sentido, os textos mencionando "cura de um cego ou cura de um leproso" referem-se mais especificamente 
ao processo de converso ao Caminho. Livrar-se da excomunho era descrito "ser ressuscitado" (um termo especialmente importante, ao qual retomaremos). A definio 
de "impuro" se referia principalmente aos gentios no circuncidados, enquanto o termo "doente" denotava as pessoas cadas em desgraa pblica ou clerical.
Tais informaes, ocultas no Novo Testamento, tinham considervel relevncia quando foram escritas, e continuam tendo. Os mtodos de disfarar as verdadeiras significaes 
incluam alegoria, simbolismo, metfora, smile, definio sectria e pseudnimos. Os significados ficavam totalmente claros, porm, para aqueles que "tinham ouvidos 
para ouvir".
H, de fato, muitas formas semelhantes de jargo nas lnguas modernas. Pessoas no totalmente familiarizadas com o portugus, por exemplo, podem ter dificuldade 
em entender expresses como "o Orador se dirigiu ao Gabinete", "os presentes se opuseram ao painel". Tambm nos termos do Novo Testamento, havia uma linguagem esotrica, 
que inclua nuvens, ovelhas, peixes, pes, corvos, pombas e camelos. Todas essas classificaes eram pertinentes, porque se referiam a pessoas - assim como hoje 
usamos tubaro, touro, urso, etc. Hoje em dia nos referimos aos artistas de cinema como "estrelas", enquanto os investidores no mundo do entretenimento so chamados 
de "anjos". Como um leitor do futuro, digamos daqui a 2.000 anos, sem conhecimento dessas expresses, entenderia a frase: "O anjo estava converSando com as estrelas"?
Alm disso, alguns termos esotricos no Novo Testamento no descreviam apenas o status social das pessoas, mas eram ttulos com especial relevncia  tradio do 
Antigo Testamento. A doutrina que a comunidade considerava sua mensagem-guia era a Luz, e essa era representada por uma triarquia de alto escalo (correspondendo, 
respectivamente, a Sacerdote, Rei e Profeta) que retinha os ttulos simblicos de Poder, Reino e Glria. No patriarcado, o Pai era supremo e seus dois assistentes 
imediatos eram designados como seu Filho e seu Esprito.

ARMAGEDON

Alguns dos registros no-bblicos mais importantes da era do Novo Testamento foram preservados nos escritos de Flvio Josefo,  cujas obras Antiguidades Judaicas 
e Wars of the Jews foram escritas sob um ponto de vista pessoal, pois ele era o comandante militar na defesa da Galilia durante a Revolta dos Judeus no primeiro 
sculo da era crist.
Josefo explica que os essnios eram muito bem treinados na arte da cura e receberam seus conhecimentos teraputicos sobre razes e pedras dos antepassados. Realmente, 
o termo essnio pode se referir a essa especialidade, pois a palavra aramaica asayya significava mdico e correspondia ao termo grego essenoi.
Uma crena fundamental dos essnios era que o Universo continha os dois espritos cardeais de Luz e Escurido. A Luz representava a verdade e a justia, enquanto 
a Escurido indicava a perversidade e o mal. O equilbrio entre as duas no Cosmos era alcanado pelo movimento celestial, e as pessoas recebiam iguais propores 
de cada esprito, conforme determinado pelas circunstncias planetrias de seu nascimento. A batalha csmica entre Luz e Escurido era, assim, perpetuada na humanidade 
e entre uma pessoa e outra: algumas continham proporcionalmente mais Luz; outras, mais Escurido.
Deus era considerado o governante supremo, acima dos dois espritos cardeais, mas, para encontrar o Caminho da Luz, era preciso seguir uma longa e rdua trilha de 
conflito. Essa trilha culminava num confronto final de uma fora contra outra num Tempo de Justificativa, posteriormente chamado de Dia do Julgamento. Acreditava-se 
que,  medida que esse momento se aproximava, as foras da Escurido ganhavam foras durante um Perodo de Tentao. Aqueles que seguiam o Caminho da Luz se esforavam 
para evitar a impendente avaliao, com a splica "No nos deixeis cair em tentao, mas livrai-nos do mal".
Pela tradio, o Esprito da Escurido era identificado com Belial (indigno), cujos filhos (Deuteronmio 13:13) veneravam outros deuses que no Jav. O Esprito 
da Luz era sustentado pela hierarquia e simbolizado por um castial de sete braos, o Menor. Na poca dos reis descendentes de Davi, o sacerdote de Zadoque era 
considerado o principal proponente da Luz.
Mas assim como o Esprito de Luz tinha seu representante na Terra, o da Escurido tambm tinha. Era uma nomeao designada pelo Chefe dos Escrives, cujo propsito 
era fornecer uma oposio formal dentro da estrutura hierrquica. Uma responsabilidade prioritria do designado Prncipe das Trevas era testar as iniciadas com o 
celibato, capacidade que lhe conferia o ttulo hebraico de satans ("Acusador"). O ttulo equivalente em grego era diabolos ("Agressor"), originando a palavra "diabo" 
ou, em ingls, devil (a voz de satans no era diferente da do advogado do diabo, que tenta os candidatos potenciais  canonizao na Igreja Catlica Romana).
No livro do Apocalipse (16:16), a grande guerra final entre Luz e Escurido (entre o bem e o mal)  prevista para acontecer em Armagedon (Bar Megiddo: os Altos de 
Megido), um importante campo de batalha palestino, onde uma fortaleza militar guardava as plancies de Jezreel, ao sul das colinas da Galilia. O Pergaminho da Guerra 
descreve em detalhes a iminente luta entre os Filhos da Luz e os Filhos da Escurido.46 As tribos de Israel ficariam de um lado, com os Kittim (romanos) e vrias 
faces do outro. No contexto dessa guerra intensa, porm, no h meno de um satans onipotente - esse tipo de imagem mtica no fazia parte da viso que a comunidade 
tinha do Juzo Final. O conflito seria uma questo puramente mortal entre a Luz, que era Israel, e a Escurido da Roma Imperial.
Muito tempo depois, a noo fundamental por trs desse antigo conceito foi adaptada pela emergente Igreja de Roma. A batalha simblica de Bar Megiddo foi removida 
de sua localizao especfica e reaplicada a uma escala mundial, com Roma (a Escurido) usurpando a Luz para seus propsitos. Para que o poder dos bispos catlicos 
prevalecesse, foi estrategicamente declarado que o Dia do Juizo Final ainda no chegara. Aqueles que obedecessem aos princpios revisados da Igreja Catlica Romana 
tinham a promessa de entrar no Reino dos Cus, santificados pelos bispos. A fortaleza local e temporal de Har Megiddo foi, portanto, investi da de toques sobrenaturais, 
de modo que a prpria palavra Armagedon adquiriu um hediondo tom de terror apocalptico. Implicava o temvel fim de todas as coisas, de onde a nica rota at a salvao 
era a absoluta obedincia aos princpios de Roma. Foi, de fato, uma das mais engenhosas manobras polticas de todos os tempos.

JESUS, FILHO DO HOMEM

A CONCEPO IMACULADA

Os Evangelhos do Novo Testamento so escritos de maneira que no  comum em nenhum outro tipo de literatura. Entretanto, seu mtodo de construo no foi acidental, 
pois eles tinham um propsito especfico e no pretendiam relatar fatos histricos. O objetivo dos Evangelhos era transmitir uma mensagem evanglica (grego: eu-aggelos 
- "trazer boas notcias"). A palavra inglesa Gospel (evangelho)  uma traduo anglo-saxnia do grego, significando exatamente a mesma coisa.
O Evangelho original de Marcos foi escrito em Roma, por volta de 66 d.C. Clemente de Alexandria, o clrigo do sculo II, confirmou que ele fora divulgado numa poca 
em que os judeus da Judia se revoltavam contra a ocupao romana e estavam sendo crucificados aos milhares. O autor do Evangelho, portanto, obviamente se preocupava 
com a prpria segurana e no podia apresentar um documento que fosse abertamente anti-romano; sua misso era espalhar as Boas Novas, no criar motivo para a condenao 
delas. O Evangelho de Marcos era uma mensagem de apoio fraterno, uma promessa de salvao independente para aqueles que viviam sob o jugo do domnio sufocante de 
Roma. Tal previso de liberdade tranqilizava o esprito das pessoas e aliviava parte da presso dos governantes, cuja subjugao era sentida em todo o imprio.
Subseqentemente, o Evangelho de Marcos se tomou uma fonte de referncia para os Evangelhos de Mateus e Lucas, cujos autores se estenderam bem mais no tema. Por 
esse motivo, os trs so conhecidos juntamente como os Evangelhos Sinpticos (grego: syn-optikos - "[ver] com os mesmos olhos"), embora se contradigam em alguns 
aspectos.
O Evangelho de Joo difere dos outros em contedo, estilo e conceito, sendo influenciado pelas tradies de uma seita comunitria especfica. Ele no , portanto, 
nem um pouco ingnuo em seu relato da histria de Jesus e, conseqentemente, teve seus seguidores, que preservaram a distino entre ele e os Evangelhos Sinpticos. 
Joo tambm inclui inmeros pequenos detalhes que no aparecem em outros lugares: um fator que levou muitos estudiosos a concluir que  um testemunho mais apurado, 
em termos gerais.
O primeiro Evangelho publicado, o de Marcos, no menciona a Concepo Imaculada. Os Evangelhos de Mateus e Lucas a destacam com variados graus de nfase, mas a Concepo 
 totalmente ignorada em Joo. No passado, como agora, os clrigos, estudiosos e professores lidavam com a dificuldade de analisar o material variante, o que resultou 
em escolhas de crena baseadas num grupo de documentos que so muito vagos em determinadas partes. Conseqentemente, alguns pedaos foram extrados de cada Evangelho, 
a ponto de se criar um pseudo-evangelho totalmente novo. Aos estudantes se diz simplesmente que "a Bblia diz isso", ou "a Bblia diz aquilo". Para' estudar a Concepo 
Imaculada, os estudantes da Bblia so instrudos a procurar Mateus e Lucas. Quanto a outros aspectos, a instruo  que se recorra ao Evangelho ou aos Evangelhos 
respectivos, como se todos fossem captulos constituintes da mesma obra geral, quando, na verdade, no so.
Com o passar dos sculos, vrias especulaes sobre contedo bblico se tomaram interpretaes, sendo estabelecidas como dogmas pela Igreja. As doutrinas emergentes 
foram integradas  sociedade como se fossem fatos positivos. Alunos em escolas e igrejas raramente aprendem que Mateus dizia que Maria era virgem, mas Marcos no; 
ou que Lucas menciona a manjedoura onde Jesus foi colocado, enquanto os outros Evangelhos no; ou ainda que nenhum dos Evangelhos faz a mais vaga referncia a um 
estbulo, que se tomou parte integrante da tradio popular. O ensinamento seletivo dessa espcie no se aplica s  Natividade em Belm, mas a muitos incidentes 
na vida conhecida de Jesus. As crianas crists aprendem uma histria sutilmente compilada, que extrai os traos mais interessantes de cada Evangelho e os une num 
nico conto bem elaborado, que nunca foi escrito.
O conceito da Concepo Imaculada, ou do nascimento imaculado de Jesus,  o verdadeiro mago da tradio crist ortodoxa. Mesmo assim,  mencionado apenas em dois 
dos quatro Evangelhos e em nenhum outro lugar no Novo Testamento. Em Mateus 1:18-23, lemos:

"Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando Maria, sua me, desposada com Jos, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grvida pelo Esprito Santo. 
Mas Jos, seu esposo, sendo justo e no a querendo infamar, resolveu deix-la secretamente.
Enquanto ponderava nestas coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor, dizendo: 'Jos, filho de Davi, no temas receber Maria,tua mulher, porque o 
que nela foi gerado  do Esprito Santo. Ela dar  luz um filho e por-lhe- o nome de Jesus, porque ele salvar o seu povo dos pecados deles'.
Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermdio do profeta: eis que a virgem conceber e dar  luz um filho, e ele ser 
chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco."

O profeta mencionado  Isaas, que, em 735 a.C., quando Jerusalm se encontrava sob ameaa da Sria, proclamou ao perturbado rei Acaz: "Ouvi, agora,  casa de Davi... 
Eis que a virgem conceber e dar  luz um filho e lhe chamar Emanuel" (Isaas 7:13-14).41 Mas no h indicao alguma de que Isaas estivesse prevendo o nascimento 
de Jesus, mais de 700 anos atrs. Essa revelao de nada teria servido a Acaz, em seus momentos de desespero. Como muitos exemplos no Novo Testamento, esse ilustra 
o modo como os eventos dos Evangelhos costumavam ser interpretados para se adequar s ambguas profecias.
Fora isso, a compreenso popular do texto do Evangelho se baseia em muitos outros conceitos errneos. A palavra semtica traduzida como "virgem" era almah, que na 
verdade significava apenas uma "mulher jovem". A palavra comparativa denotando uma mulher virgem era bethulah. Em latim, a palavra virgo significava simplesmente 
"no-casada" e, com a implicao da moderna conotao de "virgem", o substantivo latino teria de ser qualificado pelo adjetivo intacta (i.e., virgo intacta), dando 
a idia de inexperincia sexua1.
A virgindade fsica atribuda a Maria se toma ainda menos crvel em relao s afirmaes catlicas dogmticas de que ela era "sempre virgem". No  segredo que 
Maria teve outros filhos, como se confirma em cada um dos Evangelhos: "No  este o filho do carpinteiro? No se chama sua me Maria, e seus irmos, Tiago, Jos, 
Simo e Judas?" (Mateus 13 :55). Tanto em Lucas 2:7 como em Mateus 1:25, Jesus  citado como "o primognito de Maria". A citao acima de Mateus, alm do mais, descreve 
Jesus como "o filho do carpinteiro" (ou seja, o filho de Jos) e Lucas 2:27 se refere claramente a Jos e Maria como os "pais" de Jesus. Tanto Mateus 13:56 como 
Marcos 6:3 indicam que Jesus tambm tinha irms.

A descrio de Jesus como filho de um carpinteiro  outro exemplo de como uma linguagem posterior interpretou erroneamente o significado original. No  uma traduo 
deliberadamente errada, mas mostra como algumas razes hebraicas e aramaicas, envoltas em textos gregos, no possuem termos correspondentes em outras lnguas. O 
termo traduzido como "carpinteiro" representa o sentido muito vasto do antigo grego, ho tekton, que  equivalente  palavra semtica naggar. Como explicou o estudioso 
semtico Dr. Geza Vermes, essa palavra descritiva talvez possa ser aplicada a um trabalhador de oficio, mas  mais provvel que defina um estudioso ou professor. 
Certamente no descrevia Jos como um arteso da madeira; definia-o, isto sim, como homem de habilidades - um homem instrudo e mestre de uma profisso. Na verdade, 
as melhores tradues de ho tekton dizem respeito a um Mestre Arteso ou um Mestre da Arte: um termo ainda usado na Maonaria livre moderna.
Do mesmo modo, a meno em Lucas do beb Jesus sendo colocado numa manjedoura gerou o conceito da Natividade num estbulo, completa com todos os animais tpicos 
e em reverncia. Mas no h base para essa imagem; nenhum estbulo  mencionado nos Evangelhos originais ou autorizados. Na verdade, em Mateus 2:11 vemos claramente 
que o menino Jesus estava deitado dentro de uma casa: "Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua me. Prostrando-se, o adoraram."
Devemos observar tambm que as palavras exatas usadas em Lucas 2:7 explicam que Jesus foi colocado numa manjedoura porque no havia lugar "na hospedaria", no "em 
toda a rea da hospedaria", como se subentende (a despeito do fato de no existirem hospedarias na regio). O autor e bigrafo A. N. Wilson especifica, porm, que 
o texto original grego (do qual o Novo Testamento foi traduzido) na verdade diz que no havia "topos na kataluma" - denotando que no havia " lugar na sala".  Na 
realidade, era comum usarem manjedouras (gamelas para alimentar animais) na falta de bero.



MATRIMNIO DINSTICO

De acordo com a citao em Hebreus 7:14, Jesus era da tribo de Jud.  evidente, portanto, que pertencia  linhagem do rei Davi. As escrituras tambm dizem que Jesus 
era de Nazar, mas isso no significa que ele tenha vindo da cidade de Nazar. Embora Lucas 2:39 sugira que a famlia de Jos fosse de Nazar, o termo nazareno (ou 
nazireu) era estritamente sectrio e nada tinha a ver com o lugar.
Em Atos 24:5, So Paulo  acusado de sedio religiosa diante do governador de Cesaria: "Este homem  uma peste e promove sedies entre os judeus esparsos por 
todo o mundo, sendo tambm o principal agitador da seita dos nazarenos". O termo rabe para cristos  Nasrani e o Alcoro islmico se refere aos cristos como Nasara 
ou Nazara. Essas variantes derivam do hebraico Nozrim, um substantivo plural originrio da descrio Nazire ha-Brit (Mantenedores da Aliana), uma designao da 
comunidade essnia em Qumr, no mar Morto.
Na verdade, h controvrsias quanto  real existncia do lugar chamado Nazar na poca de Jesus, pois no aparece nos mapas contemporneos nem em livros, documentos, 
crnicas ou registros militares do perodo, de compilao romana ou local. Mesmo So Paulo, que narra em suas cartas muitas das atividades de Jesus, no faz aluso 
a Nazar. Pelo que se saiba, Nazar (que no aparece no Talmude hebraico) no tinha a menor importncia antes da destruio de Jerusalm em 70 d.C., muito tempo 
depois da crucificao de Jesus.
Joo Batista e o irmo de Jesus, Tiago, eram nazarenos; mas o termo sectrio equivalente mais antigo, nazireu, pode ser encontrado nas figuras de Sanso e Samuel, 
do Antigo Testamento. Os nazireus eram indivduos ascticos comprometidos por votos rgidos durante perodos predeterminados, como se v em Nmeros 6:2-21. Na era 
dos Evangelhos, os nazireus eram associados  comunidade essnia de Qurnr - o ambiente de Jos e Maria. A comunidade observava certas estritas disciplinas em relao 
a noivado e matrimnio dinstico; por isso, devemos nos referir  virgindade de Maria nesse contexto especfico.
Tanto Mateus 1:18 como Lucas 2:5 afirmam que Maria estava "desposada" com Jos, e a partir de ento ela  chamada de "mulher" dele. Nesse sentido, a palavra "desposada" 
no significa noiva; o termo se refere a um matrimnio contratual.
Mas em quais circunstncias uma mulher casada seria tambm virgem? Para responder a essa pergunta, devemos nos referir  palavra semtica original almah - que foi 
traduzida como "virgem" (de virgo) e incorretamente interpretada como virgo intacta.
Como vimos, o real significado de almah era "jovem mulher" (sem conotao sexual). Era perfeitamente possvel, portanto, que Maria fosse ao mesmo tempo almah e esposa 
de Jos. Vejamos novamente como Mateus descreve o momento em que Jos descobre a gravidez de Maria, e tinha de decidir se a esconderia ou no. Seria perfeitamente 
normal para uma mulher casada engravidar, mas no era o caso de Maria.
Como esposa de um marido dinstico, Maria deveria se guiar pelas regras aplicveis s linhagens messinicas (ungidas) como as do rei Davi e do sacerdote Zadoque. 
Na verdade, Maria estava vivendo um perodo de provao estatutria, como uma mulher casada da hierarquia dinstica (um perodo nupcial em que as relaes sexuais 
eram proibidas) e Jos ficaria publicamente embaraado caso a gravidez dela fosse revelada. A situao foi resolvida somente quando o sumo sacerdote de Abiatar (o 
designado Gabriel) concedeu aprovao para o confinamento.
Desde os tempos do rei Davi, a dinastia de Abiatar (2 Samuel 20:25) foi estabelecida na hierarquia dos sacerdotes superiores. A linhagem de Zadoque era a herana 
sacerdotal primria e a de Abiatar era a segunda. Alm dos ttulos sacerdotais tradicionais, os essnios tambm preservaram os novos dos arcanjos do Antigo Testamento 
em sua estrutura governante. Da, o sacerdote de Zadoque era tambm o arcanjo Miguel, enquanto o sacerdote de Abiatar (independentemente de seu nome pessoal) seria 
o anjo Gabriel. Sendo subordinado a Zadoque/Miguel (o Senhor: "como Deus"), Abiatar/Gabriel era o anjo designado do Senhor (o embaixador do Miguel/Zadoque). Esse 
sistema anglico aparece em detalhes no Livro 1 de Enoque 4:9, enquanto o Pergaminho da Guerra 9:15-17 identifica a ordem dos anjos de classe sacerdotal durante 
a era dos Evangelhos.
No relato de Lucas, foi pela intermediao do anjo Gabriel que a gravidez de Maria recebeu aprovao, tomando-se conseqentemente sagrada. Tal fato ficou conhecido 
como a Anunciao, mas se tratava mais de uma questo de sancionar do que anunciar.
Antes do nascimento de Jesus, o sumo sacerdote de Zadoque (Miguel) era Zacarias. Sua esposa era Isabel, a prima de Maria, e seu assistente, o sacerdote de Abiatar 
(Gabriel), era Simeo, o Essnio. Foi ele quem concedeu o consentimento formal para o confinamento de Maria, embora ela e Jos tivessem desobedecido s regras do 
matrimnio domstico.
 evidente que essas regras domsticas no eram banais, e eram totalmente diferentes da norma marital judaica. Parmetros de operao eram explicitamente definidos, 
ditando um estilo de vida celibatrio, exceto para a procriao de filhos e, mesmo assim, a intervalos determinados. Trs meses depois de uma cerimnia de noivado, 
um Primeiro Casamento era formalizado para que o perodo da vida conjugal comeasse no ms de setembro. As relaes fsicas eram permitidas, ento, mas s na primeira 
metade de dezembro. Isso era para garantir que qualquer nascimento messinico resultante ocorresse no ms do Perdo (setembro). Se a noiva no concebesse, as relaes 
ntimas eram suspensas at o prximo dezembro, e assim por diante.
Quando a esposa em perodo probatrio tivesse concebido, um Segundo Casamento era realizado para legalizar o matrimnio. Entretanto, a noiva ainda era considerada 
almah at a completude do Segundo Casamento, o qual, segundo Flvio Josefo, jamais era celebrado at o terceiro ms de gravidez. O propsito dessa demora era permitir 
a possibilidade de um aborto espontneo. Os Segundos Casamentos, portanto, ocorriam no ms de maro. O motivo de um pleno matrimnio no ser realizado at que a 
gravidez estivesse comprovada era acomodar a mudana legal de mulher por parte do marido, caso a primeira fosse estril.
No caso de Jos e Maria, nota-se que as regras do matrimnio dinstico foram infringidas, pois Maria deu  luz Jesus na poca errada do ano (domingo, 1o. de maro, 
7 a.C.). A unio sexual deve ter ocorrido seis meses antes do dezembro designado, em junho de 8 a.C. - mais ou menos na poca do noivado inicial- uns trs meses 
antes do Primeiro Casamento em setembro. E foi assim que Maria no s concebeu como almah, mas tambm deu  luz como alma, antes do Segundo Casamento.
Confirmada a gravidez no-autorizada de Maria, Jos teria a escolha de no prosseguir at a cerimnia do Segundo Casamento. Para evitar o embarao, ele poderia ter 
deixado Maria em custdia monstica ("deix-la secretamente", como em Mateus 1:19), em que a criana prdiga seria criada pelos sacerdotes.
Mas, se a criana fosse um menino, seria o primeiro descendente de Jos na sucesso de Davi. No faria sentido cri-lo como um rfo no identificado, deixando um 
possvel irmo mais novo para se tomar seu substituto na linhagem real. A criana no-nascida de Jos e Maria seja certamente uma perspectiva importante e exigia 
um tratamento especial de exceo  regra geral. Assim, o anjo Gabriel teria aconselhado que, j que um legado sagrado estava em jogo, Jos prosseguisse at o Segundo 
Casamento: "porque o que nela foi gerado  do Esprito Santo" (Mateus 1:20).
Seguindo as instrues, as regras normais teriam sido aplicadas novamente - a primeira sendo que no haveria contato fsico entre marido e mulher at a criana nascer: 
"Despertado Jos do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher. Contudo, no a conheceu, enquanto ela no deu  luz um filho, a quem ps o 
nome de Jesus" (Ma teus 1:24-25). S o que os autores dos Evangelhos tinham a fazer era envolver toda a seqncia num vu de enigma, e isso era possvel graas  
profecia de Isaas, no Antigo Testamento.

DESCENDNCIA DO REI DAVI

Por mais estranho que parea, o Evangelho de Marcos (nos quais tanto Mateus como Lucas se basearam) no menciona a Natividade. Joo 7:42 alude ao nascimento em Belm, 
mas no como um evento misterioso. Tampouco Joo sugere que a concepo de Maria seja virginal. Na verdade, o Evangelho se refere somente  descendncia de Davi 
por parte de Jesus: "No diz a Escritura que o Cristo vem da descendncia de Davi e da aldeia de Belm, donde era Davi?" At o Evangelho de Mateus, que implica a 
noo da Concepo Imaculada, comea com a afirmao: "Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abrao".
A Epstola de Paulo aos Romanos 1:3-4 se refere a "Jesus Cristo, nosso Senhor, o qual segundo a carne, veio da descendncia de Davi e foi designado Filho de Deus". 
Novamente em Marcos 10:47 e Mateus 22:42, Jesus  chamado de "filho de Davi". Em Atos 2:30, Pedro, referindo-se ao rei Davi, chama Jesus de "um de seus descendentes 
[que] se assentaria no seu trono".
Levando tudo isso em conta, a divindade de Jesus  figurativamente retratada, enquanto sua descendncia de Davi ("um de seus descendentes")  insistentemente declarada 
como fato.66 De fato, Jesus geralmente referia a si prprio como o Filho do Homem (como em Mateus 16:13). Quando um sumo sacerdote lhe perguntou se ele era realmente 
o Filho de Deus, Jesus disse: "Tu o disseste" - implicando que o sacerdote  quem afirmara aquilo, no ele (Mateus 26:63-64). Em Lucas 22:70, Jesus respondeu em 
termos praticamente idnticos: "Ento, disseram todos: tu s o Filho de Deus? E ele lhes respondeu: Vs dizeis que eu sou".

A DISPUTA MESSINICA

Um dos principais problemas de Jesus era o fato de ele ter nascido num ambiente de controvrsias quanto  sua legitimidade. Foi por esse motivo que Maria e Jos 
o levaram a Simeo o Gabriel para legitim-lo, segundo a Lei (Lucas 2:25-35). Apesar do esforo dos pais, Jesus provocou uma reao mista e os judeus se polarizaram 
em duas faces opostas quanto  questo de seu status legal na linhagem real. Ele fora concebido no momento errado do ano e nascera antes que o matrimnio de Jos 
e Maria fosse formalizado por seu Segundo Casamento. Seis anos depois, seu irmo Tiago nasceu dentro das regras do matrimnio dinstico e no havia dvida quanto 
 sua legitimidade. Por isso, as faces opostas tinham cada uma o seu Messias.
Os helenistas Gudeus ocidentalizados) afirmavam que Jesus era o Cristo legtimo (grego: Christos - rei), enquanto os hebreus ortodoxos contestavam o ttulo, atribuindo-o 
a Tiago. O argumento persistiu por muitos anos, mas, em 23 d.C., Jos (pai dos dois candidatos) morreu; tornou-se imperativo, ento, resolver a disputa de uma maneira 
ou de outra.
Por meio de um longo costume prevalecente, os reis de Davi eram aliados dos sacerdotes dinsticos de Zadoque, e o Zadoque prevalecente era parente de Jesus: Joo 
Batista. Ele se destacara em 26 d.C. com a chegada do governador romano Pncio Pilatos. Joo Batista pertencia  persuaso hebraica, mas Jesus era um helenista. 
Assim, Joo apoiava Tiago, embora reconhecesse Jesus como legtimo, batizando-o no Jordo. Foi por causa da atitude de Joo que Jesus percebeu que deveria partir 
para a ao, pois, se a perspectiva de um novo reino judaico ganhasse fora, ele certamente perderia para seu irmo Tiago. Diante dessa situao, ele resolveu criar 
o prprio grupo organizado de seguidores: um grupo que no seguiria nenhuma poltica social convencional. Sua viso era clara, baseada na lgica de que uma nao 
judaica dividida jamais derrotaria o poder de Roma. Mas ele tambm percebia que os judeus no cumpririam sua misso se permanecessem separados dos gentios (no-judeus 
nativos). A ambio de Jesus pelo reino de Israel era a de uma sociedade harmoniosa, integrada, mas ficou mais do que frustrada com os judeus inflexveis, de rgidos 
princpios hebraicos.
Jesus sabia muito bem que a tradio previa que um Messias conduziria o povo  salvao, e sabia como tal Messias era desesperadamente aguardado. Joo Batista era 
recluso demais para desempenhar essa funo. Tiago, por sua vez, pouco fazia pelos prprios intentos, alm de desfrutar o conforto de Caifs e o apoio de Joo Batista. 
Assim, de uma posio antes reservada, Jesus entrou para o domnio pblico, decidido a dar ao povo seu to esperado Messias. Afinal de contas, ele era o primognito 
de seu pai, independentemente do que os sacerdotes e polticos obstinados dissessem sobre o assunto. Em pouco tempo, ele juntou seus discpulos, nomeou os doze Apstolos 
(delegados) e comeou seu ministrio. Com isso, buscou a aceitao num mundo onde ele no via diviso por classe, convico ou fortuna - promovendo um ideal de servio 
nobre que deixaria uma marca no tempo.

A MISSO INICIAL

QUEM  FORAM OS APSTOLOS?

A despeito de toda a sua aparente humildade, h muito pouco para se dizer de cndido ou pacifista sobre Jesus. Ele sabia muito bem que sua tarefa o tomaria impopular 
com as autoridades. No s os romanos viriam atrs deles, mas tambm os prprios governantes judeus, os lderes legais, o poderoso Conselho do Sindrio. Mesmo assim, 
Jesus fez sua entrada como devia, afirmando desde o incio: "No penseis que vim trazer paz  terra; no vim trazer paz, mas espada" (Mateus 10:34).
Sob tais circunstncias, parece estranho que um grupo de homens trabalhadores abandonasse seu sustento para seguir um lder que anunciava: "Sereis odiados de todos 
por causa do meu nome" (Mateus 10:22). No havia um Cristianismo formal a ser pregado naqueles primeiros tempos, e Jesus no prometia lucros nem status. Entretanto, 
os Evangelhos parecem indicar que seus seguidores abandonavam quaisquer atividades que exercessem e o seguiam cegamente at o desconhecido para se tomarem "pescadores 
de homens". Quem foram, afinal, esses misteriosos Apstolos? Alguma coisa dos cdigos dos escrives de Qumr pode ser aplicada aos textos, que tome a identidade 
e o propsito deles mais compreensveis?
Lucas (6:13 e 10:1) nos diz que Jesus nomeou 82 seguidores ao todo; 70 destes ele enviou para pregar e doze fizeram parte de seu crculo imediato, seus Apstolos. 
No  segredo para nenhum estudante da Bblia que os Apstolos andavam armados, embora as escolas dominicais ensinem o contrrio. De fato, Jesus quis garantir essa 
habilidade marcial desde o princpio de sua campanha, dizendo: "o que no tem espada, venda a sua capa e compre uma" (Lucas 22:36).
Os quatro Evangelhos concordam que Simo foi o primeiro recruta; trs Evangelhos tambm mencionam seu irmo Andr. Mas h um desacordo entre Joo e os Evangelhos 
Sinpticos quanto  forma precisa como esse recrutamento ocorreu. Teria sido ou no Mar da Galilia
(o lago de Genesar), onde os dois consertavam redes, ou num ritual de batismo em Betabara, alm do Jordo. Alm disso, os relatos diferem novamente quanto a quem 
estava presente, na ocasio. Joo 1:28-43 diz que Joo Batista estava l, enquanto Marcos 1:14-18 afirma que tudo aconteceu enquanto Joo Batista estava na priso.
O relato no Evangelho de Joo  sem dvida mais correto, pois os primeiros discpulos foram recrutados em maro de 29 d.C. Em Antiguidades Judaicas, Flvio Josefo 
da Galilia (nascido em 37 d.C.) indica que Jesus comeou seu ministrio no 15. ano do reinado de Tibrio Csar, ou seja, 29 d.C. Joo Batista s caiu em descrdito 
um ano mais tarde, em maro de 30 d.C (como se v em Joo 3:24). Foi executado pelo sucessor de Herodes, o Grande, Herodes Antipas da Galilia, em setembro de 31 
d.C.
Em Lucas 5:11, encontramos a histria do recrutamento de Simo, como  contada no relato de Marcos, mas sem meno a Andr. Na cena seguinte, esto Tiago e Joo, 
os filhos de Zebedeu. Marcos e Lucas declaram, ento, que Jesus alistou tambm Levi. Em Mateus, porm, o discpulo seguinte no se chama Levi, mas Mateus. Em Joo, 
um dos primeiros recrutas  Filipe, que teria vindo de Betsaida, a cidade natal de Simo e Andr. Filipe, por sua vez, trouxe Natanael de Cana ao rebanho; e, a 
partir da, nada mais se fala de recrutamentos individuais.
 explicado a partir desse ponto que Jesus reuniu todos os seus discpulos e dentre eles escolheu doze delegados pessoais. Certas anomalias se tomam aparentes. Levi 
desaparece, assim como Natanael; mas Mateus aparece em todas as listas. Os Evangelhos de Mateus e Marcos mencionam o nome de Tadeu como um dos doze, enquanto os 
outros Evangelhos no o fazem; mas Lucas e os Atos incluem Judas, o irmo de Tiago, entre os doze, embora ele no aparea nesse contexto em nenhum outro lugar. Em 
Mateus e Marcos, tambm somos apresentados a Simo, o Cananeu, descrito em Lucas e Atos como Simo, o Zelote.
Marcos narra o modo como Jesus deu a Simo, irmo de Andr, o nome de Pedro pouco aps se conhecerem; mas Mateus e Lucas indicam que ele j tinha esse nome. Com 
Joo, aprendemos que Simo e Andr eram os filhos de Joo (no-relacionado) e que Jesus se referia a Tiago e Joo (os filhos de Zebedeu) como Boanerges, ou Filhos 
do Trovo. Em Marcos e Lucas, Levi, o publicano  descrito como "um filho de Alfeu", enquanto a lista dos recrutas finais inclui Tiago, outro filho de Alfeu. Toms, 
um Apstolo freqente nos Evangelhos,  mencionado em Joo e Atos como Ddimo (o Gmeo). Sobram, ento, apenas Filipe, Bartolomeu e Judas Iscariotes, cada um qualificado 
por todos os autores dos Evangelhos.
 evidente que os Apstolos no eram um grupo de altrustas passivos, que abandonaram tudo para se juntar a um lder carismtico (embora tivesse descendncia real). 
Os prospectos de Jesus eram desconhecidos e, naquele estgio, ele ainda no tinha conquistado reputao divina. , portanto, evidente, que alguma coisa vital est 
faltando nos Evangelhos. Entretanto, como eles foram compilados para no despertar a suspeita dos senhores romanos, boa parte de seu contedo foi retratada em linguagem 
esotrica para um pblico que saberia ler as entrelinhas.
Em muitas ocasies, nossa ateno se volta para passagens textuais especficas com as palavras: "Quem tem ouvidos para ouvir, oua" (como, por exemplo, em Marcos 
4:9). Nesse sentido, entramos agora no esclarecedor mundo dos textos dos escrives do Novo Testamento e, abrindo a porta para os Apstolos, descobrindo o formidvel 
papel de Jesus como descendente messinico do rei Davi.

TIAGO E JOO

Jesus se referia a Tiago e Joo (os filhos de Zebedeu) pelo nome grego descritivo de Boanerges: os Filhos do Trovo (Marcos 3:17). Esse  um exemplo positivo de 
informao crptica dirigida aos iniciados. Trovo e Relmpago eram os ttulos de dois ministros de alto escalo do Santurio. Os ttulos simblicos derivavam de 
referncias aos fenmenos do monte Sinai, descritos em xodo 19: 16, quando trovo e relmpagos envolveram a montanha e Moiss subiu do acampamento J2ara se encontrar 
com Jav. O Santurio era um emblema do Tabernculo (xodo 25:8) e o Santurio Essnio era no Monastrio de Mird, a 14,4 quilmetros a sudeste de Jerusalm - local 
de uma antiga floresta sacerdotal.
O homem conhecido por Jesus como Trovo era Jnatas Ans, filho de Anano, o alto sacerdote saduceu de 6 a 15 d.C. Jnatas (significando o que Jav deu) tambm era 
chamado Natanael (Ddiva de Deus), sendo essencialmente o mesmo nome. Seu contraponto e rival poltico, conhecido como Relmpago, era Simo, o Mago (tambm chamado 
de Zebedeu ou Zebadias, significando o que Jav tem dado), o lder influente dos magos samaritanos. Ele  mais bem conhecido nos Evangelhos como Simo o Cananeu 
ou Simo, o Zelote.
Ento, seriam Tiago e Joo os filhos do Trovo (Jnatas Ans) ou os filhos do Relmpago/Zebedeu (Simo, o Mago)? A resposta  que eram as duas coisas - no por nascimento, 
mas por distino. Como Boanerges, Tiago e Joo eram filhos espirituais (representantes) dos sacerdotes de Anano; tambm recebiam instrues de Simo, que estava 
destinado ao mais alto posto patriarcal - o de Pai da comunidade.
Somos apresentados, assim, a uma imagem muito diferente do prestgio social dos Apstolos. Mesmo Tiago e Joo, que so identificados como "pescadores", tomam-se 
proeminentes na sociedade helenista. Mas por que foram retratados (alm de Simo-Pedro e Andr) num ambiente de barcos de pesca?  aqui que entra a verso alternativa 
de Joo, pois a pescaria simblica era parte tradicional do ritual do batismo.
Os gentios que buscavam afiliao com as tribos judaicas podiam participar do batismo, mas no ser batizados na gua. Embora se juntassem aos candidatos batismais 
judeus no mar, eles s tinham permisso de receber bnos sacerdotais aps serem iados a bordo de barcos, em grandes redes. Os sacerdotes que realizavam o batismo 
eram chamados de "pescadores". Tiago e Joo eram pescadores ordenados, mas Simo-Pedro e Andr estavam entre os leigos (pegadores de peixe). Numa aluso ao seu ministrio 
mais liberal, Jesus lhes prometeu promoo cannica, dizendo: "Eu vos farei pescadores de homens" (Marcos 1:17).
Os Apstolos obviamente no eram um bando de devotos simplrios, mas um influente Conselho dos Doze, guiados pelo supremo lder Jesus, o Cristo. S muito depois, 
o seu ttulo real, Jesus Cristo (Rei Jesus), foi erroneamente interpretado como sendo um nome prprio.  bom lembrarmos aqui que o Manual de Disciplina de Qunr 
especifica a importncia de um Conselho dos Doze em preservar a f da terra.

SIMO ZELOTE

Simo, o Mago (ou Zebedeu), era o chefe dos Magos Manasss do Oeste,11 uma casta sacerdotal de filsofos samaritanos que apoiavam a legitimidade de Jesus. Foram 
seus embaixadores (os Reis Magos) que visitaram o menino Jesus em Belm. Simo era um mestre do entretenimento, e os manuscritos sobre sua vida lidam com questes 
de cosmologia, magnetismo natural, levitao e psicocinesia. Ele era um defensor convicto da guerra com Roma, e se tornou conhecido como Simo Kananites (grego: 
o "fantico"). Posteriormente, o nome seria traduzido erroneamente como Simo, o Cananeu.
Como Apstolo de Jesus, Simo era sem dvida o mais proeminente em termos de status social, mas era tambm um vivaz comandante zelote, e costuma ser chamado de Simo 
Zelote, ou Simo, o Zelote. Os zelotes eram lutadores da paz militantes decididos a se vingar dos romanos que tinham usurpado sua herana e seu territrio. Para 
as autoridades romanas, porm, os zelotes eram simplesmente lestai (bandidos).
Os Apstolos, ento, j assumem uma identidade mais feroz que a imagem costumeira que temos deles, mas seu propsito permanece o mesmo: apoiar e defender seus conterrneos 
oprimidos, eles prprios, uma elite. Na maioria, eram sacerdotes, terapeutas e professores treinados; podiam exibir qualidades misericordiosas de cura e se apresentar 
como oradores de grande sabedoria e boa vontade.

J UDAS ISCARIOTES

Outro lder nacionalista bem nascido e de renome foi Judas, chefe dos escrives. Os Pergaminhos do Mar Morto foram produzidos sob sua orientao e a de seu predecessor, 
o feroz Judas da Galilia, fundador do movimento zelote. Afora essa base acadmica, o Apstolo Judas era o chefe tribal dos Manasss do Leste e um mestre de guerra 
de Qumr. Os romanos tinham um apelido para ele: Judas Sicrio (a sica era uma adaga curvada, mortal). A forma grega do apelido era Sikariotes (homem da adaga), 
e sua adaptao para Sicariote acabou se convertendo em "lscariotes". Embora sempre mencionado no fim das listas apostlicas, Judas Iscariotes seria o segundo, s 
perdendo para Simo Zelote.

TADEU, TIAGO E MATEUS

Tadeu  descrito como um "filho de Alfeu" e tambm  chamado de Judas (Theudas) em dois dos Evangelhos. Ele era um lder influente da comunidade e tambm um comandante 
zelote. Durante mais de cinqenta anos, desde 9 a.C., Tadeu foi lder do Terapeutato, uma ordem asctica que evolura durante a ocupao egpcia de Qumr. Tadeu 
era um confederado do pai de Jesus, Jos, e participou da revolta popular contra Pncio Pilatos em 32 d.C.
Tiago, mencionado como outro "filho de Alfeu" , era na realidade Jnatas Ans, lder do Partido do Trovo. O nome James (Tiago, em ingls)  uma variante inglesa 
do nome Jac, e o ttulo nominal de Jac era o ttulo patriarcal de Jnatas. Assim como os nomes dos anjos e arcanjos eram preservados no sacerdcio superior, tambm 
os nomes patriarcais eram preservados pelos ancios da comunidade. Estes eram liderados por um triunvirato de indivduos especialmente nomeados, aos quais se aplicavam 
os nomes titulares de Abrao, Isaac e Jac. Nesse contexto, Jnatas Ans foi o patriarca Jac por algum tempo (equivalente a James ou Tiago).
Quanto a Mateus (tambm chamado de Levi), ele tambm  descrito como um "filho de Alfeu". Na verdade, tratava-se de Mateus Anas (irmo de Jnatas) - sucessor como 
sumo sacerdote a partir de 42 d.C., at ser deposto por Herodes Agripa I. Mateus tinha profundo interesse na promoo da obra de Jesus e apoiava ativamente o Evangelho 
divulgado sob seu nome. Como sucessor de Jnatas, ele foi o chefe dos sacerdotes levitas e tinha o ttulo nominal de Levi. Era tambm um publicano nomeado (funcionrio 
fiscal de Jerusalm), responsvel pela coleta de taxas dos judeus da Dispora, assentados fora de sua terra natal, mas ainda passveis de taxao. A renda da sia 
Menor era coletada pelos levitas e depositada na Tesouraria em Jerusalm. "Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletaria" (Mateus 9:9). De 
modo semelhante, em referncia ao mesmo evento, "Viu um publicano chamado Levi assentado na coletaria" (Lucas 5:27).
Tadeu, Tiago e Mateus (Levi) so descritos como "filhos de Alfeu", mas no eram todos irmos. Como em outros lugares, a palavra "filho"  usada para descrever uma 
posio de comissionado ou adjunto (ou assistente). O ttulo "de Alfeu" no implicava relao a uma pessoa ou lugar, pois significava apenas "da Sucesso".

FILIPE, BARTOLOMEU E TOMS

Como  indicado em Joo 1 :45-49, Filipe era associado de Jnatas Ans (tambm conhecido como Natanael). Um proslito gentio no-circuncidado,78 Filipe era o chefe 
da Ordem de Sem. O Evangelho cptico de Filipe foi escrito em seu nome. Bartolomeu (tambm conhecido como Joo Marcos) era o companheiro evanglico e poltico de 
Filipe. Era chefe dos proslitos e um funcionrio do influente Terapeutato egpcio (a comunidade mdica) em Qumr.
Os Evangelhos falam pouco de Toms, mas ele foi um dos evangelistas cristos mais influentes, tendo pregado na Sria, Prsia e ndia. Acabou morrendo a golpes de 
lana, por ordem de Mylapore, perto de Madras. Toms (originalmente o prncipe  coroa, Filipe) nasceu na famlia de Herodes,81 mas perdeu sua herana quando sua 
me, Mariane II, divorciou-se de Herodes aps tentar assassin-lo. O meio irmo de Filipe, Herodes Antipas, se tornaria Tetrarca da Galilia. Ridicularizando-o, 
os habitantes locais comparavam o prncipe Filipe a Esa- o filho de Isaac que perdera os direitos natos e as bnos de seu pai para seu irmo gmeo, Jac (Gnesis 
25:27) - e eles o chamavam de Teoma (aramaico para "gmeo"): em grego, esse nome se tornou Toms, s vezes traduzido como Ddimo (que tambm significa "gmeo").

SIMO-PEDRO E ANDR

Lidamos aqui com os dois Apstolos freqentemente considerados os mais proeminentes - nessa seqncia, porm, so apresentados por ltimo. De fato, a ordem em que 
os Apstolos so listados nesta seo representa o reverso daquelas apresentadas nos Evangelhos, porque personagens como Simo Zelote, Judas Iscariotes e Tadeu eram 
muito mais poderosos do que indicam suas posies no fim das listas. Mas os autores dos Evangelhos no organizaram os nomes por acaso, pois, agindo assim, desviaram 
a ateno dos romanos daqueles apstolos que se destacavam na vida pblica.
Por isso, as tabelas apostlicas geralmente comeam com os membros menos influentes, Simo-Pedro e Andr, que eram aldees essnios comuns e no tinham cargo pblico. 
No contexto de "pegador de peixe" e no "pescador", sua funo no ritual do batismo era estritamente leiga: eles se encarregavam das redes, mas no realizavam nenhuma 
funo sacerdotal (como conceder bnos), como era o caso dos "pescadores" ordenados Tiago e Joo.        .
Por tudo isso, a falta de destaque pblico de Simo-Pedro e Andr era de grande valia para Jesus. Tornava os dois irmos mais disponveis para ele do que os outros, 
que tinham trabalhos ministeriais e legislativos para realizar. O resultado foi que Simo-Pedro se tomou o brao direito de Jesus e era evidentemente um sujeito 
de certa solidez, recebendo o apelido de Celas (a Pedra). No Evangelho Nag Hammadi de Toms, Jesus se refere a Simo Pedro como seu "guardio" e ele era, presumivelmente, 
o principal guarda costas de Jesus. Aps perder a esposa, Simo-Pedro se tornou um proeminente evangelista e, apesar dos ocasionais desacordos com Jesus, foi grandemente 
responsvel por perpetuar o Evangelho em Roma. Acabou se tornando mrtir por crucificao durante a perseguio aos cristos pelo imperador Nero.




SACERDOTES E ANJOS

J abordamos o fato de que a estrutura anglica era mantida dentro da hierarquia sacerdotal da comunidade de Qumr, de modo que o sacerdote da posio mais alta 
no era apenas da dinastia Zadoque, mas tambm o arcanjo Miguel. Assim, ele era o Miguel-Zadoque (o Melquisedeque). A segunda posio era o Abiatar, que tambm era 
o anjo Gabriel. Vale a pena examinarmos melhor essa ordem anglica, pois ela nos esclarecer melhor o status social dos Apstolos. Nesse contexto, vrias prticas 
costumeiras (tanto sacerdotal como patriarcal) se tornaro evidentes, conduzindo naturalmente a uma nova e plena compreenso dos milagres de Jesus.
O primeiro ponto a se observar  que nada h de espiritual ou etreo na palavra "anjo". No original grego, aggelos (geralmente transliterado como angelos - latim: 
angelus) significava nada mais do que "mensageiro". O termo moderno "anjo" vem do latim eclesistico, mas a palavra anglo-saxnia engel derivava originalmente do 
francs antigo, angele. Um anjo do Senhor era, portanto, um mensageiro ou, mais precisamente, um embaixador do Senhor. Um arcanjo era um embaixador sacerdotal do 
mais alto escalo (o prefixo are indicando "chefe", como em arquiduque ou arcebispo).
O Antigo Testamento descreve dois tipos de anjo, a grande maioria dos quais agia como seres humanos normais - como em Gnesis 19:1-3, quando dois anjos visitaram 
a casa de L, "[ele] fez assar uns pes asmos, e eles comeram". A maioria dos anjos no Antigo Testamento pertence a essa categoria no complicada, como o anjo que 
se encontrou com a esposa de Abrao, Hagar, na fonte, o anjo que deteve a jumenta de Balao, o anjo que conversou com Mano e sua esposa e o anjo que se sentou sob 
o carvalho com Gideo.
Outra classe de anjo parece ter sido a de algo alm de um mero mensageiro, possuindo poderes temveis de destruio. Esse tipo de anjo vingador aparece em 1 Crnicas 
21:15-16: "Enviou Deus um anjo a Jerusalm para a destruir... Com a espada desembainhada na mo estendida contra Jerusalm". Vrios anjos so descritos portando 
espadas, mas no como divinos, e no h a menor meno nos textos das graciosas asas to freqentemente reproduzidas. As asas, hoje muito familiares, foram imaginadas 
por artistas e escultores para simbolizar a transcendncia espiritual dos anjos acima do ambiente mundano.
Isso nos leva a outra categoria dos assustadores fenmenos descritos no Antigo Testamento como algo que se erguia acima da terra por meio mecnico. Nunca eram chamados 
de anjos, e geralmente esses espetculos flamejantes tinham rodas, como em Daniel 7:9: "O seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente". Em Isaas 
6:1-2, h um relato semelhante de um trono areo, e "Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas". Outra referncia a esse tipo de equipamento ocorre 
em Ezequiel 1, em que todo o cenrio - exaustivamente recontado - combina em tudo com os outros, incluindo fogo, rodas e anis rotatrios e ruidosos.
Sem relao com a Bblia, um antigo tratado oriundo de Alexandria, sculo III, intitulado A Origem, fala da imortal Sofia, e do governante Sabo, que "criou um grande 
trono sobre uma carruagem de quatro lados chamada Querubim... E sobre esse trono, ele criou alguns serafins em forma de drago". Interessante  a narrativa em Gnesis 
3:24 de que o Senhor colocou serafins (carruagens ou tronos mveis) e uma chamejante espada que se revolvia para proteger o Jardim do den.
O Querubim aparece novamente na antiga obra grega chamada A Hipstase dos Arcontes, que trata dos Governantes da Inteireza e da Criao de Ado. Esta tambm fala 
de Sabo e sua charrete celeste: o Querubim. H meno de um veculo semelhante em 2 Reis 2:11, quando Elias  levado por um carro de fogo, e outras descries do 
tipo aparecem na obra sumria pico de Gilgamesh, da terra mesopotmica do antigo Iraque.

No  o objetivo deste livro examinar a origem desses fenmenos, mas simplesmente apresent-los como so descritos nos textos antigos. O certo, porm,  que essas 
carruagens voadoras (querubins) com seus acompanhantes serafins (auxiliares de fogo em forma de drago) jamais foram descritas como tendo forma humana, como fazemos 
com os anjos. Foi o dogma cristo do medo, institudo pela Igreja Romana, que transformou os querubins e serafins em doces seres celestiais.
A despeito dessas espetaculares descries do Antigo Testamento, os anjos do Novo Testamento eram, sem exceo, todos homens, e suas misses de oficio anglico, 
estritamente dinsticas. O Livro de Enoque (representando o sexto patriarca da linha de sucesso desde Ado) foi escrito no sculo 11 a.C. Ele previa uma restaurao 
das dinastias messinicas e estabelecia as regras bsicas para a estrutura da hierarquia sacerdotal. Estava inclusa a premissa de que as sucessivas lideranas dinsticas 
carregariam os nomes dos anjos e arcanjos tradicionais para denotar seu posto e posio.
Nos dias do Novo Testamento do rei Davi, os sacerdotes superiores eram Zadoque, Abiatar e Levi (nessa ordem de precedncia). Os essnios de Qurnr preservaram devidamente 
seu legado sacerdotal usando aqueles nomes como ttulos: Zadoque, Abiatar e Levi, como j vimos. Alm disso, de acordo com o Livro do Enoque, os nomes angelicais 
eram retidos, sob voto, como marcas de posto sacerdotal, com a dinastia Zadoque sendo tambm a de Miguel; a de Abiatar de Gabriel e a de Levi de Sariel.
Portanto, devemos compreender que a batalha do arcanjo Miguel com o drago, em Apocalipse 12:7, corresponde ao conflito entre a sucesso Zadoque e "a besta da blasfmia": 
Roma imperial. A "segunda besta" era do estrito regime dos fariseus, que comprometiam as ambies dos judeus helenistas segregando judeus de gentios. A essa besta 
foi atribudo o nmero 666 (Apocalipse 13:8) - o oposto polar, numericamente avaliado, da energia espiritual da gua na fora solar.
Fora das famlias dinsticas (os chefes das sucesses reais e sacerdotais que tinham obrigao de casar para perpetuar suas linhagens), os indivduos de altas ordens 
geralmente tinham de observar o celibato, como est detalhado no Pergaminho do Templo. Por esse motivo, havia poucos sacerdotes sendo treinados, e estes costumavam 
ser criados dentro de um sistema monstico que era dos filhos ilegtimos da comunidade. Jesus poderia ter se tomado um desses sacerdotes, cuja me tinha sido "deixada 
secretamente", no fosse a interveno oportuna do anjo Gabriel.
Quando era hora de procriao, um dinasta sacerdotal (como o Zadoque) tinha de se omitir temporariamente de sua funo ordenada e passar seus deveres religiosos 
para outro. Quando as relaes fsicas com sua esposa se completavam, ele novamente se afastava dela e retomava sua existncia celibatria.
O Zadoque/Miguel do incio da era dos Evangelhos era Zacarias (o marido de Isabel, prima de Maria). Seu assistente sacerdotal, Abiatar/ Gabriel, era Simeo. A histria 
da licena procriadora  muito velada em Lucas 1:15-23, mas o fato de ele "perder a fala no Templo" significa, na verdade, que no podia falar em sua costumeira 
capacidade ordenada. Preocupado com a prpria idade avanada, Zacarias o Zadoque, transferia sua autoridade sacerdotal para Simeo, o Abiatar, de modo que Isabel 
pudesse ter um filho. Esse filho foi Joo Batista, o qual, com o tempo, foi o sucessor na dinastia Zadoque.
Nos dias iniciais do ministrio de Jesus, o chefe dos sacerdotes Levi era Jnatas Ans. Como chefe da dinastia levita, ele ocupava o terceiro posto de arcanjo, o 
Sariel, capacidade na qual era nomeado sacerdote do rei. Alm desses trs arcanjos supremos (embaixadores chefe), Miguel (o Zadoque), Gabriel (o Abiatar) e Sariel 
(Levi), havia tambm outros com ttulos. de destaque. Essas posies, porm, no eram dinsticas e se denotavam pelos ttulos representativos, Pai, Filho e Esprito. 
O Pai era o equivalente do papa romano nos tempos vindouros (Papa = Pai) - sendo o ttulo romano copiado diretamente da fonte. original judaica. Em essncia, o Filho 
e o Esprito eram seus assistentes fsico e espiritual. A posio de Pai era eletiva e impedia seu detentor de determinados outros deveres. Por exemplo, quando Jnatas 
Ans se tomou o Pai, seu irmo Mateus (o Apstolo) se tomou seu sucessor como chefe dos sacerdotes Levi da Sucesso. Assim, Mateus se tomou o Levi dos Alfeus.
Os sacerdotes Levi (levitas) agiam como subordinados dos arcanjos. Seu lder, porm, menor na dinastia Levi, era um sacerdote-chefe (distinto de um sumo sacerdote). 
Ele era angelicamente designado Rafael.
Seus sacerdotes superiores seguiam o estilo dos filhos originais de Levi (como explicado em Gnesis 29:34) e eram chamados de Coate, Grson e Merari. O prximo sacerdote 
no escalo era Arnr, seguido de Aaro, Moiss e a sacerdotisa Miriam. Estes, por sua vez, estavam acima de Nadabe, Abi, Eliezer e Itamar - os filhos representativos 
de Aaro.
 nesse ponto que o aspecto primrio do Cdigo do Graal comea a emergir, pois o herdeiro  sucesso real de Davi no possua ttulo anglico e no estava em servio 
sacerdotal. O rei era obrigado a servir ao povo, e era seu desejo expresso defend-lo contra a injustia instituda. O prprio nome Davi significa "amado" e, como 
um proponente dessa distino, Jesus teria sido um timo rei. Era esse conceito real de servio humilde que os discpulos leigos achavam to difcil compreender 
em seu lder messinico. Isso fica bem demonstrado em Joo 13:4-11, quando Jesus lavou os ps dos Apstolos. Pedro questionou o ato, dizendo: "Nunca me lavars os 
ps", mas Jesus insistiu, respondendo resoluto: "Eu vos dei o exemplo, para que, como eu fiz, faais vs tambm". Um ato to caridoso no  a marca de um dinasta 
sedento de poder, mas sim um emblema de paternidade comum na natureza da verdadeira majestade do Graal.

GUA E VINHO

Embora no sejam considerados histricos no sentido tradicional, os Evangelhos relatam a histria de Jesus por meio de uma narrativa contnua. s vezes, h concordncia; 
outras vezes, no h; mas o objetivo sempre  transmitir uma mensagem social imperativa, com Jesus como catalisador. Entretanto, a mensagem no foi passada publicamente. 
 dito que Jesus costumava falar em parbolas, simplificando sua mensagem com um discurso alegrico. Para algumas pessoas, essas histrias moralistas pareceriam 
superficiais, mas seus tons sutis eram freqentemente polticos, baseando-se em pessoas e situaes reais.
Os Evangelhos foram compostos de maneira semelhante, e  importante reconhecer que muitas das histrias sobre Jesus so equivalentes s prprias parbolas, para 
o bem daqueles "com ouvidos para ouvir". Isso sempre fez com que fossem atribudos tons sobrenaturais a eventos perfeitamente objetivos. Um bom exemplo ocorre em 
Joo 2:1-10: a histria de Jesus substituindo gua por vinho nas bodas de Cana. Esse evento bem conhecido foi supostamente a primeira de muitas aes de Jesus pelas 
quais ele deixava clara sua inteno de romper com a tradio.
Embora fosse criado num regime severo que era influenciado por tradio e leis antigas, Jesus reconhecia que Roma jamais poderia ser derrotada enquanto existissem 
doutrinas extremas e concorrentes dentro da prpria comunidade judaica. No havia o Cristianismo naquela poca - a religio de Jesus era o judasmo e os judeus veneram 
a um Deus, mas eram divididos em vrias faces, cada qual com um diferente grupo de regras comunitrias. Percebia-se, porm, de um modo geral, que Jav pertencia 
aos judeus, mas Jesus aspirava partilhar Jav com os gentios, de maneira que no os obrigasse a aceitar todas as premissas bsicas do judasmo ortodoxo.
Jesus no tinha muita pacincia com os credos rigorosos dos grupos judeus, como os fariseus, e sabia que as pessoas no ficariam livres da opresso enquanto no 
abandonassem o sectarismo obstinado. Ele tambm sabia que um Messias era aguardado - um salvador que deveria iniciar uma nova era de libertao. Ele seria, portanto, 
um revolucionrio em aparncia, e se colocaria  parte da prtica costumeira. Como herdeiro da Casa real de Davi, Jesus sabia que estava qualificado para ser esse 
Messias e que poucos ficariam surpresos se ele se manifestasse como tal.
O que Jesus no tinha era uma autoridade social designada; no era um rei em exerccio nem um sumo sacerdote. Contudo, no prestava ateno a esses detalhes e comeou 
a implementar mudanas ritualsticas, apesar de sua deficincia titular. Em sua primeira oportunidade, nas bodas de Cana, ele hesitou dizendo: "Minha hora ainda 
no  chegada". Mas sua me ignorou a falta de titularidade e disse aos servos: "Fazei como ele vos disser".
O nico relato desse episdio est no Evangelho de Joo, em que o incidente da gua convertida em vinho  descrito como o primeiro milagre de Jesus. Mas o Evangelho 
no diz que eles "ficaram sem vinho", como se costuma citar erroneamente. O texto na verdade diz: "E quando eles queriam vinho, a me de Jesus lhe disse: 'Eles no 
tm vinho'. De acordo com o ritual descrito nos Pergaminhos do Mar Morto, a relevncia disso  clara. No equivalente da Comunho, s os celibatrios plenamente iniciados 
tinham permisso de beber vinho. Todos os outros presentes eram considerados no santificados e s podiam passar pelo ritual purificador com gua; entre estes se 
incluam homens casados, novios, gentios e todos os judeus leigos.
O texto do Evangelho continua: "Estavam ali seis talhas de pedra, que os judeus usavam para as purificaes". A importncia da ao de Jesus  que resolveu quebrar 
a tradio quando abandonou a gua e permitiu que os convidados "impuros" provassem o vinho sagrado. O mestre-sala (grego: Architriclinos) no sabia "donde viera 
[o vinho] (se bem que o sabiam os serventes que haviam tirado a gua)". Ele no comentou a respeito de nenhuma transformao miraculosa, apenas se disse surpreso 
pelo vinho melhor ser servido quela hora. Como Maria declarou, ao mandar os servos obedecerem a Jesus, o episdio "manifestou a sua glria, e os seus discpulos 
creram nele".
A comunho com po e vinho consagrados era uma tradio essnia antiga, e no um produto do Cristianismo, posterior. Com o tempo, a Igreja Crist se apropriou do 
costume original como seu sacramento eucarstico, simbolizando o corpo e o sangue de Jesus de acordo com as referncias do Evangelho  suposta instituio na Santa 
Ceia (como, por exemplo, em Mateus 26:26-28).
Representado com semelhante alegoria nos Evangelhos  o episdio conhecido como a Multiplicao que alimentou Cinco Mil Pessoas. A lei judaica era estrita, mas o 
novo ministrio de Jesus tinha a inteno de abrir os coraes. Normalmente, os gentios s tinham acesso ao ritual judaico se fossem convertidos convictos, comprometendo-se 
a observar os costumes judaicos (incluindo a circunciso, no caso dos homens). Os pensamentos de Jesus, porm, voltavam-se para os gentios no-circuncidados: por 
que eles no podiam tambm ter acesso a Jav? Afinal de contas, ele j permitira que gentios impuros bebessem vinho consagrado em Cana.
O conceito de um Deus partilhado por judeus e gentios se tomou a prpria fora vital da misso de Jesus. Mas era um ideal mais do que revolucionrio; para os judeus 
radicais ortodoxos, aquilo era ultrajante, pois Jesus estava assumindo poder pessoal sobre suas prerrogativas histricas. Estava tomando Jav (o Deus do povo escolhido) 
acessvel a todos, com poucos compromissos exigidos.
Como j vimos, os gentios que desejavam ser batizados no judasmo passavam por um ritual em que, como "peixes", eram iados a bordo de barcos por "pegadores de peixe" 
para serem abenoados por "pescadores" sacerdotais. Numa transferncia semelhante de imagens, os funcionrios levitas do Santurio eram chamados de "pes". No rito 
da ordenao (a cerimnia de admisso ao ministrio sacerdotal), os sacerdotes levitas ativos costumavam servir sete pes aos sacerdotes, enquanto aos candidatos 
celibatrios ofereciam cinco pes e dois peixes. Havia certo simbolismo legal de importncia nisso, pois embora os gentios pudessem receber o batismo como se fossem 
"peixes", a Lei era muito firme ao determinar que s os judeus podiam ter pes.
Mais uma vez, Jesus resolveu quebrar a conveno e permitir que os gentios impuros participassem do que normalmente era reservado para judeus que eram candidatos 
ao sacerdcio. Nesse sentido, Jesus fez sua concesso aos representantes dos no-judeus no-circuncidados da fraternidade de Cam (conhecida figurativamente como 
os Cinco Mil). Assim, ele conferiu  Multido (rgo governante) acesso simblico ao ministrio, servindo-Ihes cinco pes e dois peixes dos candidatos sacerdotais 
judeus (Marcos 6:34-44).
No episdio conhecido como a Multiplicao para os Quatro Mil, os sete pes dos sacerdotes superiores foram oferecidos por Jesus  Multido no-circuncidada de Sem 
(Marcos 8:1-10).
Nas cerimnias de batismo, os pegadores de peixe que apanhavam os peixes gentios primeiramente levavam os barcos a alguma distncia da praia. Em seguida, os postulantes 
batismais entravam na gua e vadeavam at os barcos. Quando tudo estivesse pronto, os pescadores sacerdotais deixavam a praia e se encaminhavam para os barcos atracados 
ao longo de um molhe - da "caminhar sobre as guas". Nascido na tribo de Jud, no a de Levi, Jesus no tinha autoridade de sacerdote batismal; mesmo assim, desconsiderou 
as convenes para usurpar um ttulo sacerdotal e caminhar sobre as guas at o barco dos discpulos (Mateus 14:25-26). Ele chegou a incitar Pedro a fazer a mesma 
coisa, mas este no pde aceitar o desafio por medo de afundar sob as penalidades legais (Mateus 14:28-31).
Essa nova viso de nossa parte, tanto do sentido velado das palavras dos Evangelhos como das motivaes polticas de Jesus, no detrai suas provveis habilidades 
como curandeiro. Sendo ligado ao Terapeutato de Qurnr, porm, ele no seria o nico com tais capacidades. Entretanto, um mdico carismtico no era a imagem prevista 
de um Messias libertador, esperado para libertar o povo da opresso romana. O que era particularmente notvel nesse protagonista radical era o fato de ter aplicado 
seu conhecimento mdico com os indignos e impuros gentios; ele no restringia seus prstimos  sociedade judaica, como os fariseus e outros grupos preferiam. Essa 
forma de ministrio social - um ministrio de servio nobre, conforme promovido pelo emergente Cdigo do Graal, era perfeitamente indicativo do ideal messinico 
de Jesus para um povo unificado.

O REI E SEU JUMENTO

Pouco depois de Jesus comear sua misso, Joo Batista foi preso porque tinha irritado Herodes Antipas, o governador da Galilia. Antipas desposara Herodias, a mulher 
divorciada de seu meio-irmo, Filipe, e Joo Batista condenara repetidamente o casamento, declarando que era pecaminoso. Como resultado, foi aprisionado por um ano 
e finalmente decapitado. Aps essa morte ignbil, muitos de seus seguidores se aliaram a Jesus. Alguns achavam que Joo era o Messias esperado, mas
muitas de suas profecias no tinham se realizado e ele acabou sendo desconsiderado. Um dos motivos pelos quais as profecias de Joo se mostraram incorretas era a 
diferena entre os calendrios solares e lunares usados, complicado pelo calendrio juliano vindo de Roma.
Os essnios eram defensores do filsofo grego Pitgoras (c.5705 a.C.), que, em seu grande estudo das propores matemticas, buscava um sentido tanto no mundo fsico 
como no metafsico, por meio de propores matemticas. No decorrer dos sculos, com o uso de sua metodologia, os eventos do mundo foram previstos com uma preciso 
surpreendente. Um evento especfico previsto por esse mtodo foi o incio de uma nova Ordem Mundial, uma ocorrncia que em muitos setores provaria ser o advento 
do Messias Salvador.
Os anos (que atualmente designamos como a.C.) j estavam, portanto, numa contagem regressiva predeterminada muito antes de Jesus nascer. Aconteceu, ento, que a 
previso messinica desviara sete anos quando aplicada a Jesus, o que explica por que ele nasceu no ano 7 a.C. e no no ano estabelecido como O (754 AUC). Mas seu 
irmo Tiago de fato nasceu no ano certo, da muitos o considerarem o herdeiro legtimo. Muito tempo depois, por meio de um novo sistema de datas romano, o ano O 
foi designado 1 d.C.
No movimento separado da rgida doutrina hebraica de Joo Batista, at o rei Herodes Agripa comeou a considerar Jesus o herdeiro legal de Davi, deixando Tiago com 
pouca gente para defender sua causa. Com esse incentivo, Jesus decidiu acelerar sua campanha, mas agiu precipitadamente e cometeu a ofensa de irritar os governadores 
e ancios.
Era um costume judaico de longa data ter um Dia do Perdo (Yom Kippur), no qual as pessoas podiam ser absolvidas de seus erros. O ritual solene ocorria no perodo 
equivalente a setembro, e o rito essnio era realizado pelo Pai na excluso do Santo dos Santos (santurio interior) do templo monstico em Mird. Para testemunhar 
o perdo, o Pai tinha a permisso da companhia de um co-celebrante: um Filho simblico. Em 32 d.e., o Pai era Simo Zelote, e seu Filho nomeado era o tenente imediato 
Judas Iscariotes (Joo 13:2 menciona o status de Judas como filho de Simo, mas o relacionamento exato dos dois e o significado sacerdotal no so claros).
Quando o ato do Perdo se completasse, trs. assistentes eram autorizados a proclamar o fato, a partir de um local alto a oeste do templo, simbolicamente difundindo 
a palavra aos judeus residentes em outras terras (os judeus da Dispora). Nessa ocasio, os assistentes nomeados eram Jesus (representando o rei Davi), Jnatas Ans 
(representando o grande mstico Elias) e Tadeu (representando Moiss), correspondendo respectivamente aos papis simblicos de rei, sacerdote e profeta. Mas quando 
chegou o momento de Jesus fazer sua proclamao, ele no apareceu nos trajes de um rei, e sim na tnica de um sumo sacerdote: "Foi transfigurado diante deles; as 
suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra poderia alvejar. Apareceu-lhes Elias com Moiss, e estavam falando com 
Jesus" (Marcos 9:2-4).
Em 32 d.C., Simo Zelote se desentendeu com as autoridades, aps liderar uma revolta malsucedida contra o governador da Judia, Pncio Pilatos. O motivo da revolta 
era que Pilatos vinha usando fundos pblicos para melhorar seu suprimento de gua particular. Uma queixa formal fora apresentada no tribunal, mas os soldados de 
Pilatos assassinaram os queixosos conhecidos. Seguiu-se imediatamente uma insurreio armada, sob a liderana dos zelotes proeminentes, Simo Zelote, Judas Iscariotes 
e Tadeu. Talvez inevitavelmente, a revolta falhou e Simo foi excomungado por edito do rei Herodes Agripa. O adversrio poltico de Simo, Jnatas Ans, pde assim 
ascender ao supremo oficio de Pai.
Segundo a Lei, a excomunho (a ser considerada execuo espiritual, ou morte por decreto) levava quatro dias para a implementao completa. Nesse meio tempo, o excomungado 
vestia uma mortalha, era isolado e considerado "doente para morrer". Devido  sua posio patriarcal at ento, Simo foi encarcerado na cmara funerria patrimonial 
em Qurnr conhecida como o Seio de Abrao. Suas irms de devoo, Marta e Maria, sabiam que sua alma estaria condenada para sempre se ele no
fosse libertado (ressuscitado) ao terceiro dia; por isso, foram chamar Jesus, dizendo que Simo estava "doente" (Joo 11:3).
No comeo, Jesus no tinha o poder de agir, pois s o Pai ou o sumo sacerdote podia realizar a ressurreio, e Jesus no tinha um oficio sacerdotal. Entretanto, 
Herodes Agripa se desentendeu com os governadores romanos, perdendo sua jurisdio para o beneficio temporrio de seu tio, Herodes Antipas, que tinha apoiado a ao 
zelote contra Pilatos. Aproveitando a oportunidade, Antipas cancelou a ordem de excomunho e instruiu para que Simo fosse "ressuscitado dos mortos". Jesus se viu 
num dilema. Ele era herdeiro pela linhagem real, embora sem ttulo formal, mas queria ajudar seu amigo e fiel seguidor - e foi o que fez. Embora o momento para a 
morte espiritual (o quarto dia aps a excomunho) de Simo tivesse chegado, Jesus decidiu assumir uma funo sacerdotal e realizar a libertao. Ao faz-lo, ele 
confirmou a posio do espiritualmente morto Simo como a do Valete de Abrao, Eliazar (corrompido nos Evangelhos para Lzaro) e o chamou, sob o nome disfarado, 
mandando-o sair do seio de Abrao.
Foi assim que Lzaro ressuscitou sem a sano .oficial do novo Pai, ou do sumo sacerdote ou do Sindrio. Jesus infringiu abertamente as regras, mas Herodes Agripa 
acabou obrigando Jnatas Ans a consentir com o fall accompli e, para o povo em geral, um evento sem precedentes era de fato um milagre.
Jesus tinha percebido exatamente o que queria e, com essa impressionante ao apoiando-o, s o que lhe restava era ser formalmente ungido e aparecer diante do povo 
como o verdadeiro Messias de forma que no pudesse ser contestada. O modo como o Messias Salvador deveria conquistar tal reconhecimento j tinha sido determinada, 
segundo a profecia de Zacarias (9:9) no Antigo Testamento: "Alegra-te muito,  filha de Sio: exulta,  filha de Jerusalm: eis que a te vem o teu Rei, justo e 
salvador, humilde, montado em jumento".
Foram tomadas providncias quando Jesus e seus discpulos estavam em Betnia durante a semana da Pscoa, maro de 33 d.C. Primeiro (conforme relatado em Mateus 26:6-7 
e Marcos 14:3), Jesus foi ungido por Maria de Betnia, que lhe passou um precioso nardo nos cabelos.  Foi encontrado um animal de carga apropriado, que correspondesse 
 profecia de Zacarias, e assim Jesus entrou em Jerusalm montado num jumento. H muito se supe que esse foi um gesto de humildade - e realmente foi, mas consistiu 
em muito mais do que isso. Da poca do rei Salomo at a deportao dos judeus para a Babilnia, depois da queda de Jerusalm em 586 a.C., os reis da dinastia de 
Davi tinham o costume de seguir at seus destinos montados em mula. O costume representava a acessibilidade do monarca aos mais inferiores de seus sditos - outro 
exemplo do cdigo messinico de servio.

A RAINHA MESSINICA

Costuma-se afirmar que em nenhuma parte do Novo Testamento  dito que Jesus se casou. Por outro lado, e talvez ainda mais importante, tambm no  dito que ele no 
se casou. Na verdade, os Evangelhos contm um nmero de pistas especficas de seu estado de homem casado, e seria realmente incrvel que ele permanecesse solteiro, 
pois os regulamentos dinsticos eram muito claros a esse respeito.
Como j vimos, as regras do matrimnio dinstico no eram banais. Parmetros explicitamente definidos ditavam um estilo de vida celibatrio, exceto para a procriao 
em intervalos regulares. Um perodo extenso de noivado era seguido por um Primeiro Casamento em setembro, depois do qual a relao fsica era permitida em dezembro. 
Se ocorresse a concepo, havia ento uma cerimnia do Segundo Casamento em maro para legalizar o matrimnio. Durante esse perodo de espera, e at o Segundo Casamento, 
com ou sem gravidez, a noiva era considerada, segundo a lei, um almah ("jovem mulher" ou, como erroneamente citada, "virgem").
Entre os livros mais pitorescos est o Cntico dos Cnticos - uma srie de cantigas de amor entre uma noiva soberana e seu noivo. O Cntico identifica a poo simblica 
dos esponsais com o ungento aromtico chamado nardo. Era o mesmo blsamo caro que foi usado por Maria de Betnia para ungir a cabea de Jesus na casa de Lzaro 
(Simo Zelote) e um incidente semelhante (narrado em Lucas 7:37-38) havia ocorrido algum tempo antes, quando uma mulher ungiu os ps de Jesus com ungento, limpando-os 
depois com os prprios cabelos.
Joo 11:1-2 tambm menciona esse evento anterior, explicando depois como o ritual de ungir os ps de Jesus foi realizado novamente pela mesma mulher, em Betnia. 
Quando Jesus estava sentado  mesa, Maria pegou "uma libra de blsamo puro de nardo, mui precioso, ungiu os ps de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se 
toda a casa com o perfume do blsamo" (Joo 12:3).
No Cntico dos Cnticos (1:12) h O refro nupcial: "Enquanto o rei est assentado  sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume". Maria no s ungiu a cabea de Jesus 
na casa de Simo (Mateus 26:6-7 e Marcos 14:3), mas tambm ungiu-lhe os ps e os enxugou depois com os cabelos em maro de 33 a.c. Dois anos e meio antes, em setembro 
de 30 a.C., ela tinha realizado o mesmo ritual trs meses depois das bodas de Cana.
Em ambas as ocasies, a uno foi feita enquanto Jesus se sentava  mesa (como define o Cntico dos Cnticos). Era uma aluso ao antigo rito no qual uma noiva real 
preparava a mesa para o seu noivo. Realizar o rito com nardo era maneira de expressar privilgio de uma noiva messinica, e tal rito s se realizava nas cerimnias 
do Primeiro e do Segundo Casamento. Somente como esposa de Jesus e sacerdotisa com direitos prprios, Maria poderia ter ungido-lhe a cabea e os ps com ungento 
sagrado.
O Salmo 23 descreve Deus, na imagem masculina/feminina da poca, como pastor e noiva. Da noiva, o salmo diz "Prepara-me uma mesa... Ungeme a cabea com leo".Os 
De acordo com o rito do casamento sagrado da antiga Mesopotmia (a terra de No e Abrao), a grande deusa, Inana, tomou como noivo o pastor Dumuzi (ou Tammuz),106 
e foi a partir dessa unio que o conceito da Sekin e Jav evoluiu em Cana por meio das divindades intermedirias Asera e El Eloim.
No Egito, a uno do rei era o dever privilegiado das irms/noivas semidivinas dos faras. Gordura de crocodilo era a substncia usada na uno, pois era associada 
 destreza sexual, e o crocodilo sagrado dos egpcios era o Messeh, que corresponde ao termo hebraico Messias: "Ungido"}. Na antiga Mesopotmia, o intrpido animal 
real (um drago de quatro pernas) era chamado de Mus-hUs.
Era prefervel que os faras desposassem suas irms (especialmente suas meio-irms maternas com outros pais) porque a verdadeira herana dinstica era passada pela 
linha feminina. Alternativamente, primeiros de primeiro grau maternos tambm eram consideravam. Os reis de Jud no adotavam essa medida como prtica geral, mas 
consideram a linha feminina um meio de transferir realeza e outras posies hereditrias de influncia (mesmo hoje, o judeu verdadeiro  aquele nascido de me judia). 
Davi obteve sua realeza, por exemplo, casando-se com Micol, filha do rei Saul. Muito tempo depois, Herodes, o Grande, ganhou seu status real desposando Mariane da 
casa real sacerdotal.


Assim como os homens que eram designados para vrias posies patriarcais assumiam nomes que representavam seus ancestrais - como Isaac, Jac e Jos - tambm as 
mulheres seguiam sua genealogia e escalo. Seus ttulos nominais incluam Raquel, Rebeca e Sara. As esposas das linhas masculinas de Zadoque e Davi tinham o posto 
de Elisheba (Elizabeth, ou Isabel) e Miriam (Maria), respectivamente. Por isso a me de Joo Batista  chamada de Isabel e a de Jesus, Maria, nos Evangelhos. Essas 
mulheres passaram pela cerimnia de seu Segundo Casamento s quando estavam com trs meses de gravidez, quando a noiva deixava de ser uma almah e se tomava uma me 
designada.
Como j vimos, as relaes sexuais s eram permitidas em dezembro; maridos e mulheres viviam separados o resto do ano. No incio de um perodo de separao, a esposa 
era classificada como uma viva e deveria chorar por seu marido. Isso est descrito em Lucas 1:38, quando Maria de Betnia, na primeira ocasio, "estando por detrs, 
aos seus ps, chorando, regava-os com suas lgrimas". Uma vez que o perodo de viuvez simblico estivesse estabelecido e durante esses longos perodos de separao, 
a esposa recebia a designao convencional de irm, como hoje acontece com as freiras. Ento, quem exatamente era Maria de Betnia, a mulher que duas vezes ungiu 
Jesus com nardo, segundo a tradio messinica?
Para sermos precisos, ela jamais  chamada de Maria de Betnia na Bblia. Ela e Marta so apenas chamadas de "irms" na casa de Lzaro de Betnia. O ttulo completo 
de Maria era Irm Miriam Madala ou, como  mais conhecida, Maria Madalena. Gregrio I, Bispo de Roma (590-604), e So Bemardo, o abade cisterciense de Clairvaux 
(1090-1153), confirmaram que Maria de Betnia era Maria Madalena.
Na segunda ocasio em que Jesus foi ungido com nardo, Judas Iscariotes afirmou sua insatisfao pelo modo como as coisas estavam acontecendo. Declarou sua oposio 
(Joo 12:4-5) e abriu o caminho para a sua traio de Jesus. Aps o fracasso da revolta dos zelotes contra Pilatos, Judas tinha se tomado um fugitivo. Jesus pouco 
lhe servia politicamente, pois no tinha influncia com o Sindrio; por isso Judas apelava para seu irmo incontroverso Tiago, que era membro do Sindrio. Conseqentemente, 
Judas no s no queria ver Jesus sendo ungido como Messias, mas sua aliana com Tiago o fazia ressentir o episdio. Jesus, porm, insistiu na importncia de sua 
uno por Maria (Marcos 14:9): "Em verdade vos digo: onde for pregado em todo o mundo o evangelho, ser tambm contado o que ela fez, para memria sua".
Fora o fato de Jesus provavelmente ter amado Maria Madalena, no h muita coisa nos Evangelhos que indiquem sua relao ntima at Maria aparecer com a me de Jesus 
e Salom (a consorte de Simo Zelote) na Crucificao. J no Evangelho de Filipe de Nag Hammadi, a situao  diferente, e o relacionamento entre Jesus e Maria  
discutido abertamente:

"E a companheira do Salvador  Maria Madalena. Mas Cristo a amava mais do que a todos os discpulos, e costumava beij-la freqentemente na boca. Os demais discpulos 
se ofendiam com isso
e expressavam desagrado. Diziam a ele: 'Por que a amas mais do que a ns?'. O Salvador lhes respondia: 'Por que eu no vos amo como a ela? ... Grande  o mistrio 
do matrimnio, pois sem ele o mundo nunca teria existido. A existncia do mundo depende do homem, e a existncia do homem depende do matrimnio'.
Como se no fossem as referncias especficas  importncia do casamento na passagem acima, a referncia ao beijo na boca  particularmente relevante; mostra mais 
uma vez uma relao aos ofcios da sagrada noiva e do sagrado noivo, e no era marca de amor extra marital nem de amizade. Como parte do refro nupcial real, esse 
tipo de beijo  o tema da primeira linha do Cntico dos Cnticos, diz: "Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor  o teu amor do que o vinho".
No Evangelho de Joo no h menes de bodas em Cana, s de um banquete de casamento e da gua e do vinho. Os discpulos estavam l, assim como vrios convidados, 
inclusive gentios, e outros que eram tecnicamente impuros. Essa, portanto, no era a cerimnia do casamento em si, mas a refeio sagrada que precedeu ao noivado. 
O costume era que houvesse um anfitrio formal (como aparece no relato); ele seria o mestre-sala do Banquete. A autoridade secundria cabia somente ao noivo e  
sua me, e isso tinha grande relevncia, pois quando surgiu a questo da comunho com vinho, a me de Jesus disse aos servos (Joo 2:5): "Fazei tudo o que ele vos 
disser". Nenhum convidado teria esse direito de ordenar, o que deixa evidente que Jesus e o noivo eram o mesmo.
Essa comunho de noivado (6 de junho de 30 d.C.) ocorreu trs meses antes de Maria ungir Jesus pela primeira vez na casa de Simo (3 de setembro de 30 a.C.). As 
regras eram rgidas: s como noiva de Jesus, Maria teria permisso de fazer o que fez. Com seu Primeiro Casamento devidamente completado em setembro, ela tambm 
teria chorado pelo marido (como em Lucas 7:38) antes de partirem em sua separao estatutria. Antes, como almah comprometida, ela seria classificada de pecadora 
e mulher aleijada. O casal no teria tido uma unio fsica at o prximo dezembro.





SUPRESSO DA EVIDNCIA DE CASAMENTO

Um dos motivos por que no h meno direta do estado civil de Jesus no Novo Testamento  que as evidncias foram deliberadamente retiradas por decreto da Igreja. 
Isso foi revelado recentemente, em 1958, quando um manuscrito do Patriarca Ecumnico de Constantinopla foi descoberto num mosteiro em Mar Sab, a leste de Jerusalm, 
por Morton Smith, professor de histria antiga na Universidade de Columbia, EUA. Os trechos citados abaixo so de seus escritos subseqentes.
Em meio a um livro das obras de Santo Incio de Antioquia, havia uma transcrio de uma carta do Bispo Clemente de Alexandria (c.1502 d.C.). Era endereada a seu 
colega, Teodoro, e inclua uma seo geralmente desconhecida do Evangelho de Marcos. A carta de Clemente decretava que parte do contedo original de Marcos deveria 
ser suprimida porque no coadunava com os requisitos da Igreja. A carta diz:

Pois mesmo que seja verdade, aquele que ama a Verdade no deve concordar com isso. Pois nem todas as coisas verdadeiras so a Verdade; tampouco aquela verdade que 
parece verdadeira s opinies humanas deve ser prefervel  verdadeira Verdade - aquela que  de acordo com a f. A essas verdades ningum deve dar ouvidos; tampouco, 
caso venham disseminar suas falsificaes, deve-se concordar que o Evangelho secreto  de Marcos, e sim negar mediante juramento. Pois nem todas as coisas verdadeiras 
devem ser ditas a todos os homens.

Na seo removida do Evangelho, h um relato da ressurreio de Lzaro, mas nela Lzaro (Simo Zelote) chama Jesus de dentro da tumba mesmo antes que a pedra fosse 
removida. Isso deixa claro que o homem no estava morto no sentido fsico, o que certamente joga por terra a insistncia da Igreja que a ressurreio deve ser considerada 
um milagre sobrenatural. Alm disso, o Evangelho de Marcos original no inclua detalhes dos eventos da Ressurreio e sua seqela; terminava simplesmente com as 
mulheres fugindo do sepulcro vazio. Os doze versculos finais da Marcos 16, como publicados hoje, foram deliberadamente acrescentados numa data posterior. 
A relevncia disso  que o incidente com Lzaro era parte da mesma seqncia de eventos cujo clmax foi Maria Madalena ungindo Jesus em Betnia. Os Evangelhos Sinpticos 
no dizem o que aconteceu aps a chegada de Jesus  casa de Simo, pois a ressurreio de Lzaro no est includa neles; mas em Joo 11 :20-29, vemos:

Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porm, ficou sentada em casa... [Marta] Retirou-se e chamou Maria, sua irm, e lhe disse em particular: 
'O Mestre chegou e te chama'. Ela, ouvindo isso, levantou-se depressa e foi ter com ele.

No h motivo aparente para o comportamento hesitante de Maria, embora, fora isso, a passagem parea suficientemente objetiva. Mas o incidente  descrito com mais 
detalhes na parte de Marcos que foi oficialmente suprimida. Explica que Maria saiu da casa com Marta na primeira ocasio, mas foi admoestada pelos discpulos e lhe 
foi ordenado que entrasse e aguardasse a instruo do Mestre. O fato  que, como esposa de Jesus, Maria era comprometida por um estrito cdigo de prtica nupcial. 
No tinha permisso de deixar a casa e cumprimentar o marido at que tivesse recebido seu consentimento expresso. O relato de Joo deixa Maria em seu lugar devido, 
sem explicao, mas o texto mais detalhado de Marcos foi estrategicamente removido da publicao.
A supresso da histria de Lzaro  o motivo pelo qual os relatos da uno nos Evangelhos de Marcos e Mateus a mostram na casa de Simo, o leproso, e no na casa 
de Lzaro, como em Joo. Mas a descrio "Simo, o leproso"  simplesmente outra forma mais reservada de se referir a Simo Zelote (Lzaro); ele era classificado 
como "leproso" porque sua excomunho o deixara horrivelmente impuro. Isso, por sua vez, explica o relato anmalo de um leproso recebendo amigos prestigiosos em sua 
bela casa. Entretanto, o fato resultante era que, com sua esposa grvida de trs meses, Jesus no era apenas um Cristo Messinico formalmente ungido quando entrou 
em Jerusalm montado num jumento; era tambm um futuro pai.

POLTICA E A PSCOA

Jesus entrou em Jerusalm com estilo; mantos e folhas de palmeira foram espalhados em seu caminho e o povo rejubilava: "Hosana ao filho de Davi" (Mateus 21:9). Mas 
devemos dizer que essa atividade frentica era por parte principalmente dos discpulos (conforme descrito em Lucas 19:36-39). Os ramos de palmeira espalhados tinham 
o objetivo de lembrar o povo da entrada triunfante em Jerusalm de Simo Macabeu, que libertou a Palestina do jugo da opresso sria em 142 a.C. Mas o rosto de Jesus 
no era muito conhecido na cidade; seu territrio familiar era a Galilia e a regio ao redor. De fato, em Mateus 21: 1 O, l-se: "E entrando ele em Jerusalm, toda 
a cidade se alvoroou, e perguntavam: Quem  este?"
Uma profecia de Joo Batista  tinha determinado que em maro de 33 d.C. haveria a proclamao do Messias Salvador e a restaurao do verdadeiro Rei. Muitas coisas 
haviam sido cuidadosamente preparadas para esse momento - a uno, o jumento, as folhas de palmeira e assim por diante - mas nada importante aconteceu! De acordo 
com Marcos 11:11, Jesus entrou no Templo e "tendo observado tudo, como fosse j tarde, saiu para Betnia com os doze". Lucas 10:40 nos diz que os fariseus ordenaram 
aos discpulos que fossem repreendidos por criar tumulto. Mateus 21:12 acrescenta: "Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; 
tambm derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas". Depois, retomou a Betnia. Joo (12:37) explica ainda que Jesus conversou com algumas 
pessoas na rua, seguindo-se que, "embora tivesse feito tantos sinais na sua presena, no creram nele".
Levando em conta todos esses fatos, a visita a Jerusalm foi um no evento infeliz. Jesus no recebeu a aclamao que esperava e percebeu que seus dias estavam contados, 
principalmente por ser ele conhecidamente ligado aos comandantes zelotes, Simo Zelote, Judas Iscariotes e Tadeu, que havia liderado a revolta contra Pilatos. Os 
escrivos e sacerdotes "procuravam como o prenderiam,  traio, e o matariam" (Marcos 14: 1). Seu plano de criar uma Judia idlica, livre da opresso romana, no 
dera certo porque seu sonho de unificar o povo no tinha a simpatia de seus conterrneos sectrios - principalmente dos fariseus e saduceus.
Tambm naquela poca, uma grave ciso ocorria dentro do grupo apostlico. Simo Zelote no vinha se dando bem com JnatasAns (Tiago de Alfeu) e a rivalidade poltica 
dos dois atingiu o pice. Em seus respectivos papis como Relmpago e Trovo, os dois disputavam a suprema posio de Pai. Simo era o Pai desde maro de 31 d.C., 
mas perdeu a supremacia para Jnatas por causa de sua excomunho. Jnatas fora obrigado a endossar a ressurreio de Lzaro (pela qual Simo retomava  vida poltica 
e social), mas no estava disposto a abrir mo do poder que acabara de ganhar, especialmente quando Simo fora ressuscitado de maneira contrria s regras estabelecidas.
Tambm havia desacordo entre Jnatas e Jesus quanto a convertidos gentios batizados terem ou no de se submeter  circunciso. Jesus era a favor de permitir aos 
convertidos uma escolha, mas Jnatas queria que a circunciso fosse obrigatria. E, por fim, Jnatas rejeitava o plano zelote de uma guerra declarada contra Roma, 
enquanto Simo (sempre impulsivo em palavras e atos) promovia a viso marcial. Nisso, Jesus estava mais inclinado a apoiar Simo - no que ele procurasse especificamente 
uma soluo militar, mas no gostava da atitude complacente de Jnatas.
Encurralado em meio a tudo isso estava Judas Iscariotes, decidido a ficar do lado de quem parecesse mais politicamente valioso. Judas tinha sido denunciado como 
um lder zelote e por isso sua nica esperana era Jnatas, que, como o novo Pai, podia autorizar sua reabilitao poltica e negociar a favor dele com o governador 
romano, Pncio Pilatos. Quanto  questo dos convertidos judeus serem circuncidados, Judas se opunha veementemente a Jesus e apoiava Jnatas. Ao mesmo tempo, Judas 
percebia que Simo se encontrava numa posio fraca: Simo enfrentaria acusaes criminais (assim como Judas e Tadeu) por ter liderado a revolta zelote. Seria at 
possvel que Jesus tambm fosse acusado ao lado deles, caso se provasse que ele apoiava ativamente a faco de guerra. Essa situao era uma provvel sada para 
Judas, pois ele poderia trair a amizade de Jesus e revelar o paradeiro de Tadeu.
Pouco depois, chegava o tempo da celebrao judaica da Pscoa, quando hordas de peregrinos se juntavam aos moradores de Jerusalm para o ritual do Cordeiro Pascal, 
de acordo com xodo 12:3-11. Nesse nterim, sabemos que Jesus e seus Apstolos se dirigiram  lendria sala superior onde fizeram a derradeira Santa Ceia. Mas h 
alguns elementos questionveis nisso. Numa poca em que todas as acomodaes na cidade estavam lotadas devido  ocasio, como os Apstolos poderiam obter uma sala 
to grande para uso prprio? Como os zelotes fugitivos, Simo, Judas e Tadeu, podiam se dar ao luxo de andar to livremente em Jerusalm enquanto eram procurados 
por liderar a recente revolta?
A resposta a essas perguntas pode ser encontrada nos Pergaminhos do Mar Morto, onde fica evidente que a Santa Ceia no ocorreu em Jerusalm, e sim em Qumr. Na verdade, 
Josefo explica em The Antiquities of the Jews que os essnios no observavam os festivais judaicos tradicionais em Jerusalmll7 e, portanto, no seguiam o ritual 
do Cordeiro Pascal na Pscoa.
Mais de cento e sessenta anos antes, quando os piedosos hassdicos deixaram Jerusalm por Qumr por volta de 130 a.C., seu novo ambiente se tomou uma Cidade Santa 
substituta. O costume foi preservado pelos essnios posteriores e, nesse contexto, eles freqentemente se referiam a Qumr como "Jerusalm" (Yuru-salem: Cidade da 
paz). Como se evidencia em um dos Pergaminhos do Mar Morto, conhecido como Regra da Comunidade, a famosa Santa Ceia corresponde, na verdade, ao Banquete Messinico 
(a Ceia do Senhor). O fato de ela ter ocorrido ao mesmo tempo que a celebrao da Pscoa em Jerusalm foi total coincidncia, pois o Banquete Messinico tinha um 
significado bem diferente. Os principais anfitries do banquete eram o sumo sacerdote e o Messias de Israel.  O povo da comunidade era representado por oficiais 
designados que, juntos, formavam o Conselho dos Apstolos Delegados. A Regra estipula a ordem correta de precedncia para os lugares  mesa e detalhes do ritual 
que deviam ser observados durante a refeio. Ela conclui:

E quando eles se renem para a mesa comunitria... E misturam vinho para beber, que nenhum homem estenda a mo para pegar o po ou o vinho antes do Sacerdote, pois 
 ele quem abenoa os primeiros frutos de po e vinho... E depois, O Messias de Israel estender as mos sobre o po, e ento toda a congregao da comunidade dar 
bnos, cada um de acordo com seu escalo.

Chegado o momento da comunho, Judas saiu da sala, ostensivamente, para dar esmolas aos pobres (Joo 13:28-30). Na verdade, ele foi cuidar dos arranjos finais para 
a traio de Jesus, enquanto Jesus - que sabia da inteno dele - disse: "O que pretendes fazer, faze-o depressa" (Joo 13:27). Ainda havia tempo, porm, para que 
a profecia de Joo Batista a respeito da restaurao do verdadeiro Cristo se cumprisse, mas o prazo final era aquela noite: o equincio venal de 20 de maro de 33 
d.C. Jesus sabia que se isso acontecesse sem uma proclamao feita a favor dele, sua ambio acabaria. A partir daquela noite no haveria esperana de satisfazer 
a predio messinica e ele seria denunciado como fraude. Quando Judas saiu da sala, j era quase meia-noite.
Aps o banquete, Jesus e os demais Apstolos foram para o antigo mosteiro em Qurnr, normalmente conhecido como o Monte das Oliveiras. O Evangelho de Joo e os Evangelhos 
Sinpticos no concordam quanto  ordem precisa dos eventos, mas seja como for, Jesus previu seu destino e esboou aos companheiros quais seriam as reaes deles. 
Ele declarou que at Pedro o negaria, diante da profecia no cumprida. Enquanto alguns dos discpulos de Jesus dormiam no jardim do mosteiro, Jesus caminhava entre 
eles (Mateus 26:36-45), angustiado por talvez no ter sido reconhecido como o Messias Salvador. A meia-noite passou, e chegaram Judas Iscariotes e os soldados. O 
jardim do Monte das Oliveiras era conhecido como o "Vale do leo" (Getsmani).
O sucesso do plano de Judas dependia de ele cair nas graas do Pai, Jnatas Ans. Se Judas planejou um jogo calculado ou se ele e Jnatas tinham feito algum acordo 
antes no se sabe. Mas quando o momento da priso chegou, Jnatas certamente se aliou a Judas. Isso no  uma surpresa, pois a filha de Jnatas era casada com o 
sumo sacerdote fariseu, Jos Caifs, enquanto tanto Jnatas como Judas eram adversrios polticos do amigo ntimo de Jesus, Simo Zelote. Com a priso em Getsmani 
concluda, "Assim, a escolta, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus, manietaram-no e o conduziram primeiramente a Ans; pois era sogro de Caifs, 
sumo sacerdote naquele ano" (Joo 18:12-13).
Parece estranho que Simo Zelote, que sem dvida devia estar presente a esses eventos, no seja mencionado em nenhum dos Evangelhos. Porm, em Marcos 14:51-52, h 
uma referncia especfica e velada a uma pessoa que pode ser Simo: "Seguia-o um jovem, coberto unicamente com um lenol, e lanaram-lhe a mo. Mas ele, largando 
o lenol, fugiu desnudo". Fugir desnudo pode simbolizar o fato de Simo ter sido destitudo de seu antigo alto escalo eclesistico; enquanto sua descrio como 
"jovem" o relega ao seu novo status de demovido, como um novio na Comunidade, aps a excomunho.

CRUCIFICA-O!

O julgamento de Jesus nem sequer foi um julgamento devido, e o cenrio, conforme apresentado nos Evangelhos,  cheio de ambigidades. Mateus 26:57-59 descreve assim 
a situao: "E os que prenderam Jesus o levaram  casa de Caifs, o sumo sacerdote, onde se haviam reunido os escrives e os ancios. Mas Pedro o seguia de longe 
at o ptio do sumo sacerdote e, tendo entrado, assentou-se entre os serventurios, para ver o fim. Ora, os principais sacerdotes e todo o Sindrio procuravam algum 
testemunho falso contra Jesus".        .
Ainda que todos esses sacerdotes, escrivos e ancios estivessem, de alguma forma, convenientemente reunidos nas primeiras horas do dia, permanece o fato de que 
era contrrio  lei que o Conselho se reunisse  noite. Lucas 22:36 indica que, embora Jesus fosse levado primeiramente a Caifs, o Sindrio s se reuniu quando 
amanheceu. Mas isso ainda seria ilegal, pois o Sindrio no podia se reunir durante a Pscoa.
Todos os Evangelhos afirmam que Pedra seguiu Jesus at a casa onde estava Caifs, ento ele negou o mestre trs vezes, conforme previsto. A casa, porm, no era 
na cidade de Jerusalm; era a casa da sacristia em Qurnr. Na qualidade de sumo sacerdote prevalecente, Caifs necessariamente teria estado no Banquete Messinico 
(como especifica a Regra da Comunidade) e, portanto, residiria na comunidade junto a outros funcionrios do Sindrio, na noite anterior  sexta-feira de Pscoa.
Todos os relatos concordam que Caifs entregou Jesus ao governador romano, Pncio Pilatos, cuja presena facilitava o interrogatrio imediato. Isso se confirma em 
Joo 18:28-31, fazendo surgiu ainda outra anomalia:
Depois, levaram Jesus da casa de Caifs para o pretrio. Era cedo de manh. Eles no entraram no pretrio para no se contaminarem, mas poderem comer a Pscoa. Ento, 
Pilatos saiu para lhes falar e lhes disse: "Que acusao trazeis contra este homem?" Responderam-lhe: "Se este no fosse malfeitor, no to entregaramos". Replicou-lhe, 
pois, Pilatos: "Tomai-o vs outros e julgai-o segundo a vossa lei". Responderam-lhe os judeus: "A ns no nos  lcito matar ningum".
Nesse aspecto, a verdade  que o Sindrio tinha plenos poderes no s de condenar criminosos, mas tambm de decretar e implementar a sentena de morte, se necessrio. 
Os Evangelhos tambm afirmam que Pilatos ofereceu suspender a sentena de Jesus porque " costume entre vs que eu vos solte algum por ocasio da Pscoa". Novamente, 
isso no  verdade. Nunca existiu esse costume. Embora os zelotes, Simo (Lzaro) e Judas, apaream em eventos que levaram  priso de Jesus, parece que Tadeu (o 
terceiro mais importante revolucionrio) no  mencionado aps a Santa Ceia. Mas ela entra na histria, no julgamento. Tadeu era um assistente da Sucesso (de Alfeu), 
um assistente do Pai e, portanto, um devoto Filho do Pai. Em hebraico, a expresso Filho do Pai incorporaria os elementos Bar (Filho) e Abba (Pai) - por isso, Tadeu 
pode ser descrito como "Bar Abba"; e h um homem chamado Barrabs intimamente ligado  possibilidade da suspenso de Jesus por Pncio Pilatos.
Barrabs  descrito em Mateus 27:16 como um "preso muito conhecido"; em Marcos 15:7 como algum que tinha sido "preso com amotinadores, os quais em um tumulto haviam 
cometido homicdio"; em Lucas 23:19, como um homem que "estava no crcere por causa de uma sedio na cidade e tambm por homicdio"; e em Joo 18:40 como "salteador". 
A descrio de Joo  um tanto vaga, pois todos os dias os ladres ("salteadores") eram sentenciados  crucificao. Entretanto, a palavra traduzida no reflete 
verdadeiramente a implicao grega original, porque lsts no significa "ladro", e sim "contra a lei". As palavras de Marcos apontam mais especificamente para 
o papel de insurgente de Barrabs na recente revolta.
O que parece ter acontecido  que quando os trs prisioneiros, Simo, Tadeu e Jesus, foram levados a Pilatos, os casos dos dois primeiros eram simples; eram lderes 
zelotes conhecidos e tinham sido condenados desde a insurgncia. Por outro lado, Pilatos achava extremamente difcil provar a acusao contra Jesus. De fato, Jesus 
s estava ali porque o contingente judeu o tinha passado para Pilatos para sentenci-lo junto aos outros. Pilatos pediu  hierarquia que lhe fornecesse ao menos 
um pretexto - "Que acusao trazeis contra este homem?" - mas no recebeu resposta satisfatria. No desespero, Pilatos sugeriu que o levassem, acrescentando: "julgai-o 
segundo a vossa lei", ao que os judeus responderam com a falsa desculpa de "A ns no  lcito matar ningum".
Assim, Pilatos se voltou para o prprio Jesus: "s tu o rei dos judeus?", perguntou; ao que Jesus replicou: "Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros 
a meu respeito?"
Confuso, Pilatos continuou: "A tua prpria gente e os principais sacerdotes  que te entregaram a mim. Que fizeste?"
O interrogatrio prosseguiu at que finalmente Pilatos "voltou aos judeus e lhes disse: "Eu no acho nele crime algum" (Joo 18:38).
Nesse ponto, Herodes Antipas da Galilia entrou em cena (Lucas 23:7-12). Ele no era amigo dos sacerdotes Ans e seu propsito era que Jesus fosse libertado para 
provocar seu sobrinho, o rei Herodes Agripa. Assim, Antipas fez um acordo com Pilatos para garantir a libertao de Jesus. O pacto entre Judas Iscariotes e Jnatas 
Ans foi portanto substitudo, sem envolv-los, por meio de um acordo entre o tetrarca herodiano e o governador romano. A partir daquele momento, Judas perdeu qualquer 
chance de perdo pelas atividades zelotes e seus dias estavam contados. De acordo com o novo arranjo, Pilatos disse aos ancios judeus (Lucas 23:14-16):

Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presena, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais. Nem tampouco 
Herodes, pois no-lo tomou a enviar. , pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte. Portanto, aps castig-lo, solt-lo-ei.

Se os membros do Sindrio esperassem at depois da Pscoa, poderiam ter conduzido seu prprio julgamento em perfeita legalidade. Mas estrategicamente eles passaram 
a responsabilidade para Pilatos, porque sabiam que no havia uma acusao real para ser substanciada. Certamente no tinham barganhado pelo senso de justia de Pilatos, 
nem pela interveno de Herodes Antipas. Mas Pilatos conseguira derrotar seu prprio objetivo. Ele tentou conciliar sua deciso de libertar Jesus com a noo de 
que o gesto poderia ser considerado uma concesso de Pscoa e, ao faz-lo, abriu a porta para uma escolha por parte dos judeus: Jesus ou Barrabs? Nesse momento, 
"toda a multido, porm, gritava: Fora com este! Solta-nos Barrabs!" (Lucas 23:18).
Pilatos insistiu a favor de Jesus, mas os judeus gritavam: "Crucifica-o!" Novamente, Pilatos perguntou: "Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para conden-lo 
 morte". Mas finalmente cedendo ao senso de compromisso, mal orientado, Pilatos libertou Barrabs (Tadeu). Os soldados romanos colocaram uma coroa de espinhos sobre 
a cabea de Jesus e o envolveram com um manto prpuro. Pilatos o devolveu aos sacerdotes, dizendo: "Eis que eu vo-lo apresento, para que saibas que no acho nele 
crime algum" (Joo 19:4).

PARA GLGOTA

Naquele momento, as coisas estavam indo bem para os ancios de Jerusalm; seu plano tinha dado certo. O idoso Tadeu pode ter sido libertado, mas Simo e Jesus estavam 
em custdia, bem como Judas Iscariotes. Sem dvida, o maior de todos os traidores era o Pai predominante, Jnatas Ans, o antigo apstolo conhecido como Tiago Alfeu 
(ou Natanael). As trs cruzes foram devidamente ergui das no Lugar da Caveira, o calvrio (Glgota) e preparadas para receber Jesus e os lderes zelotes da guerrilha, 
Simo Zelotes e Judas Iscariotes.
No caminho at a crucificao em Glgota, ocorreu um evento significativo quando um misterioso personagem chamado Simo, o Cireneu, ofereceu-se para carregar a cruz 
de Jesus (Mateus 27:32). Muitas teorias tentam explicar quem teria sido esse cireneu, mas sua identidade verdadeira no  muito importante. O importante  que ele 
estava l. H uma interessante referncia a ele num antigo tratado cptico chamado O Segundo Tratado do Grande Seth, descoberto entre os livros de Nag Hammadi. Em 
meio  explicao de que houve uma substituio pelo menos para uma das vtimas da crucificao, o tratado menciona o cireneu, nesse contexto. A substituio aparentemente 
ocorreu de fato, pois o tratado declara que Jesus no morreu na cruz, como se presumia. O prprio Jesus teria dito: "Quanto  minha morte - suficientemente real 
para eles - lhes parecera real por causa de sua falta de compreenso e de sua cegueira".
O Alcoro islmico (Captulo 4, intitulado "Mulheres") especifica que Jesus no morreu na cruz, afirmando: "Contudo, eles no o mataram, nem o crucificaram, mas 
ele foi representado por algum que lhe era semelhante... Na verdade, eles no o mataram". No sculo 11, tambm o historiador Basilides de Alexandria escreveu que 
a crucificao fora encenada (com Simo, o Cireneu, usado como substituto), enquanto o lder gnstico, Mani (nascido perto de Bagd em 214 d.C.), fazia exatamente 
a mesma afirmao.
No evento, porm, parece que Simo, o Cireneu, substituiu Simo Zelote, no Jesus. Evidentemente, a execuo de dois homens como Jesus e Simo no passaria ignorada; 
por isso, uma estratgia foi implementada para ludibriar as autoridades judaicas (embora  bem possvel que os homens de Pilatos tenham participado do subterfgio). 
E essa estratgia contou com o uso de um veneno indutor de coma e a representao de um logro fsico.
Se havia um homem capaz de arquitetar essa iluso, ele era Simo Zelote, lder dos Magos Samaritanos e reconhecido como o maior Mago de sua poca. Tanto os Atos 
de Pedra como as Constituies Apostlicas124 da Igreja contam a histria de como, alguns anos depois, Simo levitou at ficar acima do frum romano. Em Glgota, 
porm, as coisas eram muito diferentes: Simo estava sob guarda e a caminho de ser crucificado.
Era necessrio livrar Simo de seu destino - ento, foi organizada uma substituio na pessoa do cireneu, que estaria mancomunado com o j libertado Tadeu (Barrabs). 
O logro comeou a caminho de Glgota quando, aceitando a cruz de Jesus, o cireneu conseguiu se imiscuir no meio da multido. A troca em si foi feita no local da 
crucificao, facilitada pela confuso preparatria geral. Em meio  balbrdia de erguerem as cruzes, o cireneu aparentemente sumira, mas na verdade estava no lugar 
de Simo. Nos Evangelhos, a seqncia seguinte de eventos  cuidadosamente velada, pois pouqussimos detalhes so dados sobre os homens crucificados com Jesus; de 
fato, eles apenas so descritos como "ladres".
E assim a encenao estava montada: Simo (Zelote), o Mago, conseguira sua liberdade e pde, a partir da, lidar com o restante dos procedimentos.

CRUCIFICAO
LUGAR DA CAVEIRA

Embora a crucificao geralmente seja descrita como um evento relativamente pblico, os Evangelhos afirmam (por exemplo, em Lucas 23:49) que os observadores foram 
obrigados a ver tudo "de longe". Em Mateus, Marcos e Joo, o lugar  chamado de Glgota, enquanto em Lucas tem o nome de Calvrio. Entretanto, ambos os nomes (hebraico: 
Gulgoleth, aramaico: Gulgolta, latim: Calvaria) derivam de palavras que significam "caveira" ou "crnio" e o significado de Glgota, conforme dado nos Evangelhos, 
 claro: um "lugar da caveira".
Trs sculos mais tarde,  medida que a f crist espalhava sua influncia, vrios lugares em Jerusalm e ao redor receberam um significado supostamente prprio 
do Novo Testamento. Em muitas ocasies, tratava-se apenas de colocar um nome num local apropriado; era uma demanda do mercado turstico e dos peregrinos. Foi identificado, 
ento, um devido Calvrio; uma rota pela qual Jesus teria carregado a cruz foi traada e um sepulcro conveniente marcado para representar a lendria tumba.
No contexto de toda essa criatividade, Glgota (Calvrio) se localizaria do lado de fora da Muralha de Herodes, a noroeste de Jerusalm. Era uma colina infrtil, 
e foi escolhida por ter formato que lembrava vagamente uma caveira. Posteriormente, a tradio ocidental romantizou o lugar como sendo "uma colina verdejante e distante" 
- um tema sobre o qual muitos artistas produziram vrias verses. Entretanto, apesar de todo esse idealismo fantasioso, nenhum dos Evangelhos faz meno alguma de 
uma colina. De acordo com Joo 19:41, o local era um "jardim" no qual havia um sepulcro particular que pertencia a Jos de Arimatia (Mateus 27:59-60). Considerando 
a evidncia dos Evangelhos, em vez do folclore popular, vemos que a crucificao no foi um espetculo no alto de uma colina, com enormes cruzes projetadas contra 
o horizonte e uma multido pica de espectadores. Pelo contrrio, foi um evento modesto, num terreno controlado - um jardim exclusivo que era, de uma forma ou de 
outra, o "Lugar da Caveira" (Joo 19:17).
Os Evangelhos dizem muito pouco sobre o assunto, mas em Hebreus 13:11-13 encontramos algumas pistas importantes acerca do local:

Pois aqueles animais cujo sangue  trazido para dentro do Santo dos Santos, pelo sumo sacerdote, como oblao pelo pecado, tm o corpo queimado fora do acampamento. 
Por isso foi que tambm Jesus, para santificar o povo pelo seu prprio sangue, sofreu fora da porta. Saiamos pois a ele, fora do arraial, levando a sua repreenso.

Com isso, deduzimos que Jesus sofreu "fora da porta" ou "fora do acampamento". Tambm h certa associao com um lugar onde os corpos dos animais sacrificados eram 
queimados. Essa referncia  particularmente importante porque os lugares onde se queimavam os restos dos animais eram considerados impuros. De acordo com Deuteronmio 
23:10-14, "fora do acampamento" era uma expresso para descrever reas como fossas e latrinas pblicas, lugares que eram tanto fsica como ritualmente impuros. No 
mesmo sentido, "fora da porta" definia vrios outros locais impuros, incluindo cemitrios comuns.  Alm disso, os Pergaminhos do Mar Morto deixam claro que, por 
constituir um ato de deflagrao andar por cima dos mortos, os cemitrios humanos eram identificados com o sinal de uma caveira. Portanto, naturalmente, o "local 
de um crnio" (Glgota/Calvrio) era um cemitrio - um jardim sepulcral restrito que continha um sepulcro vazio sob os cuidados de Jos de Arimatia.
Outra pista est em Apocalipse 11:8, que diz que Jesus foi crucificado na "praa da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito". Isso positivamente 
identifica o local do cemitrio como sendo Qumr, que foi designado Egito pelo Terapeutato, e associado geograficamente com o centro de Sodoma, no Antigo Testamento.
Quem, ento, foi Jos de Arimatia? Nos Evangelhos, ele  descrito como um "ilustre membro do Sindrio, que tambm esperava o reino de Deus" (Marcos 15:43). Ele 
tambm era "discpulo de Jesus, ainda que secretamente, pelo receio que tinha dos judeus" (Joo 19:38). Mas embora a aliana de Jos com Jesus fosse mantida oculta 
dos ancios judeus, ela no era segredo para Pncio Pilatos, que aceitava, sem questionar, o envolvimento do homem com os afazeres de Jesus. Esse mesmo envolvimento 
no surpreendia Maria, a me de Jesus, nem Maria Madalena, Maria Clopas ou Salom. Todas estavam satisfeitas com os planos de Jos, aceitando sua autoridade sem 
comentrios ou objees.
s vezes relacionado ao vilarejo de Arim, na plancie de Genesar, Arimatia era, na verdade, um ttulo descritivo como muitos outros no Novo Testamento. Representava 
um status particularmente alto. Assim como Mateus Ans tinha a distino sacerdotal de "Levi de Alfeu" (Levi da Sucesso), Jos era "de Arimatia". Entretanto (como 
no ttulo de Levi, de Mateus), Jos no era seu verdadeiro nome batismal. Arimatia (como Alfeu) derivava de uma combinao de elementos hebraicos e gregos - nesse 
caso, o hebraico: ha ram ou ha rama (da altura ou do topo) e o grego: Theo (relacionado a Deus). Juntos, os dois termos significariam "do Mais Alto de Deus" (ha 
Rama Theo) e, como uma distino pessoal, Alteza Divina.
Enquanto isso, sabemos que Jesus era o herdeiro do trono de Davi. O ttulo patriarcal de Jos se aplicava ao sucessor imediato128 e, nesse sentido, com Jesus considerado 
o herdeiro, ento seu irmo mais velho, Tiago, era o Jos designado. Assim, Jos de Arimatia emerge como o prprio Tiago, irmo de Jesus. No  nenhuma surpresa, 
portanto, que Jesus tenha sido sepultado num sepulcro que pertencia  sua farm1ia real. Tampouco  surpresa que Pilatos deixasse o irmo de Jesus cuidar de tudo 
ou que as mulheres da famlia de Jesus aceitassem os planos feitos por Jos (Tiago), sem question-los. O motivo pelo qual Jos ocultava do Sindrio seu apoio a 
Jesus  evidente, pois ele tinha seus prprios seguidores entre todos os escales da comunidade hebraica.
Desde a descoberta dos Pergaminhos do Mar Morto em Qurnr, em 1947, as escavaes prosseguiram at os anos 50. Nesse perodo, importantes descobertas foram feitas 
em vrias cavernas. Os arquelogos descobriram que uma caverna, em particular, tinha duas cmaras e duas entradas separadas, a uma boa distncia entre si. O acesso 
 cmara principal era por meio de um buraco no caminho do telhado, enquanto a cavidade adjacente era acessvel pelo lado. Da entrada no telhado, foram construdos 
degraus que desciam at a cmara e, para fechar a entrada contra gua de chuva, uma grande pedra fora rolada para cobrir a abertura. De acordo com o Pergaminho de 
Cobre, esse sepulcro era usado como um depsito de tesouro, sendo assim chamado de Caverna do Homem Rico. Esse sepulcro do Prncipe Jos se localizava diretamente 
em frente ao Seio de Abrao.
A profecia de que o Messias entraria em Jerusalm montado num jumento no era a nica feita a respeito do Messias no livro de Zacarias, no Antigo Testamento. Duas 
outras profecias - Zacarias 12: 10 e 13:6 diziam que ele seria esfaqueado, e sua morte lamentada por toda a Jerusalm, e que seria ferido nas mos por causa de seus 
amigos. Jesus percebera que, sendo crucificado, seria qualificado em todos esses aspectos. Ele podia ter estourado o prazo segundo a profecia de Joo Batista, mas 
a crucificao lhe ofereceria outra chance. Assim, como vemos em Joo 19:36 a respeito de Zacarias: "E isso aconteceu para se cumprir a Escritura" .
A crucificao era ao mesmo tempo punio e execuo: a morte por martrio se prolongava por muitos dias. Primeiro, os braos estendidos da vtima eram amarrados, 
pelos pulsos, a uma viga, que em seguida era encaixada horizontalmente como um poste de madeira colocado na vertical. s vezes, as mos eram traspassadas por pregos 
tambm, mas estes, sozinhos, seriam inteis. Suspendido com todo o peso nos braos, um homem teria seus pulmes comprimidos e acabaria morrendo rapidamente sufocado. 
Para prolongar a agonia, a presso no peito era aliviada quando os ps da vtima tambm eram traspassados e presos no poste. Presa assim, a vtima poderia permanecer 
viva por vrios dias, possivelmente uma semana ou mais. Depois de algum tempo, para liberar as cruzes, os carrascos s vezes quebravam as pernas dos prisioneiros 
para aumentar o peso do corpo pendurado e acelerar a morte.
Naquela sexta-feira, equivalente a 20 de maro de 33 d.C., no havia motivo para que qualquer um dos homens crucificados morresse no decorrer do dia. No entanto, 
deram vinagre a Jesus e, tendo-o tomado, ele "rendeu o esprito" (Joo 19:30). Pouco depois, um centurio espetou o flanco de Jesus com uma lana, e o fato de ele 
sangrar (o que se identificou como sangue e gua) parecia indicar que ele estava morto (Joo 19:34). Na realidade, o sangramento vascular indica que um corpo est 
vivo, no morto. O Dr. A. R. Kittermaster, em seu relatrio de 1979, intitulado A Medical View of the Calvary [Uma Viso Mdica do Calvrio], confirmou que "Morto 
ou vivo, o fluxo de gua  difcil de explicar, mas o sangue no jorra de um ferimento feito por lana aps a morte. Seria necessrio fazer uma lacerao muito grande 
para que sasse algum sangue de um corpo morto". Naquele momento, Judas e o cireneu estavam bem vivos, por isso quebraram-lhes as pernas.
Os Evangelhos no dizem quem deu o vinagre a Jesus na cruz, mas Joo 19:29 especifica que o recipiente estava pronto e esperando para ser usado. Um pouco antes na 
mesma seqncia (Mateus 27:34),  dito que a poo era "vinho com fel", ou seja, vinho azedo misturado com veneno de cobra. Dependendo das propores, esse tipo 
de mistura pode induzir  inconscincia ou at causar morte. Nesse caso, o veneno no foi dado a Jesus em numa caneca, mas sim uma esponja e em doses medidas. A 
pessoa que o administrou foi, sem dvida, Simo Zelote, que tambm deveria estar numa cruz.
Enquanto isso, Jos de Arimatia estava negociando com Pilatos para remover o corpo de Jesus antes do Sab e coloca-lo em seu sepulcro. Pilatos se surpreendeu por 
Jesus ter morrido em to pouco tempo (Marcos 15:44): "Pi1atos admirou-se de que ele j tivesse morrido. E, tendo chamado o centurio, perguntou-lhe se havia muito 
que morrera". Para acelerar as coisas, Jos recitou para Pilatos uma regra judaica baseada em Deuteronmio 21:22-23 e confirmada no Pergaminho do Templo de Qurnr: 
"Se algum houver pecado, passvel da pena de morte, e tiver sido morto, e o pendurares num madeiro, o seu cadver no permanecer no madeiro durante a noite, mas 
certamente o enterrars no mesmo dia". Pilatos, ento, sancionou a mudana do procedimento de pendurar um pecador (como se manifestava na crucificao) para o velho 
costume de enterra-lo vivo. Em seguida, voltou para Jerusalm, deixando Jos no controle de tudo ( possivelmente interessante que em Atos 5:30, 10:39 e 13:29, as 
referncias  tortura de Jesus sempre se relacionem ao fato de ele estar "pendurado numa rvore").
Estando Jesus num estado de coma, aparentemente sem vida, e Judas e o cireneu com as pernas quebradas, os trs foram descidos da cruz, tendo ficado l menos da metade 
de um dia. O relato no diz que os homens estavam mortos; simplesmente faz referncia  remoo de seus corpos, isto , corpos vivos, e no cadveres.

TRS HORAS DE ESCURIDO

O dia seguinte era o Sab, sobre o qual os Evangelhos falam pouco. S Mateus 27:62-66 menciona esse sbado, mas se refere simplesmente a uma conversa entre Pilatos 
e os ancios judeus em Jerusalm, aps o que Pilatos enviou dois guardas para vigiar a tumba de Jesus. Fora isso, os quatro Evangelhos continuam sua histria a partir 
da manh do domingo.
No entanto, se algum dia foi importante para o desenrolar dos eventos seguintes era justamente o sbado: o Sab do qual pouco ouvimos falar. Esse respeitado dia 
de descanso e adorao era a chave do segredo de tudo o que aconteceu. Foi o que ocorreu no sbado que causou tamanho espanto nas mulheres, quando elas encontraram 
a pedra fora de posio, na madrugada de domingo. Em termos prticos, nada havia de assustador no deslocamento da pedra - qualquer um poderia t-la movido. Na verdade, 
as prprias mulheres a teriam empurrado, pois no tinham motivo para prever um acesso impedido. O impensvel era que a pedra fora movida no Sab, um dia sagrado 
no qual era absolutamente proibido erguer qualquer peso. O mistrio no estava no "ato" da remoo, mas no "dia" da remoo. Pois seria impossvel que a pedra tivesse 
sido movida no Sab!
H alguma variao entre os Evangelhos quanto ao que realmente aconteceu no terceiro dia: o domingo. Mateus 28:1 diz que Maria e Maria Madalena foram at a tumba, 
enquanto Marcos 16:1 inclui tambm Salom. Lucas 24:10 apresenta Joana, mas omite Salom, enquanto Joo 20:1 fala de Madalena chegando totalmente sozinha. Marcos, 
Lucas e Joo afirmam que quando a mulher, ou as mulheres, chegaram, a pedra j tinha sido deslocada.
Em Mateus, porm, as duas sentinelas estavam de guarda e a pedra ainda se encontrava na mesma posio. Ento, para assombro das mulheres e das sentinelas, "um anjo 
do Senhor desceu do cu, removeu a pedra e assentou-se sobre ela".
Na seqncia, fica evidente que Jesus no estava na tumba onde fora colocado. De acordo com Mateus 28:5-6, o anjo guiou as mulheres at a caverna. Em Marcos 16:4-5, 
elas entraram sozinhas e se viram diante de um jovem vestindo uma tnica branca. Lucas 24:3-4, porm, descreve dois homens dentro da caverna. E Joo 20:2-12 conta 
como Maria Madalena foi buscar Pedro e outro discpulo antes de entrar na caverna. Em seguida, depois que seus companheiros tinham ido embora, Maria encontrou dois 
anjos sentados dentro do sepulcro.
Na anlise final, no fica claro se os guardas existiam ou no. O nmero de mulheres presentes varia entre uma, duas ou trs. Talvez Pedro estivesse com elas, talvez 
no. Havia um anjo do lado de fora ou um jovem dentro do sepulcro; alternativamente, havia talvez. dois anjos dentro, que deviam estar sentados ou em p. Quanto 
 pedra, possivelmente ela ainda estava na posio certa ao nascer do dia, ou talvez j tivesse sido removida.        .
S h um denominador comum em tudo isso: Jesus no estava mais l - mas mesmo isso no  certo. De acordo com Joo 20:14-15, Maria Madalena se afastou dos anjos 
e viu Jesus em p, mas tomou-o por um jardineiro. Ela caminhou na direo dele, mas Jesus no a deixou se aproximar, dizendo: "No me detenhas" (Joo 20: 17).
Esses so os quatro relatos nos quais se baseia toda a histria da Ressurreio, e, no entanto, eles apresentam divergncias em quase todos os detalhes. Por causa 
disso, sculos de polmica vm se arrastando quanto  questo de quem viu Jesus ressuscitado primeiro, Maria Madalena ou Pedro. Mas ser que somos capazes de traar 
o que de fato aconteceu depois que Jos (Tiago) deixou Jesus na tumba, na sexta-feira?
Inicialmente, o cireneu e Judas Iscariotes (com as pernas quebradas, mas ainda bem vivos) tinham sido colocados na segunda cmara da tumba. O corpo de Jesus ocupava 
a cmara principal. Dentro dos confins da cmara dupla, Simo Zelote j estava em seu posto, com lmpadas e tudo de que precisasse para a operao (detalhe interessante, 
havia uma lmpada entre os objetos encontrados dentro da caverna, nos anos 50).
Ento, segundo Joo 19:39, Nicodemos chegou, "levando cerca de cem libras de um composto de mirra e alos". Extrato de mirra era uma forma de sedativo de uso comum 
na prtica medicinal da poca. Mas para que tamanha quantidade de alos? O suco de alo, como explica a moderna farmacopia,  um purgativo forte e de rpido efeito 
- exatamente o que seria necessrio para Simo expelir o fel (veneno) do corpo de Jesus.
 um fato muito significativo que o dia aps a crucificao era o Sab. Na verdade, o tempo para toda a operao de "ressuscitar Jesus dentre os mortos" (libert-lo 
da excomunho) dependia da hora precisa que se considerava ter o incio o Sab. Naqueles dias, no havia um conceito para uma durao fixa de horas e minutos. O 
registro e a medida do tempo eram algumas das funes oficiais dos levitas que programavam o curso das horas pelas sombras no cho em reas medidas. Alm disso, 
desde cerca de 6 a.C., j se usavam os relgios de sol. Entretanto, nem as marcas no cho nem os relgios de sol tinham utilidade quando no havia sombra. Assim, 
havia doze "horas do dia" determinadas (luz) e, do mesmo modo, doze "horas da noite" (escurido). As ltimas eram medidas por sesses de orao levticas (como as 
horas cannicas da Igreja Catlica de hoje. Na verdade, a atual orao Angelus - feita pela manh, ao meio-dia e na hora do pr-do-sol - deriva da prtica dos antigos 
anjos levitas). O problema, porm, era que  medida que os dias e noites ficavam mais longos ou mais curtos, eram necessrios ajustes nos momentos em que as horas 
se sobrepunham.
Naquela sexta-feira especfica da crucificao, era necessrio um ajuste adiantado de trs horas completas e, por causa disso, h uma discrepncia notvel entre 
os relatos de Marcos e Joo quanto  cronologia dos eventos naquele dia. Marcos 15:24 diz que Jesus foi crucificado na terceira hora, enquanto Joo 19:14-16 afirma 
que Jesus foi preparado para a crucificao por volta da sexta hora. Essa anomalia ocorre porque o Evangelho de Marcos usa a contagem de tempo helenista, enquanto 
o de Joo usa a hebraica. O resultado da mudana de tempo (como descreve Marcos 15:33) foi que "chegada  hora sexta, houve trevas sobre a terra at a hora nona". 
Essas trs horas de escurido eram apenas simblicas; ocorreram dentro de uma frao de segundo (como acontece com as mudanas de tempo hoje quando atravessamos 
diferentes fusos horrios ou quando avanamos ou atrasamos os relgios para o horrio de vero). Assim, nessa ocasio, o fim da quinta hora foi imediatamente seguido 
pela nona hora.
A chave para a histria da Ressurreio se encontra nessas trs horas perdidas (as horas do dia que se tomaram horas da noite), pois o novo comeo estabelecido para 
o Sab era trs horas antes da velha dcima segunda hora - ou seja,  nona hora, que foi redefinida como dcima segunda hora. Mas os magos samaritanos de Simo Zelote 
trabalhavam com uma estrutura de tempo astronmica e no implementaram formalmente a mudana de trs horas at a dcima segunda hora original. Isso significava que, 
sem quebrar as regras de no trabalhar no Sab, Simo tinha trs horas completas para realizar o que tinha de fazer, embora os outros j tivessem comeado o sagrado 
perodo de descanso. Era tempo suficiente para administrar

os medicamentos a Jesus e cuidar das fraturas sseas do cireneu. Judas Iscariotes no recebeu o mesmo tratamento misericordioso, sendo atirado de um penhasco, o 
que lhe causou a morte (como relatado em Atos 1:16-18). A referncia anterior em Mateus 27:5, indicando que Judas se enforcou, aplica-se meramente ao fato de que, 
naquele momento, ele montou a cena para a sua runa.

O TMULO VAZIO

Quando o Sab comeou, segundo o tempo dos magos (trs horas depois do Sab judaico padro), ainda havia trs hora  noturnas antes de Maria Madalena chegar ao romper 
do dia e no incio de uma nova semana.  irrelevante se havia ou no sentinelas em guarda aquela noite; qualquer ida e vinda de Simo e seus colegas seria feita 
por meio da segunda entrada, que ficava a certa distncia. Se a pedra foi ou no removida tambm  irrelevante. O importante aqui  que, quando Jesus apareceu, ele 
estava vivo e bem.
Quanto ao anjo que moveu a pedra para as mulheres, em Mateus 28:3, lemos: "O seu aspecto era como um relmpago, e a sua veste, alva como a neve". Como vimos, Simo 
(Mago) Zelote era politicamente classificado como "Relmpago"; suas vestes eram brancas e, em seu escalo, ele era de fato um anjo. A frase poderia, portanto, ser 
interpretada mais literalmente como "Seu aspecto era o de Simo Zelote em sua veste sacerdotal". Mas por que isso seria uma surpresa to grande para as mulheres? 
Porque elas achavam que Simo tinha sido crucificado e sepultado, com as pernas quebradas.
No s Simo estava presente, mas tambm Tadeu: "Houve um grande terremoto porque um anjo do Senhor desceu do cu" (Mateus 28:2). Assim como Simo Zelote era classificado 
como Relmpago (enquanto Jnatas Ans era o Trovo), Tadeu era, por sua vez, -designado como Terremoto (num jogo de imagens semelhante a respeito do monte Sinai, 
como em Juzes 5:5. Portanto, Simo e Tadeu eram os dois anjos encontrados por Maria (Joo 20:11-12). Simo tambm era o "jovem" em vestes brancas (Marcos 16:5), 
a descrio indicando seu recm demovido status como novio, subseqente  excomunho de Lzaro.
O jardim onde Jesus foi crucificado ficava sob a jurisdio de Jos de Arimatia (Tiago, o irmo de Jesus). Era uma rea consagrada simbolizando o Jardim de den, 
o que fazia identificar Tiago com Adlo, o homem do Jardim. Assim, quando Maria viu Jesus e pensou que fosse o jardineiro, a inferncia  que ela acreditava estar 
olhando para Tiago. O motivo de Jesus no deixar que ela o tocasse era que Maria estava grvida e, de acordo com as regras para as noivas dinsticas, ela no tinha 
permisso de ter contato fsico com o marido naquele perodo.
 evidente que Maria e a maioria dos discpulos no tinham participado do subterfgio daquela sexta-feira e do sbado. De fato, a inteno de Simo era permanecer 
misterioso; escapar da caverna funerria com vida e as pernas intactas contribuiria para a sua j grande reputao. Tambm interessava a Jesus que o seu reaparecimento 
espantasse a todos. No evento, o esforo conjunto - com o apoio de Tadeu, do cireneu e do irmo Tiago (Jos) - manteve de p a misso aps sua quase runa, permitindo 
aos apstolos continuar com seu trabalho. Se Jesus tivesse de fato morrido, seus discpulos se teriam dispersado, em medo e dvida, e a causa teria morrido com ele. 
Mas do jeito que tudo transcorreu, a misso ganhou uma nova vida - cujo resultado foi o nascimento do Cristianismo.



RESSUSCITADO DENTRE OS MORTOS

E se no h ressurreio dos mortos, ento, Cristo no ressuscitou. E se Cristo no ressuscitou,  v a nossa pregao e v a nossa f... Porque se os mortos no 
ressuscitam, tambm Cristo no ressuscitou...
Esse  a defesa da Ressurreio, apresentada como penhor de f por So Paulo em 1 Corntios 15:13-16. Admitamos que no constitui um argumento muito bom para algo 
que  to fundamental para a f crist. De fato,  um argumento que depe contra si mesmo. Se Paulo estivesse falando em termos espirituais, seus contemporneos 
teriam aceitado suas palavras mais rapidamente, mas no foi o caso. Ele falava literalmente, referindo-se  noo de cadveres voltando  vida, segundo a profecia 
no livro de Isaas (26: 19): "Os vossos mortos e tambm o meu cadver vivero e ressuscitaro".
A imortalidade da alma (no a do corpo) era um conceito conhecido bem antes da poca de Jesus. No antigo mundo grego, os seguidores do filsofo ateniense Scrates 
(c.469-399 a.C.) j o divulgavam. No sculo IV a.C., Plato afirmava que a mente, no a matria, era a raiz da realidade. Mesmo antes disso, Pitgoras (c.570-500 
a.C.) divulgava a doutrina da reencarnao: a idia de que, quando o corpo fsico morre, a alma entra em outro corpo e comea uma nova vida.
Na verdade, a crena na reencarnao  comum em muitas religies provenientes da mesma poca, incluindo o Hinduismo e o Budismo.
Paulo, entretanto, no se referia  transmigrao de almas; ele expressava uma crena na qual o Cristianismo se destaca como sozinho, como uma das maiores religies 
- a noo de que uma pessoa morta pode voltar  vida, "em carne". O Credo dos apstolos diz que Jesus foi "crucificado, morto e sepultado. Ressuscitou ao terceiro 
dia". Estudiosos e pesquisadores h muito criticam a interpretao literal desse conceito e, em anos recentes, muitos clrigos tambm o contestam. Mas as velhas 
doutrinas so difceis de exterminar e muitos sentem que abandonar esse conceito seria o mesmo que abandonar a tica intrnseca do prprio Cristianismo. Entretanto, 
se o Cristianismo tem uma base de valor (e certamente tem), essa base deve ser o cdigo moral, somado aos ensinamentos de Jesus. Na verdade, os Evangelhos tratam 
desses padres sociais e seus ensinamentos associados. Eles so a prpria essncia da Boa Notcia.
Afirma-se com freqncia que aps quase 2.000 anos cerca de trs quartos da populao mundial no aceitam a idia de ressurreio fsica. Muitos acham essa idia 
mais perturbadora do que iluminada, o que faz com que a mensagem crist seja severamente reprimida. Poucas religies (ou quase nenhuma delas) contestariam o motivo 
magnnimo e inspirador do ideal de Jesus - um ideal de harmonia, unidade e servio numa sociedade fraterna. Na verdade, no h uma base melhor para a religio; entretanto, 
a distoro de um dogma restritivo prevalece, junto a uma querela constante sobre questes de interpretao e ritual. Enquanto essas disputas continuarem, no poder 
haver uma verdadeira harmonia; e uma sociedade eclesial dividida pouco mais pode oferecer a si prpria e ao mundo do que um servio limitado.
Um dos principais problemas associados  aceitao da ressurreio carnal de Jesus  que essa premissa  muito pouco defendida nos Evangelhos. Vimos que os versculos 
9 a 20 de Marcos 16 foram estrategicamente acrescentados muito tempo depois que o Evangelho estava completo e publicado. E se o Evangelho de Marcos foi o primeiro 
dos Evangelhos Sinpticos, formando a base para os outros, ento uma dvida legtima pode pairar sobre a autenticidade dos versculos finais de Mateus e Lucas. Mas 
se ignorarmos tudo isso, para aceitarmos os quatro Evangelhos como so apresentados, deparamo-nos com um quadro muito vago no qual muitos detalhes so no s confusos 
mas conflitantes. Primeiro, Maria Madalena pensou que Jesus fosse outra pessoa. Depois, Pedro e Clopas conversaram com ele por vrias horas pensando que fosse um 
estranho. S quando Jesus se sentou para comer com seus apstolos, eles os reconheceram - momento em que ele desapareceu da vista de todos.
O que se destaca aqui  que o conceito da Ressurreio, como o conhecemos hoje, era completamente desconhecido entre as pessoas da poca. Exceto por aqueles diretamente 
envolvidos com todo o cenrio da crucificao, os discpulos estavam s cegas. Eles realmente acreditavam que seu mestre tinha morrido, e seu reaparecimento os espantaria 
de fato. No eram os sacerdotes de alta posio como Simo, Levi e Tadeu, mas os apstolos menos sofisticados como Pedra e Andr. No entanto, eles certamente teriam 
compreendido que a previso de Jesus de como seu templo retomaria em trs dias (Joo 2:19) nada tinha a ver com uma posterior interpretao europia fugiu completamente 
do simbolismo da morte.
Como vemos na histria de Lzaro, um homem era considerado morto quando fosse excomungado - uma forma de morte espiritual por decreto. O processo levava quatro dias 
para a implementao, perodo em que o excomungado era considerado doente para morrer. Nesse sentido, Jesus fora formalmente denunciado pelo Sindrio dos ancios 
legais, pelo sumo sacerdote, Jos Caifs, e pelo novo Pai, Jnatas Ans. Sua excomunho foi absoluta e, desde as primeiras horas da sexta-feira da crucificao, 
ele estava oficialmente "doente". O "nico modo de escapar da morte" no quarto dia seria a prvia libertao (ressurreio) da denncia por parte do Pai ou sumo 
sacerdote, motivo pelo qual Jesus insistiu em ressuscitar no terceiro dia. Em qualquer outro contexto, o perodo de trs dias no tinha o menor significado. Mas 
com o sistema voltado firmemente contra ele, quem poderia realizar a ressurreio?
O nico homem capaz de se encarregar do rito era o Pai deposto, o leal Simo Zelote. A despeito das maquinaes em Jerusalm, a posio de Simo como o Pai ainda 
era respeitada por muitos, mas Simo fora crucificado com Jesus, ou pelo menos era o que a maioria dos discpulos acreditava. Entretanto, Simo ressurgiu, vivo e 
bem, com Jesus, o qual ele tinha "ressuscitado dentre os mortos" nas primeiras horas da manh de domingo. Para aqueles que tinham participado do plano, a ressurreio 
de Jesus fora de fato um milagre e, como afirma o Evangelho: "Quando pois Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discpulos de que ele dissera 
isso; e creram na Escritura e na palavra de Jesus" (Joo 2:22).
Foi Paulo (um hebreu convertido posteriormente) quem estabeleceu a doutrina da ressurreio de sangue e ossos, mas mesmo o seu entusiasmo no durou muito. No entanto, 
como tinha se expressado de maneira to inflamada sobre o assunto e sustentado os prprios argumentos com contra-argumentos, como vimos antes ("se no h ressurreio 
dos mortos, ento, Cristo no ressuscitou..." e assim por diante), Paulo era considerado um fantico pelo irmo de Jesus, Tiago, cujos nazarenos nunca tinham pregado 
a Ressurreio. De fato, desde aqueles tempos da inicial exaltao paulina, a Ressurreio diminuiu como fator de interesse fundamental. Isso fica totalmente claro 
nas posteriores Epstolas (cartas) de Paulo em outros livros do Novo Testamento, em que mal se fala em ressurreio.
Mais importante era o fato de Jesus ter-se decidido a sofrer por seus ideais, e Paulo tentou encontrar uma base explanatria mais forte para sua doutrina, declarando:
Se h corpo natural, h tambm corpo espiritual. A carne e o sangue no podem herdar o reino de Deus; nem a corrupo herdar a incorrupo. Eis que vos digo um mistrio 
(1 Corntios 15:44-50.  essencial lembrar que Jesus no era gentio nem cristo. Ele era um judeu helenista, cuja religio era o judasmo radical. Com o passar do 
tempo, porm, sua misso original foi usurpada e dominada por um movimento religioso que assumiu seu nome para obscurecer seus herdeiros de fato. Esse movimento 
se centralizava em Roma e baseava sua autoridade auto-proclamada na afirmao de Mateus 16:18-19, na qual Jesus teria dito "Tu s Pedro, e sobre esta pedra edificarei 
a minha igreja". Infelizmente, a palavra grega petra (rocha), relacionada  Rocha de Israel, foi traduzida erroneamente como se fosse petros (pedra), referindo-se 
a Pedro134 (que chegou a ser chamado de Cefas: uma Pedra, como em Joo 1:42). Jesus estava, na verdade, afIrmando que a misso dele e de Pedro deveria ser fundamentada 
sobre a Rocha de Israel, no sobre o prprio Pedro. Independentemente disso, o novo movimento decretou que s aqueles que tivessem recebido autoridade passada diretamente 
de Pedro poderiam ser lderes da Igreja Crist. Foi um conceito engenhoso, cuja inteno era restringir o controle geral a uma fraternidade seleta e auto-promotora. 
Os discpulos gnsticosl35 de Simo (Mago) Zelotes o chamavam de "a f dos tolos".
O Evangelho de Maria Madalena confirma que, por algum tempo aps Jesus ter ressuscitado dentre os mortos, alguns dos apstolos ainda no sabiam e continuavam acreditando 
que o Cristo deles tinha sido crucifIcado. Os apstolos "choravam continuamente, dizendo: 'Como poderemos nos achegar aos gentios e pregar-lhes o evangelho do reino 
do Filho do Homem? Se foram cruis com ele, tambm no o sero conosco?'"
Como j tinha falado com Jesus no tmulo, Maria Madalena pde responder: "Parai de chorar. No h motivo para a dor. Tomai coragem, pois vossa graa estar convosco 
e em vossa volta, e vos proteger".
Pedro, ento, disse a Maria: "Irm, ns sabemos que o Salvador te amava mais do que s outras mulheres. Fala-nos tudo o que lembrares que o Salvador s a ti e a 
ningum mais dizia - tudo o que sabes dele e que ns no sabemos". 
Maria contou-lhe o que Jesus tinha lhe dito: "Benditos sois vs, pois no tremeis diante da minha viso: pois onde est o pensamento, l est tambm o tesouro". 
Depois, Andr respondeu, e disse aos irmos: "Dizei o que quiserdes sobre o que acabastes de ouvir. De minha parte, no acredito que estas foram as palavras do Salvador". 
Pedro, concordando com Andr, disse: "Ele teria de fato falado em segredo a uma mulher, e no a ns livremente?" E com isso, Maria chorou e disse a Pedro: Pensas 
que so minhas as palavras, ou que no digo a verdade sobre o Salvador?
Levi respondeu, e disse a Pedro: 'Sempre foste inoportuno. Agora vejo que contradizes esta mulher, como se fosseis inimigos. Mas se o Salvador a achou digna, quem 
s tu, afinal, para rejeita-la? O Salvador certamente a conhece bem'.
Levi, como sabemos, era Mateus Ans, um sacerdote e assistente de Alfeu. Sua opinio sensata era o produto do intelecto e de uma boa educao. Pedro e Andr, por 
outro lado, eram aldees menos educados que, apesar do tempo passado com Jesus e os apstolos mais cultos, ainda tinham vises antiquadas sobre a funo da mulher. 
A atitude machista de Pedro acabaria alcanando uma posio de destaque na doutrina romanizada, baseada parcialmente em seu ensinamento.
Os primeiros bispos da Igreja Crist alegavam ser sucessores apostlicos diretos de Pedro - tendo recebido a autoridade episcopal pela imposio pessoal das mos. 
Mas esses mesmos bispos foram descritos no Apocalipse Gnstico de Pedro como "secos como canais".  O texto continua:

''Denominam a si prprios como bispos e diconos, como se tivessem recebido sua autoridade diretamente de Deus... Embora no compreendam o mistrio, vangloriam-se 
dizendo que o segredo da Verdade  deles, e somente deles".
Quanto  Ressurreio, o tema permanece um paradoxo, considerado de grande importncia, quando no precisaria ser; e, no entanto, tem um significado expresso do 
qual a maioria das pessoas no est ciente. O Evangelho de Toms cita Jesus dizendo: "Se o esprito ganhasse a existncia por causa do corpo, seria um milagre dos 
milagres"



A LINHAGEM CONTINUA

TEMPOS DA RESTAURAO

Como j vimos, Maria Madalena estava no terceiro ms de gravidez na poca da crucificao. Ela e Jesus haviam consumado seu Segundo Casamento na uno em Betnia, 
em maro de 33 d.C. Alm de obtermos essa informao diretamente de fontes do Evangelho, tambm  uma questo de clculo direto. Um herdeiro do sexo masculino  
sucesso dinstica era idealmente necessrio para ter seu primeiro filho no seu quadragsimo aniversrio ou perto dele (40 anos eram o perodo reconhecido da gerao 
real). O nascimento de um filho e herdeiro dinstico devia sempre ser planejado para ocorrer no perodo equivalente a setembro - o ms mais sagrado do calendrio 
judaico - e por esse motivo as relaes sexuais s eram permitidas no ms de dezembro.
Os Primeiros Casamentos tambm aconteciam no ms sagrado de setembro - o ms que inclua o Dia do Perdo. Um casamento dinstico seria, portanto, teoricamente programado 
para o ms de setembro que casse no trigsimo terceiro aniversrio da noiva, com a atividade sexual iniciada no ms de dezembro imediatamente seguinte. Na prtica, 
porm, havia sempre a chance de que a primeira criana fosse uma menina; para isso, ento, eram tomadas providncias no sentido de adiar o Primeiro Casamento para 
o trigsimo stimo aniversrio da noiva. Assim, a primeira chance de uma criana caa em seu trigsimo stimo setembro. Se no houvesse concepo no primeiro dezembro, 
o casal tentaria novamente um ano depois - e assim por diante. Um menino que nascesse por volta do quadragsimo aniversrio do marido era perfeitamente aceitvel, 
dentro dos padres de gerao.
Tendo nascido o menino, o contato sexual entre os pais no era mais permitido por seis anos. Por outro lado, se a criana fosse uma menina, o perodo seguinte de 
celibato era limitado  trs anos at os "Tempos da restaurao" (o retomo do estado conjugal). Como vimos, o Segundo Casamento era consumado no ms de maro aps 
a concepo, quando a noiva estaria grvida de trs meses.
De acordo com esses costumes e regras, o Primeiro Casamento de Jesus se deu em setembro de 30 d.C. (seu trigsimo terceiro setembro), a primeira ocasio em que Maria 
Madalena ungiu pela primeira vez os seus ps (Lucas 7:37-38). Portanto, no houve concepo naquele dezembro, nem no dezembro do ano seguinte. Mas em dezembro de 
32 d.C., Maria concebeu e, como era seu dever, ungiu-lhe a cabea e os ps em Betnia (Mateus 26:6-7, Marcos 14:3 e Joo 12:1-3), formalmente santificando seu Segundo 
Casamento em maro de 33 d.C.
Contrariando as regras, Jesus tinha nascido em 1o. de maro de 7 a.C., mas por questo de regularizao, fora-lhe atribuda  data oficial de 15 de setembro, de 
acordo com as exigncias messinicas ( costume de alguns monarcas celebrar tanto o aniversrio real como o oficial, em datas diferentes - como faz a rainha da Inglaterra, 
atualmente). Foi s no ano de 314 d.C. que o imperador romano, Constantino, o Grande, mudou arbitrariamente a data oficial do aniversrio de Jesus para 25 de dezembro, 
ainda comemorado hoje, e com muitas pessoas acreditando que seu nascimento fsico se deu de fato nesse dia.
Havia dois motivos para Constantino efetuar essa mudana. Em primeiro lugar, separava a celebrao crist de qualquer ligao com os judeus, sugerindo que Jesus 
era cristo e no judeu. Em segundo lugar, o reajuste do aniversrio oficial de Jesus deveria coincidir com o costumeiro Festival do Sol pago, chamado Sol Invictus. 
Entretanto, no cenrio contemporneo da poca de Jesus, 15 de setembro de 33 d.C. (seis meses aps a crucificao) foi seu trigsimo nono aniversrio oficial, e 
naquele ms Maria Madalena teve uma filha. Ela recebeu o nome de Tamar (palmeira - assimilado em grego como Dmaris), um nome tradicional da fanu1ia de Davi. Jesus 
deveria, ento, entrar num estado de total celibato por trs anos at os ''Tempos da restaurao", como vemos em Atos 3:20-21.
Da presena do Senhor venham tempos de refrigrio, e que envie ele o Cristo, que j vos foi designado, Jesus, ao qual  necessrio que o cu receba at aos tempos 
da restaurao de todas as coisas, de que Deus falou por boca de seus santos profetas desde a Antiguidade.
Esse ms de setembro de 33 d.C. coincidiu com o restabelecimento formal de Simo Zelote como o Pai da Comunidade, momento em que Jesus foi finalmente admitido no 
sacerdcio - um ritual no qual ele figurativamente "ascendeu aos cus".
Embora reconhecido por muitos como o rei da descendncia de Davi, Jesus vinha tentando entrar no sacerdcio e particularmente no santurio interior dos sacerdotes 
superiores: o alto monastrio conhecido como o Reino do Cu. Com o Simo Zelote foi reinstitudo, o desejo de Jesus se realizou: ele foi ordenado e levado ao Cu 
pelo Lder dos Peregrinos seu prprio irmo Tiago. Nesse contexto fraternal, Tiago, usando imagens do Antigo Testamento, era a designada Nuvem. Era uma nuvem que 
tinha conduzido os antigos israelitas at a Terra Prometida (xodo 13:21-22) e a apario de Deus a Moiss no monte Sinai fora acompanhada no s por troves e relmpagos, 
mas tambm por uma nuvem (xodo 19:16). Portanto (assim como Trovo, Relmpago e Terremoto), Nuvem era uma designao simblica dentro da comunidade essnia.
A elevao de Jesus ao sacerdcio est registrada no Novo Testamento pelo evento conhecido como Ascenso. Jesus no era o nico que falava em parbolas, mas tambm 
os autores dos Evangelhos, usando alegorias e paralelos que eram importantes para "aqueles com ouvidos para ouvir". Portanto, as passagens dos Evangelhos que parecem 
ser narrativas diretas (por mais sobrenatural que parea o contexto) tambm so parbolas. Como Jesus disse aos discpulos (Marcos 4: 11-12):
A vs outros   dado conhecer o mistrio do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parbolas, para que, vendo, vejam e no percebam; e ouvindo, 
ouam e no entendam.
A Ascenso  apenas outra parbola, conforme descrita em Atos 1:9: "Ditas essas palavras, foi Jesus elevado s alturas,  vista deles, e uma nuvem o encobriu dos 
seus olhos". Enquanto Jesus partia para o sacerdotal reino do Cu, dois sacerdotes anglicos anunciaram que ele voltaria do mesmo modo:
Eis que dois vares vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes disseram: Vares galileus, porque estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vs 
foi assunto ao cu vir do modo como o viste subir (Atos 1:10-11).
E assim Jesus abandonou o mundo cotidiano por trs anos, perodo em que Maria Madalena, a me de sua filha, no teria contato fsico com ele. Desde o sexto ms de 
gravidez, Maria tinha o direito de chamar a si prpria de Me, mas quando sua filha nasceu e os trs anos de celibato comearam, ela seria considerada viva. Os 
filhos dinsticos eram criados e educados num centro comunitrio monstico, onde viviam tambm suas mes (aquelas designadas vivas ou aleijadas: mulheres celibatrias). 
Muito pouco se diz a respeito de Jesus nos Evangelhos porque ele tambm foi criado num ambiente conventual fechado.

A JESUS UM FILHO

O perodo de trs anos da separao monstica de Jesus expirou em setembro de 36 d.C., aps o que as relaes sexuais com sua esposa foram novamente permitidas em 
dezembro.
Uma propriedade muito clara da linguagem usada no Novo Testamento  que as palavras, os nomes e ttulos com significado cifrado so usados sempre com o mesmo sentido. 
No s eles tm o mesmo significado cada vez, que so usados, mas tambm so utilizados sempre que esse significado  exigido. Sem dvida, os estudos mais apurados 
at hoje nessa rea de pesquisa foram os da Brbara Thiering, baseados em informaes contidas nos comentrios dos Pergaminhos do Mar Morto acerca dos livros do 
Antigo Testamento. Esses comentrios guardam os segredos dos pesharim (os caminhos para pistas vitais) e foram produzidos pelos eruditos escrivos de Qumr.
Em alguns casos, as derivaes individuais de nomes ou ttulos codificados podem ser complexas ou obscuras, mas geralmente so diretas, ainda que quase nunca bvias. 
Com freqncia, as informaes cifradas nos Evangelhos so anunciadas pela declarao de que so para "aqueles com ouvidos para ouvir" - uma frase que  um inegvel 
prenncio a uma passagem com um sentido oculto para aqueles que conhecem o cdigo. As regras dominantes do cdigo so fixas e o simbolismo permanece constante, como 
no caso do prprio Jesus.
Por meio do inerente pesher (singular de pesharim e significando "explicao" ou "soluo") bblico, Jesus  definido como a Palavra de Deus - termo j definido 
desde o incio no Evangelho de Joo: 
No comeo a Palavra j existia: a Palavra estava voltada para Deus, e a Palavra era Deus... E a Palavra se fez homem e habitou entre ns (Joo 1:1, 14).

No h variveis nos textos dos Evangelhos: sempre que a expresso "a Palavra de Deus"  usada (com ou sem maiscula, dependendo da traduo), significa que Jesus, 
ou estava presente ou era o tema da narrativa, como em Lucas 5:1, quando a palavra de Deus estava perto do lago.
A expresso tambm  usada em Atos para identificar o paradeiro de Jesus aps a Ascenso. Assim, quando lemos que "[ouviram] os apstolos, que estavam em Jerusalm, 
que Samaria recebera a palavra de Deus..." (Atos 8: 14), podemos entender imediatamente que Jesus estava em Samaria.
Conseqentemente, quando lemos que "crescia a palavra de Deus" (Atos 6:7), entendemos que Jesus "crescia"; conforme simbolizado pelo pesher na parbola do Semeador 
e a Semente (Marcos 4:8): "Outra [semente], enfim, caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu". Em suma, a referncia nos Atos significa que "'Jesus [deu 
fruto e] cresceu", ou seja, ele teve um filho. Talvez no nos surpreenda que seu primognito tambm se chamasse Jesus, e voltaremos a ele no momento oportuno.
Como exigiam as regras messinicas, o nascimento ocorreu em 37 d.C. - o ano depois de Jesus retomar ao seu casamento, no "tempo da restaurao". Depois do nascimento 
de seu filho, porm, Jesus estava destinado agora a nada menos que outros seis anos de celibato monstico.
Na Igreja Russa de Santa Maria Madalena, Jerusalm, h um magnfico retrato de Maria, que a mostra segurando um ovo vermelho, mostrando-o ao observador. Esse  o 
supremo smbolo da fertilidade e do novo nascimento. De modo semelhante, A Alegoria Secreta de Jan Provost (uma pintura esotrica do sculo XV) mostra Jesus com 
uma espada, junto  sua esposa Maria, que  coroada e usa uma vestimenta preta de uma sacerdotisa nazarena, enquanto deixa voar a pomba do Esprito Santo.

O JESUS MITOLGICO DE PAULO

Durante os anos da separao monstica de Jesus (o estado celestial), seus apstolos continuaram a pregar - mas no tinham o intento de fundar uma nova religio. 
Embora a mensagem deles fosse radical, ainda eram judeus e queriam apenas reformas no judasmo, com Pedro como lder evanglico das operaes.

Em oposio direta ao crescente movimento estava Saulo de Tarso, um hebreu ortodoxo devoto, que era tutor do filho do rei Herodes Agripa. Saulo no tinha tempo para 
as vises helenistas liberais de Jesus; ele acreditava que os judeus eram superiores a todos os gentios, e considerava Tiago o verdadeiro Messias.
O ano de 37 d.C. trouxe mudanas administrativas em todo o Imprio Romano, e especialmente na Palestina. O imperador Tibrio tinha falecido, e, o novo imperador, 
Caio Calgula, demitiu Pncio Pilatos para nomear seu homem, Flix, governador da Judia. Tambm removidos de suas posies foram Jos Caifs, o sumo sacerdote, 
e Simo Zelote, o Pai. Tefilo, irmo de Jnatas Ans, assumiu o posto de alto sacerdote, e uma administrao inteiramente nova estava em andamento - mais dependente 
de Roma que antes.
Em 40 d.C., Jesus estava em Damasco, onde os lderes judeus participavam de uma conferncia para discutir sua posio em relao a Roma. Assim como Jesus sabia que 
os judeus jamais poderiam derrotar Roma enquanto estivessem divididos dos gentios, Saulo de Tarso tinha certeza de que a associao com os gentios representava uma 
fraqueza que deixava os judeus vulnerveis e expostos. Saulo ficou particularmente irritado quando uma esttua de Calgula foi colocada dentro do Templo de Jerusalm 
uma afronta cuja culpa ele atribua a Jesus e aos helenistas, os quais ele considerava serem os responsveis por dividir a nao judaica. Ele tambm se dirigiu a 
Damasco para defender seu caso.
O relato em Atos sugere que Saulo foi a Damasco, Sria, com um mandato do sumo sacerdote em Jerusalm, mas isso no pode ser verdade. O Sindrio judaico no tinha 
nenhuma jurisdio na Sria.   muito mais provvel que Saulo, ligado  Casa de Herodes, estivesse de fato trabalhando em operao romana para suprimir os nazarenos. 
Entretanto, antes que Saulo tivesse a chance de se fazer presente  conferncia, Jesus o deteve nas instalaes monsticas. Quando Paulo chegou ao meio-dia, o sol 
estava a pique bem sobre a clarabia do templo, e l se encontrava Jesus, pronto para enfrentar o acusador. Depois, tendo ouvido o sermo persuasivo de Jesus, Saulo 
percebeu que se deixara cegar por dogmas sectrios (Atos 9:8).

"Subitamente uma luz do cu brilhou ao seu redor; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?' (Atos 9:3-4)".
Subseqentemente, Jesus instruiu o discpulo Ananias para que fosse ensinar a Saulo, mas Ananias hesitou, acreditando que Saulo era um agente do inimigo: "Senhor, 
de muitos tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalm" (Atos 9:13). O discpulo, porm, obedeceu, dizendo: "Saulo, 
irmo, o Senhor me enviou, a saber, o prprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Esprito Santo" (Atos 
9:17).
O uso nas passagens acima das palavras "vista" e "caminho"  novamente cifrado, pois, como mencionado anteriormente, o tema doutrinal da comunidade era chamado de 
o Caminho. Depois das devidas instrues sobre o pensamento helenista, Saulo foi iniciado para que tambm pudesse ver claramente o caminho da salvao, unido aos 
gentios: "Imediatamente lhe caram dos olhos como que, umas escamas, e tomou a ver. A seguir, levantou-se e foi batizado" (Atos 9: 18). 
Dessa experincia, Saulo emergiu como um helenista totalmente convertido. Imediatamente, ele comeou a pregar em Damasco - mas havia um problema, pois as pessoas 
no acreditavam que o homem que viera to inflamado para desafiar o Messias agora o estivesse promovendo. Os judeus estavam confusos, desconfiados, e logo ficaram 
irados a ponto de ameaar a vida de Saulo; os discpulos tinham de tir-lo da cidade. No entanto, em 43 d.C., Saulo era um fervoroso evangelista, bem conhecido sob 
seu novo nome, Paulo, para ser associado popularmente a Pedro. No entanto, surgia agora um problema muito mais insidioso. Sua converso fora to traumtica, sua 
mudana de opinio to avassaladora, que Paulo considerava Jesus no s um Messias terreno com uma inspiradora mensagem social, mas tambm como o Filho de Deus encarnado: 
um senhor poderoso e celestial.
As viagens missionrias de Paulo o levaram at a Anatlia (sia Menor) e s reas do leste mediterrneo onde se falava o grego. Mas sua verso dramaticamente revista 
da Boa Notcia era que um surpreendente Salvador logo estabeleceria um regime mundial de perfeita justia - contando com o apoio de escritos ambguos do Antigo Testamento, 
como, por exemplo, do livro de Daniel 7:13-14. Quando foram escritos, esses textos nada tinham a ver com Jesus, mas eram suficientemente esclarecedores para Paulo, 
dando-lhe a inspirao necessria para a sua inflamada inventiva. Em sua empolgao, ele proclamava a Ira do Senhor com todo o zelo de um profeta do Antigo Testamento, 
fazendo afirmaes ultrajantes que lhe garantiram uma ateno sem precedentes.
"Eu estava tendo, nas minhas vises da noite, e eis que vinha com as nuvens do cu um como o Filho do Homem.
Foi-lhe dado domnio, e glria, e o reino, para que os povos, naes e homens de todas as lnguas o servissem."

Em 1 Tessalonicenses  4:16-17, Paulo declarou:

"Porquanto, o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descer dos cus, e os mortos em Cristo ressuscitaro 
primeiro.
Depois, ns, os vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor."

Por meio do ensinamento imaginativo de Paulo, surgiu todo um novo conceito de Jesus. Ele no era mais simplesmente o to esperado Ungido, o Messias que reinstituiria 
a linhagem de Davi e libertaria os judeus da opresso na Palestina. Ele era agora o Salvador celestial do Mundo!

"... a imagem do Deus invisvel, o primognito de toda a criao; pois nele foram criadas todas as coisas, nos cus e sobre a terra, as visveis e invisveis...
Ele  a cabea do corpo, da Igreja... Para em todas as coisas ter a primazia. Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude (Colossenses 1:15-19)."

Enquanto Tiago e Pedro pregavam individualmente, usando imagens bem menos engenhosas, Paulo se desviara para o reino indecifrvel da pura fantasia. Em seu entusiasmo 
desenfreado, ele inventou um mito inexplicvel e desatinou a fazer profecias que jamais se cumpriram. Apesar de tudo isso,  Paulo - no Pedro nem Tiago - quem domina 
o corpus do Novo Testamento, alm dos Evangelhos. Tamanho era o poder do ensinamento de Paulo que o Jesus missionrio dos Evangelhos se transformou num aspecto de 
Deus Todo-Poderoso, e Jesus, o Cristo dinstico (o herdeiro real da Casa de Jud), perdeu-se totalmente na histria religiosa.
A tarefa designada a Paulo era disseminar instrues judaico-helenistas entre os gentios da costa mediterrnea, e levar a mensagem de Jesus queles judeus que viviam 
fora de sua terra natal. Mas, em vez disso, ele ignorou o objetivo principal e (talvez inevitavelmente) acabou criando seu prprio culto. Para Paulo, a venerao 
e adorao de Jesus eram suficientes para garantir a redeno e a entrada no Reino do Cu. Todos os valores sociais professados e insistidos por Jesus foram deixados 
de lado na tentativa de Paulo de competir com uma variedade de crenas pags.
Em todo o mundo mediterrneo, havia muitas religies, cujos deuses e profetas supostamente nasciam de virgens e, de uma forma ou de outra, desafiavam a morte. Eram 
todos de origem sobrenatural e possuam poderes fabulosos sobre os mortais comuns. Para fazermos justia a Paulo, ele certamente teve problemas que Tiago e Jesus 
jamais enfrentaram em seu ambiente nativo. A rota de sucesso de Paulo, diante de todas as dificuldades, devia apresentar Jesus de maneira que transcendesse at esses 
dolos para-normais. Mas, ao fazer isso, ele criou uma imagem de Jesus to distante da realidade que a sociedade judaica o considerava uma fraude. Apesar de tudo 
isso, porm, foi o Jesus transcendente inventado por Paulo que mais tarde se tornou o Jesus do Cristianismo ortodoxo. 

O FILHO DO GRAAL

Nos primeiros anos da dcada de 40 d.C., Pedro se associou ao recm-convertido Paulo em Antioquia, Sria, enquanto Tiago e seus nazarenos continuaram operando em 
Jerusalm. Outra diviso nos escales se tornou evidente quando Simo (o mago) Zelote montou uma base separada para sua seita gnstica esotrica em Chipre.
Pedro fora o brao direito de Jesus e, como tal, deveria ter-se tornado o guardio de Maria Madalena durante os anos de sua separao (viuvez simblica), mas, embora 
Pedro tambm fosse casado, ele pensava mal das mulheres e no estava preparado para ficar  disposio de uma sacerdotisa.
A opinio de Paulo sobre as mulheres era menos lisonjeira ainda e ele se opunha veementemente ao envolvimento delas em questes de religio. Os dois homens, portanto, 
deliberadamente excluram Maria de seu novo movimento e, para garantir sua total alienao, publicamente a declararam herege, pois ela era uma amiga ntima da consorte 
de Simo Zelote, Helena-Salom.
Nesse nterim, Jesus e Maria reassumiram a condio de casados em dezembro de 43 d.C., seis anos depois do nascimento de seu filho. Jesus no parecia estar muito 
preocupado com Pedro e com a atitude de Paulo em relao  Maria, pois ele conhecia Pedro o suficiente e, sem dvida, no hesitava em reconhecer o fanatismo de Paulo, 
gostasse disso ou no. Na verdade, Jesus parecia estar perfeitamente satisfeito por sua mulher estar associada  faco gnstica de Simo e Helena (ou aos nazarenos 
de seu irmo Simo), em vez de se ligar ao ministrio machista que estava sendo promovido por Pedro e Paulo. Afinal de contas, Maria (e tambm Marta) fora a irm 
devotada de Simo (Lzaro) na Betnia e se davam muito bem. Nessa poca Maria concebeu novamente. Na primavera de 44 d.C., Jesus embarcara numa misso a Galcia 
(na sia Menor central), com o proslito chefe (lder dos convertidos gentios), Joo Marcos, talvez mais bem conhecido como Bartolomeu.
Nesse perodo, Tiago e seus Nazarenos se tomaram uma ameaa cada vez maior para a autoridade romana em Jerusalm. Como resultado direto, o apstolo Tiago Boanerges 
foi executado por Herodes de C1cis em 44 d.C. (Atos 12: 1-2). Simo Zelote partiu para a retaliao imediata e mandou envenenar Herodes Agripa,  mas foi obrigado 
a fugir, logo depois. Tadeu, porm, no teve a mesma sorte; ao tentar escapar atravessando o Jordo, foi pego por Clcis e executado sumariamente. Isso deixou Maria, 
que estava grvida, numa situao precria, pois Clcis sabia que ela era amiga de Simo. Ela foi pedir a proteo do ex-pupilo de Paulo, o jovem Herodes Agripa 
II (na poca com 17 anos de idade), que providenciou para que ela fosse levada  propriedade dos Herodes na Glia, onde Herodes Antipas e seu irmo Arquelau estavam 
exilados.
Mais tarde naquele mesmo ano, Maria deu  luz seu segundo filho em Provena, e h uma referncia especfica a isso no Novo Testamento: "A palavra do Senhor crescia 
e se multiplicava" (Atos 12:24).154 Esse filho era o importante Filho do Graal e, aps seu av, ele foi chamado de Jos.

REGISTROS OCULTOS E OS DESPOSYNI

Tendo cumprido sua obrigao dinstica de ter dois filhos homens, Jesus se viu devidamente liberado de quaisquer restries e pde levar uma vida normal mais uma 
vez. A partir de 46 d.C., seu filho mais velho, Jesus II, com 9 anos de idade, passou a receber a educao em Cesaria. Trs anos depois, ele passou pela cerimnia 
de seu Segundo Casamento em Provena. Segundo os costumes, simbolicamente ele nasceria de novo do ventre de sua me, quando tivesse 12 anos - seu Primeiro Ano como 
iniciado. Presentes estavam seu tio Tiago (Jos ha Rama Theo: "de Arimatia"), que mais tarde levaria seu filho ao oeste da Inglaterra por algum tempo.
Em 53 d.C., Jesus Jnior foi oficialmente proclamado Prncipe da Coroa na sinagoga em Corinto, recebendo o devido ttulo de Justus (o Justo - Atos 18:7). Com isso, 
ele era o sucessor formal de seu tio, Tiago, o Justo, como herdeiro real. Atingindo a maioridade aos 16 anos, Jesus Justo tambm se tomou o nazireu chefe, tendo 
direito  tnica preta do posto - usada tambm pelos sacerdotes de sis, a Deusa Me universal.
Seu pai, Jesus Cristo, foi a Roma passando por Creta e Malta, em 60 d.C. Enquanto isso, Paulo retomava a Jerusalm, tendo viajado extensivamente com Lucas, o mdico. 
Chegando l, porm, ele foi acusado de conspirar contra Jnatas Ans, que tinha sido assassinado pelo governador Flix. O governador foi enviado para julgamento 
diante do imperador Nero em Roma, e Paulo teve de ir junto. Algum tempo depois, Flix foi absolvido, mas Paulo permaneceu em custdia por causa da associao com 
seu ex-pupilo Herodes Agripa II, que Nero detestava. Nesse perodo, Jesus Justo tambm estava na cidade (Colossenses 4:11).
Mais ou menos na mesma poca, mas bem longe dos perigos de Roma, o irmo mais jovem de Jesus Justo, Jos, tinha completado a educao numa escola druida e vivia 
na Glia com sua me. Posteriormente se juntou a eles Tiago, o tio de Jos, assumindo residncia permanente no Ocidente, aps fugir de Jerusalm em 62 d.C. Seus 
nazarenos tinham sido submetidos a uma perseguio brutal por parte dos romanos e o Sindrio acusara Tiago de passar ensinamentos ilegais.Conseqentemente, ele foi 
sentenciado a sofrer apedrejamento pblico e excomungado, sendo declarado espiritualmente "morto" pelos ancios judeus. O ento "honorvel conselheiro" do Sindrio 
e providencial Messias dos hebreus acabou caindo do prprio pinculo de graa civil e religiosa - um evento simbolicamente descrito como se ele tivesse de fato cado 
fisicamente do telhado do Templo.
Aps perder toda a credibilidade espiritual aos olhos da lei, Tiago reassumiu seu ttulo hereditrio, Tiago ha Rama Theo, e seguiu para oeste para se juntar a Maria 
Madalena e seus colegas na Glia. De volta  Roma de Nero, Pedro chegava para assumir a responsabilidade pela seita paulina, na poca conhecida como "os cristos". 
Nero tinha desenvolvido um dio irascvel pelos cristos e, para diminuir a quantidade deles, institura um regime fantico de perseguio. Sua forma favorita de 
tortura era amarr-los a estacas nos jardins de seu palcio e transform-los em tochas humanas  noite.
Antes de morrer, Paulo conseguiu transmitir uma mensagem a Timteo de que Jesus estava em segurana, mas no disse onde. Alguns sugerem que Jesus seguiu os passos 
do apstolo Toms at a ndia, e ele teria morrido em Srinagar, Kashmir, onde um tmulo  atribudo a ele. Tal idia surgiu de uma indicao em Kashmir, em 1894, 
de que Jesus era sinnimo de um profeta chamado Isa, ao qual o tmulo fora originalmente dedicado - mas a evidncia, embora um tanto intrigante, est longe de ser 
conclusiva nesse aspecto.
Quando Tiago (Jos de Arimatia) j estava permanentemente estabelecido no Ocidente, no tardou at que Simo Zelote conduzisse a maioria dos nazarenos para fora 
de Jerusalm em 65 d.C. Ele os levou para o leste do Jordo e se espalharam pela regio da antiga Mesopotmia (atual Iraque).
O regime de Nero tinha causado um considervel nervosismo poltico, e os temperamentos estavam perigosamente acirrados na Terra Santa. No incio de 66 d.e., brigas 
espordicas surgiam em Cesaria entre os zelotes e os romanos. A hostilidade rapidamente se espalhou para Jerusalm, onde os zelotes ganhavam numerosas posies 
estratgicas. Eles preservaram a cidade por quatro anos, at que um fortssimo contingente romano liderado por Flvio Tito chegou em 70 d.C., arrasando Jerusalm. 
Como Jesus tinha corretamente previsto muitos anos antes, o Templo ruiu e, com ele, tudo tambm rura. A maior parte dos habitantes foi dizimada; os sobreviventes 
foram vendidos como escravos e a Cidade Santa se tomou uma runa vazia durante as seis dcadas seguintes.
Na onda dessa destruio, a nao judaica se encontrava num grande estado de perturbao. No s Jerusalm tinha cado, mas tambm Qurnr e, com o passar do tempo, 
o ltimo famoso bastio era a fortaleza de Massada, nas montanhas, a sudoeste do mar Morto. L, menos de mil judeus resistiam aos repetidos cercos de um poderoso 
exrcito romano, mas aos poucos iam ficando sem provises e suprimentos. Em 74 d.C., a causa j estava perdida e o comandante da guarnio, Eliezer Ben Jair, organizou 
um programa de suicdio em massa. S sobreviveram duas mulheres e cinco crianas. 
Vrias ondas de refugiados nazarenos abandonaram a Terra Santa para perpetuar sua tradio no norte da Mesopotmia, na Sria e no sul da Turquia. O cronista Jlio 
Africano, escrevendo por volta de 200 d.C., quando residia na cidade de Edessa (hoje Urfa, na Turquia; no confundir com Edessa na Grcia), registrou detalhes do 
xodo. No incio da revolta, os governadores romanos tinham mandado queimar todos os registros pblicos em Jerusalm para impedir um futuro acesso aos detalhes da 
genealogia da famlia de Jesus. Durante a revolta dos judeus, todos os registros foram facilmente confiscados pelas tropas romanas, que tinham ordens de destruir 
registros particulares tambm - destruir, alis, qualquer evidncia documentria relevante que pudessem encontrar. Mas, apesar de toda essa operao, a destruio 
no foi completa e certos documentos continuaram devidamente ocultos.
Ao escrever sobre essa erradicao proposital de documentos messinicos, Africano afirmou: "Algumas pessoas precavidas tinham registros particulares prprios, tendo 
guardado nomes na memria ou recuperado-os de cpias, e se orgulhavam de preservar a lembrana de suas origens aristocrticas". Ele descreveu esses herdeiros reais 
como os Desposyni (herdeiros [ou pertencentes] do Senhor [ou Mestre]). Nos primeiros anos da era crist, vrias ramificaes dos Desposyni eram perseguidas pela 
ditadura romana - primeiro pelo imprio, depois pela Igreja Romana. Eusbio confirmou que, nos tempos imperiais, os lderes Desposyni se tomaram chefes de suas seitas 
por meio de uma "progresso dinstica estrita". Mas, sempre que possvel, eles eram perseguidos at a morte - caados como malfeitores e mortos pela espada romana, 
por ordem imperial.
A verdade total sobre essa Inquisio seletiva certamente foi escondida, mas sua mitologia e tradio sobreviveram na cultura do Graal, nas cartas de tar, no romance 
arturiano, nas canes dos Trovadores, na tapearia do Unicrnio, na arte esotrica e na contnua venerao pela herana de Maria Madalena. To poderosa tem sido 
a tradio que, ainda hoje, o Santo Graal continua sendo a suprema relquia de uma busca. Mas tudo isso (por mais excitante ou romntico que parea)  considerado 
hertico pelo sistema eclesistico ortodoxo. Por qu? Porque o mais importante objeto da perene busca representa assustadora ameaa a uma Igreja que dispensou a 
sucesso messinica em favor de uma alternativa clerical auto-estabelecida.

MARIA MADALENA
NOIVA E ME REAL

Maria Madalena morreu em 63 d.C., com 60 anos, num lugar chamado La Sainte Baume, no sul da Frana. Ela  descrita no Novo Testamento como uma mulher "da qual saram 
sete demnios" (Lucas 8:2), e antes, no mesmo Evangelho, ela  chamada de "pecadora". Mas, alm disso, Maria  descrita em todos os Evangelhos como uma companheira 
favorita e leal de Jesus. No entanto, as descries que Lucas faz de Maria so, mais uma vez, cifradas.
Antes do casamento, as Marias ficavam sob a autoridade do chefe dos escrivos, que, na poca de Maria Madalena, era Judas Iscariotes. O chefe dos escrives era tambm 
o Sacerdote Demnio no. 7 e os sete sacerdotes demnios foram estabelecidos como um grupo de oposio formal queles sacerdotes que eram as sete luzes do Menor. 
O dever deles era supervisionar as mulheres celibatrias da comunidade. Quando se casou, Maria Madalena obviamente foi liberada dessa condio. Por isso, "[dela] 
saram sete demnios", e ela teve permisso de ter relaes sexuais na base regular explicada antes.
Como j foi mencionado, seu casamento no foi comum, e Maria se sujeitou a longos perodos de separao conjugal do marido - perodos em que ela era classificada 
no como esposa, mas como uma "irm" (no sentido devoto, como seria uma freira). Em sua condio de Irm, Maria era apegada ao Pai, Simo Zelote (Lzaro). Tambm 
uma Irm do Pai era Marta, cujo nome tambm era titular. Marta significava "senhora", e a diferena entre as Martas e Marias era que as primeiras tinham permisso 
de possuir propriedade, enquanto as Marias no. As Irms tinham o mesmo status comunitrio que as vivas (mulheres aleijadas), uma posio abaixo da almah. Portanto, 
uma almah (virgem) se casaria e seria promovida  Me, mas durante os perodos de separao conjugal ela seria demovida abaixo de sua posio de solteira.
O pai de Maria Madalena era o sacerdote chefe (subordinado ao sumo sacerdote) Siro, o Jairo. O sacerdote jairita presidia na grande sinagoga de mrmore em Cafarnaum 
e sua posio era totalmente separada do Zadoque e do Abiatar. Era um posto hereditrio desde os tempos do rei Davi, restrito aos descendentes de Jair (Nmeros 32:41). 
Como confirma 2 Samuel 20:25-26: "Seva, o escrivo; Zadoque e Abiatar, os sacerdotes; e tambm Ira, o jairita, era ministro de Davi".
A primeira meno de Maria no Novo Testamento , na verdade, a histria de como ela ressuscitou dentre os mortos, como filha de Jairo em 17 d.C. Ressuscitar (simbolicamente, 
da escurido eterna) tem a ver com elevao de status dentro do Caminho ou, como j vimos, uma libertao da morte espiritual, que era a excomunho. Entretanto, 
como as mulheres no eram excomungadas, o evento de Maria foi claramente uma elevao iniciatria. Para os meninos, a primeira elevao era quando eles tinham 12 
anos e para as meninas, 14. Como Maria foi elevada, ou ressuscitada no ano 17 d.C., isso significa que ela nasceu no ano III d.C. e era, portanto, nove anos mais 
jovem que Jesus; assim, quando entrou no contrato conjugal em 30 d.C., ela tinha 27 anos.
Tendo concebido em dezembro de 32 d.C., Maria tinha 30 anos no Segundo Casamento, ano em que (33 d.C.) ela deu  luz Tamar.
Quatro anos depois, nasceu seu filho Jesus, o jovem, e em 44 d.C. (quando ela tinha 41 anos), o segundo filho, Jos. Nessa poca Maria se encontra em Marselha (Masslia), 
onde a lngua oficial foi o grego at o sculo V. Um fato no reconhecido, mas que deveria ser enfatizado,  que a lngua de estilo aramaico de Jesus, dos apstolos 
e todos os que tinham a ver com o judasmo helenista foi fortemente influenciada pelo grego. Os hebreus, claro, usavam sua lngua semtica especfica.  por isso 
que termos como Alphaeus e ha Rama Theo so combinaes de elementos gregos e hebraicos. Alm disso, por causa dessa longa ocupao romana, essa outra cultura lingstica 
foi, at certo grau, incorporada. Foram feitos ajustes por respeito aos gentios (no-judeus) e aos proslitos (gentios convertidos ao judasmo) para que, dentro 
de todas as variveis, houvesse um entendimento mtuo.
De acordo com a tradio gnstica, Maria Madalena era associada  Sabedoria (Sofia), representada pelo Sol, Lua e um halo de estrelas. A gnose feminina de Sofia 
era considerada o Esprito Santo, representado na Terra pela Madalena, que fugiu para o exlio, carregando no ventre o filho de Jesus. Joo, em Apocalipse 12:1-17, 
descreve Maria e seu filho, e fala de sua perseguio, fuga e da contnua caa romana aos "restantes da sua descendncia" (seus descendentes).

"Viu-se grande sinal no cu, a saber, uma mulher vestida do Sol com a Lua debaixo dos ps e uma coroa de doze estrelas na cabea, que achando-se grvida, grita com 
as dores de parto, sofrendo tormentos para dar  luz.
Viu-se tambm outro sinal no cu, e eis um drago, grande, vermelho, com sete cabeas, dez chifres e, nas cabeas, sete diademas.
E... O drago se deteve em frente  mulher que estava para dar  luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse.
Nasceu-lhe, pois, um filho varo [que h de reger todas as naes com cetro de ferro. E o seu filho foi arrebatado por Deus at o seu trono].
A mulher, porm, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar...
Houve guerra no cu. Miguel e os seus anjos guerrearam contra o drago...
E foi expulso o grande drago, a antiga serpente... Eles, pois, venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram...
Quando o drago se viu atirado para a terra, perseguiu a mulher que dera  luz o filho varo. E foram dadas  mulher as duas asas da grande guia, para que voasse 
at o deserto, ao seu lugar. 
Irou-se o drago contra a mulher e foi guerrear com os restantes de sua descendncia, os que guardam os mandamentos de Deus e tm o testemunho de Jesus."

Alm de Maria, entre outros migrantes  Glia, em 44 d.C., incluam-se Marta e sua criada Marcela. Havia tambm Filipe, o Apstolo, Maria Jac Clopas e Maria Salom-Helena. 
O ponto de desembarque em Provena era Ratis, que mais tarde ficou conhecido como Les Saintes Maries de La Mer. Apesar da proeminncia de Maria e Marta nos textos 
dos Evangelhos, elas no so mencionadas nos Atos, nem nas epstolas de So Paulo depois da partida delas para o Ocidente, em 44 d.C.
A Vida de Maria Madalena, escrita por Raban Maar (776-856), arcebispo de Mayence (Mainz) e Abb de Fuld, incorpora muitas tradies sobre Maria, que remontam at 
bem antes do sculo V. Uma cpia do manuscrito de Maar foi descoberta na Universidade de Oxford na primeira dcada de 1400 e a obra  citada na Chronica Majora de 
Mateus Paris, por volta de 1190. Tambm est listada na Scriptorum Ecclesiasticorum Historia Literaria Basilae, em Oxford. Lus XI da Frana (1461-1483) insistia 
na posio dinstica de Maria na linhagem real da Frana. Santa Maria Madalena, do frade dominicano Pere Lacordaire (publicada depois da Revoluo Francesa),  uma 
obra particularmente informativa, assim como La Lgende de Sainte Marie Madeleine, de Jacobus de Voragine, arcebispo de Gnova (nascido em 1228). Tanto Voragine 
como Maar afirmam que a me de Maria, Eucria, tinha parentesco com a casa real de Israel (a casa real sacerdotal, e no a de Davi de Jud).
Outra importante obra de Jacobus de Voragine  a famosa Legenda Aurea (Lenda Dourada), um dos primeiros livros impressos em Westminster, Londres, por William Caxton, 
em 1483. Publicado anteriormente em francs e latim, Caxton foi persuadido por William, conde de Arundel, a produzir uma verso em ingls dos manuscritos europeus. 
 uma coletnea de crnicas eclesisticas detalhando as vidas de figuras santas escolhidas. Altamente venerada, a obra era lida em pblico regularmente, nos mosteiros 
e igrejas medievais. Uma narrativa em particular da Legenda  sobre Santa Marta de Betnia e sua irm, Maria Madalena:

"Santa Marta, anfitri do Senhor Jesus Cristo, nasceu numa famlia real. O nome de seu pai era Siro, e de sua me, Eucria; o pai viera da Sria. Junto  sua irm, 
por herana da me, Marta recebeu trs propriedades: o castelo Madalena, Betnia e uma parte de Jerusalm. Aps a Ascenso de nosso Senhor, quando discpulos tinham 
partido, ela, com o irmo Lzaro e a irm Maria, e tambm So Mximo, embarcou num navio, no qual - graas  proteo de nosso Senhor - chegaram todos em segurana 
a Marselha. De l, seguiram at a regio de Aix, onde converteram os habitantes  f".

O nome Madalena deriva do substantivo hebraico migdal (torre). Em termos prticos, a afirmao de que as irms possuam trs castelos  ligeiramente errnea, principalmente 
porque as Marias (Miriams) no podiam possuir propriedades. A herana conjunta na verdade se referia ao status pessoal; ou seja, elas herdaram altos postos comunitrios 
(castelos/torres) de tutela, como em Miquias 4:8170 - Magdaleder (Torre do rebanho).
O culto a Madalena mais ativo acabou sendo mantido em Rennesle-Chteau na regio de Languedoc. Em outras partes da Frana havia muitos santurios dedicados  Santa 
Maria Madalena, entre os quais seu sepulcro em St. Maximus, onde a tumba de alabastro e o sepulcro eram guardados pelos monges cassianos no incio do sculo V. A 
enigmtica rea de Rennes-Ie-Chteau tem fascinado muita gente desde o destaque que recebeu em 1982 por Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln em sua notvel 
obra The Holy Blood and the Holy GraU, e Henry Lincoln em The Holy Place. Em nenhum outro texto, porm, os fatos surpreendentes da paisagem da regio so mais bem 
transmitidos do que na obra-prima cartogrfica do Chevalier David Wood, Genisis.
A ordem dos Cassianos tem uma histria interessante. Embora So Benedito geralmente seja considerado o Pai do monasticismo ocidental, na verdade ele foi precedido 
por Joo Cassiano, que fundou seu mosteiro cassiano por volta de 410 d.C. (aps os esforos comunais inovadores de Martinho, bispo de Tours e Honorcio, arcebispo 
de Arles). O significativo avano em disciplina monstica por parte de Cassiano (a ser seguido por Benedito e outros) foi a sua separao e independncia da organizao 
da Igreja episcopal. Cassiano denunciou a tomada de ordens sagradas como uma "prtica perigosa", e declarou que os monges deveriam "evitar os bispos, a qualquer 
custo". Inicialmente um eremita asctico em Belm,
Joo Cassiano estabeleceu suas duas escolas perto de Marselha - uma para homens e outra para mulheres. Assim, Marselha se tomou um centro conventual reconhecido: 
o bero do ritual das Candelrias, que sucedia  antiga procisso das tochas de Persfone do Submundo. De modo semelhante, o Festival da Madona se originou na Basilica 
de So Vtor, em Marselha.
Outra importante sede madalena era a de Gellone, onde a Academia de Estudos Judaicos (o mosteiro de St. Guilhelm le Dsert) floresceu durante o sculo IX. A igreja 
em Rennes-Ie-Chteau foi consagrada a Maria Madalena em 1059 e, em 1096 (o ano da Primeira Cruzada), a grande Basilica de Santa Maria Madalena foi iniciada em Vzelay. 
Foi a que So Francisco de Assis fundou a Ordem dos Frades Menores Franciscanos (posterionnente os capuchinhos) em 1217. Foi tambm em Vzelay, em 1146, que o monge 
cisterciense So Bemardo de Clairvaux pregou a Segunda Cruzada ao rei Lus VII,  rainha Eleanor, aos cavaleiros e a uma congregao de cem mil pessoas. De fato, 
o entusiasmo das Cruzadas era intimamente ligado  venerao da Madalena.
As ordens dos cistercienses, dominicanos, franciscanos e vrias outras da poca seguiam, todas, um estilo de vida separado do episcopado da Igreja Romana. Mas todas 
tinham um interesse comum por Maria Madalena. Ao esboar a Constituio para a Ordem dos Cavaleiros Templrios em 1128, So Bemardo de Clairvaux mencionou especificamente 
um requisito de "Obedincia a Betnia, o castelo de Maria e Marta". , portanto, evidente que as grandes catedrais de Notre Dame da Europa, totalmente instigadas 
pelos cistercienses e Templrios, foram dedicadas no  Maria me de Jesus, mas a Nossa Senhora, Maria Madalena.

MULHER ESCARLATE - A MADONA NEGRA

Os antigos textos cristos descrevem Maria Madalena como "a mulher que conhecia o todo". Era aquela a quem "Cristo amava mais do que a todos os discpulos"; ela 
era a apstola "agraciada com conhecimento, viso e perspiccia maiores que as de Pedro" e a bem-amada noiva que ungiu Jesus no Casamento Sagrado (o Hieros Gamos) 
em Betnia.
Ignorando tudo isso, a Igreja Romana preferiu desacreditar Maria Madalena, numa tentativa de exaltar sua sogra, Maria, a me de Jesus.
Para isso, fez uso de comentrios ambguos no Novo Testamento - comentrios que descreviam a Madalena no casada como uma "pecadora" (o que na verdade significava 
que ela era celibatria, uma almah aguardando o noivado). Os tendenciosos bispos, porm, decidiram que uma mulher pecadora deveria ser uma prostituta, e Maria foi 
assim rotulada.
H um paralelo fascinante entre Maria e sua colega migrante Helena-Salom. Como no gostava de mulheres (principalmente as cultas), Pedro sempre considerara Helena-Salom 
uma bruxa. No lhe importava o fato de ela ser prxima  me de Jesus e t-la acompanhado na crucificao. Como consorte de Simo Zelote (Zebedeu), Helena tambm 
tinha sido a me conventual dos apstolos Tiago e Joo Boanerges. Ao contrrio de Maria Madalena, que era ligada  Ordem regional de Dan, Helena pertencia  Ordem 
tribal de Aser, que permitia s mulheres ter propriedade pessoal. 
Helena tambm era suma sacerdotisa da Ordem de feso (tendo o posto titular de "Sara") e podia usar a tnica vermelha das hierodulai (grego: "mulheres sagradas"). 
Pedro temia muito essas mulheres de altos escales, pois elas eram uma ameaa  posio dele. Do mesmo modo, a Igreja Romana no reconhecia tal status cardeal nas 
mulheres, e elas eram classificadas como prostitutas e feiticeiras. Assim, a imagem antes venerada das hierodulai foi transformada e (por meio do francs e do ingls 
falados na Idade Mdia) elas se tomaram "meretrizes", sendo chamadas de "mulheres escarlates".
Maria Madalena era uma Irm Superior da Ordem dos Nazireus (o equivalente a um bispo superior) e tinha o direito de usar roupa preta. Num paralelo  antiga reverncia 
a Maria Madalena, um culto conhecido como a Madona Negra surgiu em Ferrieres em 44 d.C. Entre as muitas representaes da Madona Negra que ainda existem, uma das 
mais belas esttuas pode ser vista em Verviers, Liege; ela  totalmente preta, com um cetro e uma coroa dourados, cercada pelo halo de estrelas de Sofia. O beb 
que ela carrega tambm porta uma coroa dourada da realeza. Em contraste  imagem da Madona Negra, tambm era comum que Maria Madalena fosse representada usando um 
manto vermelho, geralmente sobre um vestido verde (representando a fertilidade). Um exemplo  o famoso afresco Santa Maria Madalena, de Piero della Francesca, de 
cerca de 1465, na catedral gtica de Arezzo, perto de Florena. Ela est vestida de maneira semelhante em Maria aos Ps da Cruz, de Botticelli. O vermelho (como 
o escarlate das hierodulai) indica o alto status clerical de Maria. Entretanto, o conceito das mulheres de capa vermelha ocupando alto posto enfurecia a hierarquia 
do Vaticano e, apesar da venerao  me de Jesus por parte da Igreja, foi determinado que ela no seria dignificada com o mesmo privilgio. Em 1649, os bispos chegaram 
a emitir um decreto determinando que todas as imagens da me de Jesus deveriam mostr-la usando apenas azul e branco.  O efeito de tal determinao foi de que a 
Santa Maria, embora exaltada pela Igreja, no tinha o reconhecimento eclesistico dentro do sistema.
As mulheres foram totalmente impedidas de se ordenarem na Igreja Catlica, e a negao geral s mulheres (exceto  me de Jesus) de qualquer status venervel jogou 
Maria Madalena ainda mais para trs. Pela mesma estratgia, os prprios herdeiros fsicos de Jesus foram totalmente eclipsados e os bispos puderam reforar sua reivindicao 
de autoridade sagrada por meio de uma sucesso auto-estabelecida de apenas homens. Essa no era uma descendncia messinica de Jesus, como deveria ter sido, nem 
ao menos uma descendncia do prncipe ha Rama Theo, Tiago, o Justo (irmo de Jesus), mas uma sucesso criada a partir de Pedro, um essnio rstico e obstinado, que 
desprezava as mulheres.
Ao mesmo tempo, a Igreja em seus primrdios tinha de lutar contra a venerao bastante difundida  Deusa Universal (particularmente no ambiente mediterrneo), o 
que se intensificou durante o perodo de disputas clericais envolvendo sexismo. Desde tempos pr-histricos, a Deusa aparecia em muitas formas e era conhecida por 
muitos nomes, incluindo Cibele, Diana, Demter e Juno. Mas por mais que fosse personificada, ela sempre se identificava com sis, que seria a "Me Universal, senhora 
de todos os elementos, filha primordial do tempo, soberana de todas as coisas e manifestao nica de tudo".
Para os antigos egpcios, sis era a irm-esposa de Osris, fundador da civilizao e juiz das almas aps a morte. Isis era especificamente uma protetora maternal 
e seu culto se espalhava por vastas reas. Ela costumava ser retratada segurando seu filho Hrus, cujas encarnaes eram atribudas aos prprios faras.  um fato 
bem estabelecido que a imagem familiar da Madona Branca  baseada nas representaes de sis, a me amamentando. Foi ela quem inspirou a misteriosa Madona Negra, 
da qual existiam quase 200 imagens na Frana at o sculo XVI. Cerca de 450 representaes j foram descobertas em todo o mundo. Mesmo a venerada padroeira da Frana, 
Notre Dame de Lumire (Nossa Senhora das Luzes), tem suas origens na Me Universal.A imagem da Madona Negra com seu filho tem sido um dilema constante para a Igreja 
- principalmente aquelas esttuas em igrejas e santurios notveis na Europa continental. Em alguns casos, elas so inteiramente pretas, mas muitas tm apenas o 
rosto, as mos e os ps pretos, embora no de carter negride. Algumas so exageradamente pintadas em tons de pele clara para combinar com a representao tpica 
da Madona Branca, enquanto muitas simplesmente foram retiradas da vista do pblico. Algumas tm vestimentas modestas, mas outras so exibidas com vrios graus de 
prestgios e soberania, com trajes e coroas suntuosamente decoradas. A Madona Negra tem sua tradio na rainha sis e suas razes na Lilith pr-patriarcal. Ela representa, 
portanto, a fora e a igualdade da mulher - uma figura orgulhosa, imponente e dominadora, em contraste  imagem estritamente subordinada da Madona Branca convencional, 
conforme  vista em representaes nas igrejas da me de Jesus. Diziam que tanto sis como Lilith sabiam o nome secreto de Deus (um segredo conhecido tambm por 
Maria Madalena, "a mulher que conhecia o todo"). A Madona Negra, portanto, tambm representa a Madalena que, segundo a doutrina alexandrina, "transmitia o verdadeiro 
segredo de Jesus". Na verdade, o culto antigo de Madalena era intimamente associado aos locais da Madona Negra. Ela  negra porque a Sabedoria (Sofia)  negra, tendo 
existido nas trevas do Caos antes da Criao. Para o gnstico de Simo Zelote, a Sabedoria era o Esprito Santo: a grande e imortal Sofia que gerou o Primeiro Pai, 
Yaldaboath, das profundezas. Sofia era a encarnao do Esprito Santo na rainha Maria Madalena, e foi ela que, segundo se diz, cumpriu a observncia suprema da F.

MADALENA E A IGREJA

Desde os dias do movimento cristo ortodoxo, todos os veneradores do princpio feminino eram considerados hereges. Muito tempo antes do imperador Constantino, os 
Pais da Igreja, como Quinto Tertuliano, por exemplo, montaram a cena contra o envolvimento feminino, afirmando:

"No  permitido para uma mulher falar na igreja nem batizar, tampouco lhe  permitido oferecer Eucaristia ou desejar qualquer funo masculina, particularmente 
no ofcio sacerdotal". No entanto, Tertuliano s seguia as opinies expressadas por seus predecessores, notadamente Pedro e Paulo.No Evangelho de Maria, Pedro questiona 
o relacionamento de Maria com Jesus, dizendo: "Ele teria realmente falado secretamente com uma mulher, e no livremente conosco? Por que devemos mudar de idia e 
dar ouvidos a ela?". Novamente, no tratado cptico chamado Pistis Sophia (F Sabedoria), Pedro se queixa da pregao de Maria e pede a Jesus que a silencie, que 
no lhe permita comprometer sua supremacia. Mas Jesus repreende Pedro, e Maria confessa: "Pedro me faz hesitar. Tenho medo dele, porque ele odeia a raa das mulheres". 
Maria tinha bons motivos para temer Pedro, pois a atitude dele se tomava perfeitamente bvia em muitas ocasies - como no Evangelho de Toms. Opondo-se  presena 
de Maria entre os discpulos, Simo Pedro disse a eles: "Deixai que Maria v embora, pois as mulheres no so dignas de viver". No Evangelho de Filipe, Maria Madalena 
 considerada "o smbolo da sabedoria divina", mas todos esses textos foram excludos pelos bispos porque eles comprometiam o domnio do sacerdcio exclusivamente 
masculino. O ensinamento de Paulo no Novo Testamento, entretanto, foi exposto sem hesitao:

"A mulher aprenda em silncio, com toda a submisso. E no permito que a mulher ensine, nem exera autoridade de homem; esteja, porm, em silncio (l Timteo 2:11-12)".

Esses pronunciamentos autoritrios eram particularmente teis porque mascaravam o verdadeiro problema. A questo era que as mulheres tinham de ser excludas a todo 
custo. Se no fossem, a presena de Madalena prevaleceria. Como esposa de Jesus, ela no s era a rainha messinica, mas tambm a me dos verdadeiros herdeiros. 
H nos Evangelhos nada menos do que sete listas das mulheres que acompanhava Jesus regularmente e, em seis destas, Maria Madalena  a primeira mencionada, at antes 
de sua me. Durante sculos aps sua morte, o legado de Madalena permaneceu a maior das ameaas a uma Igreja temerosa que tinha desviado da descendncia messinica 
em favor de uma sucesso apostlica auto-estabelecida.
Diante do medo da Igreja de Maria Madalena, um novo documento especial foi produzido, determinando o que o bispo considerava a posio de Madalena dentro do esquema. 
Intitulado A Ordem Apostlica. Esse documento era a transcrio de uma suposta discusso entre os Apstolos aps a Santa Ceia e afirmava (diferentemente dos Evangelhos 
que tanto Maria como Marta estavam presentes, destruindo assim parte de seu prprio objetivo. Um extrato do suposto debate informa:

"Joo disse: 'Quando o Mestre abenoou o po e o clice, e lhes conferiu as palavras, Este  o Corpo e o meu Sangue, ele no ofereceu s mulheres que estavam conosco'. 
Marta disse: Ele no ofereceu a Maria, porque a viu rir"'.

Com base nessa histria puramente Imaginria, a Igreja decretou que os primeiros Apstolos tinham decidido que as mulheres no teriam permisso de se ordenarem porque 
no eram srias! A essncia dessa conversa falsa foi adotada como doutrina formal da Igreja e Maria Madalena foi declarada uma descrente.

AS MULHERES E A SELEO DO EVANGELHO

O Novo Testamento, como o conhecemos, comeou a tomar forma no ano de 367 d.C., quando uma seleo inicial de escritos foram compilados pelo bispo Atansio de Alexandria. 
Dessa lista, certas obras foram aprovadas e ratificadas pelo Conclio de Hippo em 393 d.C. e o Conclio de Cartagc em 397 d.C.
A seleo, porm, seguiu vrios critrios, o primeiro dos quais sendo que os Evangelhos cannicos deveriam ser escritos nos nomes dos apstolos de Jesus. Mas essa 
regra parece ter sido desrespeitada desde e incio. Embora Mateus e Joo fossem Apstolos de Jesus, Marcos e Lucas no eram; ambos so apresentados nos Atos como 
futuros colegas de So Paulo. Por outro lado, Toms e Filipe estavam entre os doze originais, mas os Evangelhos em seus nomes foram excludos! No apenas isso, mas 
foram tambm condenados  destruio e, em todo o mundo mediterrneo, esses e outros livros foram enterrados e escondidos no sculo V. Subseqentemente, o Novo Testamento 
foi submetido a vrios cortes e emendas, at a verso que hoje conhecemos ser aprovada pelo Conclio de Trento, no norte da Itlia, somente em 1545-63.
S recentemente alguns dos antigos manuscritos foram desenterrados, sendo que a maior de todas as descobertas foi feita em 1945 em Nag Hammadi, Egito. Embora s 
fossem encontrados em tempos recentes, a existncia desses livros no era segredo para os historiadores. Na verdade, alguns deles, incluindo o Evangelho de Toms, 
o Evangelho dos Egpcios, o Evangelho da Verdade e outros, so mencionados nos escritos do sculo 11 de Clemente de Alexandria, Irineu de Lyon e Orgenes de Alexandria.
Qual foi o critrio para a escolha dos textos dos Evangelhos? Foi, na verdade, uma regra totalmente machista, que exclua qualquer coisa que defendesse o status 
das mulheres na Igreja ou na sociedade comunitria. Como j mencionado, o aparente desprezo de Paulo e Pedro pelas mulheres foi usado para criar uma cena estrategicamente 
dominada pelos homens, mas at mesmo as frases citadas desses homens foram escolhidas com muito cuidado, ainda que fora de contexto. Na Epstola de So Paulo aos 
romanos, ele faz um meno especial s suas assistentes; Febe, por exemplo, a qual ele diz que "est servindo  Igreja" (16:1-2), e Jlia (16:15) e Priscila, que 
arriscou a vida pela causa (16:3-4). Na verdade, o Novo Testamento (mesmo em sua forma estrategicamente compilada) simplesmente pulula com mulheres discpulas, mas 
os bispos da Igreja Romana preferiram ignor-las.
A Igreja tinha tanto medo das mulheres que foi instituda uma norma de celibato para todos os padres, que se tomou lei em 1138 - uma regra que os padres observam 
at hoje. O que incomodava realmente os bispos, porm, no eram as mulheres em si nem a atividade sexual era a perspectiva de intimidade sacerdotal com elas que 
causava o problema. Por qu? Porque as mulheres podem se tomar mes e a prpria natureza da maternidade  a perpetuao das linhagens - um tabu que, a qualquer custo, 
tinha de ser separado da imagem necessria de Jesus.
Mas a Bblia no sugeria isso. Na verdade, indicava bem o contrrio. So Paulo chegou a dizer em sua Segunda Epstola a Timteo (3:2-5) que um bispo deveria ser 
o marido de uma mulher e ter filhos, pois com famlia  mais bem qualificado para cuidar da Igreja. Embora, de um modo geral, os bispos decidissem seguir os ensinamentos 
de Paulo, desconsideraram totalmente essa diretriz explcita, ignorando at o estado civil de Jesus.

SENHORA DO LAGO

Em 633, um misterioso barquinho atracou no porto de Boulognesur-mer, no norte da Frana. No havia ningum a bordo, mas ele trazia uma estatueta com aproximadamente 
um metro, de uma Madona Negra com o beb, junto a uma cpia dos Evangelhos em siraco.  Ningum sabia de onde viera o barco, mas ele causou um grande furor e sua 
enigmtica ocupante (conhecida como Nossa Senhora do Sagrado Sangue se tornou a insgnia da catedral de Madalena de Notre Dame em Bouloglr - um objeto de considervel 
venerao at ser destrudo na Revoluo Francesa.
A Madona Negra de Boulogne reforava a ligao entre Maria e o mar (latim: mare; francs: mer) na mentalidade popular, e o emblema da Maria do Mar (derivado da insgnia 
da catedral) era usado nos crachs dos peregrinos antes da poca de Carlos Magno. Na verdade uma verso do objeto chegou  Esccia antes dos selos armoriais se tornarem 
comuns na Gr-Bretanha. Na Esccia do sculo XI, o Pone de Leith, em Edimburgo, incorporou seu emblema oficial numa representao de Maria do Mar e seu Filho do 
Graal num barco  vela protegido por uma nuvem: uma referncia a Tiago (Jos de Arimatia) que fora, um dia, a Nuvem: o Lder dos Peregrinos.
Por algum motivo, os estudiosos de herldica preferiram ignorar importncia desses emblemas femininos, assim como os compiladores de rvores genealgicas e registros 
parentais desconsideraram as linhagens femininas. Esse foi o caso particularmente nas eras georgiana e vitoriana na Gr-Bretanha, cujas crnicas fornecem a base 
de boa pane das informaes insatisfatrias disponveis hoje. Talvez a atual entrada na Era de Aqurio traga um fim  histria dominada pelo homem, mas, por ora, 
a maioria dessas obras  publicada em estilo e formato antigos. Pouca pesquisa  necessria, porm, para descobrir que o ideal do Noblesse Uterine (herana matrilinear 
da nobreza) era um conceito plenamente aceito durante a Idade das Trevas e a Idade Mdia.
Diz-se de um modo geral que a noo de herldica (o porte de armas herldicas e brases da famlia) comeou no sculo XII. Talvez isso se aplique  Inglaterra, mas 
os britnicos no inventaram o conceito, como os herldicos gostariam que acreditssemos. As supostas autoridades no assunto, o Colgio dos Herldicos e o Colgio 
das Armas, foram estabelecidas no fim do sculo XIV para controlar os registros dos portadores de armas. Era necessrio que um cavaleiro portasse um braso decorado 
para que fosse reconhecido, apesar de vestido da cabea aos ps com cota de malha e armadura. O uso de bandeiras e outros emblemas indicando famlia ou regio se 
originou em tempos mais remotos, em Flandres e norte da Frana.
Entretanto, a despeito disso, poucos na Gr-Bretanha j viram uma insgnia anterior ao sculo XII, particularmente no de origem feudal. O emblema do Porto de Leith 
, portanto, exclusivo, com relao  data, e  associao no-feudal, feminina.
O manuscrito ricamente ilustrado de Raban Maar, A Vida de Maria Madalena, consiste em 50 captulos encadernados em seis volumes. Entre outras coisas, ele conta como 
Maria, Marta e suas companheiras deixaram a costa da sia:

" ... E favorecidos por um vento leste, eles singraram pelo mar [Mediterrneo] entre a Europa e a sia, deixando a cidade de Roma e toda a terra da Itlia para a 
direita [norte]. E ento, animadamente mudando o curso para a direita [norte], eles chegaram  cidade de Marselha na provncia gaulesa de
Vienne, onde o rio Rone encontra o litoral. L tendo invocado Deus, o Grande Rei de todo o Mundo
- eles se separaram".

As bibliotecas de Paris contm um nmero de manuscritos ainda mais antigo que o de Raban Maar, que do testemunho da misso de Maria em Provena. Ela  mencionada 
especificamente num hino dos anos 600 (republicado nos registros da Acta Santo rum, emitida pelo jesuta Jean Bolland, no sculo XVII). As companheiras de Maria, 
Maria-Salom (Helena) e Maria Jac (esposa de Clopas), estariam enterradas na cripta de Les Saintes Maries, no Camargue. Muito antes de a igreja do sculo IX ser 
construda, sua antecessora era chamada Sanctae Mariae de Ratis, e perto da atual nave principal encontram-se os restos de uma escultura mostrando as Marias no mar.
A associao entre Maria Madalena e a Glia foi artisticamente retratada de duas maneiras: representativa e mstica. Em alguns casos, ela aparece en voyage para 
Marselha, como nos relatos documentados. Talvez o exemplo mais importante desse estilo de reproduo seja aquele exibido na igreja de Les Saintes Maries: uma pintura 
de Henri de Guadermaris. Ela mostra a chegada das Marias num barco ao litoral de Provena e foi mostrada no Salo de Paris em 1886. Outro quadro famoso em estilo 
semelhante  A Viagem Martima, de Lukas Moser, que faz parte do altar folhado em ouro e prata, Der Magdalenenaltar, na Katho/isches Pfarrant St. Maria Magdalena, 
Tiefenbronn, sul da Alemanha.
Maria tambm  mostrada movendo-se acima da Terra, para receber a iluminao celestial (como o romance apcrifo a descrevia fazendo todos os dias), ou sendo levada 
para oeste, como no Apocalipse. Um bom exemplo desse estilo de representao  Maria Madalena Levada pelos Anjos. Essa obra de arte feita por volta de 1606, por 
Giovanni Lanfranco, na Galleria Nazionale di Capodimonte, em Npoles, mostra Madalena nua, junto a trs anjos, pairando sobre uma desoladora paisagem europia.
Os restos mortais de Marta esto enterrados em Tarascon, na provncia francesa de Vienne. Cartas patentes de Lus XI de 1482 referem-se a uma visita do rei merovngio 
Clvis a esse tmulo no fim do sculo V. Os restos mortais de Maria Madalena foram preservados na Abadia de So Mximo, a cerca de 48 quilmetros de Marselha. Carlos 
11 da Siclia, conde de Provena, desenterrou o crnio e o mero (osso do brao) de Maria em 1279 para coloc-los em exibio em vitrinas de ouro e prata, onde permanecem 
at hoje. Alguns dos outros ossos e as cinzas de Maria foram guardados numa uma, mas sofreram atos de vandalismo durante a Revoluo Francesa.
A caverna de solitude de Maria se encontra nas proximidades de La Sainte Baume. Foi essa caverna que Sire de Joinville visitou em 1254, quando retomava da Stima 
Cruzada com o rei Lus IX. Logo depois, ele escreveu que eles "chegaram  cidade de Aix em Provena para homenagear a Abenoada Maria, que repousava a cerca de um 
dia de jornada de onde estavam. Fornos ao local chamado Baume, sobre uma rocha muito ngreme e escarpada, onde, segundo dizem, a Santa Madalena residiu num convento".
Trs sculos antes, Wuillermus Gerardus, marqus de Provena, fez uma peregrinao at a caverna, enquanto a alta igreja da gruta em La Sainte Baume (com seus vrios 
altares e belas esculturas de Maria Madalena) h muito tempo  um conhecido .lugar de peregrinao.
Aix-en-Provena, onde Maria Madalena morreu em 63 d.C., era a antiga cidade de Acquae Sextiae. Foram as termas de gua quente em Aix (Acqs) que lhe deram seu nome 
- sendo acqs um derivativo medieval da antiga palavra latina aquae (guas). Na tradio Languedoc, Maria  lembrada como Ia Dompna dei Acquae: a Senhora das guas. 
Para os gnsticos (assim como para os celtas), as mulheres que recebiam venerao religiosa eram freqentem ente associadas a lagos, poos, fontes e termas. Na verdade, 
gnose (conhecimento) e sabedoria eram atribudas ao Esprito Santo feminino que "pairava sobre as guas" (Gnesis 1:2).
Vimos anteriormente como os sacerdotes batismais da era dos Evangelhos eram descritos como "pescadores" e, desde o momento em que Jesus foi admitido no sacerdcio 
da Ordem de Melquisedeque (Hebreus 5), ele tambm se tornou um "pescador" designado. A linha dinstica da Casa de Jud foi, assim, estabelecida exclusivamente como 
de reis sacerdotes e, como ficaram conhecidos os descendentes de Jesus nas histrias do Graal, Reis Pescadores. As linhagens dinsticas de Jesus e Maria Madalena, 
emergentes dos Reis Pescadores, preservaram o maternal Esprito de Aix, para se tornarem a "famlia das guas": a Casa del Acqs.
A famlia era proeminente em Aquitaine - uma rea com um nome que tambm tem suas .razes em acquae ("guas") ou acqs, como tambm o tem o nome da cidade de Dax, 
oeste de Toulouse, que deriva de d 'Acqs . Nesse caso, as ramificaes reais merovngias, que se desenvolveram dos reis pescadores se tornaram condes de Toulouse 
e Narbonne, tambm prncipes do Septimanian Midi (o territrio entre a Frana e a Espanha).
Outra famlia, aparentada pela linha feminina, herdou a Igreja Cltica de Avalon, com Viviane deI Acqs reconhecida como rainha herdeira, no incio do sculo VI. 
Subseqentemente, na Bretanha, uma ramificao masculina correspondente da Provenal Casa del Acqs se tomou os Comtes (condes) de Len d' Acqs, em descendncia da 
neta de Viviane I, Morgana.
Desde a poca em que Chrtien de Troyes escreveu seu conto, no sculo XII, de Ywain e a Senhora da Fonte (no qual a Senhora corresponde a Za Dompna de Z Aquae), 
a herana de Acqs persiste na literatura arturiana. O legado da famlia de Z Acqs, central ao tema do Graal, sempre esteve diretamente relacionado s guas salgadas 
e associado a Maria Madalena. Alternativamente, o nome du Lac era usado para indicar relacionamento com o sangue de Pendragon (sendo Zac, ou "lago", um pigmento 
vermelho da rvore-do-drago - como na cor do Lago Escarlate). Em 1484, a obra Morte d'Arthur, de Sir Thomas Malory, usou essa segunda descrio, com Viviane II 
(Senhora da Fonte e me de Lancelot deI Acqs) devidamente classificada como a Senhora do Lago.


JOS DE ARIMATIA

A CAPELA DE GLASTONBURY

Nos Annales Eeclesiastieae de 1601, o bibliotecrio do Vaticano, cardeal Barnio, registrou que Jos de Arimatia chegou em Marselha em 35 d.C. De l, ele e sua 
companhia atravessaram at a Gr-Bretanha para pregar o Evangelho. Isso foi confirmado muito antes pelo cronista Gildas m (516-570), cujo De Excidio Britanniae afirmava 
que os preceitos do Cristianismo foram levados  Gr-Bretanha nos ltimos dias do imperador Tibrio Csar, que morreu em 37 d.C. Mesmo antes de Gildas, eminentes 
clrigos como Eusbio, bispo de Cesaria (260-340), e Santo Hilrio de Poitiers (300-367) escreveram sobre as primeiras visitas apostlicas  Gr-Bretanha. Os anos 
35-37 apresentam, portanto, as mais antigas datas registradas do evangelismo cristo. Eles correspondem a um perodo pouco aps a crucificao - antes da poca em 
que Pedro e Paulo estavam em Roma e que os Evangelhos entrassem para o domnio pblico.
Um personagem importante do primeiro sculo d.C. na Glia foi So Filipe. Ele foi descrito por Gildas e William de Malmesbury como sendo a inspirao por trs da 
misso de Jos na Inglaterra. O De Saneto Joseph ab Arimathea afirma: "Quinze anos depois da Assumpo [ou seja, 63 d.C.], ele [Jos] foi at Filipe' o Apstolo, 
entre os gauleses Freculfo, bispo de Liseux no sculo IX, escreveu que So Filipe enviou depois a misso da Glia para a Inglaterra, "para levar l a boa notcia 
do mundo da vida e pregar a encarnao de Jesus Cristo".
Chegando ao oeste da Inglaterra, Jos e seus 12 missionrios foram encarados com ceticismo pelos nativos bretes, mas cumprimentados com cordialidade pelo rei Arvirago 
de Silria, irmo de Caractaco, o Pendragon. Em consulta a outros chefes, Arvirago concedeu a Jos doze medidas de terra em Glastonbury, cada uma considerada capaz, 
do ponto de vista agrcola, de sustentar uma famlia por um ano com um arado. - essa medida chamada hide, equivalia em Somerset (o condado de Glastonbury) a 100 
acres (48,5 hectares). A eles construram sua pequena e mpar igreja em uma escala do antigo tabernculo hebreu. Essas concesses permaneciam como posses de terra 
gratuita durante muitos sculos, como se confirma do Livro do Juzo Final de 1086: "A Igreja da Glastonbury tere suas prprias vilas com doze hides de terra que 
jamais pagaram imposto". Na era de Jos, as capelas crists ficavam escondidas nas catacumbas subterrneas de Roma, mas quando a capela de Santa Maria foi construda 
em Glastonbury, a Gr-Bretanha pde se gabar de ter a primeira igreja crist de superfcie no mundo.
Alm dos relatos de Jos de Arimatia em Glastonbury, outros falam de sua associao com a Glia e o comrcio de estanho do Mediterrneo. John de Glastonbury (compilador 
no sculo XIV de Glastoniensis Chroniea) e John Capgrave (superior dos frades agostinianos na Inglaterra, 1392-1464) citam um livro encontrado pelo imperador Teodsio 
(375-395 d.C.) no pretrio de Jerusalm. De Saneto Joseph ab Arimathea, de Capgrave conta como Jos foi aprisionado pelos ancios judeus depois da crucificao. 
Isso tambm  descrito no livro apcrifo, Atos de Pilatos . O historiador e bispo Gregrio de Tours (544-595) tambm menciona o aprisionamento, aps a crucificao, 
de Jos em sua Histria dos Francos e, no sculo XII, o episdio foi novamente contado em Joseph d'Arimathie, do cronista borgonhs Sire Robert de Boron, que escrevia 
a respeito do Graal.
O Magna Glastoniensis Tabula e outros manuscritos vo mais alm, dizendo que Jos acabou escapando e foi perdoado. Alguns anos depois, ela estava na Glia com seu 
sobrinho, Jos, que fora batizado pelo apstolo Filipe. O jovem Jos (segundo filho de Jesus e Maria)  tradicionalmente chamado de Josefes, nome que continuaremos 
a usar neste livro para diferenci-lo de Jos de Arimatia.
Muitos escritos valiosos e outras relquias foram destrudos no incndio de Glastonbury em 1184, e outros tantos foram perdidos com a dissoluo por parte da Casa 
de Tudor 'dos mosteiros. No decorrer dessa posterior destruio, o abade Richard Whiting de Glastonbury foi assassinado em 1539 pelo servo do rei Henry VIII. Felizmente, 
cpias de alguns importantes manuscritos foram guardadas - uma das quais (atribuda a Gildas Ill) se refere a Jos de Arimatia como um "nobre decurio". O arcebispo 
do sculo IX, Raban Maar, tambm o descreveu como um noblis decurion. Um decurio era uma espcie de supervisor de propriedades mineiras, e o termo se originou na 
Espanha, onde trabalhavam mineiros judeus nas clebres fundaes de Toledo desde o sculo VI a.C. No  impossvel que o interesse mineiro de Jos fosse o principal 
motivo da generosa concesso feita pelo rei Arvirago. Afinal de contas, Jos era um arteso e mercador de metal bem conhecido: um Mestre Arteso (ho-tekton), assim 
como seu pai e os personagens do Antigo Testamento, Tubalcain e Hiram Abiff - ambos lembrados na moderna Franco-Maonaria.
O De Sancto Joseph afirma que a igreja de Santa Maria, de Jos de Arimatia, fora dedicada "no trigsimo primeiro ano depois da Paixo de Nosso Senhor" [ou seja, 
64 d.C.]. Isso bate com o ano 63 d.C. como sua data de inaugurao, conforme nos diz William de Malmesbury. Mas quanto ao fato de que a dedicao era a Santa Maria 
(freqentemente considerada a me de Jesus), h muito tempo se argumenta que uma igreja j teria sido consagrada a ela uns quinze anos antes de sua Assuno e sculos 
antes da criao de qualquer culto  Virgem Maria. Como se confirma nas Crnicas de Mateus Paris, dos sculos XII e XIII, porm, 63 d.C. foi exatamente o ano em 
que a outra Maria, Maria Madalena - morreu em La Sainte Baume.
Entre as visitas que Jos fez  Gr-Bretanha, duas foram muito importantes para a Igreja e citadas posteriormente por numerosos clrigos e correspondentes religiosos. 
A primeira (descrita pelo cardeal Barnio) foi logo aps a captura inicial de Jos pelo Sindrio, depois da crucificao. Essa visita em 35 d.C. combina exatamente 
com um relato de So Tiago, o Justo, na Europa, o que no  uma surpresa, j que Jos de Arimatia e So Tiago eram a mesma pessoa. O reverendo Lionel S. Lewis (vigrio 
de Glastonbury na dcada de 1920) tambm confirmou, a partir de seus anais, que So Tiago se encontrava em Glastonbury em 35 d.C. A segunda visita de Jos foi aps 
o apedrejamento e a excomunho (morte espiritual) em 62 d.C. de Tiago, o Justo, em Jerusalm. Cressy, um monge beneditino que viveu pouco depois da Reforma, escreveu:

''No quadragsimo primeiro ano de Cristo (ou seja, 35 d.C.), Tiago, voltando da Espanha, visitou a Glia, a Bretanha e as cidades dos venezianos, onde pregou o Evangelho, 
e retomou a Jerusalm para consultar a Virgem Bendita e So Pedro acerca de questes de grande peso e importncia".

As "questes de peso e importncia" mencionadas por Cressy diziam respeito  necessidade de uma deciso sobre receber ou no os gentios incircuncisos na Igreja Nazarena. 
Como primeiro bispo de Jerusalm, Tiago, irmo de Jesus, presidiu a reunio do Conclio que tratou do debate.
Muitas antigas tradies se referem a So Tiago em Sardenha e Espanha, mas geralmente so atribudas ao So Tiago errado. Isso ocorre porque o apstolo Tiago Boanerges 
(s vezes chamado de So Tiago, o Maior, distinto de Tiago de Alfeu - Menor) desaparece do Novo Testamento por muito tempo.
Equvocos causados pelas aparentes anomalias e definies duplicadas a respeito de Jos de Arimatia e So Tiago, o Justo, acabaram provocando discusses entre os 
bispos no Conclio da Basilia em 1434. Como resultado, os pases resolveram individualmente cada qual seguir suas diferentes tradies. So Jos  o mais lembrado 
em relao  histria da Igreja na Gr-Bretanha, enquanto So Tiago  venerado na Espanha. Mesmo assim, as autoridades inglesas cederam ao associ-lo  monarquia 
e a Corte Real em Londres se tomou o Palcio de So Tiago.
O debate dos bispos se seguiu a uma disputa anterior no Conclio em Pisa em 1409 sobre o tema da antiguidade cronolgica das Igrejas nacionais na Europa. Os principais 
contendores eram a Inglaterra, a Frana e a Espanha. A vencedora foi a Inglaterra, pois a igreja em Glastonbury foi fundada por Jos/Tiago "statim post passionem 
Christi" (pouco depois da Paixo de Cristo). Desde ento, o monarca da Frana era intitulado Sua Cristianssima Majestade, enquanto na Espanha o ttulo era Sua Dignssima 
Majestade Catlica. O ttulo ferozmente competido de Sua Santssima Majestade, no entanto, era reservado para o rei da Inglaterra. Registros do debate Disputio super 
Dignitatem Angliae et Galliae in Concilio Constantiano - dizem que a Inglaterra ganhou a disputa porque o santo no s ganhara de Avirago terras na regio oeste 
do pas, mas tambm fora enterrado em Glastonbury. A possibilidade de que outro So Tiago (Boanerges, ou Tiago, o Maior) poderia ter visitado a Espanha em determinada 
poca no era relevante para o debate.
Tendo determinado que Jos/Tiago foi enterrado em Glastonbury, devemos descobrir por que a Estoire del Saint Graal cisterciense afIrma que ele foi sepultado na Abadia 
de Glais na Esccia. Isso no  to contraditrio quanto parece, pois na poca da morte de Jos os escoceses galicos ainda no tinham se estabelecido nas Terras 
Altas  oeste (Dalriada), mas constituam uma populao tribal da Irlanda do Norte (Ulster) que se infiltrara no sudoeste da Gr-Bretanha. As reas no oeste do pas 
colonizadas pelos primeiros escoceses costumavam ser chamadas coletivamente de Esccia (terra dos escoceses), quando o extremo norte da Gr-Bretanha era chamado 
de Calednia. Alm disso, a palavra glais (to comum nos antigos nomes escoceses) vem de um antigo dialeto irlands, e significa "riacho" ou "crrego". O nome Douglas, 
por exemplo, deriva de dubh glais (riacho escuro). A Glastonbury original foi criada em meio a baixadas aquosas, e era chamada de Ilha de Glais. Portanto, o local 
do sepulcro de Jos na Abadia de Glais na verdade se referia  Abadia de Glastonbury.
No primeiro sculo d.C., a ilha principal da Gr-Bretanha (Inglaterra, Pas de Gales e Esccia) era conhecida como Albion. Os irlandeses a chamavam de Alba - um 
nome que posteriormente se restringiu ao norte escocs depois que os escoceses da Irlanda se estabeleceram nas Terras Altas ocidentais de Dalriada. No decorrer do 
sculo X, Alba tinha sido adaptado para Albany, e o nome alternativo, Esccia (ou Scotia), surgiu cerca de um sculo depois.

O DOMNIO DO GRAAL

A distino de Jos (hebraico: Yosef, que significa "ele acrescentar") era conferida ao filho mais velho de cada gerao na sucesso de Davi. Quando um filho dinstico 
da Casa de Jud (com qualquer nome pessoal) se tornava o Davi, seu filho mais velho (o prncipe da coroa) se tomava o Jos. Se no houvesse um filho no momento da 
sucesso (ou se o filho tivesse menos de 16 anos de idade), ento o irmo mais velho do Davi assumiria temporariamente a distino de Jos. Ela seria passada para 
o herdeiro legtimo assim que houvesse um filho maior de idade. Acrescentado a ela, havia o ttulo ha Rama Theo (Arimatia) da Divina Alteza - equivalente ao ttulo 
principesco atual de Alteza Real.
Dentro das sucesses judaicas reais, sacerdotais, anglicas e patriarcais, havia numerosos ttulos dinsticos e hereditrios, alm de vrias distines de ofcio 
e nomeao. Assim, era possvel que qualquer indivduo adulto fosse conhecido por uma srie de nomes diferentes, de acordo com o contexto do momento. Como vimos, 
Mateus tambm era Levi em sua condio oficial. Zacarias era o Zadoque e, portanto, angelicamente Miguel. Jnatas Ans (s vezes chamado de Natanael) tambm era 
Tiago de Alfeu (o Jac da Sucesso) e, alm disso, o Elias. Foi simplesmente por causa dessa estrutura hierrquica e patriarcal que Tiago, o Justo, irmo de Jesus, 
tambm ficou conhecido como Jos de Arimatia (ha Rama Theo) - o Jos (ele acrescentar) de Divina Alteza. Em perodos diferentes, sempre houve, claro, outros Joss 
de Arimatia. Agora, de posse desses fatos relacionados, devemos examinar a situao sob uma perspectiva diferente - a da pura cronologia.
Exceto por alguns termos descritivos vagos, o Novo Testamento no fornece uma verdadeira pista sobre o que Jos de Arimatia tinha a ver com a famlia de Jesus; 
tampouco menciona a idade de Jos. Fora das escrituras, porm, presume-se que ele tenha sido o tio da me de Jesus. Pinturas e livros ilustrados, conseqentemente, 
representam-no j como um senhor idoso na dcada de 30 d.C. Numerosos relatos escritos, das mais variadas fontes, registram que Jos chegou a Glastonbury trinta 
anos depois, em 63 d.C. Alm disso, a Histria da Igreja de Cressy (que incorpora os registros do mosteiro de Glastonbury) afirma que Jos de Arimatia morreu em 
27 de julho de 82 d.C.
Se a me de Jesus, Maria, nasceu por volta de 26 a.C., como se presume, ela teria cerca de dezenove anos quando Jesus nasceu. No momento da crucificao, ela estaria 
com cinqenta e poucos anos. Se Jos fosse tio dela, ele deveria ser uns vinte anos mais velho - o que o deixaria com setenta e poucos naquela poca. Entretanto, 
trinta anos depois (aparentemente com mais de cem anos) ele estaria comeando uma nova vida como evangelista e decurio no Ocidente! Como se isso no bastasse, os 
registros afirmam que ele morreu vinte anos depois.
Obviamente, nada disso faz sentido, e o aspecto hereditrio da distino de Jos de Arimatia precisa ser aplicado. Portanto, como j determinamos, o Jos de Arimatia 
da poca da crucificao era Tiago, o Justo, nascido em 1 d.C. Ele morreu em 82 d.C., aps ter sido formalmente excomungado em Jerusalm, vinte anos antes.
 tambm evidente que as origens e a farm1ia da me de Jesus no so expostas na Bblia. Isso no  uma surpresa, j que a interpretao da Igreja da herana de 
Maria  que ela foi um produto da Conceio Imaculada. As principais fontes a respeito da Maria no so os Evangelhos cannicos, mas as escrituras apcrifas, O Evangelho 
de Maria e o Protoevangelho. Muitas das grandes representaes artsticas da vida e da fam1ia de Maria se baseiam nesses escritos, como a famosa obra O Encontro 
de Ana e Joaquim (os pais de Maria), de Albrecht Dfer. O trabalho geralmente considerado mais minucioso acerca do assunto  A Leggenda di Sant Anna Madre della 
Gloriosa Vergine Maria, e di San Gioacchino (A histria de Santa Ana, me da Bem-aventurada Virgem Maria, e de So Joaquim). Essa obra associa os pais de Maria  
Casa Real de Israel, mas no menciona Jos de Arimatia como seu tio.
Foi, na verdade, por meio de um conceito bizantino do sculo IX que a Igreja promoveu pela primeira vez a idia de Jos ser o tio de Maria. Antes disso, no h meno 
dele como tal. O conceito surgiu numa poca em que os temerosos e supercautelosos conclios da Igreja estavam debatendo o contedo aprovado do Novo Testamento. Se 
Jos de Arimatia pudesse ser mantido como um personagem secundrio na estrutura da sucesso de Davi, e se no fosse associado  linhagem messinica principal, seus 
descendentes reais no poderiam abalar a estrutura apostlica auto-atribuda dos bispos romanos.
Com essa estratgia, a existncia do filho de Jesus e Maria, Josefes, tambm foi convenientemente disfarada no Ocidente. Ele geralmente era descrito como filho 
de Jos de Arimatia, ou s vezes seu sobrinho (que, sem dvida, era). Em qualquer desses papis, ele no era uma ameaa ao esquema ortodoxo e, de fato, as duas 
definies de seu relacionamento (filho e sobrinho) tinham uma base genuna, pois ele era herdeiro da distino ha Rama Theo.
Quando Jesus se tomou o Davi, seu irmo Tiago se tomou o Jos. Essa situao s mudou quando Jesus, o jovem, atingiu a idade em que podia herdar o ttulo. Depois 
da morte de Jesus, o Cristo, seu filho mais velho, Jesus, o Justo, tomou-se o Davi. Seu filho mais novo, Josefes (o irmo do novo Davi), passou a ser o Jos - o 
designado prncipe  coroa ha Rama Theo. Mas at ento, enquanto seu irmo Jesus Justo (chamado Gais or Gsu nas histrias do Graal) estava no exterior, em Roma 
e Jerusalm, o pai adotivo e tutor legal de Josefes foi seu tio Tiago, o prevalecente Jos de Arimatia.
Posteriormente, o primognito de Jesus Justo foi Galains (chamado Alain na tradio do Graal). De acordo com o costume do matrimnio dinstico, Jesus Justo tinha 
se casado primeiramente em setembro de 73 d.C.; sua esposa era uma neta de Nicodemos. O legado do parentesco de Davi (que seria representado como o Domnio do Graal) 
foi prometido a Galains e, com o tempo, formalmente passado a ele por seu tio e guardio, Josefes. Mas Galains se tomou um celibatrio convicto e morreu sem filhos. 
Assim, a herana do Graal reverteu para a linhagem menor de Josefes - passando para seu filho Josu, do qual descendem os reis pescadores da Glia.
Como mencionado anteriormente, Jos de Arimatia estivera na Gr-Bretanha com o filho mais velho de Maria, Jesus Justo, 12 anos de idade, em 49 d.C. Esse evento 
 bem lembrado na tradio do oeste da Inglaterra e evidenciado na famosa cano de William Blake, Jerusalm. As histrias contam como o jovem Jesus caminhou pela 
costa de Exmoor e foi at a vila Mendip de Priddy. Como aqueles ps da realeza realmente "caminharam sobre o verde das montanhas da Inglaterra" (embora os ps do 
filho e no do pai), uma pedra em memria de seus pais, Jesus e Maria Madalena, foi colocada na parede sul da Capela de Santa Maria, Glastonbury. Essa pedra, que 
permanece no local da capela original, do primeiro sculo d.C., tem a inscrio "Jesus Maria" e, com o tempo (sendo uma das relquias mais veneradas da abadia), 
tomou-se um lugar de orao para peregrinos na Idade Mdia. A capela original foi iniciada em 63 d.C. (imediatamente depois da morte de Maria Madalena), e os velhos 
anais afirmam que Jesus consagrou pessoalmente a capela em honra de sua me. Portanto, foi a Madalena (no a Maria, me de Jesus Cristo) que a capela de Glastonbury 
foi dedicada por seu filho mais velho, Jesus Justo, em 64 d.C.

O ESCUDO DO DIGNSSIMO

Quando Maria Madalena morreu, em 63 d.C., seu filho Josefes j era bispo de Saraz. Em Morte d'Arthur, de Malory, Saraz (Sarras)  apresentado como o reino do rei 
Evelake, mencionado na histria de Galahad, filho de Lancelot. O conto comea quando Galahad herda um escudo sobrenatural do Cristo, e encontra o misterioso Cavaleiro 
Branco:

"E em pouco tempo apareceu Galahad, quando o cavaleiro branco dele se aproximou pelo eremitrio, e os dois se cumprimentaram cortesmente. 'Senhor", disse Sir Galahad, 
'por este escudo, muitas maravilhas se sucederam.' 'Senhor', disse o cavaleiro, 'aconteceu no trigsimo segundo ano aps a Paixo de Nosso Senhor Jesus Cristo que 
Jos de Arimatia, o gentil cavaleiro, que tirou Nosso Senhor da Cruz sagrada, partiu de Jerusalm com um grande grupo dos seus. E ele pelejou at chegar a uma cidade 
chamada Sarras. E na poca em que l chegou, havia um rei chamado Evelake, que fazia uma grande guerra contra os sarracenos, e especialmente um sarraceno, que era 
primo de Evelake, um rei rico e poderoso, que marchou por estas terras, e seu nome era Tolleme le Feintes. Assim, um dia os dois se encontraram em batalha...'."
Saraz era Sahar-Azzah, na costa mediterrnea - talvez mais bem conhecida como Gaza, o antigo centro filisteu onde Sanso encontrou seu fim (Juzes 16).
No h registros de um rei Evelake, mas o nome  uma variante literria do ttulo Avallach, encontrado em vrias genealogias de soberanos e santos. Era uma palavra 
sujeita a muitas formas diferentes (como Abalech, Arabach e Amalach), mas todas derivadas do termo egpcio-grego Alabarch. Novamente, a palavra no representa um 
nome (nem sobrenome ou nome de famlia), mas um ttulo. So Jernimo (340-420 d.C.), tradutor da Bblia para o latim, dizia que Tibrio Alexandre, o procurador da 
Judia a partir de 46 d.C., era filho de Alexandre Lismaco, alabarch de Alexandria. Em essncia (embora politicamente aplicado a magistrados responsveis pela justia 
entre os judeus), o termo alabarch indicava um lder (chefe) de comunidade.
O conto do Cavaleiro Branco dizia (como vimos acima) que o inimigo sarraceno de Evelake era Tolleme le Feintes (Tolomeu, o fingido, ou falso), tambm mencionado 
em The Antiguities, de Josefo:

"Tolomeu, o arquiladro, foi finalmente trazido em correntes, e morto; mas no sem antes ter espalhado mal e destruio entre os idumeus e rabes" .

A pessoa diante da qual Tolomeu foi apresentado era o procurador da Judia, Cspio Fado (o antecessor de Tibrio Alexandre), que mandou executar Tolomeu por volta 
de 45 d.C.

O Cavaleiro Branco continuou sua histria, contando que o bispo Josefes informou ao rei Evelake que este seria morto por Tolleme le Feintes, a menos que abandonasse 
a crena na velha lei e acreditasse na nova lei: "E ento, l, ele lhe mostrou a f verdadeira da Santssima Trindade". Evelake se converteu imediatamente, e o Escudo 
do Dignssimo lhe foi dado de presente, o que lhe permitiu derrotar Tolleme. Posteriormente, Josefes batizou o rei Evelake antes de sair para pregar o Evangelho 
na Gr-Bretanha.
A fora do enigmtico escudo branco estava em sua cruz vermelha, e num vu mstico que ia diante do escudo, com o nome de Jesus. Isso faz lembrar a converso do 
filho de Vespasiano. Conforme narrado na Vindicta Salvatoris , ele foi curado de lepra por um sudrio etreo que trazia a efigie do Messias.
Para concluir, o Cavaleiro Branco relatou que, seguindo as instrues de Josefes, o escudo foi guardado com toda a segurana pelo santo eremita Nacien. Ficou com 
ele numa abadia aps sua morte, para ser resgatado um dia por Sir Galahad. Nas palavras do bispo Josefes, pouco antes de morrer: "O ltimo de minha linhagem o usar 
em volta do pescoo, e com ele realizar muitas maravilhas".
Em De Sancto Joseph e outras fontes, Nacien (ou Nacion)  descrito no como um eremita, mas como um prncipe da Mdia. Historicamente, o prncipe Nascien, de Septimanian 
Midi, era o ancestral do sculo V dos reis francos merovngios, e entre seus descendentes tambm se incluam os Senescais (Stewards, ou servos) de Dol e Dinan, na 
Bretanha. Esses poderosos mordomos-mor eram descendentes da me de Lancelot, Viviane II del Acqs, rainha dinstica de Avalon, e foram os progenitores da mais influente 
linhagem dos desposyni - a Casa Real Escocesa de Stewart.

MISSES APOSTLICAS NO OCIDENTE

Uma das pessoas mais prestativas a Maria Madalena em Provena foi seu amigo Simo Zelote, que, no mais na condio de Pai ativo, assumiu o ttulo que lhe fora dado 
por Jesus na ressurreio - o do ecnomo (mordomo) de Abrao Eliezer ou Lzaro. Sob esse nome, ele se tornou o primeiro bispo de Marselha e sua esttua est na igreja 
de So Vtor. Uma passagem da nave da igreja d para uma capela subterrnea (localizada na antiga residncia de Lzaro), que era fortemente guardada pelos monges, 
nos primeiros dias. Foi Lzaro (tambm conhecido como o Grande Mximo) quem enterrou Maria Madalena em seu sepulcro original de alabastro, em St. Maximin, 63 d.C. 
Antes disso, ele estivera em Jerusalm e Antioquia por algum. tempo e, depois da morte de Maria, voltou a Jerusalm e  Jordnia antes de retomar e se juntar a Jos 
de Arimatia.
Na Gr-Bretanha, porm, Lzaro era mais conhecido por seu nome apostlico, Simo Zelote. Niceforo (758-829), o patriarca de Constantinopla e historiador bizantino, 
escreveu que "So Simo, sobrenome Zelo te, viajou pelo Egito e frica, depois pela Mauritnia e por toda a Lbia, pregando o Evangelho. E a mesma doutrina ele ensinou 
aos povos do mar Ocidental e das ilhas chamadas britnicas".

Aproximadamente cinco sculos antes, em 303 d.C., o bispo Doroteu de Tiro tinha escrito em suas Synopsis de Apostole que "Simo Zelote pregava o Cristo por toda 
a Mauritnia e frica Menor. Acabou sendo crucificado nas ilhas britnicas, morto e sepultado". Os Annales Ecclesiasticae do cardeal Barnio, de 1601, tambm confirmam 
o martrio de Simo na Gr-Bretanha. Ele foi crucificado pelos romanos, sob as ordens de Cato Deciano, em Caistor, Lincolnshire. Por pedido do prprio santo, porm, 
seus restos mortais foram posteriormente colocados junto com os de Maria Madalena, em Provena.
Tambm associado a Jos de Arimatia na Gr-Bretanha era o tio de Rerodes Agripa, Aristbulo, que fora um especial aliado de Maria Madalena quando ele recebeu proteo 
em Vienne, fora de Lyon. Alguns comentaristas sugerem que um Aristbulo mais jovem (o segundo marido da fatal danarina Salom) era confederado de Maria, mas na 
poca estava ocupando o cargo de regente para o rei, na Altnnia Menor. O Aristbulo Coiteto  descrito nos textos que o citam na Gr-Bretanha; eles se referem devidamente 
a ele como Arwystli Ren (Aristbulo, o Velho) e a cidade de Arwystli em Powys recebeu seu nome. Ele era irmo de Herodes Agripa I, Herodes de Clcis e Herodias (a 
me de Salom).
Os escritos do clrigo romano, Hiplito (nascido por volta de 160 d.C.), apresentam Aristbulo como um bispo dos bretes. Cressy afirma que ele era um bispo na Gr-Bretanha, 
ordenado pelo prprio So Paulo. A Martirologia da Igreja Grega afirma que Aristbulo foi martirizado na Gr-Bretanha "aps ter construdo igrejas e ordenado diconos 
e padres para a ilha". Esse fato  confirmado por Santo Ado (800-874), arcebispo de Vienne, em Adonis Martyrologia. Anteriormente, em 303 d.C., So Doroteu, bispo 
de Tiro, escreveu que Aristbulo estava na Gr-Bretanha quando So Paulo enviou cumprimentos  sua casa em Roma: "Saudai os da casa de Aristbulo" (Romanos 16:10). 
E a obra jesuta Regia Fides afirma tambm: " absolutamente certo que antes de So Paulo chegar a Roma, Aristbulo se encontrava na Gr Bretanha". Na verdade, ele 
foi executado pelos romanos em Verulamium (S1. Albans) em 59 d.C.
Alm de ser conhecido como Jos de Arimatia, So Tiago, o Justo era chamado de Ilid pelos cronistas do pas de Gales. Ele era o patrono de Llan Ilid em Gwent, tendo 
fundado uma misso em Cor-Eurgian. O Cwydd to St. Mary Magdalene, no Gestyn Ceriog, refere-se a Jos como Ilid, assim como o manuscrito de The Sayings of the Wise, 
ou os ditos dos sbios. O nome Ilid  considerado uma variante do hebraico Eli (que significa "meu Deus" ou "elevado"). A Achan Sant Prydain (Genealogia dos Santos 
da Gr-Bretanha) diz que "veio com Brn, o Abenoado de Roma, para a Gr-Bretanha, Arwystli Hen, Ilid, Cyndaff - homens de Israel- e Maw ou Mawan, filho de Cyndaf'. 
O arquidruida de Silria, Brn, o Abenoado, casou-se com a filha de Jos de Arimatia, Ana (Enygeus), que s vezes  mencionada arbitrariamente como uma "consabrina" 
da bem-aventurada Maria (nesse caso, a me de Jesus). Como Jos j foi erroneamente descrito como tio de Maria, acredita-se que a palavra "consabrina" talvez denote 
uma prima. Na prtica, porm, a palavra era muito obscura e denotava nada mais que uma parenta mais nova. Era, portanto, o termo perfeito para ser usado em relacionamentos 
genealgicos no-especficos, ou quando se considerava necessrio que estes permanecessem velados.
Em 51 d.C., Brn foi feito refm e levado a Roma com Caractaco, o Pendragon. Residente em Roma, Gladys, a filha mais nova de Caractaco, casou-se com o senador Rufu 
Prudente e se tomou Cludia Rufina Britnica (como confirma o poeta romano, Marcial, por volta de 68 d.C.). A outra filha de Caractaco era Santa Eurgen de Llan llid 
(esposa de Salog, Senhor de Salisbury). O afamado filho de Caractaco, prncipe Lino, se tomou primeiro bispo nomeado de Roma. Em sua segunda epstola a Tunteo 4:21 
(Novo Testamento), Paulo escreve: ''ubulo te envia saudaes; o mesmo fazem Prudente, Lino, Cludia e os irmos todos". ubulo (eu-boulos: "bem precavido" ou "prudente") 
era uma variao de Aristbulo (aristo-boulos: "o mais bem precavido" ou "mais nobre em conselho").
Na Gr-Bretanha, as atividades de Jos de Arimatia eram mantidas por um crculo fechado de doze anacoretas celibatrios (devotos reclusos). Quando um deles morria, 
era substitudo por outro. Nas histrias do Graal, esses anacoretas eram chamados de "os irmos de Alain (Galains)", que era um dos membros. Nessa condio, eles 
eram filhos simblicos de Brn, o patriarca (o Pai na antiga ordem, ao contrrio da nova intitulao de bispo de Roma). Por isso, em parte da literatura, Alain  
definido como o filho de Brn (Bron). Entretanto, aps a morte de Jos em 82 d.C, o grupo se desintegrou - principalmente porque o controle romano tinha mudado para 
sempre o carter da Inglaterra.
J vimos que uma grande confuso reinava por causa dos vrios nomes atribudos a Jos (Jos de Arimatia, So Tiago, o Justo, Ilid e assim por diante), mas  evidente 
que certas obras do folclore popular contriburam muito para confundir ainda mais a questo das linhagens descendentes aps essa poca. Tais obras incluem Brutos, 
as Trifades, o Mabinogion, e Cycles of the Kings. Historicamente, so todas importantes por no serem inteiramente fictcias, e a maioria das tradies , por sua 
prpria natureza, baseada em fatos antigos. Mas esses contos so propositadamente romnticos em construo e, como resultado, muitos historiadores cticos os atacaram 
cruelmente. Igualmente lamentvel  o fato de outros escritores terem se deixado levar exageradamente por essas obras semi-imaginativas. Conseqentemente, uma boa 
dose de informaes impossveis do ponto de vista genealgico est contida em livros que parecem se basear em fontes fidedignas.
Infelizmente tambm, a literatura romntica d pouca ateno  cronologia correta, e os personagens relevantes se espalham aleatoriamente pelos textos aventurosos. 
The High History of the Holy Graal (A Grande Histria do Santo Graal - c.1220)  um bom exemplo disso, dizendo que Percival (um seguidor de Artur, no sculo VI) 
era neto de Jos de Arimatia, do sculo I: "Bom cavaleiro ele era, pois sua linhagem vinha de Jos de Arimatia, e esse Jos era o tio de sua me".
 Pedro nunca foi formalmente nomeado bispo de Roma. Lino nomeado por Paulo em 58 d.C. (enquanto Pedro ainda estava vivo: Constituies Apostlicas) - foi, portanto, 
o primeiro papa.

O NOVO CRISTIANISMO

O BOM REI LCIO

Em meados do sculo II, o rei Lcio, bisneto de Arvirago, reviveu o esprito dos primeiros discpulos na Gr-Bretanha. Ao faz-lo, ele foi considerado aquele que 
"aumentou a luz" dos primeiros missionrios de Jos e, como tal, ficou conhecido como Lleiffer Mawr (O Grande Luminar). Sua filha, Eurgen, proporcionou o primeiro 
elo entre as duas sucesses principais de Davi - uma de Jesus e a outra de Tiago (Jos de Arimatia) quando casou com Aminadab, o bisneto de Jesus e Maria Madalena 
na descendncia de Josefes, que tinha se tomado o bispo nazireu de Saras (Gaza).
Lcio reconheceu abertamente o Cristianismo em Winchester em 156 d.C. e sua causa foi exaltada em 177 d.C. por uma perseguio romana em massa dos cristos na Glia. 
Esta foi particularmente imposta nas antigas regies de Herodes, Lyon e Vienne, onde Santo Irineu e 19 mil cristos foram condenados  morte 30 anos depois. Durante 
a perseguio, muitos cristos gauleses fugiram para a Gr-Bretanha, principalmente para Glastonbury, onde procuraram o auxlio do bom rei Lcio. Este, por sua vez, 
foi procurar Eleutrio, bispo de Roma, para pedir conselhos (isso,  claro, se deu antes dos dias da Igreja Romana Imperial). Lcio escreveu com toda franqueza a 
Eleutrio, pedindo instrues para seu governo cristo.
A carta em resposta, contida no Sacrorum Concilio rum Collectio, ainda existe em Roma. Eleutrio sugeriu que um bom rei sempre tinha a liberdade de rejeitar as leis 
de Roma, mas no a lei de Deus. O trecho seguinte  uma traduo:
"Os fiis cristos, como todo o povo do reino, devem ser considerados filhos do rei. Vivem sob a tua proteo... Um rei  conhecido por seu governo, no pelo poder 
que ele retm sobre a terra. Enquanto tu governares bem, sers um rei. Se no fizeres isso, o nome do rei no perdurar, e perders o nome de rei" .
John Capgrave (1393-1464), o mais erudito dos frades agostinianos, e o arcebispo Ussher, em sua obra, De Brittanicarum Ecclesiarum Primordiis, contam que Lcio enviou 
os missionrios Medway e Elfan a Roma, para transmitir sua mensagem pedindo conselhos. Eles retomaram com os emissrios do bispo, Fagano e Duvano (que os anais galeses 
mencionam como Fagan e Dyfan), cuja jornada foi confirmada por Gildas no sculo VI. O Venervel Bede de Jarrow (673-735) tambm escreveu a respeito do apelo do rei, 
mencionado na Crnica Anglo-saxnica.
Fagan e Dyfan reinstituram a velha ordem dos anacoretas em Glastonbury, e desde ento  atribudo a eles o crdito da segunda fundao do Cristianismo na Gr-Bretanha. 
Em seguida, a fama de Lcio se espalhou muito. Ele j era reconhecido como o construtor da primeira torre de Glastonbury em St. Michael's Tor, em 167 d.C., e agora 
a igreja em Llandaff foi dedicada a ele como Lleurwgg, o Grande.
Mais impressionante ainda, Lcio foi o responsvel pela fundao do primeiro arcebispado cristo em Londres. Uma placa em latim acima da lareira na sacristia da 
igreja de St. Peter, Cornhill, na parte velha de Londres, diz:

"No ano de nosso Senhor  , Lcio, o primeiro rei cristo desta ilha hoje chamada de Gr -Bretanha, fundou a primeira igreja em Londres, bem conhecida como a Igreja 
de St. Peter [So Pedro] em Cornhill; e fundou l a sede do arcebispado, e fez dela a igreja metropolitana e principal de seu reino. E assim, ela permaneceu pelo 
espao de quatrocentos anos at a chegada de Santo Agostinho... E ento, a sede e o plio do arcebispado foram transladados da referida igreja de St. Peter em Cornhill 
para Dorobenia, hoje chamada de Canterbury".
O conselho dado pelo arcebispo Eleutrio em resposta ao apelo do bom rei Lcio  fascinante, pois respeita totalmente o princpio de servio que permeia o Cdigo 
Messinico do Graal. Os reis das dinastias do Graal na Gr-Bretanha e na Frana sempre trabalharam com esta base: eram os Pais Comuns do povo, nunca governantes 
das terras (o segundo ttulo era um conceito particularmente feudal e imperial que comprometia completamente o Cdigo). Eles compreendiam, por exemplo, a importante 
diferena entre ser rei dos francos e rei da Frana, ou reis dos escoceses e reis da Esccia. Por isso, os monarcas do Graal eram capazes de valorizar suas naes, 
em vez de valorizar os clrigos e polticos.
A partir do momento em que uma monarquia nacional se torna regulamentada por Atos do Parlamento e decretos da Igreja, os ttulos de rei ou rainha so inteis. Sob 
tais circunstncias, ningum tem autoridade suficiente para se equiparar com a da Igreja ou Parlamento e, portanto, ningum pode agir em nome do povo. Os reis do 
Graal eram definidos como Guardies do Reino e, nesse sentido, o conselho do bispo Eleutrio a Lcio foi ao mesmo tempo profundo e iluminado: "Todas as pessoas do 
reino devem ser consideradas filhos do rei. Vivem sob a tua proteo".

SO MIGUEL

A Capela de So Miguel (Tor Chapel Of St. Michael), Glastonbury, foi estabelecida pelo rei Lcio em cima de um antigo stio pago. Trilhas histricas conduzem a 
esse lugar, vindo do Monte de So Miguel, Marazion - e passando por vrias igrejas de So Miguel: em Brentor, Burrowbridge Mump, Othery e mais alm. Recentemente, 
os autores Paul Broadhurst e Hamish Miller lanaram um livro fascinante, The Dance of the Dragon, que identifica o eixo So Miguel/Apolo desde a Irlanda, passando 
pelo sudeste da Inglaterra, Frana, Itlia, Grcia e Israel.
So Miguel, a quem tantas igrejas foram dedicadas, no era um clrigo tradicional nem um santo mrtir, mas  o equivalente ao arcanjo Miguel, mencionado apenas uma 
vez no Novo Testamento (Apocalipse 12:7). Em seu livro escrito no primeiro sculo d.C., The Wars of the Jews, Flavius Josephus confirmou que os essnios de Qumr 
juraram preservar os nomes dos anjos em sua hierarquia sacerdotal. O portador do ttulo anglico Miguel era o sacerdote Zadoque. Descendente do Zadoque original 
da era do rei Davi, o Miguel da poca de Jesus era Joo Batista, que herdara o posto de seu pai Zacarias.
At aquele momento, o rei de jure da descendncia de Davi sempre fora categorizado separadamente dos sacerdotes anglicos Miguel, Gabriel, Sariel e Rafael. No entanto, 
tanto as linhagens Zadoque como as de Davi eram estritamente dinsticas, mas quando Joo Batista morreu, no deixou sucessor. Jesus tentou em diversas ocasies ganhar 
reconhecimento como sacerdote; ele at se promoveu visivelmente como tal no evento que ficou conhecido como Transfigurao. Mas s na Ascenso seu sacerdcio foi 
formalizado, quando ele foi levado ao Reino do Cu (o alto monastrio) para se tomar sumo sacerdote (Hebreus 3:1) na Ordem de Melquisedeque (Hebreus 5:6). Sua funo 
dinstica se tomou duplamente messinica: a de rei sacerdote (ou como dizem as histrias do Graal, um Rei Pescador). Pela primeira vez desde a era de Davi e Zadoque, 
os ttulos reais e anglicos se juntavam em um, sendo Jesus tanto o Davi como o Miguel:

"Onde Jesus, como precursor, entrou por ns, tendo se tomado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 6:20)".
Fragmentos do documento do prncipe Melquisedeque encontrados entre os Pergaminhos do Mar Morto indicam que Melquisedeque e Miguel eram a mesma pessoa.  essa representao 
que aparece no livro do Apocalipse quando o arcanjo Miguel (o poder Zadoque descendente do Messias) luta com o drago da opresso romana. De modo semelhante, o documento 
Qurnr Damasco confirma que os ttulos de Zadoque e Melquisedeque eram equivalentes e sustentavam um ao outro. Em essncia, como Zadoque era a suprema designao 
de sumo sacerdote, e como Melqui (ou Ma1co) significava rei,  evidente que o ttulo de Melquisedeque indicava a inter-relao rei/sacerdote.
Hebreus 7:14 descarta totalmente a noo interpretada do Evangelho acerca da concepo imaculada, confirmando que o verdadeiro pai de Jesus era Jos: "Pois  evidente 
que nosso Senhor procedeu de Jud, tribo  qual Moiss nunca atribuiu sacerdotes". Tambm  explicado que a lei a respeito do sacerdcio foi mudada para acomodar 
a nova distino anglica de Jesus (Hebreus 7: 12).
Desde ento, a sucesso dinstica de Melquisedeque (Melqui-Zadoque) dependia da linha masculina de Jesus, descendendo atravs dos Reis Pescadores. Essa era a linhagem 
do Sangral de Davi - Sangue Real de Jud, conhecida mais romanticamente como a Fannlia do Graal. No princpio, eles no eram monarcas propriamente ditos (de facto), 
mas reis sacerdotes por direito (de jure). Somente no sculo V (quando o rei pescador descendente Faramund se casou com a princesa Argotta, herdeira dos francos 
sicambros) a linhagem crist comea sua impressionante ascenso  proeminncia.
No  coincidncia a presena de So Miguel registrada na regio da Comulia (Inglaterra) por volta de 495 d.C. e na Glia por volta de 580. Cada descendente mais 
velho na linhagem do Graal era o Miguel dinstico, e a cidade de Marazion (na Comulia) tinha origens judaicas - seu nome (que significa mercado de Sio)  um sinnimo 
de Jerusalm. Do outro lado de Marazion, numa espcie de calado com baixa mar, fica o monte de So Miguel - o local de um antigo mosteiro celta. Ele se tornou 
um convento beneditino no sculo VIII e era o nome de uma cela da abadia de St. Michel (So Miguel), na Bretanha.        

ASCENSO DA IGREJA ROMANA

Em 66 d.C., um sacerdote novato, Flavius Josephus, foi nomeado comandante em defesa da Galilia. Ele tinha sido treinado para o sacerdcio fariseu, mas aceitou o 
servio militar quando os judeus se rebelaram contra os senhores romanos. Josephus acabou se tomando o mais importante historiador da poca e seus escritos, traduzidos 
para o ingls com os ttulos de The Wars of the Jews e The Antiquities of the Jews, do-nos uma boa idia da longa e complexa histria da nao desde os tempos dos 
patriarcas at os anos da opresso romana. No contexto de sua obra,  interessante observarmos sua referncia a Jesus. Ela o coloca firmemente dentro da estrutura 
histrica do tempo, mas sem a menor meno de sua divindade ou de alguma imagem das escrituras:

"Foi mais ou menos nessa poca que Jesus surgiu - um homem sbio, se  que se pode cham-Io de homem, pois era um realizador de milagres. Um professor de quem os 
homens recebiam o conhecimento com prazer, e para si ele atraiu muitos dos judeus, alm de muitos dos gentios. Ele era o Cristo; e quando Pilatos - por sugesto 
dos principais homens dentre ns - condenou-o  crucificao, aqueles que o amavam desde o incio no o abandonaram, pois ele apareceu a eles vivo novamente, no 
terceiro dia - exatamente como os santos profetas haviam previsto, alm de outras dez mil coisas maravilhosas acerca dele, igualmente previstas. E a seita crist 
- cujo nome vem dele continua em plena existncia ainda hoje".
O opus erudito de Josephus, com mais de 60 mil linhas manuscritas, foi escrito durante os anos 80 d.C., quando ele estava em Roma, de onde surgira o Evangelho de 
Marcos, um pouco antes. Embora Pedro e Paulo tenham sido executados durante o regime de Nero, os textos dos Evangelhos da poca no eram, de fato, anti-romanos. 
Na verdade, os primeiros cristos eram mais propensos a culpar os judeus (em vez de Pilatos) pela perseguio de Jesus e, como a revolta dos judeus de 66-70 d.C. 
falhou, eles acreditavam firmemente que Deus tinha mudado sua Aliana para, agora, com os cristos.
A despeito disso, a posio dos cristos no Imprio Romano cada vez mais expandido era precria; eles eram uma minoria, sem status legal. Da crucificao de Pedro, 
ordenada por Nero, at o Edito de Milo, em 313 d.C. (quando o Cristianismo foi oficialmente reconhecido), houve nada menos que 30 bispos cristos de Roma nomeados. 
O primeiro bispo, nomeado por Paulo ainda nos dias de Pedro, em 58 d.C., foi o prncipe Lino da Gr-Bretanha, filho do rei Caractaco (s vezes, Lino  descrito como 
escravo, mas isso foi uma propaganda posterior impetrada pela Igreja, e retomaremos esse assunto mais adiante por ser de extrema importncia).
Por volta de 120 d.C., as nomeaes individuais tinham se tomado a prerrogativa da eleio de grupos e os candidatos tinham de ser cidados de Roma. Na poca do 
bispo Higino (136 d.C.), havia pouca ou nenhuma ligao entre os cristos paulinos e os seguidores da doutrina judaica de Jesus. Estes ltimos haviam se assentado 
principalmente na Mesopotmia, na Sria, no sul da Turquia e no Egito - alm dos movimentos estabelecidos na Gr-Bretanha e na Glia. Enquanto isso, os cristos 
de Roma eram constantemente suprimidos porque suas crenas aparentemente desafiavam a divindade tradicional dos Csares (imperadores). Com o passar do tempo, a supresso 
se tomou ainda mais severa, at chegar s propores experimentadas no reinado de Nero e se transformar em perseguio deflagrada.
A religio prevalecente de Roma imperial era politesta (culto a muitos deuses) e tinha emanado grandemente da venerao de deidades naturais como as das florestas 
e das guas. Enquanto Roma crescia  condio de Estado, os deuses de seus vizinhos etruscos e sabinos tinham sido incorporados. Entre eles se incluam Jpiter (o 
deus do cu) e Marte (o deus da guerra). Os cultos de origem grega tambm foram assimilados e, a partir de 204 a.C., as orgias de Cibele (a deusa asitica da terra) 
se tomaram evidentes, logo emuladas pelos rituais hedonistas de DionsiolBaco (o deus do vinho).  medida que o Imprio Romano se espalhava para o leste, o culto 
esotrico de sis, a Me Universal, tambm foi introduzido, junto  venerao persa de Mitra (deus da luz, da verdade e da justia). Por fIm, a religio solar sria 
de Sollnvictus (o inconquistado e inconquistvel sol) se tomou a grande crena geral. Sua viso do Sol como supremo doador da vida fazia com que todos os outros 
cultos se inclussem nela, sendo o imperador a encarnao terrestre da divindade.
Em meados do sculo II, os nazarenos originais (seguidores dos ensinamentos de Jesus e Tiago) no s eram impopulares com as autoridades romanas, mas tambm eram 
rechaados pelos cristos paulinos - particularmente por Irineu, bispo de Lyon (nascido c. 120 d.C.). Ele os condenava como hereges por afirmarem que Jesus era um 
homem, e no de origem divina, conforme ditava a nova F. Na verdade, ele chegou a declarar que o prprio Jesus praticava a religio errada e estava pessoalmente 
enganado em suas crenas! Irineu escreveu a respeito dos nazarenos, que ele chamava de ebionites (pobres), dizendo:

"Eles, como o prprio Jesus e como os essnios e Zadoques de dois sculos antes, deixam-se guiar pelos livros profticos do Antigo Testamento. Rejeitam as epstolas 
de Paulo e rejeitam o apstolo Paulo, chamando-o de apstata da Lei".

Como forma de retaliao, os nazarenos da Igreja originada com os desposyni denunciavam Paulo como um "renegado" e "falso apstolo", afirmando que seus escritos 
idlatras deveriam ser totalmente rejeitados.
Em 135 d.C., Jerusalm foi novamente massacrada pelos exrcitos romanos - dessa vez sob ordens do imperador Adriano - e os judeus sobreviventes se espalharam. Aqueles 
que permaneceram na Palestina se contentavam (em seu desespero diante da derrota militar final) em se ocupar somente com a lei e a religio rabnica. Enquanto isso, 
a seita paulina (agora totalmente separada de suas origens judaicas) estava se tomando cada vez mais problemtica aos olhos das autoridades.
Tendo alcanado o pico de sua glria na era de Adriano (117-138 d.C.), o imperialismo romano comeou a declinar com Cmodo. Seu governo ineficiente (180-192 d.C.) 
incitou muita desunio, levando a uma guerra civil que durou dcadas, jogando vrios generais uns contra os outros e contra o governo central. Um conflito surgiu 
quanto a quem deveria usar a coroa, e faces rivais do exrcito comearam a escolher soberanos prprios. O imperador Lcio Severo (193-211 d.C.) conseguiu restaurar 
parte da ordem com o uso judicioso da Guarda Pretoriana (exrcito pessoal do imperador), mas sua disciplina no durou muito. Durante todo o sculo m, as disputas 
internas deixaram as fronteiras do imprio abertas, vulnerveis a ataques dos sarracenos da Prsia e dos gados das regies do mar Negro.
Em 135 d.C., o imperador Maximino decretou que todos os bispos e sacerdotes cristos deveriam ser aprisionados, seus bens pessoais confiscados e suas igrejas incendiadas. 
Os cativos foram sentenciados a vrias formas de punio e escravido, incluindo servido penal nas minas de chumbo em Sardenha. Ao chegarem, cada cativo teria um 
olho arrancado e o p esquerdo e o joelho direito danificados para restringir seus movimentos. Alm disso, os homens seriam castrados. Se isso no fosse suficiente, 
eles seriam acorrentados da cintura aos tornozelos para que no pudessem ficar eretos, e as correntes seriam permanentemente soldadas. Como se poderia esperar, a 
maioria no sobreviveu por mais que alguns meses. Naqueles dias, ser cristo era perigoso, mas ser um lder conhecido era um atestado de morte pessoal.
Na poca do imperador Dcio (249 d.C.), os cristos tinham se tornado to rebeldes que foram declarados criminosos, e a perseguio em massa a eles comeou com base 
oficial. Isso continuou at o reinado de Diocleciano, que se tomou imperador em 284 d.C. Este acabou com qualquer vestgio de procedimento democrtico e instituiu 
uma monarquia absoluta. Os cristos eram obrigados a oferecer sacrifcios ao divino imperador e sofriam as mais duras punies por desobedincia. Foi decretado que 
todas as casas de reunio dos cristos fossem demolidas, e os discpulos que oferecessem assemblias alternativas seriam condenados  morte. Toda propriedade da 
Igreja foi confiscada pelos magistrados, enquanto todos os livros, testamentos e doutrinas escritas da f foram queimados em praa pblica. Cristos de qualquer 
estirpe no podiam exercer cargo pblico e os escravos cristos no tinham a menor esperana de liberdade. A proteo da lei romana foi suspensa e aqueles que contestavam 
os editos eram queimados vivos lentamente ou comidos por animais nas arenas.
Diocleciano tentou rechaar as persistentes agresses dos invasores brbaros, descentralizando o controle e estabelecendo duas divises do imprio. A partir de 293 
d.C., o imprio ocidental passou a ser administrado da Glia, enquanto o oriental se centralizava em Bizncio, na (atual) regio noroeste da Turquia. Mas os ataques 
continuaram, em particular com novas invases ocidentais por parte das tribos germnicas dos francos e alemnicos, que anteriormente no tinham conseguido atravessar 
o Reno. Os romanos j no eram mais um poder invasor; agora eram eles as constantes vtimas de insurgncia de todos os lados.
Um dos mais cruis perseguidores no regime de Diocleciano foi Galrio, governador das provncias orientais. Ele ordenou que qualquer pessoa que no venerasse o imperador 
acima de tudo fosse executada de forma dolorosa. Pouco antes de sua morte em 311 d.C., porm, Galrio emitiu um surpreendente decreto de tolerncia, dando aos cristos 
o direito de "se reunir em seus conventculos sem medo de serem molestados". Depois de dois sculos e meio de terror e supresso, os cristos entravam numa nova 
era de liberdade condicional.
Em 312 d.C., Constantino se tomou imperador no Ocidente - governando em conjunto com Licnio no Oriente. Nessa poca, o Cristianismo tinha aumentado consideravelmente 
em nmero de seguidores e florescia na Inglaterra, Alemanha, Frana, Portugal, Grcia, Turquia e todos os cantos do domnio romano. Na verdade, os evangelistas cristos 
eram mais capazes de subjugar os brbaros do que as legies de Roma - mesmo em lugares distantes como a Prsia e a sia Central. No era preciso muita imaginao 
para Constantino perceber que, enquanto seu imprio se desmoronava, poderia haver algum mrito prtico em abraar o Cristianismo. Ele via no Cristianismo uma fora 
unificadora que certamente poderia ser usada para vantagem estratgica dele mesmo.        .
Embora Constantino fosse o sucessor de seu pai, ele tinha um rival para a suprema posio imperial, na pessoa de seu cunhado, Maxncio. Em 312 d.C., seus exrcitos 
se encontraram na ponte Milvian (ligeiramente fora de Roma) e Constantino foi vitorioso. A campanha foi a melhor oportunidade para ele estabelecer sua afiliao 
pessoal com o Cristianismo, e ele anunciou que tinha tido a viso de uma cruz no cu, acompanhada pelas palavras "com este sinal, conquistas". Os lderes cristos 
ficaram muito impressionados que um imperador romano marchasse para a vitria portando a bandeira deles.
Constantino mandou chamar o idoso bispo Miltades. O propsito do imperador no era se filiar  F sob a autoridade do bispo de Roma, mas assumir a Igreja Crist 
em sua totalidade. Uma de suas primeiras instrues foi de que os pregos da cruz de Jesus lhe fossem trazidos - um dos quais ele afixaria  sua coroa. Seu pronunciamento 
subseqente ao estupefato Miltades mudaria para sempre a estrutura do Cristianismo: "No futuro, ns, como Apstolo de Cristo, ajudaremos a escolher o Bispo de Roma". 
Declarando-se Apstolo, Constantino proclamou que o magnfico Palcio Laterano seria a futura residncia dos bispos.
Quando Miltades morreu em 314 d.C., ele foi o primeiro bispo de Roma em uma longa sucesso a ter morte natural. De repente, o Cristianismo tinha se tomado respeitvel 
e era aprovado como religio imperial (na verdade, a Religio Imperial). Constantino subseqentemente se tornou Csar de todo o Imprio Romano, em 324 d.C., e passou 
a ser conhecido como Constantino, o Grande.
Para substituir Miltades, Constantino. (quebrando a prtica tradicional) escolheu seu associado, Silvestre, como primeiro bispo imperial. Ele foi coroado com grande 
pompa e cerimnia - uma grande diferena dos obscuros procedimentos comuns ao antigo ritual cristo. Os dias de medo e perseguio tinham acabado, mas o preo alto 
por essa liberdade era a venerao ao imperador - precisamente o que os predecessores cristos tentavam, com tanto afinco, evitar. Os sacerdotes existentes no tinham 
escolha na questo e eram instrudos a aceitar que sua Igreja estava agora formalmente atrelada ao imprio. Era agora a Igreja de Roma.
Silvestre estava entusiasmado demais para perceber a armadilha  qual estava levando os discpulos de So Pedro. Ele s via a rota da salvao oferecida por Constantino. 
Embora esse passo monumental garantisse aos cristos o direito de andar e se pronunciar livremente entre a sociedade, sua hierarquia estava encerrada em ouro, jias 
e todo o aparato que o prprio Cristo negava. Muitos seguidores da F se sentiam ultrajados, pois seus lderes tinham sido seduzidos e corrompidos pelo prprio regime 
que banira seus ancestrais. Eles declaravam que o novo status de aceitabilidade no era uma vitria da converso; era uma nuvem maligna de derrota absoluta - uma 
profanao de todos os princpios considerados to sagrados.
At aquele ponto, a mensagem crist vinha ganhando apoio em todos os setores. Aqueles que pregavam o Evangelho sabiam que Constantino e seus predecessores estavam 
seriamente enfraquecidos diante do sucesso gradual e evidente do Cristianismo. Afinal de contas, aquele fora o motivo pelo qual o pai de Constantino tinha se casado 
com a princesa crist da Gr-Bretanha, Elaine (Santa Helena). Silvestre e seus colegas em Roma talvez tenham considerado a nova aliana uma manobra politicamente 
segura, mas os emissrios no campo a viam exatamente como era: um suborno estratgico por parte do inimigo. Afirmavam que a mensagem espiritual de So Pedro fora 
subvertida pela idolatria de um poder ganancioso, no esforo de impedir sua queda imperial. Em termos reais, o verdadeiro propsito do Cristianismo tinha sido anulado 
pelo novo regime. Aps quase trs sculos de esforo e luta, o ideal de Jesus fora totalmente abandonado entregue em uma bandeja para ser devorado por seus adversrios.
 parte os vrios cultos, os romanos vinham venerando seus imperadores como deuses descendentes de outros deuses, como Netuno e Jpiter. No Conclio de Arles, em 
314 d.C., Constantino reteve seu status divino, introduzindo o Deus onipotente dos cristos como seu patrono pessoal. A partir da, ele lidou com as anomalias da 
doutrina, substituindo certos aspectos do ritual cristo pelas tradies pags familiares de adorao ao sol, alm de outros ensinamentos de origem sria e persa. 
Em suma, a nova religio da Igreja Romana fora construda como um hbrido para agradar a todas as faces influentes. Com essa estratgia, Constantino almejava uma 
religio comum e unificada (Catlica significa universal), sendo ele prprio o lder.


SANTA HELENA

Desde a publicao original de A Linhagem do Santo Graal, em 1996, vrios leitores tm mencionado que o retrato que o livro faz da herana real de Santa Helena difere 
do que  ensinado pela Igreja. E difere mesmo, pois o caso de Santa Helena  um bom exemplo de como as histrias pessoais tm sido manipuladas para satisfazer aos 
interesses estratgicos dos bispos. Por isso, vale a pena examinarmos o modo como o ensinamento propagandista se desenvolveu, nesse sentido.
A palavra "propagandista" no  usada levianamente aqui, pois os ensinamentos da Igreja a respeito de Santa Helena de fato faziam parte da estratgia do Congregatio 
Propaganda Fide. Esse colgio especialmente nomeado da propaganda dos cardeais foi estabelecido em 1662 pelo papa Gregrio XV, e seu nico propsito era "incutir 
a todo custo" dogmas da Igreja, por meio de seus professores e historiadores aprovados, sempre que tais dogmas discordassem dos fatos tradicionais e registrados.
Antes dessa poca, as informaes publicadas a respeito do direito inato da imperatriz Helena eram obtidas a partir de registros britnicos. No que tange  Inglaterra, 
foi somente em 1776 que o historiador ingls Edward Gibbon promoveu a fico romana do nascimento de Helena, ao lanar sua obra History of the Decline and Fali of 
the Roman Empire. A isso se seguiu uma vindicao em 1779, depois que seus relatos esprios dos primeiros anos do Cristianismo foram criticados por estudiosos acadmicos, 
mas Gibbon se convertera ao Catolicismo em 1753 e no hesitou em representar Helena de acordo com a doutrina oficial. Segundo Gibbon, Helena fazia parte de uma famlia 
de estalajadeiros na cidadezinha de Naissus, nos Blcs. Posteriormente, ele confessou que esse detalhe era apenas uma conjectura, mas mesmo assim suas afirmaes 
originais tm sido aceitas literalmente por historiadores e autores de enciclopdias.
Todos os registros anteriores a Gibbon na Gr-Bretanha dizem que a princesa Elaine (greco-romano: Helen; romano: Helena) nasceu e foi criada em Colchester e ficou 
famosa por sua capacidade poltico-administrativa. Seu marido, Constncio, foi proclamado imperador de York (Caer Evroc). Antes disso, em 290 d.C., ele tinha ampliado 
o arcebispado de York a pedido de Helena e foi subseqentemente sepultado em York. Em reconhecimento  peregrinao de Helena  Terra Santa em 326 d.C, a igreja 
de Helena da Cruz foi construda em Colchester, onde o braso da cidade foi estabelecido como sua cruz, com trs coroas de prata no lugar das armas.
Desde a poca da Reforma, e principalmente depois que o Colgio de Propaganda foi institudo, Roma assumiu um programa estruturado de desinformao sobre muitos 
aspectos da histria da Igreja, que prosseguiu com intensidade cada vez maior. Na prtica, porm, a viso romana reestruturada de Helena  extremamente vaga, com 
vrios relatos se contradizendo. Muitos clrigos defendem a teoria dos Blcs, como apregoada por Gibbon; alguns afirmam que Helena teria nascido na Nicomdia e 
outros ainda dizem que ela era natural de Roma.        .
Independentemente dos registros britnicos, as informaes de Roma anteriores a 1662 tambm defendem a herana britnica de Helena - bem como outros escritos na 
Europa. Entre eles havia a Epstola, do sculo XVI, do escritor alemo Melancthon, que escreveu: "Helena foi sem dvida uma princesa britnica". Os registros dos 
jesutas (mesmo o livro jesuta Pilgrim Walks n Rome) afirmam, ao detalhar o nascimento de Constantino na Gr-Bretanha: "Uma das maiores glrias da Inglaterra catlica 
 contar com Santa Helena e Constantino entre seus filhos - sendo Santa Helena a nica filha do rei Coilus" .
O documento romano mais citado para apoiar a mensagem antibritnica  um manuscrito do fim do sculo IV (aps a morte de Helena), de autoria de Amiano Marcelino, 
do qual as informaes originais a respeito de Helena (c.248-328 d.C.) realmente desapareceram! H, no entanto, uma espria nota de margem, dos idos do sculo XVII, 
que cita os detalhes aprovados pela Igreja nos quais os seguidores de Gibbon e outros baseiam suas opinies.
Em meio a tudo isso, a nica pessoa que a Igreja e seus diligentes eruditos preferiram ignorar foi o prprio cardeal de Roma, Barnio, o bibliotecrio do Vaticano 
que compilou os Annales Ecclesiasticae de 1601. Nessa obra, ele diz explicitamente: "Deve ser louco o homem que, diante da antiguidade universal, recuse-se a acreditar 
que Constantino e sua me eram bretes, nascidos na Gr-Bretanha".

RELIGIO E A LINHAGEM

O DEBATE DA TRINDADE

Pelo contedo de muitos livros a respeito do incio do Cristianismo, podemos facilmente imaginar que a Igreja Romana era a verdadeira Igreja de Jesus, enquanto as 
outras crenas relacionadas a ele seriam herticas e profanas. Isso est longe da verdade; muitas ramificaes do Cristianismo eram, na verdade, menos pags que 
a Igreja poltica de Roma. Elas desprezavam os dolos e artimanhas opulentas do ideal romano e foram proibidas por decreto imperial. Os gnsticos, em particular, 
foram condenados como pagos por insistir que o Esprito era bom, mas a Matria era impura. Essa distino certamente no combinava com as atitudes altamente materialistas 
da nova Igreja.
Tambm havia aqueles da tradio nazarena, que defendiam a causa original de Jesus em vez dos excntricos e exuberantes ensinamentos de Paulo, to prontamente adotados 
por Roma. Esses cristos judaicos da escola tradicional controlavam muitas das principais igrejas do Oriente Prximo durante o reinado de Constantino. Alm disso, 
eram liderados simplesmente pelos descendentes da prpria famlia de Jesus: os herdeiros desposyni do Senhor.
Em 318 d.C., uma delegao de Desposyni viajou at Roma e, chegando ao recm-institudo Palcio Laterano, os homens foram recebidos pelo bispo Silvestre. Por meio 
de seu principal porta-voz, Joses (descendente do irmo de Jesus, Judas), os delegados argumentaram que a Igreja deveria, por questo de justia, ter sede em Jerusalm, 
no em Roma. Eles afirmavam que o bispo de Jerusalm deveria ser um verdadeiro herdeiro Desposynos, enquanto os bispos de outros centros importantes (como Alexandria, 
Antioquia e feso) tambm deveriam ser aparentados. Suas exigncias, claro, foram em vo, pois Silvestre no estava em posio de contradizer os decretos do imperador. 
Os ensinamentos de Jesus tinham sido superados por uma doutrina mais adequada s exigncias imperiais e, em termos bem claros, Silvestre informou aos homens que 
o poder de salvao no se encontrava mais com Jesus, mas sim com o imperador Constantino!
O imperador sabia, sem dvida, que Jesus tinha sido venerado por Paulo como Filho de Deus, mas no havia espao para que esse conceito persistisse. Jesus e Deus 
tinham de se fundir em uma entidade nica para que o Filho fosse identificado com o Pai. Sucedeu-se, porm, que Deus foi formalmente definido como Trs Pessoas em 
Uma: uma divindade compreendendo trs partes iguais e co-eternas - o Pai, o Filho e o Esprito Santo. Esses aspectos (pessoas) da Trindade tinham uma semelhana 
perturbadora com os trs ttulos sacerdotais, o Pai, Filho e Esprito, usados muito tempo antes pelos essnios em Qurnr.
Alguns bispos, porm, opunham-se a esse novo dogma. Muitos dos delegados eram telogos cristos da velha escola, que pregavam que Jesus era o Filho, e que o Filho 
fora criado na carne por Deus, mas no era - ele prprio - Deus. O porta-voz lder dessa faco era um idoso sacerdote lbio de Alexandria, chamado rio. Mas quando 
rio se levantou para falar, Nicolas de Mira desferiu-lhe um soco no rosto, acabando com a oposio.
O credo niceno da Trindade de Deus foi estabelecido como a base para a nova, reformada, f crist ortodoxa. Os seguidores de rio (conhecido a partir de ento como 
arianos) foram banidos. Alguns delegados, incluindo o bispo Eusbio de Cesaria, estavam preparados para chegar a um acordo, mas aquilo era inaceitvel e eles foram 
impelidos a aceitar plenamente o novo credo. E assim, com Deus designado como Pai e Filho, Jesus foi convenientemente passado para trs como figura de importncia 
prtica. O imperador era agora considerado a divindade messinica - no s a partir daquele momento, mas por uma herana reservada para ele "desde o incio dos tempos".
Com sua estrutura revisada, a Igreja Romana se sentiu em segurana contra o surgimento de qualquer linha crist alternativa. De fato, com o Jesus histrico estrategicamente 
deixado para trs, a religio crist, dizia-se, recebera seu nome de um homem chamado Cresto, que, em 49 d.C., fora um dos primeiros protagonistas em Roma. Havia 
agora apenas dois objetos oficiais de adorao: a Santssima Trindade de Deus e o prprio Imperador - o novo Salvador nomeado do Mundo. Qualquer um que contestasse 
isso seria declarado herege e os cristos que tentassem manter a lealdade a Jesus como o Cristo Messinico seriam proclamados pagos pela Igreja Imperial.
Alm disso, era costume atravs das geraes que o atual bispo de Roma nomeasse seu sucessor antes de morrer, mas essa tradio foi mudada quando Constantino se 
auto proclamou Apstolo de Deus na Terra. Tornou-se, ento, direito do imperador ratificar nomeaes, e os vrios candidatos freqentemente sofriam violncia, gerando 
grandes ondas de derramamento de sangue nas ruas. A teoria da Sucesso Apostlica foi mantida, mas a candidatura era apenas uma farsa, pois os bispos de Roma passaram 
a ser escolhidos dentre os prprios candidatos do imperador.
Em 330 d.C., Constantino declarou Bizncio a capital do Imprio Oriental (bizantino), mudando-lhe o nome para Constantinopla. No ano seguinte, ele convocou um Conclio 
Geral naquela cidade para ratificar a deciso do Conclio de Nicia. Nessa ocasio, a doutrina de rio (que vinha ganhando um significativo nmero de adeptos) foi 
formalmente declarada blasfema. O controle da Igreja pelo imperador era parte integrante de seu estilo autocrtico; seu governo era absoluto e a Igreja nada mais 
era que um departamento de seu imprio. Silvestre podia ser o bispo nomeado de Roma, mas seu nome mal apareceu em uma seqncia de eventos instigada por Constantino 
e que mudaria para sempre a natureza e o propsito do Cristianismo.
Com essa forma de Cristianismo romano estabelecida como nova religio imperial, um edito ainda mais totalitrio seria passado pelo imperador Teodsio, o Grande (379-395 
d.C.). Em 381 d.C., um segundo Conclio Ecumnico de Constantinopla foi convocado com o propsito de acabar com a oposio ariana. Teodsio achava difcil implementar 
seu exclusivo direito divino de nomeao messinica enquanto os arianos ainda pregavam que o Filho (Jesus) fora criado por Deus e que o Esprito Santo tinha passado 
do Pai para o Filho. Esse conceito tinha de ser esmagado e Jesus precisava ser permanentemente removido do reconhecimento.
Foi, portanto, decretado pela Igreja que a doutrina da Trindade de Deus deveria ser aceita por todos: Deus era o Pai, Deus era o Filho e Deus era o Esprito Santo. 
No poderia mais haver contestao!

DECLNIO DO IMPRIO

Nesse perodo, contudo, a tradio nazarena foi mantida. Desde os tempos das primeiras revoltas judaicas, os nazarenos tinham conservado sua religio sob a liderana 
dos Desposyni. Eles floresciam na Mesopotmia, no leste da Sria, no sul da Turquia e na sia Central. Totalmente separados do Cristianismo artificial do Imprio 
Romano, tinham uma f mais prxima dos ensinamentos originais de Jesus do que quaisquer outros e uma base essencialmente judaica, em vez de um envolvimento idlatra 
com adorao ao solou outros cultos de mistrios. Na verdade, os nazarenos eram os mais puros dentre os verdadeiros cristos; seu modo de entender a Trindade era 
simples: Deus era Deus e Jesus era um homem - um Messias herdeiro da sucesso de Davi. Eram absolutamente enfticos quanto a isso e repudiavam qualquer noo de 
que a Bem-aventurada Maria fosse Virgem.

Ao mesmo tempo, havia outros que, embora dispostos a aceitar a doutrina do Deus Trino, ainda retinham uma crena na divindade de Jesus. A viso deles divergia consideravelmente 
da dos nazarenos, pois acreditavam no que Paulo tinha dito - que Jesus era o filho biolgico de Deus. Isso deu margem a outro credo, que surgiu por volta de 390 
d.C., e ficaria conhecido como o Credo dos Apstolos. Comeava: "Creio em Deus Pai Todo-poderoso e em Jesus Cristo, seu nico filho, nosso Senhor". Essa reintroduo 
declarada de Jesus dificilmente conduziria ao imperador como Salvador, mas dali a alguns anos Roma foi saqueada pelos godos e o imprio ocidental entrou em declnio.
Nesse ponto, um novo protagonista emergiu na disputa pela Trindade: Nestrio, patriarca de Constantinopla desde 428 d.C. Em harmonia com os nazarenos, Nestrio afirmava 
que a questo de Jesus ser Deus ou Filho de Deus era totalmente irrelevante, pois era bvio que ele tinha nascido em circunstncias naturais, de um pai e de uma 
me. Com base nessa premissa, Nestrio se colocava contra seus colegas catlicos, que j traziam Jesus de volta  cena desde que o imprio comeara a cair. Eles 
se referiam a Maria como a Theotokas (grego: "portadora de Deus") ou Dei Genitrix (latim: "geradora de Deus"). Como resultado, o preceito nazareno-nestoriano de 
que Maria era uma mulher como qualquer outra foi condenado pelo Conclio de feso (431 d.C.) e ela passou a ser venerada como uma mediadora (ou intercessora) entre 
Deus e o mundo mortal. Quanto a Nestrio, ele foi declarado herege e banido, mas logo se viu entre amigos no Egito e na Turquia, estabelecendo a Igreja Nestoriana 
em Edessa, em 489 d.C. Foi a que Jlio Africano registrou, anteriormente, a destruio proposital por parte dos romanos dos documentos desposyni de herana real, 
mas tambm confirmou a existncia de contnuos relatos particulares de linhagem descrevendo a seita familiar de Davi como sendo mantida por uma "sucesso dinstica 
estrita".
A partir de meados do sculo V, a Igreja de Roma continuou no Ocidente, enquanto a Igreja Ortodoxa Oriental emergia de seus centros em Constantinopla, em Alexandria, 
em Antioquia e em Jerusalm. O debate sem soluo acerca da Trindade tinha criado um grande abismo entre as faces e cada uma afirmava representar a verdadeira 
F. A Igreja de Roma foi reformada pelos administradores municipais nomeados: os cardeais - um ttulo derivado do latim cardo (piv) - dentre os quais havia 28 no 
Vaticano.
Enquanto a Igreja de Roma estava sendo reestruturada, o imprio ocidental ruiu - demolido pelos visigodos e vndalos. O ltimo imperador, Rmulo Augusto, foi deposto 
pelo chefe germnico Odoacer, que se tomou rei da Itlia em 476 d.C. Na falta de um imperador, o ento Bispo Supremo, Leo I, ganhou o ttulo de Pontifex Maximus 
(sumo pontfice ou construtor de pontes). No Oriente, porm, a histria foi diferente e o imprio bizantino estava destinado a florescer por mais mil anos.
 medida que o poder de Roma desmoronava, o Cristianismo romano tambm sucumbia. Os imperadores se identificavam com o Deus Cristo, mas os imperadores tinham falhado. 
Sua supremacia religiosa passara para as mos do sumo pontfice, mas sua religio j era uma minoria, em um cenrio cristo de gnsticos, de arianos, de nazarenos 
e da crescente Igreja Celta.

OS REIS FEITICEIROS

Nos ltimos anos do imprio em declnio, a maior de todas as ameaas  Igreja Romana surgiu de uma linha real dos desposyni, na Glia. Tratava-se da dinastia merovngia: 
descendentes masculinos dos Reis Pescadores, com uma herana feminina sicambra. Os sicambros eram assim chamados por causa de Cambra, uma rainha tribal que vivera 
aproximadamente em 380 d.C. Eram originariamente da Ctia, norte do mar Negro, sendo chamados de Newmage (Nova Aliana).
A Biblioteca Nacional de Paris contm um fac-smile da altamente afamada Fredegar's Chronicle - uma extensa obra histrica do sculo VII, da qual o original foi 
compilado em 35 anos. Uma edio especial do manuscrito de Fredegar's foi dada de presente  ilustre Corte dos Nibelungos e reconhecida pelas autoridades do Estado 
como histria oficial e completa. Fredegar (que morreu em 660) era um escrivo borgonhs e a sua Crnica abrangia o perodo dos primeiros dias dos patriarcas hebreus 
at a era dos reis merovngios. Ela citava numerosas fontes de informao e referncia cruzada, incluindo os escritos de So Jernimo (tradutor do Antigo Testamento 
para o latim), do arcebispo Isidoro de Sevilha (autor da Enciclopdia do Conhecimento) e do bispo Gregrio de Tours (autor de A Histria dos Francos).

 Em 452 d.C., o bispo Leo I de Roma e um contingente desarmado de monges enfrentaram o temvel tila, o Huno, e seu exrcito s margens do rio P, no norte da Itlia. 
Naquela poca, o imprio de Atila se estendia do Reno at a Asia Central. Suas hordas bem equipadas estavam preparadas com charretes, escadas, catapultas e todo 
tipo de aparato marcial para atacar Roma. A conversao durou poucos minutos, mas o resultado foi que Atila ordenou a seus homens que sassem do acampamento e recuassem 
para o norte. O que de fato se passou entre os dois homens nunca foi revelado, mas, depois do episdio, Leo, o Grande, estaria destinado a exercer poder supremo. 
Algum tempo antes, em 434 d.C., um enviado do imperador bizantino Teodsio II se defrontara com o temvel huno em circunstncias semelhantes, s margens do rio Morava 
(sul da moderna Belgrado). Ele deu a Atila o equivalente contemporneo a milhes de dlares como resgate pela paz no Oriente. O acordo do bispo Leo foi provavelmente 
o mesmo (ver Malachi Martin, The Decline and Fall of the Roman Church. Tambm, para uma leitura adicional acerca do assunto, ver Norman J. Buli, The Rise of the 
Church, Heinemann, Londres, 1967).

O Prlogo de Fredegar afirma que suas pesquisas foram mais minuciosas que aquelas dos autores por ele citados. Ele diz: "Julguei necessrio ser mais detalhista em 
minha determinao de alcanar a acuidade... Por isso inclu (como fonte de material para um trabalho futuro) todos os reinados dos reis e sua cronologia".

Para desenvolver tal acuidade, Fredegar, que vivia nas graas com a realeza de Borgonha, fez uso de seu privilegiado acesso a uma variedade de registros da Igreja 
e anais do Estado. Ele conta que os francos sicambros (de onde veio o nome da Frana) eram assim chamados por causa de seu chefe, Frncio, morto em 11 a.C.
No sculo IV, os francos sicambros estavam na terra do Reno, para onde tinham se mudado da Pannia (oeste do Danbio), em 388 d.C., sob a liderana de seus chefes, 
Genobaud, Marcomer e Sunno. No decorrer do sculo seguinte, seus exrcitos invadiram a Glia romana e dominaram a rea que  hoje a Blgica e o norte da Frana. 
Foi nessa ocasio que a filha de Genobaud, Argotta, casou-se com o rei pescador Faramund (419-430 d.C.), freqentemente citado como o verdadeiro fundador da monarquia 
francesa. Faramund era neto de Boaz-Anfortas (a quem retomaremos) na sucesso messinica direta do filho de Josu, Aminadabe (na linhagem de Cristo), que se casou 
com a filha do rei Lcio, Eurgen (na linhagem de Arimatia).
Faramund, porm, no era o nico parceiro conjugal com uma herana messinica. A prpria Argotta descendia da irm de Lcio, Athildis, que se casou com o chefe sicambro 
Marcomer (oitavo na descendncia de Frncio), por volta de 130 d.C. Assim, a sucesso merovngia, que se originou de Fararnund e Argotta, era duplamente desposyni.

O pai de Argotta, Genobaud, Senhor dos francos, foi o ltimo homem de sua linhagem - portanto, o filho de Faramund e Argotta, Clodion, tornou-se devidamente o prximo 
Senhor dos francos na Glia. Em 488 d.C., o filho de Clodion, Meroveus, foi proclamado Guardio em Toumai e foi a partir dele que a linhagem ficou famosa como  
dinastia mstica dos merovngios, chegando  proeminncia de reis dos francos. Eles reinavam no mediante coroao ou nomeao criada, mas por uma tradio aceita 
que correspondia ao direito messinico de geraes passadas.
Apesar das cuidadosas genealogias listadas em sua poca, a herana de Meroveus  estranhamente obscura nos anais monsticos. Embora fosse o filho legtimo de Clodion, 
ele  citado pelo historiador Prisco como uma procriao da criatura marinha arcana, o Bistea Neptunis. Evidentemente, havia algo muito especial acerca do rei Meroveus 
e de seus sucessores sacerdotais, pois eles recebiam uma venerao especial e eram grandemente conhecidos por seu conhecimento esotrico e habilidades ocultas. No 
sculo VI, Gregrio de Tours afirmou que os chefes francos na linha feminina sicambra de sua ancestralidade no eram exatamente conhecidos por sua cultura asctica; 
porm, essa culta dinastia (que ele chamava de "a mais proeminente e nobre linhagem de sua raa") emergiu na antiga tradio dos nazireus para se tomar conhecida 
como a dinastia dos reis feiticeiros de cabelos compridos.
No Antigo Testamento (Nmeros 6:3,5,13), os nazireus eram judeus, como Simo e Samuel, comprometidos por estritos votos de obrigao:

"Abster-se- de vinho e de bebida forte...
Todos os dias do seu voto de nazireado no passar navalha pela cabea; at que se cumpram os dias para os quais se consagrou ao Senhor, santo ser, deixando crescer 
livremente a cabeleira...
Esta  a lei do nazireu".

Os votos do nazireu eram vlidos durante perodos especficos. Na tradio essnia, os perodos de absoluto celibato tambm eram implementados. O posto de nazireu-chefe 
era tradicionalmente ocupado pelo prncipe da coroa de Davi, que usava o preto cerimonial. Nessa capacidade, o chefe real da ordem costumava ser Tiago, o Justo, 
o irmo de Jesus, e os sucessivos Prncipes  Coroa de Jud, de jure, mantinham o status e suas responsabilidades.
Independentemente de sua herana judaica, os merovngios no eram judeus praticantes, tampouco o eram outros cristos no-romanos cujas crenas tinham se originado 
do Judasmo. O bispo catlico Gregrio de Tours os descreveu como "seguidores de prticas idlatras", mas os merovngios no eram pagos no sentido de no serem 
iluminados. Na prtica, seu culto espiritual no era muito diferente dos cultos druidas e eles eram grandemente reverenciados como professores esotricos, juzes, 
curandeiros pela f e clarividentes. Embora fossem intimamente associados aos borgonheses, os merovngios no eram influenciados pelo arianismo e seu sistema exclusivo 
no era gauls/ romano nem teutnico. De fato, dizia-se que era algo inteiramente novo e sua cultura parecia ter surgido do nada.
Os reis merovngios no governavam a terra, nem eram politicamente ativos; as funes governamentais eram realizadas por seus prefeitos do palcio (ministros chefes), 
enquanto os reis se ocupavam mais das questes militares e sociais. Entre seus principais interesses estavam a educao, a agricultura e o comrcio martimo. Eles 
eram estudantes vidos da prtica de realeza correta na antiga tradio, e seu modelo reverenciado era o rei Salomo, o filho de Davi. Suas disciplinas se baseavam 
muito na escritura do Antigo Testamento, mas, apesar disso, a Igreja Romana os proclamou irreligiosos.
No s os merovngios eram prximos dos primeiros nazireus, mas tambm mantinham outros antigos costumes dos tempos bblicos. De acordo com a tradio essnia, os 
meninos "renasciam" aos 12 anos de idade quando, vestindo uma tnica simples, passavam por uma encenao ritualstica de nascimento - um Segundo Nascimento (como 
mencionado anteriormente, em relao a Jesus Justo). Simbolicamente, o menino nascia novamente do ventre de sua me e era instalado em sua posio comunitria. A 
realeza merovngia seguia uma prtica semelhante: os filhos dos reis ganhavam o direito hereditrio da realeza dinstica pela iniciao no 12o aniversrio. No havia 
necessidade de outra coroao, mais tarde. A dinastia no era a de reis "criados", mas sim uma sucesso de reis naturais, cuja intitulao era automtica por meio 
de nomeao santificada. Como j vimos, os merovngios no eram da descendncia de Cristo, mas tambm descendiam de Tiago (Jos de Arimatia) pela irm e pela filha 
do rei Lcio.
O costume essnio do Segundo Nascimento  evidenciado nos Evangelhos, embora de maneira muito obscura, e foi completamente mal compreendido na traduo. Em Lucas 
2:1-12, a cerimnia do Segundo Nascimento de Jesus se confunde cronologicamente com seu nascimento real. Como no Evangelho de Mateus, Lucas narra a Natividade (o 
Primeiro ou verdadeiro nascimento de Jesus) durante os ltimos dias do reinado de Herodes, o Grande, que morreu em 4 a.C. Mas Lucas tambm diz que Cireneu (Quirino) 
era governador da Sria na poca, e que o imperador Csar Augusto tinha implementado um censo nacional. Na realidade, Cireneu nunca foi governador da Sria enquanto 
Herodes ainda estava vivo; ele foi nomeado para o cargo em 6 d.C. quando, segundo Josefo em Antiguidades Judaicas, houve uma contagem da populao na Judia conduzida 
por Cireneu, a pedido de Csar Augusto. Esse  o nico censo registrado na regio; na poca de Herodes no houve nenhum. O censo foi feito 12 anos depois do Primeiro 
Nascimento de Jesus (real) - precisamente no ano de seu Segundo Nascimento (iniciatrio).
Esse erro foi, por sua vez, responsvel pela confuso cronolgica que cerca a histria de como Jesus se perdeu no Templo quando estava em Jerusalm com seus pais 
(Lucas 2:41-50). O evento  relatado como se ocorresse quando Jesus tinha 12 anos de idade, mas deveria, na verdade, estar relacionado ao seu "dcimo segundo ano". 
Isso equivaleria a doze anos aps seu nascimento na comunidade. Na Pscoa daquele ano, Jesus teria 24 anos (ou 23, de acordo com seu aniversrio oficial em setembro). 
Nessa poca, ele estaria passando de iniciado para homem, mas, em vez de acompanhar seus pais s respectivas celebraes, ele ficou para trs para discutir os negcios 
de seu Pai, sendo seu Pai espiritual, na poca, o sacerdote Eliezer Ans.
Durante toda a sua infncia, Jesus foi associado a professores e astrnomos brilhantes - em particular, aos Magos filsofos, que eram muito admirados pelos reis 
merovngios. Nos tempos merovngios, os trs reis magos da Natividade foram nomeados para se tomarem os santos padroeiros de Cologne, dos francos, recebendo os nomes 
esprios de Gaspar, Melquior e Baltazar.
Os reis merovngios eram renomados feiticeiros ao estilo dos magos samaritanos, e eles acreditavam firmemente nos poderes ocultos do favo de mel. Como o favo de 
mel  feito naturalmente de prismas hexagonais, os filsofos o consideravam a manifestao da harmonia divina na natureza. Sua construo era associada  viso interior 
e  sabedoria, conforme  detalhado em Provrbios 24:13-14:

''Filho meu, saboreia o mel, porque  saudvel... Ento, sabe que assim  a sabedoria para a tua alma" 

Para os merovngios, a abelha era uma criatura das mais sagradas e, sendo um emblema sagrado da realeza egpcia, ela se tomou um smbolo da sabedoria. Cerca de 300 
pequenas abelhas douradas foram encontradas presas ao manto de Childeric I (filho de Meroveus) quando sua tumba foi desenterrada em 1653. Napoleo tambm as mandou 
prender na tnica que usou em sua coroao, em 1804. Ele reivindicava seu direito por ser descendente de Tiago de Rohan-Stuardo, o filho natural (legitimado em 1677) 
de Charles II Stuart, da Gr-Bretanha, com Marguerite, duquesa de Rohan. Os Stuarts, por sua vez, tinham direito a essa distino porque eles e seus parentes condes 
da Bretanha descendiam do irmo de Clodion, Fredemundo - portanto (aparentados com os merovngios), tambm eram descendentes dos reis pescadores, por Faramund. A 
abelha merovngia foi adotada pelos Stuarts exilados na Europa, e as imagens de abelhas ainda so encontradas em alguns copos e jarros de vidro jacobitas.
Quando o filho de Meroveu, Childeric, morreu em 481 d.C., foi sucedido por seu filho de 15 anos, Clvis. Nos cinco anos que se seguiram, ele conduziu seus exrcitos 
para o sul das Ardenas, expulsando os galo-romanos; de modo que, em 486, seu reino inclua centros como Reims e Troyes. Os romanos conseguiram manter um reino em 
Soissons, mas Clvis derrotou seus contingentes, e o govemante romano Sigrio fugiu para a corte dos visigodos, do rei Alaric II. Com isso, Clvis ameaou entrar 
em guerra contra Alaric, e o fugitivo foi entregue para execuo. Com vinte e poucos anos de idade, tendo tanto os romanos como os visigodos a seus ps, Clvis estaria 
destinado a se tomar a figura mais influente no Ocidente.
Naquela poca, a Igreja Romana tinha muito medo da crescente popularidade do arianismo na Glia, enquanto o Catolicismo corria srios riscos de acabar na Europa 
Ocidental, onde a maioria dos bispos ativos era ariana. Clvis no era catlico nem ariano; por isso, ocorreu  hierarquia romana que a ascenso de Clvis poderia 
ser usada em vantagem da Igreja. De fato, inadvertidamente, Clvis os ajudou ao desposar a princesa de Borgonha, Clotilde, no centro da Madona Negra de Ferrieres.
Embora os borgonheses fossem tradicionalmente arianos em suas crenas, Clotilde era catlica e se empenhou em evangelizar, pregando a sua verso da F. Por algum 
tempo, ela no conseguiu promover a doutrina para o seu marido, mas sua sorte mudou em 496 d.C. O rei Clvis e seu exrcito travaram batalha contra a tribo dos alemes 
perto de Cologne e, pela primeira vez em sua ilustre carreira militar, o rei merovngio estava perdendo. Em um momento de desespero, ele invocou o nome de Jesus 
no mesmo instante em que o rei alemo foi morto. Com a perda de seu lder, os alemes fraquejaram e bateram em retirada; Clotilde no perdeu a oportunidade de afirmar 
que Jesus tinha causado a vitria merovngia. Clvis no estava plenamente convencido disso, mas sua esposa mandou chamar imediatamente Remy, bispo de Reims, e providenciou 
o batismo de Clvis.
Em sua justa aliana ao lder, cerca de metade dos guerreiros merovngios seguiram Clvis at a pia batismal. A notcia de que o alto potentado do Ocidente tinha 
se tomado catlico se espalhou, o que seria de enorme valor para o bispo Anastsio em Roma. Uma grande onda de converses veio em seguida, e a Igreja Romana foi 
salva de um colapso quase inevitvel. Na verdade, no fosse o batismo do rei Clvis, a principal religio da Europa Ocidental poderia ser hoje a ariana, em vez da 
catlica. Entretanto, a complacncia real no foi uma barganha unilateral; em troca do acordo do rei em ser batizado, as autoridades romanas juraram aliana a ele 
e a seus descendentes. Prometeram que um novo Santo Imprio seria estabelecido sob o regime dos merovngios. Clvis no tinha motivo para duvidar da sinceridade 
da aliana romana, mas sem querer ele se tomou o instrumento de uma conspirao por parte dos bispos contra a linhagem messinica. Com a bno da Igreja, Clvis 
pde entrar com suas tropas na Borgonha e em Aquitnia. Calcula-se que, em virtude disso, os arianos seriam obrigados a aceitar o Catolicismo, mas os romanos tambm 
tinham em mente algo mais duradouro um plano para manobrar estrategicamente os merovngios at retir-los do cenrio, deixando o bispo de Roma com poder supremo 
na Glia.

Aps uma srie de conquistas militares, o rei Clvis morreu em Paris, com 45 anos de idade. Foi sucedido por seus filhos, Teodorico, Clodomiro, Childebert e Lothar. 
Nessa poca, 511 d.C., o domnio merovngio estava dividido em reinos separados. Teodorico reinou na Austrsia (de Cologne
a Basilia), com a sede de seu governo em Metz. De Orlans, na Borgonha, Clodomiro supervisionava o vale Loire e oeste de Aquitnia, ao redor de Toulouse e Bordeaux. 
Childebert foi o sucessor na regio do Sena, de Neustria a Armrica (Bretanha), sendo Paris sua capital; e Lothar herdou o reino entre Scheldt e o Somme, com seu 
centro em Soissons. Essas dcadas de governo conjunto foram tempestuosas; os conflitos continuavam contra as tribos gticas, e acabaram permitindo a penetrao merovngia 
no leste de Aquitnia, sendo Borgonha totalmente absorvida no reino.
Lothar foi o ltimo dos quatro irmos a morrer, em 561, quando j tinha se tornado rei geral. Seus filhos Sigeberto e Chilperic foram os sucessores, e a linhagem 
de Chilperic se estabeleceu em quatro geraes com Dagoberto II, que se tomou rei da Austrsia em 674. At ento, um conselho de bispos tinha estendido a autoridade 
e as imunidades da Igreja, ao mesmo tempo que reduzia os poderes de taxao e administrao geral por parte da casa real. Conseqentemente, as provncias-chave do 
reino merovngio se viram sob superviso imediata dos prefeitos do palcio, que, por sua vez, eram aliados ntimos dos bispos catlicos. O desmantelamento romano 
da supremacia merovngia estava comeando.

OS PENDRAGONS

CORTE DOS REIS PESCADORES

Os francos sicambros, de cuja linha feminina tinham surgido os merovngios, eram associados  Arcdia Grega antes de migrar para as terras do Reno. Como j vimos, 
eles chamavam a si prprios de Newmage (a Nova Aliana), como os essnios de Qumr foram, um dia conhecidos. Esse legado arcdico foi o responsvel pelo misterioso 
monstro do mar (o Bistea Neptunis), simbolicamente definido nos registros ancestrais merovngios. O senhor do mar relevante era o rei Palas, um deus da antiga Arcdia, 
cujo predecessor fora o grande Oceano. Na verdade, o conceito remonta aos antigos reis da Mesopotmia, que teriam nascido de Timat, a grande me das guas salgadas 
primordiais.
Dizia-se que o monstro marinho imortal estava sempre encarnado em uma dinastia de antigos reis, cujo smbolo era um peixe. Este se tomou um emblema dos reis merovngios, 
junto ao Leo de Jud e  flor-de-lis, que foi introduzida no fim do sculo V pelo rei Clvis para denotar a linhagem real da Frana. Antes disso, o familiar triflio 
judaico simbolizava a aliana da circunciso. Tanto o leo como a flor-de-lis foram posteriormente incorporados s armas reais da Esccia.
Nas histrias arturianas, a linhagem soberana de Davi era representada pelos Reis Pescadores da FaIllilia do Graal e a linhagem patriarcal era denotada pelo nome 
Anfortas, um ttulo simblico adaptado de In fortis (latim: "em fora"). Identificava-se com o nome hebraico Boaz, o bisav de Davi (tambm significando "Em fora"), 
que  lembrado na moderna Franco-Maonaria.
O nome Boaz fora dado ao pilar esquerdo do Templo do rei Salomo (1 Reis 7 :21 e 2 Crnicas 3: 17). Seus capitis, bem como os capitis do pilar direito, Jaquim, 
eram decorados com roms de bronze (1 Reis 7:41-42 - um smbolo de fertilidade masculina, como vemos em Cntico dos Cnticos 4: 13. No  por acaso que os famosos 
quadros de Botticelli, A Madona da Rom e A Madona do Magnificat mostram o menino Jesus segurando uma rom aberta, madura. Na verdade, de 1483 a 1510, Botticelli 
(mais exatamente, Sandro Filipepi) foi Nautonnier (timoneiro) do Prieur Notre Dame de Sio, uma sociedade esotrica com ligaes com o Graal. Na tradio do Graal 
da poca de Botticelli, o senhor marinho arcdio, Palas, manifesta-se no rei Penes: "Meu nome  Penes, rei da terra estrangeira e primo prximo de Jos de Arimatia". 
Sua filha, Elaine, era a Portadora do Graal de le Corbenic (le Cors beneicon: o Abenoado em Corpo) e me de Galahad por Lancelot deI Acqs.
Nas histrias tradicionais do Graal h uma consistncia de nomes de origem judaica (ou aparentemente judaica), tais como Josefes, Lot, Elinant, Galahad, Bron, Urien, 
Hebron, Penes, Joseus, Jonas e Ban. Em quase todas as lendas, incluindo os relatos posteriores, do sculo XV, de Sir Thomas Malory, ocorrem digresses acentuadas 
em relao aos reis pescadores. Alm disso, h muitas referncias a Jos de Arimatia, rei Davi e rei Salomo. At o sacerdote Judas Macabeu (que morreu em 161 a.C.) 
 mencionado. Com o passar dos anos, muitos acharam estranho que esse bem-nascido heri sacerdotal da Judia seja tratado com tanta estima em uma histria aparentemente 
crist:

"'Senhor Cavaleiro', disse ele a Messire Gawain, 'rogo-vos que conquisteis este escudo; do contrrio, eu vos conquistarei... Pois ele pertenceu ao melhor cavaleiro 
de sua f e que foi sempre... 'mais sbio' 
'Quem, pois, foi ele?' ,  perguntou Messire Gawain. 'Judas Macabeu foi ele...'
'Dizeis a verdade', disse Messire Gawain, 'e qual  o vosso nome?'
'Senhor, meu nome  Joseus, e sou da linha de Jos de Abarimacie. O rei Pelles  meu pai, que se encontra na floresta, e o rei Pescador  meu tio'''.


Alguns historiadores de arte afirmam que as roms nesses quadros indicam a ressurreio por meio de associaes clssicas com a histria de Persfone. Ela era a 
antiga deusa grega (filha de Zeus e Demter) que foi levada ao Submundo por Hades (Pluto). Uma condio para o seu resgate seria que ela passasse apenas uma parte 
de cada ano subseqente na superfcie da Terra, e que o seu retorno anual fosse marcado pela regenerao da vida natural que caracteriza a primavera. Essa histria 
 uma alegoria do ciclo de crescimento e morte da vegetao e nada tem a ver com a ressurreio fsica dos mortos. Tal conotao foi dada aos quadros de Botticelli 
por um sistema temeroso, que desejava esconder os fatos. Botticelli foi um grande estudioso do Graal, um esotrico de autoridade e elaborador de cartas de tar. 
Suas sementes de rom representam a fertilidade de acordo com as roms do Cntico dos Cnticos e os capitis do Templo de Salomo, que foi constru do cerca de mil 
anos antes de Jesus ser crucificado.

 sabido que alguns dos cavaleiros atribudos ao rei Artur eram baseados em personagens reais - particularmente Lancelot, Bors e Lionel, ligados  ramificao del 
Acqs da FamI1ia do Graal. E quanto aos outros? As indicaes so de que muitos tinham origens reais, embora no necessariamente da era arturiana.
Quando a maioria dos romances do Graal foi escrita, na Idade Mdia, os judeus no eram muito amados na Europa. Dispersados da Palestina, muitos tinham se assentado 
em vrias partes do Ocidente, mas, sem terra para cultivar, eles recorriam ao comrcio e s finanas. Tais prticas no eram bem recebidas pelos cristos, por isso 
os emprstimos foram proibidos pela Igreja de Roma. Nessas circunstncias, o rei Edward I mandou expulsar todos os judeus da Inglaterra em 1209, exceto os mdicos 
qualificados. Nesse clima,  evidente que os escritores (na Gr-Bretanha ou na Europa continental) no achariam natural ou politicamente correto usar uma srie de 
nomes que soassem judaicos para seus heris, cavaleiros e reis locais. Os nomes, porm, persistem, desde aqueles dos antigos protagonistas, como Josefes, at o posterior 
Galahad.
Nas primeiras histrias do Graal, Galahad era identificado pelo nome hebraico de Gileade. O Gileade original era filho de Micael, o trineto de Nahor, irmo de Abrao 
(1 Crnicas 5:14). Gileade significa "uma montanha de testemunho"; a montanha chamada monte do Testemunho (Gnesis 31:21-25). Seguindo os passos de Bemardo de Clairvaux, 
o abade de Lincolnshire, Gilberto da Holanda comparava o Galahad arturiano diretamente com a famlia de Jesus nos Sermes dos Cnticos cistercienses. Os escritores 
cristos no teriam exaltado nomes de herana judaica a altas posies em um ambiente de heris cavaleiros, a menos que seus nomes j fossem conhecidos e bem estabelecidos. 
Evidentemente, porm, os personagens tinham algum fundamento histrico, embora sua origem temporal tivesse sido forosamente alinhada, por causa dos romances.

CAMELOT

Desde 700 a.C., aproximadamente, as tribos celtas (keltoi, significando "estranhos") da Europa Central foram se estabelecendo na Gr-Bretanha e, durante a Idade 
do Ferro, sua cultura se desenvolveu a um estgio avanado at eles controlarem toda a baixa Gr-Bretanha. Na sucesso dos sculos, a eles se juntaram outras ondas 
de celtas europeus. Os ltimos colonizadores foram os das tribos belgas, que penetraram a regio sudeste. Os antigos habitantes se espalharam para o norte e o oeste, 
estabelecendo lugares como Glastonbury, em Somerset, e Maiden Castle, em Dorset. Quando os romanos chegaram nos ltimos anos antes de Cristo, os celtas foram deslocados 
ainda mais para o oeste, apesar de sua longa resistncia, com lderes formidveis como Caractaco e Boudicca (Vitria). Os romanos chamavam os antigos bretes de 
pretani, um nome derivado da lngua cymric, do antigo Pas de Gales, na qual toda a ilha dos celtas era chamada de B'rith-ain, significando Terra da Aliana.
Os romanos tiveram um sucesso considervel em sua conquista da Gr-Bretanha, mas nunca conseguiram derrotar os pictos da Calednia, no extremo norte e, por causa 
disso, o imperador Adriano (117-138 d.C.) construiu uma grande muralha atravessando o pas para separar as culturas. Uma maioria celta ao sul da muralha se adaptou 
ao modo romano de vida, mas seus inflamados primos do norte continuaram lutando, bem como os escoceses galicos da Irlanda do Norte.
No Pas de Gales, os antigos govemantes de Powys e Gwynedd descendiam da Avallach na linhagem de Beli Mawr (Billi, o Grande), um soberano dos bretes no primeiro 
sculo a.C. Esse  um bom exemplo de personagem cuja origem temporal  freqentem ente confusa por causa das fbulas que cresceram em tomo dele. Seu neto era o arquidruida 
Brn, o Abenoado (genro de Jos de Arimatia). Em virtude de sua associao histrica, Beli e Brn costumam ser confundidos com os irmos de perodo anterior, Belino 
e Breno (filhos de Porrex), que disputaram o poder no norte da Gr-Bretanha por volta de 390 a.C. e eram considerados deuses, na velha tradio cltica.
Mais confuso em potencial advm do fato de Brn, o Abenoado, ser freqentemente citado como pai de Caractaco. Eles eram de fato contemporneos no primeiro sculo 
d.C., mas o pai de Caractaco era Cymbeline de Camulod. A persistente anomalia tem gerado infinitas complicaes em livros a respeito das linhagens na Idade das Trevas, 
mas a causa  facilmente explicada.
O pai de Brn, descendente de Beli Mawr, era o rei Llyr (Lear). Algumas geraes depois, porm, em uma sucesso vinda do rei Lcio, os nomes se repetiram nos sculos 
III e IV, quando o chefe gals, Llyr Llediath, era o pai de outro Brn, pai de Caradawc (uma variante do nome Caractaco). Outra causa de confuso est no fato de 
que Brn, como arquidruida, era o Pai patriarcal designado. Em termos simblicos, portanto, Brn teria de fato sido o "pai" de Caractaco, assim como Eliezer Ans 
e Simo Zelote eram os pais espirituais de Jesus na Judia.
Do nome Beli (ou Billi)  que deriva parcialmente o Billingsgate de Londres. Seu descendente, Avallach, era neto da filha de Jos de Arimatia, Ana, esposa do arquidruida 
Brn, o Abenoado. A prpria esposa de Jos tambm se chamava Ana (que significa "graa"). Como j discutimos anteriormente, Avallach era um ttulo descritivo e, 
do mesmo modo, o nome Reli tambm era titular, denotando um "senhor soberano". Como tal, era repetido na dinastia, e equivalente ao termo bblico Reli (av paterno 
de Jesus).
Outro descendente de Beli Mawr era o rei Llud (de onde o Ludgate de Londres recebeu o nome). Ele foi o progenitor das casas reais de Colchester, Silria e Strathclyde, 
e sua famlia contava com importantes casamentos com a linhagem de Tiago/Jos de Arimatia. Dentre os prncipes galeses na sucesso de Arimatia, surgiram os fundadores 
e governantes locais da Bretanha, uma regio dos francos que antes se chamava Armrica ([terra] de frente para o mar). Outra muita antiga linhagem de Davi, progredindo 
por Ugaine Mar (sculo IV a.C.), mantinha o domnio da Irlanda, como os Grandes Reis (Ard R) de Tara.
O neto do rei Lud, o poderoso Cymbeline (pai de Caractaco), era o Pendragon da Gr-Bretanha continental durante a poca em que Jesus ainda vivia. O Pendragon, ou 
Drago Chefe da Ilha (Pen Draco Insularis), era o rei dos reis e guardio da ilha celta. O ttulo no era dinstico; os Pendragons eram nomeados dentre a casta real 
celta por um conselho druida de ancios. Cymbeline governava as tribos belgas dos Catuvellauni e Trinovantes, de sua sede em Colchester, o mais impressionante forte 
da regio na Idade Mdia. Naquela ocasio, Colchester era chamado de Camulod (romanizado como Camulodunum) - do termo celta camuloi, que significa "luz curvada". 
Esse povoamento fortificado se tomou mais tarde o modelo para a corte de nome semelhante, e de natureza tambm transiente, de Camelot, no romance arturiano.

A obra francesa do sculo XIII Sone de Nansai identifica a esposa de Jos como uma princesa nrdica.
O antiqurio de Henrique VIII, John Leland, em 1542 identificou o forte da Idade Mdia nas montanhas em South Cadbury, Somerset, como Camelot, principalmente porque 
algumas vilas das proximidades incluam o nome do rio Camelo Escavaes em Cadbury na dcada de 1960 revelaram os vestigios de uma sala de banquetes da Idade das 
Trevas, mas embora ela fosse bastante atraente para a indstria do turismo, nada havia nela que pudesse ser associado a Artm: Na verdade, mais de 40 construes 
de idade e tipo semelhantes foram encontradas s no sudoeste da Inglaterra, e h mais em outros lugares do pas. Ver Michael Wood, In Search of the Dark Ages, BBC 
Books, Londres, 1981, capo 2, p. 50.
 Ao norte dos domnios de Cymbeline, em Norfolk, o povo conhecido como iceno era governado pelo rei Prasutago, cuja esposa era a famosa Boudicca (Boadicea). Ela 
conduziu a grande, porm malsucedida, revolta tribal contra o domnio romano a partir de 60 d.C., usando seu famoso grito de batalha Y gwir erbyn y Byd (A Verdade 
contra o Mundo). Foi imediatamente em seguida que Jos de Arimatia veio da Glia para construir sua igreja em Glastonbury, a despeito do imperialismo romano.
O conceito do drago - como no Pendragon - em termos de realeza emerge diretamente do crocodilo sagrado (o Messeh) dos egpcios e do Mus-hus da velha Mesopotmia. 
Os faras e os reis babilnios eram ungidos com gordura de crocodilo e, assim, obtinham a fortitude do Messeh, de onde vem o termo hebraico Messias (o ungido). A 
imagem do intrpido Messeh evoluiu at se tornar o drago, que por sua vez tornou-se um emblema de realeza poderosa. Os romanos imperiais portavam um drago purpreo 
em seu estandarte, e esse  o smbolo descrito em Apocalipse 12:3, quando Miguel enfrenta o "drago de sete cabeas". Como j vimos, o drago nesse exemplo era Roma: 
conhecida historicamente como a Cidade dos Sete Reis (o nmero de reis governantes antes da formao da Repblica).
Aps a retirada romana da Gr-Bretanha em 410 d.C., a liderana regional se reverteu para os chefes tribais. Um desses foi Vortigem de Powys, no Pas de Gales, cuja 
esposa era a filha do ex-govemador de Roma, Magno Mximo. Assumindo pleno controle de Powys at 418 d.C., Vortigem foi eleito Pendragon da ilha em 425 d.C. e usou 
muito bem o emblema do drago, que subseqentemente se tomou o Drago Vermelho de Gales.
Nessa poca, vrias ramificaes de reis tinham surgido nas linhagens de Arimatia, de sua filha Ana e do marido dela, Brn, o Abenoado. Entre os mais proeminentes 
desses reis locais estava Cunedda, o governante nortista de Manau, pelo Esturio de Forth. Numa ramificao familiar paralela, havia o sbio CoeI Hen, lder dos 
"Homens do Norte" (os Gwyr-y-Gogledd). Lembrado com carinho nas rimas infantis como Velho Rei Cole, ele governou as regies de Rheged a partir de sua sede em Carlisle 
(Cumbria), a fortaleza Camu-lot ao norte. Outro notvel lder foi Ceretic, descendente do rei Lcio. De sua sede em Dumbarton, ele governou as regies de Clydesdale. 
Junto com Vortigern, esses trs reis foram os soberanos mais poderosos na GrBretanha do sculo V. Foi das famlias deles que vieram tambm os santos celtas mais 
poderosos, e essas famlias ficaram devidamente conhecidas como as Santas Famlias da Gr-Bretanha.

Em meados do sculo V d.C., Cunedda e seus filhos conduziram seus exrcitos at o norte do Pas de Gales para expulsar colonizadores irlandeses indesejveis a pedido 
de Vortigem. Ao fazer isso, Cunedda fundou a Casa Real de Gwynedd na regio litornea galesa a oeste de Powys. Os pictos da Calednia, no extremo norte, aproveitaram-se 
da ausncia de Cunedda e iniciaram uma srie de ataques na fronteira marcada pela muralha de Adriano. Um exrcito de mercenrios germnicos jutos, liderados por 
Hengest e Horsa, foi imeditamente engajado para repelir os invasores, mas tendo cumprido esse encargo com sucesso, eles voltaram a ateno para o extremo sul e se 
apoderaram do reino de Kent. Outras tribos germnicas, os anglos e os saxes, subseqentemente invadiram a Europa. Os saxes tomaram o sul, desenvolvendo os reinos 
de Wessex, Essex, Middlesex e Sussex, enquanto os anglos ocuparam o resto da regio desde o esturio Sevem at a Muralha de Adriano, incluindo Northumbria, Mercia 
e East Anglia. O conjunto ficou conhecido como Inglaterra (terra dos anglos), e os novos habitantes chamavam a pennsula celta, a oeste, de Gales (em ingls, Wales 
- derivado de weallas, que significa "estrangeiros").
Como a Irlanda era separada pelo mar da tempestuosa ilha britnica, ela se tomou o perfeito refgio para monges e eruditos. Alguns dizem que Eire-land (Irlanda) 
significa "terra da paz", mas o antigo nome derivava mais diretamente de Eire-amhon (pai do rei Irial de Tara), que se casou com Tamar, a filha do rei Zedequias 
de Jud, por volta de 586 a.C. (Eire tambm era o nome da esposa Tuatha D Danann do rei Ceathur, que reinou na mesma poca).

Uma cultura singular e indgena se desenvolveu na forma do Cristianismo celta. Ela surgiu basicamente do Egito, da Sria e da Mesopotmia com preceitos que eram 
distintamente nazarenos. A liturgia era em grande parte alexandrina e, como os ensinamentos de Jesus (em vez de sua pessoa) formavam a base da F, o contedo mosaico 
do Antigo Testamento foi devidamente mantido. As velhas leis judaicas de casamento eram observadas, bem como as celebraes do Sab e da Pscoa, enquanto a divindade 
de Jesus e o dogma romano da Trindade no tinham lugar na doutrina. A Igreja Celtano tinha bispos diocesanos, mas ficava sob a direo dos abades (ancios monsticos) 
e era organizada em cima de uma estrutura de cl, com suas atividades se concentrando na erudio e na aprendizagem.
Cunedda ficou no norte do Pas de Gales e, aps a morte de Vortigem, em 464 d.C., foi o Pendragon seguinte, que tambm se tornou o comandante militar dos bretes. 
O detentor desse ltimo cargo tinha o ttulo de o Guletic.
Quando Cunedda morreu, o genro de Vortigern, Brychan de Brecknock, tornou-se o Pendragon, e o Ceretic de Strathclyde, o Guletic militar. Enquanto isso, o neto de 
Vortigem, Aurlio - um homem de considervel experincia militar - retomou da Bretanha para dar peso s foras contrrias  incurso saxnia. Em sua condio de 
sacerdote druida, Aurlio era o designado Prncipe do Santurio de mbrio - uma cmara sagrada, simbolicamente modelada a partir do Tabernculo Hebraico (xodo 25:8 
- "E me faro um santurio para que eu possa habitar no meio deles"). Os Guardies de mbrio recebiam o ttulo individual de Ambrsio e vestiam mantos escarlates. 
De seu forte em Snowdonia, Aurlio, o Ambrsio, mantinha a defesa militar do Ocidente e foi o prximo Guletic quando Brychan morreu.

SO COLUMBA E MERLIN

No incio do sculo VI, o filho de Brychan (tambm chamado Brychan) se mudou para o Esturio de Forth como prncipe de Manau. L ele fundou outra regio de Brecknock 
em Forfashire,  qual o povo gals se referia como Breichniog no norte. A base de seu pai fora em Brecon, Pas de Gales - por isso, a fortaleza norte era chamada 
de Brechin. A filha de Brychan II se casou com o prncipe Gabrn dos escoceses de Dalriada (as terras altas do oeste), o que resultou em Gabrn se tornando senhor 
do Forth, herdando um castelo em Aberfoyle.

Naquela poca, os irlandeses galicos estavam em disputa com a casa de Brychan e, sob o comando do rei Cairill de Antrim, lanaram um ataque contra os escoceses 
de Manau em 514. A invaso foi bem-sucedida e a rea do Forth ficou sob controle irlands. Brychan requisitou a assistncia de seu genro, o prncipe Gabrn, e do 
comandente Guletic, Aurlio. Em vez de tentarem remover os irlandeses de Manau, os lderes decidiram lanar uma ofensiva direta por mar contra Antrim. Em 516, a 
frota escocesa de Gabrn partiu do Estreito de Jura com as tropas de Aurlio. Seu objetivo era o castelo do rei Cairill, o formidvel forte na montanha em Dun Baedn 
(Badon Hill). As foras do Guletic foram vitoriosas, e Dun Baedn foi dominada. Em 560, o cronista Gildas (516-570) escreveu a respeito dessa batalha em sua obra 
De Excidio COllquestu Britanlliae (A Queda e a Conquista da Gr-Bretanha), e a grande batalha  citada tanto nas crnicas escocesas como nas irlandesas.233 Alguns 
anos depois da Batalha de Dun Baedn, Gabrn se tomou rei dos escoceses em 537, montando sua corte das terras altas do oeste em Dunabb, perto de Loch Crinan.
Naquela poca, o Pendragon era o bisneto de Cunedda, o rei gals Maelgwyn de Gwynedd. Este foi sucedido nessa nomeao pelo filho do rei Gabrn, Aedn de Dalriada, 
que se tomou rei dos escoceses em 574 e foi o primeiro rei britnico a ser institudo com ordenao sacerdotal, quando foi ungido por So Columba.
Nascido na realeza, em 521, Columba tinha o direito de ser rei na Irlanda - mas abandonou seu legado para se tomar monge, freqentando uma escola eclesistica em 
Moville, County Down. Ele fundou mosteiros em Derry e nos arredores, mas sua maior obra estava destinada a ser nas terras altas do oeste e nas ilhas Dalriada dos 
escoceses, depois que ele foi expulso da Irlanda em 563. Columba formara um exrcito contra o injusto rei de Sligo, o que culminou em sua priso em Tara e posterior 
exlio quando ele tinha 42 anos de idade. Com 12 discpulos, ele partiu para lona e estabeleceu o famoso mosteiro de Columba. Posteriormente, mais ao norte, na Calednia, 
a herana real de Columba foi bem recebida pelo rei Bruide dos pictos e ele se destacou como estadista poltico na corte druida. Com uma frota de navios  sua disposio, 
Columba visitou a ilha de Man e a Islndia, montando escolas e igrejas em todo lugar por onde passava - no s na Calednia e nas ilhas, mas tambm na Northumbria 
inglesa (Saxnia).
Na poca, as terras baixas escocesas (abaixo do Forth) consistiam em 13 reinos separados. Faziam fronteira com o reino de Northumbria ao sul e com o domnio dos 
pictos ao norte. Embora estivessem geograficamente fora do Pas de Gales, as regies de Galloway, Lothian, Tweeddale e Ayrshire eram governadas por prncipes galeses. 
Uma dessas regies dinsticas acima da muralha de Adriano era a de Gwyr-y-Gogledd (Homens do norte), cujo chefe era o rei Gwenddolau.
Pouco antes da ordenao real de Aedn por Columba, o rei Rhydderch de Strathc1yde tinha matado o rei Gwenddolau numa batalha perto de Carlisle. O campo de batalha 
ficava entre o rio Esk e Liddel Water, acima da muralha de Adriano (a, no Fosso de Liddel, foi baseado o conto arturiano de Fergus and the Black Knight, ou Fergus 
e o Cavaleiro Negro). O conselheiro chefe de Gwenddolau (o Merlin da Gr-Bretanha) era Emrys de Powys, filho de Aurlio. Aps a morte de Gwenddolau, porm, o Merlin 
fugiu para Hart Fell Spa, na floresta calednia, para buscar em seguida refgio na corte do rei Aedn, em Dunadd.
O ttulo de Merlin (aplicado ao vidente do rei) j era muito usado na tradio druida. Antes de Emrys, o Merlim nomeado era Taliesin, o Bardo, marido de Viviane 
I del Acqs. Quando ele morreu, em 540, o ttulo passou para Emrys de Powys, o famoso Merlin da tradio arturiana. Merlin Emrys era um primo mais velho do rei Aedn, 
o que lhe dava o direito de requisitar que o novo rei partisse para a ao contra o matador de Gwenddolau. Aedn, portanto, aqui~seu e demoliu a corte de Aleut, 
de Rhydderch, em Dumbarton.
Naqueles dias, o centro urbano mais importante no norte da Gr-Bretanha era Carlisle. Tinha sido uma proeminente cidade-guarnio romana e, em 369 d.C., era uma 
das cinco capitais provinciais. Em Life of St. Cuthbert, Bede se refere a uma comunidade crist em Carlisle, muito anterior  penetrao anglo-saxnica da rea. 
Um pouco ao sul de Carlisle, perto de Kirkby Stephen, em Cumbria, encontra-se a runa do Castelo Pendragon. Carlisle tambm era chamada de Cardeol ou Caruele nos 
tempos arturianos, e foi a que alguns escritores do Graal, como Chrtien de Troyes, identificavam a segunda corte real do rei Artur. A obra The High History 01 
the Holy Grail se refere especificamente  corte de Artur em Carlisle, que tambm apatece na obra francesa Suit de Merlin e nos contos britnicos Sir Gawain and 
the Carl of Carlisle e The Avowing of  King Arthur.
O supremo posto de Pendragon durou 650 anos, mas em todo esse tempo o nico Pendragon que nunca existiu foi Uther Pendragon, o lendrio pai do rei Artur. Pelo menos, 
no existiu com esse nome, embora o pai de Artur fosse realmente um renomado Pendragon, como veremos.

REI ARTUR

O HISTRICO SENHOR DA GUERRA

Afirma-se com freqncia que a primeira referncia feita a Artur vem de um monge gals do sculo IX, Nnio, cuja Historia Brittonum cita Artur em numerosas batalhas 
identificveis. Mas Artur j era registrado muito antes de Nnio, na obra Life of St. Columba, do sculo VII. Ele tambm  mencionado no poema celta Gododdin, escrito 
por volta de 600.
Quando o rei Aedn de Dalriada foi ordenado por So Columba, em 574, seu filho mais velho e herdeiro (nascido em 559) era Artur. Em Life of St. Columba, o abade 
Adamnan de lona (627-704) contava como o santo tinha profetizado que Artur morreria antes de suceder a seu pai. Adamnan confinnou que a profecia estava correta, 
pois Artur foi morto em batalha alguns anos depois da morte do prprio Columba, em 597.
Acredita-se, de um modo geral, que o nome Artur (ou, em ingls, Arthur) derive do latim Artorius, mas isso  um erro. O nome arturiano era puramente celta, emergindo 
do irlands, tambm originalmente Artur. No sculo m, os filhos do rei Art eram Connac e Artur. Os nomes irlandeses no eram influenciados pelos romanos e a raiz 
do nome ingls Arthur pode ser encontrada no sculo V a.C., quando Artur mes Delmann era rei dos Lagain.
Em 858, Nnio fez uma lista de vrias batalhas nas quais Artur foi vitorioso. Os locais incluem a Floresta da Calednia, ao norte de Carlisle (Cat Coit Celidon), 
e o monte Agned - o forte de Bremnio nos Cheviots, de onde os anglo-saxes foram expulsos. Tambm  mencionada a batalha de Artur s margens do rio Glein (Glen) 
em Northumbria, onde a c1ausura fortificada era o centro de operaes desde meados do sculo VI. Outros campos de batalha arturianos citados so a Cidade da Legio 
(Carlisle) e o distrito de Linnuis - a velha regio da tribo Novantae, ao norte de Dumbarton, onde Ben Arthur se projeta acima de Arrochar, s margens de Loch Long.

Para colocannos Artur em seu contexto correto, temos de compreender que os aparentes nomes de Pendragon e Merlin eram, na verdade, ttulos.
Aplicavam-se a mais de um indivduo com o passar dos anos. O pai de Artur, rei Aedn mac Gabrn dos escoceses, tornou-se o Pendragon porque era neto do prncipe 
Brychan. Nessa linhagem, a me de Aedn, Lluan de Brecknock, descendia de Jos de Arimatia. Nunca existiu um Uther Pendragon, embora aparea nas rvores genealgicas 
da era Tudor, sculo XVI. O nome Uther Pendragon foi inventado no sculo XII pelo romancista Geoffiey de Monrnouth (futuro bispo de St. Asaph) e a palavra galica 
uther (ou uthir) era simplesmente um adjetivo que significava "terrvel". Historicamente, s houve um Artur filho de um Pendragon: Artur mac Aedn de Dalriada.
No seu 16o. aniversrio, em 575, Artur se tornou o Guletic (comandante) soberano das foras britnicas e a Igreja Celta aceitou sua me, Ygema del Acqs, como Grande 
Rainha dos reinos celtas. A me dela (na linhagem hereditria de Jesus e Maria Madalena) era Viviane I, rainha dinstica de Avalon de Borgonha. Os sacerdotes, portanto, 
ungiram Artur como Grande Rei dos bretes, seguindo a ordenao de seu pai como rei dos escoceses. Entretanto, na poca em que concebia Artur por Aedn, Y gema (Igraine) 
estava casada com Gwyr-Llew, Dux de Carlisle. A Scots Chronicle, crnica dos escoceses, registra o evento nos seguintes termos:

"Becaus at ye heire of Brytan was maryit wy tane Scottis man quen ye Kinrik wakit, and Arthure was XV yere ald, ye Brytannis maid him king be ye devilrie of Merlynge, 
and yis Arthure was gottyn onn ane oyir mannis wiffe, ye Dux of Caruele".

Na Historia Regum Britanniae (Histria dos Reis da Gr-Bretanha), de Geoffiey de Monmouth (c.1147), Gwyr-Llew, o Dux de Caruele (Senhor da guerra de Carlisle), foi 
literalmente impelido para a poro mais ao sul do oeste do pas e se tornou Gorlois, duque da Cornulia. Esse ajuste de nomes foi considerado necessrio porque 
o padroeiro nonnando de Geoffrey era Robert, conde de Gloucester. A Historia foi financiada por dinheiro normando, sob a exigncia expressa de incutir o rei Artur 
na tradio inglesa, embora ele no aparecesse na Anglo-Saxon Chronicle.

Embora fosse apresentada como um relato factual, a obra de Geoffrey  reconhecidamente incorreta em muitos aspectos. O historiador William de Malmesbury a chamava 
de "material duvidoso" e William de Newburgh foi mais longe ainda, dizendo: "Tudo o que o homem se deu ao trabalho de escrever acerca de Artur e seus predecessores 
 inventado".
Muitos foram os que se surpreenderam com o duque Gorlois da Comulia, de Geoffrey, porque no havia duques na Inglaterra no sculo VI. O antigo ttulo de Dux era 
muito diferente da posterior nobreza ducal; era uma distino estritamente militar, no implicando nenhum direito de posse feudal. Outra anomalia era a afirmao 
de Geoffrey de que o Artur do sculo VI nascera no castelo de Tintagel; pois no existia nenhum castelo em Tintagel at o primeiro conde da Cornulia construir um 
no incio do sculo XII. Antes, havia somente um mosteiro celta em runas no local.
Outra confuso quanto ao filho do Pendragon se manifestou no Pas de Gales, e a tradio persiste ainda hoje. Havia de fato um Artur em Gales no sculo VI; ele foi 
o nico outro Artur da realeza da poca, mas no era filho de um Pendragon nem o Artur das histrias do Graal. Esse outro Artur foi ordenado prncipe de Dyfed por 
So Dubrcio em 506, embora ele e seus antepassados fossem inimigos dos galeses nativos. Ele era descendente da deserdada realeza Disi, expulso da Irlanda no fim 
do sculo IV. Quando as tropas romanas deixaram o sul de Gales em 383 d.C., os lderes Disi partiram de Leinster para se assentar em Dyfed (Demetia). Artur, prncipe 
de Dyfed, aparece como um notrio tirano em The Lives of the Saints (nos contos de Carannog e outros), e costuma ser retratado como um intruso regional encrenqueiro.
No romance arturiano, a confuso entre o Artur escocs e o gals surgiu principalmente por causa da ligao com Merlin. Como j vimos, Merlin Emrys era filho de 
Aurlio. Mas a esposa de Aurlio era irm de Artur de Dyfed, Niniane. Aurlio a desposara num esforo para reprimir as invases dos Disis em Powys, mas sua estratgia 
no durou muito. Isso significava, claro, que Merlin Emrys era sobrinho de Artur de Dyfed e, ao mesmo tempo, primo do Pendragon Aedn mac Gabrn, alm de ser o guardio 
escolhido do filho Aedn, Artur de Dalriada.
De acordo com os Annales Cambriae (Anais de Gales) do sculo X, Artur pereceu na batalha de Camlann - mas a qual Artur os anais se referem? certamente no ao Artur 
de Dalriada, pois h registro dele na Esccia depois desse evento. O Red Book of Hergest (uma coletnea de contos populares galeses), do sculo XV, diz que a batalha 
de Camlann foi travada em 537, e o provvel local era Maes Camlan, ao sul de Dinas Mawddwy. Nesse caso,  perfeitamente possvel que Artur de Dyfed tenha lutado 
l. Ele era conhecido por liderar incurses tanto em Gwynedd como em Powys. Definitivo, porm,  que Artur de Dalriada participou de uma batalha posterior em Camelon, 
a oeste de Falkrik. As crnicas dos pictos e dos escoceses (Chronicles of the Picts and Scots) se referem a esse conflito no norte como a Batalha de Camelyn. Ele 
tambm lutou posterionnente em Camlana (ou Camboglanna), prximo  Muralha de Adrianoa batalha que trouxe sua destruio.
Geoffrey de Monmouth resolveu ignorar todos os locais geogrficos, situando sua batalha fantasiosa s margens do rio Camel, na Cornulia. Geoffrey tambm associou 
a batalha irlandesa de Badon Hill (Dun Baedn) com a batalha em Bath, porque esse segundo lugar fora conhecido como Badanceaster.
Em Life of Saint Columba, o abade Adamnan diz que, no fim do sculo VI, o rei Aedn dos escoceses tinha consultado So Columba a respeito de seu sucessor por direito 
em Dalriada, perguntando: "Qual dos [meus] trs filhos dever reinar: Artur, Eochaid Find ou Domingart?" Ao que Columba respondeu:

"Nenhum dos trs ser governante, pois morrero todos em batalha, destru dos pelos inimigos; mas se tu tens outros filhos mais novos, faze-os vir a mim."

Um quarto filho, Eochaid Buide, foi chamado e o santo o abenoou, dizendo a Aedn: "Este  teu sucessor". O relato de Adamnan continua:

"E foi assim que, tempos mais tarde, na poca devida, tudo se realizou confonne previsto; pois Artur e Eochaid Find foram mortos aps um intervalo de tempo no muito 
grande na batalha de Miathi. Domingart foi morto na Saxnia e Eochaid Buide sucedeu ao pai no trono."

Os Miathi (confonne menciona Adarnnan) eram uma tribo de bretes que se dividiram em dois grupos e se estabeleceram ao norte das muralhas de Antonino e Adriano, 
respectivamente. A Muralha de Antonino se estendia entre o Esturio de Forth e o de Clyde. A Muralha de Adriano cortava a regio mais baixa entre o Esturio Solway 
e Tynemoth. Em 559, os anglos tinham ocupado Deira (Yorkshire), expulsando os Miathi para o norte. At 574, os anglos tambm tinham se espalhado at Berncia, Northumbria. 
Alguns dos Miathi resolveram ficar prximos da muralha mais baixa e viver l da melhor maneira possvel, enquanto outros migraram para o norte mais distante, assentando-se 
alm da muralha mais alta.
O principal posto dos Miathi do norte ficava em Dunmyat, na fronteira da moderna Clackmannanshire, no distrito de Manau, regio do Forth. L, eles tiravam a sorte 
com os colonizadores irlandeses, o que os tomou muito impopulares com os escoceses e galeses. Apesar da derrota do rei Cairill em 516, em Badon Hill, Antrim, os 
irlandeses continuavam problematicamente obstrutivos em Manau. Conseqentemente, as foras do Guletic fIzeram nova incurso em Ulster, em 575.
O segundo ataque em Dun Baedn  mencionado por Nnio, que descreveu corretamente a presena de Artur, enquanto o relato de Gildas se refere  batalha anterior de 
516, citando tambm corretamente Ambrsio Aurlio como comandante. Nnio, porm, d mais crdito a Artur do que este merecia, pois, nessa segunda ocasio, os escoceses 
foram derrotados e o pai de Artur, o rei Aedn, foi obrigado a se submeter ao prncipe Baedn mac Cairill, em Ros-na-Rig, Belfast.
Aps a morte do rei Baedn mac Cairill, em 581, Aedn dos escoceses finalmente conseguiu expulsar os irlandeses de Manau e do Forth. Mais tarde, em 596, a cavalaria 
de Artur expulsou os irlandeses de Brecknock, dos escoceses. O rei Aedn esteve presente s batalhas, mas os irmos mais novos de Artur, Brn e Domingart, foram 
mortos em Brechin, na plancie de Circinn.
No confronto com os irlandeses em Manau, as tropas do Guletic tambm tinham de lidar com os bretes Miathi. Conseguiram explusar muitos, forando-os a voltar ao 
seu territrio no sul; mas os que ficaram aps a partida das tropas enfrentaram os pictos, que invadiam seu domnio. No fim daquele sculo, os pictos e os Miathi 
se uniram contra os escoceses, enfrentando-os na batalha de Camelyn, ao norte da muralha de Antonino. Mais uma vez os escoceses foram vitoriosos e os pictos expulsos 
para o norte. Posteriormente, uma fundio de ferro das proximidades foi chamada de Furnus Arthuri (fogo de Artur) para celebrar o evento. Ela foi uma atrao que 
durou muito, sendo somente demolida no sculo XVIII, com o advento da Revoluo Industrial.
Trs anos depois de Camelyn, os escoceses enfrentaram os Miathi do sul e os anglos de Northumbria. Esse confronto foi um evento prolongado, ocupando dois campos 
de batalha - sendo o segundo conflito o resultado de uma retirada escocesa do primeiro. Inicialmente, as foras se encontraram em Camlanna, um velho forte romano 
nas montanhas, prximo  Muralha de Adriano. Diferentemente do primeiro confronto, porm, a batalha de Camlanna foi um completo fiasco para os escoceses. Aceitando 
uma ttica divisionria dos Miathi, eles permitiram que os anglos os atacassem por trs, numa investi da em direo a Galloway e Strathclyde. A infeliz definio 
de Cath Cam/anna passou a ser aplicada a muitas batalhas perdidas a partir da.
Poucos meses antes, o rei anglo, Aethelfrith de Bemcia, tinha derrotado o rei Rhydderch em Carlisle, adquirindo assim novo territrio ao longo do Solway. As foras 
de Dalriada, sob o comando de Aedn e Artur, sofreram certa presso para interceptar e deter o avano dos anglos para o norte. Aparentemente, eles teriam formado 
foras imensas, oriundas dos escales dos prncipes galeses, e obtiveram o apoio de Maeluma mac Baedn de Antrim, o filho de seu antigo inimigo. Naquela poca, os 
irlandeses viviam ameaados pela possibilidade de uma invaso anglo-saxnica.

MODRED E MORGANA

 importante observarmos que o rei Aedn era um cristo da igreja celta da Sagrada Famlia de So Columba. De fato, os escoceses de Dalriada costumavam ser associados 
com a Sagrada Famlia, que era baseada na tradio nazarena, mas incorporava alguns costumeiros rituais druidas e pagos.

Artur, porm, tornara-se obcecado pelo Cristianismo romano, a ponto de comear a ignorar sua cavalaria de Guletic como exrcito sagrado. Essa disposio gerou um 
considervel distrbio dentro da Igreja Celta, pois, afinal de contas, Artur estava destinado a ser o prximo rei dos escoceses. Os ancios estavam particularmente 
preocupados, temendo que ele tentasse implementar um reino romanizado em Dalriada, e foi por isso que Artur se tornou um inimigo de seu prprio filho, Modred, arcebispo 
da Sagrada Famlia. Modred tinha ligaes com o rei saxo Cerdic de Elmet (a parte oeste de Yorkshire), e Cerdic era aliado de Aethelfrith, de Berncia. No foi 
dificil, portanto, persuadir Modred a se voltar contra seu pai no campo de batalha e aliar-se aos anglos em sua tarefa de impedir que o reino escocs perdesse sua 
antiga herana druida.
E foi assim que, quando os escoceses enfrentaram os anglos e Miathi em Camlana, em 603, Aedn e Artur se viram no s contra o rei Aethelfrith, mas tambm contra 
seu prprio prncipe Modred. O confronto inicial em Camlanna foi curto e as tropas celtas se viram obrigadas a correr atrs dos anglos, que j tinham passado por 
elas. Eles se encontraram novamente em Dawston-on-Solway (na poca chamada Degsastan, em Liddesdale) e as crnicas de Holyrood e de Melrose (Chronicles of Holyrood 
e Chronicles of Melrose) se referem ao local da batalha como Dexa Stone. A chegada do arcebispo Modred com os invasores desencorajou seriamente o esprito celta, 
e foi a que Artur (com 44 anos) caiu junto a Maeluma mac Baedn.
A batalha, que comeou em Camlanna e terminou em Dawston, foi uma das mais violentas na histria dos celtas. Os anais de Tigernach (Tigernach Annals) a chamam de 
"o dia em que metade dos homens da Esccia caiu". Embora Aethelfrith fosse vitorioso, sofreu perdas pesadas. Seus irmos Teobaldo e Eanfrith foram mortos, junto 
a todos os seus homens, e o rei Aedn abandonou o campo aps perder dois filhos, Artur e Eochaid Find, e seu neto, o arcebispo Modred.
Aethelfrith nunca chegou a Strathclyde, mas seu sucesso em Dawston permitu que o territrio de Norhumbria se estendesse para o norte, at o Esturio de Forth, incorporando 
Lothian. Dez anos depois, em 613, Aethelfrith sitiou Chester e colocou Cumbria inteiramente sob controle anglo. Isso criou um abismo geogrfico permanente entre 
os bretes galeses e os de Strathc1yde. Os anglos mrcios se espalharam para o oeste, empurrando os galeses para trs do que se tornou a linha demarcatria do dique 
de Offa, enquanto os saxes de Wessex invadiram a regio alm de Exeter, anexando a pennsula sudoeste.
Com o passar do tempo, as regies celtas antes conjuntas de Gales, Strathc1yde e Dumnonia (Devon e Cornulia), ficaram totalmente isoladas uma das outras, e a Famlia 
de So Columba atribuiu a culpa a Artur. Ele tinha falhado em seu dever como Guletic e Grande Rei. Seu pai, o rei Aedn de Dalriada, morreu cinco anos aps a tragdia 
de Camlanna, o que, segundo dizem, abriu a porta para a conquista final da Gr-Bretanha pelos anglo-saxes. Os dias do domnio celta tinham acabado e, depois de 
mais de seis sculos de tradio, Cadwaladr de Gales (vigsimo sexto na linhagem de Jos de Arimatia) foi o ltimo Pendragon.
Na onda das derrotas de Artur em Camlanna e Dawston Guntas chamadas de di Bellum Miathorum: a batalha dos Miathi), os velhos reinos do Norte no mais existiam. Os 
escoceses, fisicamente separados de seus antigos aliados em Gales, percebemm que seu nico meio de salvar a terra de Alba (Esccia) em uma aliana com os pictos 
da Calednia. Isso foi feito em 844, quando o afamado descendente de Aedn, o rei Kenneth MacAlpin, uniu os pictos e escoceses como uma nao. Os registros da ordenao 
de Kenneth sustentam sua posio verdadeimmente importante na linhagem familiar, referindo-se a ele como descendente das minhas de Avalon.
Se Modred tivesse sobrevivido, ele certamente teria se tomado Pendmgon, pois em um grande favorito dos druidas e da Igreja Celta. A me de Artur, Ygema, em a irm 
mais velha de Morgause, que se casou com Lot de Lothian, o governador de Orkney. Lot e Morgause eram os pais dos irmos Gawain, Gaheries e Gareth, de Orkney. Morgause 
tambm era (assim como Ygerna) irm mais nova de Viviane II, a consorte do rei Ban le Benoic, um descendente desposyni de Faramund e dos Reis Pescadores. Viviane 
e Ban eram os pais de Lancelot del Acqs.
Aps a morte de seu primeiro marido, o Dux de Carlisle, Ygema se casou com Aedn de Dalriada, legitimando Artur antes que a este fossem conferidos seus ttulos. 
Por meio dessa unio, as linhagens de Jesus e Tiago/Jos de Arimatia se combinaram em Artur pela primeira vez em quase 350 anos. Apesar de suas falhas, foi por 
isso que Artur se tomou to importante para a tradio do Gmal.
A av materna de Artur, Viviane I, foi a minha dinstica de Avalon, uma parenta dos reis merovngios. Sua tia, Viviane II, em a Mantenedora oficial do Misticismo 
Celta e essa herana passou, no momento certo, para a filha de Ygema, Morgana. Artur em casado com Guinevere, da Bretanha, mas ela no pde ter filhos. Por outro 
lado, gerou Modred, com Morgana. Registros antigos, como o Promptuary of Cromarty, sugerem que Artur tambm teve uma filha chamada Tortolina, mas na verdade ela 
em sua neta (filha de Modred). A meia-irm de Artur, Morgana (tambm conhecida como Morgaine ou Morgan le Faye), em casada com o rei Urien de Rheged e Gowrie (Goure), 
que nos romances arturianos  chamado de Urien de Gore. O filho deles era Ywain, fundador da Casa Bret de Lon d' Acqs, que tinha o ttulo de Comte (conde). Por 
direito, Morgana era uma Sagrada Irm de Avalon e alta sacerdotisa celta. Os textos da Real Academia Irlandesa se referem a ela como "Muirgein, filha de Aedn em 
Belach Gabrin".
Alguns autores consideram a relao sexual de Artur com sua meia-irm, Morgana, incestuosa, mas a Gr-Bretanha celta no considerava a situao por esse ngulo. 
Naquela poca, prevalecia o conceito da natureza dual de Deus, bem como o antigo conceito da sagrada irm-noiva. Nesse sentido, a orao dos celtas comeava: "Nosso 
Pai-Me nos cus" e, acompanhando-a, havia ritos especificamente definidos que denotavam a encarnao mortal da entidade dupla "macho/fmea". Com a manifestao 
terrestre da deusa Ceridwin, Morgana representava o aspecto feminino, enquanto Artur, como seu meio-irmo por parte de me, era seu verdadeiro parceiro na tradio 
estabelecida desde os tempos dos faras.
No festival de Beltane, em maio, Artur foi pego como um deus em forma humana e obrigado a participar de um ritual de relao sagrada entre os aspectos gmeos do 
Pai-Me encarnado. Considerando-se a presumida divindade de Artur e Morgana durante esse rito, qualquer criana do sexo masculino que nascesse dessa unio seria 
considerada o Cristo celta, e ungido como tal. Por isso, embora Artur estivesse destinado a se tornar o tema proeminente da histria romntica, seu filho Modred 
era quem teria a mais alta posio espiritual; ele era o designado Cristo da Gr-Bretanha, o arcebispo ordenado da Sagrada Famlia e um rei pescador ungido.
Em sua maturidade, Artur manteve a tradio romana, mas foi o arcebispo Modred quem se esforou para amalgamar os velhos ensinamentos celtas com os da Igreja Crist, 
tratando os sacerdotes druidas e cristos com igualdade. Foi essa diferena essencial entre pai e filho que os disps um contra o outro. Artur se tornara essencialmente 
romanizado, enquanto Modred mantinha a tolerncia religiosa na verdadeira natureza da tradio do Graal. Apesar do extraordinrio sucesso da carreira inicial de 
Artur, sua eventual tendncia catlica o fez trair seu juramento celta de aliana. Como Grande Rei dos bretes, ele deveria ser o defensor da F, mas em vez disso 
impunha ao povo rituais especficos. Quando ele e Modred pereceram em 603, a morte de Artur no foi lamentada pela Igreja Celta, mas ele nunca ser esquecido. Seu 
reino caiu porque ele ignornou os cdigos de lealdade e servio. Sua extrema negligncia facilitou a concluso da conquista saxnica, e seus cavaleiros vagaro pela 
terra devastada at que o Graal seja devolvido. Ao contrrio do que se v em todos os mitos e lendas, foi o arcebispo Modred (no Artur), prestes a morrer, quem 
foi tirado do campo pelas Santas Irms de sua me, Morgana.




AS SANTAS IRMS

Na Historia de Geoffrey de Monmouth, as nove santas irms de Morgan le Faye so citadas como guardis da ilha de Avalon. J no primeiro sculo d.C., o gegrafo Pompnio 
Mela escrevia acerca das nove misteriosas sacerdotisas que viviam sob voto de castidade na ilha de Sein, fora da costa da Bretanha, perto de Carnac. Mela falou a 
respeito dos poderes que elas tinham de curar os doentes e prever o futuro, semelhante  histria de Morgana del Acqs, alta sacerdotisa celta com poderes profticos 
e teraputicos. A Igreja Romana, porm, no tolerava tais atributos em uma mulher e, por isso mesmo, os monges cistercienses foram obrigados a transformar a imagem 
de Morgan le Faye na Vulgata do Ciclo Arturiano.
Os cistercienses eram precisamente identificados com os Cavaleiros Templrios de Jerusalm, e a cultura do Graal nasceu diretamente do ambiente dos templrios. Os 
condes de Alsace, Champagne e Lon (aos quais eram associados escritores como Chrtien de Troyes) eram filiados  Ordem, mas a Igreja Catlica ainda influenciava 
o domnio pblico. Conseqentemente, as mulheres no tinham direito algum de exercer funes eclesisticas ou sagradas e, para reforar isso, desde meados do sculo 
XIII, Morgana (herdeira dinstica e santa irm celta de Avalon) passou a ser retratada como malvola feiticeira. No poema ingls Gawain and the Green Knight (escrito 
por volta de 1380),  a ciumenta Morgana que transforma Sir Bercilak no Gigante Verde, para assustar Guinevere.
De maneira semelhante  prtica matriarcal dos pictos, a dinastia de Avalom de Morgana se perpetuava na linha feminina. A diferena era que as filhas da rainha ocupavam 
as posies superiores - e no os filhos; assim, a honraria era eternamente feminina, em conceito. Originando-se da mesma linhagem de Jesus, as rainhas nominais 
de Avalon, em Borgonha, surgiam paralelamente aos reis merovngios, enquanto outras importantes ramificaes eram as linhagens masculinas das sucesses reais de 
Septimania e Borgonha.
O filho de Morgana, Ywain (Egain), fundou a nobre casa de Lon d' Acqs, na Bretanha, e posteriormente as armas de Lon portavam o Leo negro de Davi em um escudo 
de ouro (em termos herldicos: "Ou, um leo  solta, sable"). A provncia tambm tinha o mesmo nome porque lon era o termo espanhol de Septimania para "leo". A 
grafia inglesa apareceu no sculo XII, como uma variante do anglo-mmcs liun. At o sculo XIV, o lorde escocs Lyon, rei de Arms, ainda era chamado de Lon Hraud.
Alguns livros sugerem que o filho de Ywain, conde Withur de Len d' Acqs (geralmente abreviado como d' Ak), seja o mesmo que Uther Pendragon, por causa da semelhana 
de seus primeiros nomes. Mas, na verdade, Withur era um nome basco, derivado do irlands Witur, cujo equivalente na lngua da Cornulia era Gwythyr. No tinha relao 
com Uther que, como mencionado anterionnente, derivava de um adjetivo galico com o significado de "terrvel"
O Comit (condado) de Len foi estabelecido por volta de 530, na poca do rei breto Hoel I. Ele descendia de Arimatia, pela linhagem galesa, e sua inn. Alienor, 
era a esposa de Ywain.
Naquela poca, havia dois nveis de autoridade na Bretanha. No decorrer de uma imigrao prolongada da Gr-Bretanha, Dumnonia fora fundada, em 520, mas ainda no 
era um reino. Ento surgiu uma linhagem de reis como Hoel, mas no eram reis da Bretanha, e sim dos bretes imigrantes. Durante todo esse perodo, a regio pennaneceu 
como provncia merovngia e os reis locais eram subordinados  autoridade franca pelos condes nomeados com o ttulo de Comites non regis. O supremo senhor franco 
da Bretanha (540-544) era Chonomore, um nativo do estado franco. Como autoridade merovngia para supervisionar o desenvolvimento da Bretanha por parte dos colonizadores. 
Os antepassados de Chonomore eram prefeitos do palcio de Neustria, e ele era o herdeiro Comte de Pohor. Com o tempo, os descendentes da tia de Ywain, Viviane II, 
tomaram-se condes gerais da Bretanha.
A Bretanha tem grande destaque no romance arturiano. Em Paimpont, cerca de 48 quilmetros de Rennes, na floresta encantada de Broceliande, de onde se estende o Vale 
Sem Retomo, era que Morgana confinava seus amantes. Tambm se encontram a Tenna mgica de Barenton e o Jardim da Alegria de Merlin, embora a maioria das histrias 
de Broceliande fossem, na verdade, transpostas de relatos muito mais antigos do histrico Merlin Ernrys, na floresta calednia da Esccia.

ILHA DE AVALON

Como indicado no romance de Geoffrey de Monrnouth, Avalon era tradicionalmente associada ao Outro Mundo mgico. Foi l que o lendrio Artur se deixou seduzir pelas 
donzelas em sua eterna morada. Morgan le Faye prometeu curar as feridas de Artur se ele ficasse na ilha, e nada sequer foi dito a respeito de sua morte. A implicao, 
portanto,  que ele voltaria um dia.
Quando Geoffrey escreveu sua histria, certamente no tinha idia do furor que ela causaria. No s o relato estava errado em vrios aspectos como ele ainda sugeriu 
uma possvel Segunda Vinda do rei. Isso e mais o poder secreto que ele atribua s mulheres eram inaceitveis para a Igreja Romana, e o escritor de uma poca posterior, 
Sir Thomas Malory, tomou uma rota de conciliao. Ele simplesmente narrou Bedevere colocando Artur, ferido, em uma barca cheia de mulheres que o levariam a Avalon. 
Depois, Bedevere caminhou por uma floresta at encontrar uma capela onde o corpo de Artur fora enterrado.
Embora a Avalon de Geoffrey se localizasse no Outro Mundo da tradio celta (A-vaiou Avilion), sua interpretao era mais relacionada a escritos clssicos acerca 
das Ilhas Afortunadas, onde as frutas cuidavam de si prprias e as pessoas eram imortais. Em termos mitolgicos, lugares assim sempre ficavam "alm do mar ocidental". 
Em nenhum momento os antigos escritores identificavam um local para a ilha mstica; ela no precisava estar em nenhum lugar especfico - certamente no dentro do 
domnio mortal, pois seu encanto era o de um eterno paraso. Em termos literais, porm, a ilha era associada  histria da Avalon borgonhesa e s senhoras do Lago: 
as rainhas Viviane, da Casa del Acqs.
Tudo isso mudou em 1191, quando a ilha de Avalon foi subitamente identificada com Glastonbury, em Somerset. A definio dessa localizao em terra se justificava 
pelo fato de Glastonbury estar em uma baixada aquosa, e das vilas de Godney e Meare, prximas a lagos, remontarem ao ano 200 a.C., aproximadamente. Entretanto, por 
causa da anomalia geogrfica, o nome Vale de Avalon se tomou uma alternativa popular. Antes dessa data, no havia uma ligao reconhecida entre Artur e Glastonbury, 
exceto por uma breve meno feita por Cardoc de Llancarfan. Em 1140, ele escreveu que o abade de Glastonbury fora instrumental na libertao de Guinevere do rei 
Melwas de Somerset, mas ele no sugeriu que Glastonbury fosse Avalon. Alis, ningum sugeriu.
O que aconteceu em 1191 foi que os monges de Glastonbury fizeram uso da tradio arturiana de maneira que impressionaria os especialistas de marketing da atualidade. 
Desde ento, alguns escritores rotulam as aes deles como fraude, enquanto outros tentam explicar que os prprios monges foram iludidos pelas circunstncias. Qualquer 
que seja a verdade nesse caso, eles no s salvaram sua abadia de extino, mas tambm fizeram nascer toda uma nova tradio de Glastonbury. A abadia tinha sido 
muito danificada pelo incndio de 1184 e o rei Henry II comeou a financiar a reconstruo. Quando ele morreu, em 1189, seu filho Richard I assumiu o trono, mas 
ele tinha mais interesse em aplicar os recursos do Tesouro na Cruzada a Terra Santa. Como resultado, o financiamento para Glastonbury parou, deixando o abade e seus 
monges sem dinheiro algum. Assim, o que eles fizeram foi cavar um buraco entre alguns monumentos saxes ao sul da Capela Senhora, onde, para espanto de todos, encontraram 
os supostos restos mortais do rei Artur e da rainha Guinevere!
Aproximadamente 4,8 metros abaixo do solo, em uma canoa de carvalho, eles desenterraram os ossos de um homem alto, junto com alguns ossos menores e uma mecha de 
cabelos dourados. Essa descoberta em si no seria de grandes conseqncias, mas os monges tiveram sorte, pois pouco acima do atade de madeira parecia ter existido 
uma cruz de chumbo, incrustada em pedra. A cruz trazia a inscrio: Hic Iacet Sepultus Inclytus Rex Arthurius In Insula Avalonia Cum Uxore Sua Secunda

Wenneveria (Aqui jaz O renomado rei Artur na ilha de Avalon, com sua segunda esposa Guinevere). No s eles tinham encontrado a sepultura de Artur, mas tambm convenientemente 
uma prova escrita de que Glastonbury era a ilha de Avalon.
As autoridades da Igreja Romana, porm, no ficaram nem um pouco felizes por Guinevere ser descrita como a segunda esposa do rei, e afirmaram que a inscrio obviamente 
estava incorreta. Isso criava um problema imediato, mas logo depois a lenda ressurgia, milagrosamente alterada em ortografia e formato. Dessa vez, ignorava totalmente 
Guinevere, cumprindo melhor as exigncias: Hic lacet Sepultus lnclitus Rex Arturius ln Insula Avalonia (Aqui jaz o renomado rei Artur na ilha de Avalon).
No se sabe ao certo por que os monges escavaram naquele lugar especfico - e mesmo que tenham encontrado os ossos como afirmaram, nada havia neles que os associasse 
ao rei Artur. A identificao s vinha pela inscrio na cruz de chumbo; o latim, porm, era claramente da Idade Mdia, diferente do latim arturiano, assim como 
o ingls de hoje  diverso do da era Tudor.
Quaisquer que fossem os fatos, o propsito dos monges foi alcanado e, aps uma bem-sucedida campanha publicitria, milhares de peregrinos vinham a Glastonbury. 
A abadia enriqueceu substancialmente com as doaes e o complexo foi reconstrudo como planejado. Quanto aos alegados ossos de Artur e Guinevere, foram depositados 
em duas urnas pintadas e guardados numa tumba de mrmore preto diante do grande altar.
Os restos mortais se transformaram numa atrao to popular que os monges resolveram se beneficiar ainda mais de sua armadilha para turistas. Era evidente que se 
os ossos de Artur criavam tanta agitao, ento as relquias de um ou dois santos teriam um impacto semelhante. Assim, eles comearam a escavar novamente e, logo, 
outras descobertas foram anunciadas: os ossos de St. Patrick e St. Gildas, alm dos restos mortais do arcebispo Dunstan, que, como sabiam muitas pessoas, encontravam-se 
na catedral de Canterbury havia 200 anos!
Quando Henry VIII dissolveu os mosteiros, a abadia de Glastonbury contava com dezenas de relquias, incluindo um fio do vestido de Maria, uma lasca da vara de Aaro 
e uma pedra que Jesus se recusara a transformar em po. Com a dissoluo, porm, os dias de atividade monstica da abadia cessaram e as supostas relquias desapareceram 
sem traos. Desde aquela poca, ningum jamais viu os alegados ossos de Artur e Guinevere; s o que resta  um aviso indicando o local da tumba. Para muita gente, 
porm, Glastonbury sempre ser associada a Avalon. Alguns preferem a idia de Tintagel, de Geoffrey, enquanto outros apostam em Bardsey ou na Ilha Sagrada. Entretanto, 
a despeito da real Avalon em Borgonha,  bvio que o Outro Mundo celta era um reino mtico, com uma tradio remontando a tempos imemorais.
Se a ilha mstica existia no plano mortal, ento devia ser parecida com aquele paraso eterno que a tribo pr-goidlica Fir Bolg chamava de Arunmore. De Connacht, 
Irlanda, os Fir Bolg ordenaram seu rei Oengus mac Umir, no santurio insulano atemporal, nos antigos dias a.C. Era para esse lugar que os guerreiros fugiam aps 
serem derrotados pelos Tuatha D Danann, na lendria batalha de Magh Tuireadh. A Ilha Encantada ficaria no mar entre Antrim e Lethet (o trecho de terra entre o Clyde 
e o Forth). Arunmore era a ilha de Arran, o tradicional lar de Manannan, o deus do mar. Arran tambm era chamada de Emain Ablach (o lugar das mas) e essa relao 
foi perpetuada em Life of Merlin, que se referia especificamente  Insula Pomoru - a ilha das Mas.

INTRIGA CONTRA A LINHAGEM

A IGREJA EM EVOLUO

Separada da Igreja Bizantina, a Igreja de Roma desenvolveu o tema do Credo dos Apstolos algum tempo depois do ano 600. Foram incorporadas passagens que ainda hoje 
so familiares: Deus se tornou o "criador de cu e da terra" e, em uma representao que nada tem a ver com a Bblia, Jesus (que "padeceu sob Pncio Pilatos") "desceu 
 manso dos mortos". antes de ressuscitar ao terceiro dia. O Credo, nessa poca, tambm introduziu o conceito da Santa Igreja Catlica e da Comunho dos Santos.
Durante os sculos VI e VII, a suposta crena hertica nestoriana se espalhou at a Prsia, o Iraque e o sul da ndia - alcanando at a China, onde os missionrios 
chegaram  corte imperial do imperador T'ang T'ai-tsung, em 635. Ele se sentiu to inspirado pela nova doutrina que mandou traduzir o credo nestoriano para o chins 
e sancionou a construo de uma igreja e um mosteiro comemorativos. Quase um sculo e meio mais tarde, em 781, um monumento em homenagem a Nestrio foi erguido em 
Sian-fu.
Enquanto isso, os arianos (que tambm negavam a divindade de Jesus) tinham desenvolvido uma forte influncia na sociedade europia. A histria crist usa o termo 
"brbaro" para descrever arianos como os godos, visigodos (godos do oeste), ostrogodos (godos do leste), vndalos (Wends), lombardos e borgonheses, mas a descrio 
se refere a nada mais que diferenas culturais; ela no implica que esses povos fossem rufies pagos. A hostilidade declarada dos tais brbaros para com Roma e 
Bizncio no era mais brbara do que o imperialismo romano selvagem, e na maior parte do tempo eles eram mais defensivos do que agressivos. Embora tivessem sido 
outrora totalmente pags (como os prprios romanos), essas tribos, na maioria, j tinham se tornado seguidoras de rio no sculo IV. Da Espanha e do sul da Frana, 
atravs da Ucrnia, a maior parte da Europa germnica era crist ariana no sculo VII.

Outra doutrina que, at certo ponto, tornara-se associada aos nestorianos e arianos era remanescente do culto de Prisciliano d'  vila, do sculo IV. Seu movimento 
cristo alternativo tinha comeado no noroeste da Espanha, fazendo significativas incurses em Aquitnia. Fundamental para a crena prisciliana - que veio do Egito, 
da Sria e da Mesopotmia - era a mortalidade da Bem-Aventurada Maria, idia contrria  sua imagem semidivina na Igreja Romana. Prisciliano fora executado em 386 
d.C. em Trier (norte de Metz), e seu corpo foi transferido posteriormente para sepultamento na Espanha.
Diante dessas alternativas ao Cristianismo ortodoxo que se alastravam, a Igreja Catlica ia perdendo sua proeminncia no Ocidente. O Catolicismo estava cercado e 
infundido de vrias outras formas de F. Entretanto, elas geralmente se baseavam em tradies judaicas, em vez do conceito paulino que fora adotado e adaptado por 
Roma. Com exceo de algumas faces com base espiritual dentro do movimento gnstico, elas retinham crenas prximas  tradio dos desposyni, promovendo a doutrina 
nazarena da humanidade de Jesus e pregando sua mensagem, em vez de venerar sua pessoa.
Paralelamente  estrutura cerimonial da Igreja Romana, uma seita erudita evoluiu s margens do Catolicismo. Era um movimento dinstico (encabeado por Martinho de 
Tours) que negava o episcopado e se baseava em antigos conceitos egpcios e orientais, de um modo geral. A sociedade essnia em Qumr tinha uma existncia solene 
e regulada - um estilo de disciplina religiosa que fora perpetuado nas regies dos desertos. Essa mesma excluso, essencial para a existncia monstica, fosse ela 
aplicada a comunidades pequenas ou aos eremitas ascticos (eremoi), era perfeitamente apropriada para uma vida de estudo e contemplao.
Provavelmente, o pioneiro monstico So Martinho (316-397 d.C.) seja mais bem lembrado por ter partido seu manto em dois, para dividi-lo com um mendigo nu. Natural 
de Pannia, Martinho foi um bom soldado no exrcito imperial antes de fixar residncia em Poitiers, e estabeleceu o primeiro grande mosteiro da Glia, em Marmoutier. 
Por volta de 371 d.C., ele foi nomeado bispo de Tours, mas continuou sua existncia monstica. Futuramente, Martinho se tornaria o santo padroeiro da Frana.
Um dos primeiros missionrios da Europa nas ilhas britnicas foi So Germano d' Auxerre, que visitou a Gr-Bretanha no sculo V, e foi o professor de S1. Patrick, 
da Irlanda. Filho de um dicono da igreja celta, Patrick fora capturado por piratas, quando ainda era menino. Depois de algum tempo como escravo, ele fugiu para 
a Glia, onde foi treinado para ser missionrio, nos mosteiros de Lrins e Auxerre. Em 431 d.C., ele retomou  Gr-Bretanha, e comeou sua misso em Northumbria.

Os ensinamentos de Patrick eram diferentes em muitos aspectos dos ensinamentos de Roma, e seus escritos indicam uma distinta tendncia para as tradies dos arianos 
e nestorianos. Ele no era apreciado pela Igreja Catlica, cujos governadores afirmavam categoricamente que Patrick no servia para o sacerdcio. Patrick baseava 
seus ensinamentos somente nas escrituras. Ele no tinha tempo para a autoridade estrita dos bispos romanos, pois se interessava muito mais pela fraternidade da Igreja 
Celta adversria.
Uma das figuras de maior destaque no estabelecimento de mosteiros europeus foi So Benedito (c.480-544 d.C.). Natural de Spoleto, Itlia, Benedito fixou residncia 
numa remota caverna nas florestas, perto de Roma. Mais tarde, ele encontrou um retiro mais agradvel no belo monte Cassino (uma colina proeminente entre Roma e Npoles), 
que era, na verdade, o local de um velho templo de Apolo. O lugar pago no agradava aos bispos catlicos, mas a Benedito logo se juntou um grande grupo de discpulos, 
dentre os quais Gregrio, o Grande, bispo de Roma entre 590-604. Em relativamente pouco tempo, o grupo beneditino ganhou considervel influncia nas questes polticas 
- especialmente em seus esforos para conciliar os godos com os belicosos lombardos da Itlia.
A Ordem de So Benedito promovia a devota reverncia, a observncia estrita das horas de orao e a prtica das posses comuns no ambiente monstico de aprendizado, 
sob a superviso de um abade residente. Com o tempo, Benedito fundou 12 mosteiros, cada um com 12 monges, e ele geralmente  considerado o Pai das ordens monsticas 
no Cristianismo ocidental. Desde aqueles tempos remotos, os beneditinos eram grandemente responsveis por manter altos padres de educao, arte sacra e msica na 
Europa. Essa era da evoluo da Ordem Beneditina assinala o comeo do que s vezes se chama de Era dos Santos - um perodo que, na tradio romana catlica, podemos 
dizer que ainda se estende at hoje.
Enquanto a Igreja Romana se ocupava obsessivamente com dogmas e estrutura eclesistica, a Igreja Celta mostrava um interesse pelos coraes e mentes das pessoas. 
Em 597, o Cristianismo celtaj estava to difundido que o bispo Gregrio de Roma enviou o monge beneditino, Agostinho, *  Inglaterra, especificamente para estabelecer 
a Igreja Romana mais firmemente no pas. Sua chegada foi deliberadamente marcada para logo depois da morte do proeminente Pai da Sagrada Famlia, o gentil So Columba. 
Agostinho comeou seu trabalho no sudeste da Inglaterra (mais precisamente em Kent), onde a esposa do rei local, Aethelbert, j era catlica convicta. Em 601, Agostinho 
foi proclamado o primeiro arcebispo de Canterbury e, dois anos depois, ele tentou se tomar Primado da Igreja Celta tambm. Entretanto, tal investida s poderia dar 
errado, num sistema que permanecia mais nazareno do que romano. Na verdade, o plano de Agostinho no era a unificao das igrejas, e sim a subjugao estratgica 
de uma igreja tradicional que Roma tinha declarado mais ou menos herege.
Somente em 664, no Snodo de Whitby, em North Yorkshire, Roma conseguiu a primeira vitria doutrinal sobre a Igreja Celta. O principal debate era acerca da data 
da Pscoa, pois o sumo pontfice tinha resolvido que a Pscoa crist no devia mais ser formalmente associada  Passagem, ou  Pscoa dos judeus. Contra todos os 
costumes prevalecentes e contra toda a tradio celta, os bispos catlicos conseguiram o que queriam - eliminando para sempre os histricos vnculos judaicos e celtas. 
Tradicionalmente, porm, o festival da Pscoa na Gr-Bretanha no era uma celebrao de Passagem no estilo judaico, nem coisa alguma ligada a Jesus. A Pscoa, ou, 
em ingls, Easter, representava tanto em nome como em poca, Eostre, a deusa da primavera, cujo feriado era observado muito antes de qualquer associao com o Cristianismo.
Depois do Sinodo, a Igreja Catlica aumentou sua fora na Gr-Bretanha, mas a Igreja Celta no podia ser suprimida sem uma declarao expressa de guerra contra a 
Irlanda. No entanto, os dias do imperialismo romano estavam contados e nenhum exrcito que a Igreja Romana pudesse montar derrotaria as ferozes tropas dos reis irlandeses. 
A Igreja Celta, conseqentemente, permaneceu muito ativa na Gr-Bretanha e a Sagrada Famlia de So Columba acabou se tomando a sede eclesistica dos reis dos escoceses.
Em meio a tudo isso, o maior problema do bispo de Roma era sua incapacidade de ganhar supremacia sobre as casas reais da Gr-Bretanha celta. Roma tinha experimentado 
uma dose de sucesso potencial com a converso do rei Artur, mas Artur morrera e a herana nazarena do ttulo druida permanecia firme por causa dos sucessores de 
seu meio-irmo Eochaid Buide. Pouco depois da ascenso de Eochaid, em 610, o bispo Bonifcio IV adotou o novo ttulo romano de Papa, uma alternativa a ser chamado 
de "construtor de pontes" (pontfice). Foi uma tentativa clara e positiva de competir com a antiga distino celta de Pai, herdada da tradio essnia. Mas quando 
a nova supremacia papal foi testada em Dianoto, abade de Bangor, ele respondeu que nem ele nem seus colegas reconheciam tal autoridade. Eles estavam preparados, 
disse, para reconhecer a Igreja da Deus, "mas quanto  obedincia, ns sabemos que nenhum dos quais vocs chamam de Papa (ou Bispo dos bispos) pode exigir". Uma 
carta local escrita ao abade de lona, em 634, referia-se inegavelmente a St. Patrick (o Pai prevalecente) como "Nosso Papa".

No decorrer dos sculos, vrias tentativas foram feitas para negar a herana sacerdotal e patriarcal da Igreja Celta (que era suficientemente autoritria para causar 
preocupao no Vaticano). As ordens sagradas catlicas romanas deveriam depender da Sucesso Apostlica, mas nenhuma sucesso dessa espcie podia ser comprovada, 
pois o apstolo Pedro (em que a sucesso supostamente se apoiava) nunca tivera um cargo formal. O primeiro bispo nomeado de Roma foi o prncipe Lino, da Gr-Bretanha, 
filho de Caractaco, o Pendragon, e, conforme registrado nas Constituies Apostlicas da Igreja, Lino iniciou a verdadeira sucesso, tendo sido ordenado por So 
Paulo enquanto Pedro ainda vivia, no ano 58 d.C.
Posteriormente, em 180 d.C., Irineu, bispo de Lyon, escreveu: "Aps fundar e construir a Igreja de Roma, os Apstolos deixaram seu ministrio sob a superviso de 
Lino". Em tentativas de velar a herana real de Lino, costumava-se descrev-Io como um escravo inferior, mas isso no tirou o espinho do flanco da Igreja e, por 
causa disso, a doutrina papal tem de ser considerada "infalvel" quando emana do trono. Sem essa doutrina, todo o conceito de uma progresso estruturada de bispos 
superiores na sucesso apostlica, desde Pedro, cairia por terra, pois Pedro nunca foi bispo de Roma ou de qualquer outro lugar.
O bispo Teodsio tentou forjar um vnculo apostlico em 820, ao anunciar que os restos mortais de Tiago Boanerges (So Tiago, o maior) tinham sido desenterrados 
em Compostela, na Espanha. Em 899, o resultante santurio em Santiago (So Tiago) se tomou uma grande catedral, destruda pelos mouros em 997, e reconstruda em 
1078. Mas era conhecimento comum do Novo Testamento que Tiago Boanerges (irmo de Joo) fora executado em Jerusalm por Herodes de Clcis, em 44 d.C. (Atos 12:2). 
Portanto, era mais provvel que os ossos descobertos (se  que pertenciam a algum chamado Tiago) fossem do discpulo Tiago Cleofas, que veio para o Ocidente com 
sua esposa Maria Jac, na jornada de Madalena. Mesmo essa  uma possibilidade remota, porm, e j foi sugerido - de modo nada convincente - que as relquias e a 
posterior herana de Santiago de Compostela pertencessem a Prisciliano d' vila.

CISMA NO CRISTIANISMO

A ciso final de Roma com a Igreja Oriental ocorreu em 867, quando a segunda anunciou que mantinha a verdadeira Sucesso Apostlica. O primeiro Conclio do Vaticano 
discordou, e ento Ftio, o patriarca de Constantinopla, excomungou o papa Nicolas I de Roma!
Isso provocou novas brigas quanto  definio da Trindade. Os catlicos da cristandade ocidental decidiram ratificar o que era chamado de Artigo Filioque, introduzido 
no Conclio de Toledo em 598. Ele declarava que o Esprito Santo procedia "do Pai e do Filho" (latim: filioque). A Igreja Oriental afirmava o contrrio, dizendo 
que o Esprito procedia "do Pai pelo Filho" (grego: dia tou huiou). Era um ponto de discusso teolgica intangvel e at extraordinrio, mas aparentemente bom a 
ponto de dividir no meio o Cristianismo formal. Na realidade, claro, tratava-se apenas de uma desculpa trivial para perpetuar o debate acerca de quem deveria controlar 
politicamente a Igreja, Roma ou Constantinopla. O resultado final foi  formao de duas igrejas distintas a partir da original. 
Com o passar do tempo, a Igreja Oriental mudou relativamente pouco. De sua primazia em Constantinopla, ela continuou seguindo rigidamente os ensinamentos das escrituras 
e seu foco de culto se tornou o ritual da Eucaristia (dar graas) com po e vinho.
O Catolicismo, por outro lado, passou por numerosas mudanas: novas doutrinas foram acrescentadas e velhos conceitos adaptados ou mais bem substanciados. A partir 
do sculo XII, sete sacramentos passaram a ser considerados capazes de personificar a graa de Deus na vida fsica de uma pessoa (embora nem todos fossem necessrios 
para a salvao individual). Eram classificados como: batismo, primeira comunho, crisma, confsso e penitncia, ordenao em ordens sagradas, a solenizao do 
matrimnio e a uno dos enfermos e dos moribundos (a extremauno ou os ritos finais). Foi declarado tambm que o po e o vinho da Comunho eram realmente transformados, 
na consagrao, no corpo fsico e no sangue de Jesus (a doutrina da Transubstanciao).
Assim como a Igreja Romana de Constantino comeara como um hbrido, tambm a sua estrutura permaneceria composta. Novos mtodos e ideologias foram introduzidos para 
manter um eficiente controle das congregaes a distncia, numa sociedade catlica que se expandia. Dessa forma, o Catolicismo romano evoluiu de maneira estritamente 
regulada, e algumas doutrinas que hoje parecem ser tradicionais so, na verdade, implementos recentes. Foi s na era vitoriana que certos aspectos do credo catlico 
(at ento apenas implcitos) foram determinados como itens explcitos de f. A doutrina da Imaculada Conceio, por exemplo, s foi expressada formalmente em 1854, 
quando o papa Pio IX decretou que Maria, a me de Jesus, tambm fora concebida livre do pecado original. A Assuno de Maria ao Cu s foi definida na dcada de 
1950 pelo papa Pio XII, enquanto o papa Paulo VI proclamou Maria como Me da Igreja em 1964.
Tais decretos foram possveis graas  afirmao de autoridade da "infalibilidade do papa". O dogma referente a isso foi proclamado no primeiro Conclio do Vaticano 
em 1870, quando se afirmou, sem tolerncia a contestaes, que "o papa  incapaz de errar ao definir questes pertinentes ao ensinamento da Igreja e  moralidade!"

CONTROLE DA ARTE RELIGIOSA

A Igreja Catlica Romana no pretendia apenas manter o controle dos registros histricos e da literatura romntica. Na verdade, os bispos tinham em mira qualquer 
coisa que parecesse contrria s suas noes dogmticas e, com isso em mente, implementaram uma correo ortodoxa que passou a regulamentar toda a esfera criativa. 
Que a Madona sfosse representada em branco e azul j foi comentado, mas havia outras regras que governavam a arte sacra em geral. Alguns artistas, como Botticelli 
e Poussin, conseguiram introduzir elementos simblicos em suas obras - algo que os no iniciados no compreenderiam; mas em termos gerais, a arte de boa parte da 
Europa era limitada por rgidas orientaes do Vaticano.
Desde os primeiros dias da Igreja Romana, os parentes masculinos de Jesus representavam um problema que, no entanto, foi facilmente contornado quando a Igreja os 
empurrou para trs na tradio, enquanto Maria, a me de Jesus, foi trazida para a frente. O desafortunado Jos (pai de Jesus e Tiago e o verdadeiro elo na sucesso 
real) foi deliberadamente deixado de lado, enquanto o culto  Virgem Maria cresceu fora de proporo. Por meio dessa estratgia considerada, o conhecimento pblico 
da contnua linhagem de Jud foi convenientemente suprimido.
A Igreja estipulou regras quanto a quem podia ser retratado em arte e como Ana, me de Maria, raramente aparecia em quadros com sua filha, porque sua presena detrataria 
Maria de seu estado divino. Se a presena visvel de Ana fosse essencial, ela era colocada numa posio subordinada. Santa Ana e a Madona, de Francesco da San Gallo, 
 um bom exemplo de como a me se senta atrs da filha. A viso de Santa Ana de Cesi mostra Ana ajoelhada diante de uma viso de Maria. A Virgem e o Menino com Santa 
Ana, de Leonardo da Vinci,  astutamente feito de maneira que mostra Maria sobre o joelho da me, ficando na frente dela. De modo semelhante, Ana aparece atrs da 
filha em A Famlia da Virgem, de Pietro Perugino.

O marido de Maria, Jos, e o pai dela, Joaquim, geralmente eram confinados a posies inferiores ou ao fundo, nos trabalhos artsticos. Os dois personagens criavam 
problemas porque suas funes paternais eram contrrias  alegada Imaculada Conceio. Os afrescos de Taddeo Gaddi (morto em 1366) preferiam reduzir Joaquim, mostrando-o 
em seu momento menos dignificado. Ele foi freqentemente reproduzido no momento em que o sumo sacerdote Issacar o expulsava do Templo, achando que poderia ter oferecido 
um cordeiro para um banquete quando ainda no era pai. Na Sagrada Famlia de Michelangelo, Maria  elevada a um trono central, enquanto seu marido Jos recosta sobre 
uma balaustrada ao fundo, aparentemente contemplando alguma outra coisa no relacionada ao tema principal.
A Igreja adoraria negar que a Bem-aventurada Maria sequer se casou, mas os artistas no podiam fugir da clareza dos Evangelhos. Entretanto, no havia espao para 
sugestes de contato fisico entre Jos e Maria. Por esse motivo, Jos costumava ser representado como algum consideravelmente mais velho que sua esposa - perdendo 
cabelo e no se interessando muito por sua famlia, como em A Adorao dos Pastores, de Ghirlandajo (c.1485). O famoso quadro Doni Tondo, de Michelangelo (1504), 
tambm apresenta um Jos bem calvo e de barba branca, assim como O Descanso da Famlia na Fuga para o Egito, de Caravaggio. Na verdade, Jos costumava ser mostrado 
praticamente como um enfermo, sentindo-se desconfortvel e apoiado em uma muleta, enquanto Maria estava sempre bela e serena, como em A Sagrada Famlia de Paolo 
Veronese.

Quando Jos foi canonizado na Espanha, no sculo XVI, a situao mudou um pouco para o beneficio dele. Entretanto, por meio de um simbolismo sutil, ele era retratado 
apenas como pai adotivo de Jesus, carregando sempre um lrio para expressar a pureza de seu relacionamento com Maria. O renomado quadro Sposalizio, de Rafael, mostrando 
o casamento de Maria e Jos, encaixa-se nessa categoria - mostrando um lrio no topo do cajado de Jos, embora o mostre um pouco mais jovem do que se costumava.

Assim como o lrio era o smbolo aceito da virgindade de Maria, a rosa era o smbolo de sua beleza. Freqentemente, ela era representada segurando uma rosa, ou num 
jardim de rosas, como na Madona de Cesare di Seso, e A Madona e a Roseira, de Martin Schoen. Os dois conceitos derivam do Cntico dos Cnticos 2: 1 - "Eu sou a rosa 
de Sharom, o lrio dos vales". Desde tempos muito remotos, o lrio era chamado dejleur de Marie, e foi por esse motivo que o gladolo (em sua forma judaica dejlorde-lis) 
era adotado pelos reis merovngios para significar sua descendncia messinica na Frana.
A presena necessria de Jos era causa de certa dificuldade para os artistas reproduzindo a Natividade. Mas a dificuldade foi superada em pinturas do sculo XVI, 
como A Natividade, de Alessando Moretto, que o mostrava idoso e usando um cajado para se firmar. s vezes, Jos parece at senil, ou adormecido, como no quadro de 
Lorenzo di Credi. De uma forma ou de outra, esse descendente real da Casa de Davi foi constantemente reduzido  funo de observador suprfluo (como em A Adorao 
dos Magos, de Hans Memling) e raramente lhe deram a chance de fazer parte de alguma ao relevante. Alm disso, em quadros como Repouso no Egito, de Van Dyck, Jos 
mal parece capaz de exercer qualquer ao - parecendo prestes a cair aos ps de Maria e se juntar ao pai dela, Joaquim, no caminho oficial ao esquecimento.

ENTRAM OS CAROLNGIOS

Em meados do sculo VII, Roma estava em posio de comear a desmantelar a sucesso merovngia na Glia - um plano que, como vimos anteriormente, foi elaborado no 
batismo do rei Clvis. Em 665, o prefeito do palcio em Austrsia (posto equivalente ao de primeiro-ministro) se encontrava firmemente sob controle papal. Quando 
o rei Sigeberto II morreu, seu filho Dagoberto tinha apenas cinco anos de idade, e o prefeito Grimoaldo resolveu agir. Para comear, ele seqestrou Dagoberto e o 
levou  Irlanda, para viver exilado entre os escoceses galicos. Depois, no esperando rever o jovem herdeiro, Grimoaldo disse  rainha Immachilde que seu filho 
tinha morrido.
O prncipe Dagoberto foi educado no mosteiro Slane, perto de Dublin, e se casou com a princesa Matilde quando tinha 15 anos. Subseqentemente, ele foi a York sob 
a tutela de St. Wilfred. Mas Matilde morreu e Dagoberto resolveu retomar para a Frana, para enorme surpresa de sua me. Nesse meio tempo, Grimoaldo tinha colocado 
seu filho no trono de Austrsia, mas Wilfred de York e outros espalharam a notcia da traio do prefeito e a Casa de Grimoaldo foi devidamente desacreditada. Tendo 
casado pela segunda vez, e agora com Gizelle de Razes, uma sobrinha do rei visigodo, Dagoberto foi reinstitudo em 674 (depois de uma ausncia de quase 20 anos) 
e a intriga romana sofreu um revs - mas no por muito tempo.
O reinado de Dagoberto II foi curto, mas eficaz; seu principal sucesso foi centralizar a soberania merovngia, mas o movimento catlico estava firmemente decidido 
a negar sua herana messinica, porque ela obscurecia a supremacia do Papa. Entre os inimigos invejosos de Dagoberto estava seu poderoso prefeito, Pepino de Heristal, 
o Gordo. Dois dias antes do Natal de 679, Dagoberto estava caando perto de Stenay, nas Ardenas, quando foi confrontado pelos homens de Pepino e morto com lanas 
empalado a uma rvore. A Igreja de Roma aprovou rapidamente o assassinato e logo entregou a administrao merovngia de Austrsia ao ambicioso prefeito.
Pepino, o Gordo, foi sucedido por seu filho ilegtimo, o bem conhecido Carlos Martel (o "Martelo"), que ganhou reconhecimento por rechaar a invaso moura perto 
de Poitiers, em 732. Em seguida ele apoiou a empreitada romana, obtendo controle de outros territrios merovngios. Quando Martel morreu, em 741, o nico merovngio 
com alguma notvel autoridade era o sobrinho de Dagoberto II, Childerico III. O filho de Martel, Pepino, o Breve, era o prefeito de Neustria. At aquele ponto (exceto 
pela questo com Grimoaldo), a monarquia merovngia tinha sido estritamente dinstica; a sucesso hereditria era um direito automtico e sagrado - uma questo na 
qual a Igreja no podia se meter. Mas essa tradio estava destinada  superao, to logo Roma agarrasse a oportunidade de "criar" reis por meio da autoridade papal. 
Em 751, Pepino, o Breve, aliado ao papa Zacarias, garantiu a aprovao da Igreja para a sua coroao como rei dos francos, no lugar de Childerico. Para facilitar 
esse processo, um documento fraudulento foi produzido, que decretava que o papa era o representante escolhido pelo prprio Cristo na Terra, e s ele tinha o direito 
de nomear reis. O documento se chamava Doao de Constantino. E diziam que ele tinha sido escrito e assinado por Constantino havia 400 anos. Como j foi comprovado 
muitas vezes, a partir da Renascena, a Doao (assunto discutido em detalhes em Realm of the Ring Lords) era uma farsa gritante. No entanto, permitia que o to 
esperado ideal da Igreja fosse realizado e, a partir daquele momento, os reis s eram endossados e coroados por prerrogativa romana, auto-investida de autoridade.
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    Assim, Pepino se tomou rei com a bno do Papa, e Childerico foi deposto. O voto de aliana feito pela Igreja Romana, em 496 d.C., ao rei Clvis e seus descendentes, 
foi quebrado. Depois de quase dois sculos e meio, a Igreja estava em posio de usurpar o antigo legado da linhagem merovngia e assumir controle do reino franco, 
ordenando seus prprios reis. Childerico foi publicamente humilhado pelos bispos. Seu cabelo (longo, segundo a tradio nazarena) foi cortado brutalmente curto e 
ele ficou aprisionado num mosteiro, onde morreu quatro anos depois.
Assim comeava uma nova dinastia de reis franceses, os carolngios cujo nome vinha do pai de Pepino, Carlos (Carolus) Martel.
     Como no podia ser de outra forma, as histrias da poca eram compiladas pelos escrives do Vaticano, ou por outros que seguiam a autoridade do mesmo. O resultado 
inevitvel foi que os relatos da vida de Dagoberto foram suprimidos a ponto de ele no existir nas crnicas. S dali a mil anos os verdadeiros fatos de sua existncia 
viriam a pblico novamente. E s ento ficou evidente que Dagoberto tinha um filho chamado Sigeberto, que foi salvo das armadilhas dos prefeitos em 679. Aps o assassinato 
de seu pai, ele foi levado  casa de sua me em Rennes-Ie-Chateau, em Languedoc. Na poca da deposio de Childerico, Sigeberto (efetivamente Sigeberto III) tinha 
se tomado o Conde de Razes, sucedendo seu av materno, o visigodo Bera II. Com o tempo, a linhagem merovngia deposta desde Sigeberto inclua o primeiro famoso cruzado, 
Gofredo de Bouillon, defensor do Santo Sepulcro.

REIS DOS JUDEUS

Aps serem derrotados por Carlos Martel na dcada de 730, os mouros islmicos se retiraram para a cidade de Narbonne, no sul da Frana, que se tomou sua base para 
maior resistncia militar. Isso representava um problema difcil e prolongado para Pepino, o Breve, que foi buscar a assistncia dos judeus de Narbonne. Ele finalmente 
conseguiu o apoio deles, mas por um preo. Os judeus concordaram em lidar com o problema se Pepino garantisse o estabelecimento de um reino judaico  dentro do territrio 
de Borgonha - um reino que teria como lder um descendente reconhecido da Casa Real de Davi. 
Pepino concordou e os judeus derrotaram os mouros dentro da cidade. O reino judaico de Septimania (os Midi) foi, ento, estabelecido em 768, de Nimes at a fronteira 
espanhola, com Narbonne como capital. O antigo governador da regio era o merovngio Teodorico IV (Thierry), que foi tirado do poder em Neustria e Borgonha por Carlos 
Martel, em 737. Teodorico (conhecido pelos mouros como Makir Theodoric) era casado com a irm de Pepino, o Breve, Alda. Foi o filho deles, conde Guilherme de Toulouse, 
quem ascendeu ao novo trono como rei de Septimania, em 768. Guilherme era no s da linhagem merovngia, mas tambm um Potentado reconhecido de Jud, detentor da 
distino de Isaac no patriarcado.
O filho de Pepino, Carlos, era o governante que ficou conhecido como Carlos Magno, o Grande. Como rei dos trancos a partir de 771 e imperador do Ocidente desde 800, 
Carlos Magno se alegrava em confirmar o direito de Guilherme  soberania dinstica em Septimania. A nomeao tambm foi reconhecida pelo califa de Bagd e, com relutncia, 
pelo papa Estevo em Roma. Todos reconheciam o rei Guilherme da Casa de Jud como verdadeiro sucessor na linhagem do rei Davi. Guilherme foi grandemente influenciado 
pelo ascetismo de So Benedito e fundou seu prprio mosteiro em Gellone. Em 791, ele instituiu sua famosa Academia Judaica de So Guilherme, sendo posteriormente 
mencionado pelo cronista do Santo Graal, Wolfram von Eschenbach.
O herdeiro e filho mais velho de Guilherme e sua esposa Guibourg foi o prncipe Bernardo de Septimania; seus outros filhos eram Heriberto, Bera e Teodorico. Bernardo 
se tornou camarista imperial e era o segundc em autoridade, a servio do imperador carolngio. Ele foi o estadista franco lder, a partir de 829, e se casou com 
a filha de Carlos Magno, Dhuada no palcio imperial de Aix-La-Chapelle, em junho de 824. Os dois tiveram dois filhos: William (novembro de 826) e Bernardo (maro 
de 841). William se tornou um proeminente lder militar e Bernardo II segurava as rdeas de Aquitnia, rivalizando com o rei Lus II em poder e influncia na regio.
Mais de 300 anos depois, a sucesso de Davi ainda existia nos Midi espanhis, embora o reino j no funcionasse mais como um Estado separado dentro de outro Estado. 
Em 1144, o monge ingls Theobald de Cambridge afirmaria (ao iniciar uma acusao de assassinato ritual contra os judeus de Norwich):

"Os chefes e rabinos entre os judeus que vivem na Espanha se renem em Narbonne, onde a Semente Real reside, e onde eles so tidos no mais alto apreo".

Em 1166, o cronista Benjamin de Tudela relatou que ainda existiam propriedades significativas mantidas pelos herdeiros de Davi:

"Narbonne  uma cidade antiga da Tora... L habitam sbios, magnatas e prncipes, liderados por Kalonymos, filho do grande prncipe Todros, de abenoada memria, 
um descendente da Casa de Davi, como mostra sua rvore genealgica. Ele possui legados e outras propriedades em terra herdadas dos governantes do pas, e ningum 
pode priv-lo de tais coisas".

O SANTO IMPRIO ROMANO

O rei Carlos Magno expandiu grandemente os territrios francos, e por lidar com os saxes tambm se tornou rei dos lombardos. Em 800, ele foi coroado imperador do 
Ocidente pelo papa Leo III. Com essa estratgia, a Igreja de Roma inaugurava um novo domnio imperial - um domnio em controle de territrio que compreendia boa 
parte da Europa Ocidental e Central. O sucessor de Carlos Magno foi Lus I (o Piedoso), e aps sua morte, em 840, a unidade do imprio ficou comprometida por seus 
filhos rebeldes. Finalmente, aps trs anos de contendas, o reino se dividiu em trs, com o Tratado de Verdu de 843. O reino do Meio inclua Itlia, Lorraine e Provena. 
No Oeste estava a Frana, e no Leste a Germnia.
Com exceo de Carlos Magno, que definiu a Frana como um domnio imperial e cultural, os carolngios foram monarcas incompetentes ao extremo. Seus nobres se tomaram 
semi-independentes, enquanto os escandinavos (normandos) puderam invadir o norte da Frana e criar a Normandia. O ltimo rei carolngio foi Lus V (o Indigno). Ele 
foi sucedido por Hugo Capeto, o duque da Frana, em 987, e assim comeava a dinastia dos capetngeos, que reinaria at 1328.
Quando os capetngeos sucederam ao trono da Frana, o ttulo imperial eletivo passou para os reis germnicos da linhagem saxnia e, a partir do sculo XI, os imperadores 
eram principalmente da sucesso de Hohenstaufen. Com o devido tempo, eles se tomaram to poderosos que disputavam com o papado a supremacia na Europa. A principal 
disputa comeou em 1075, com uma contenda - chamada de Controvrsia da Investidura - acerca de quem exatamente tinha o direito primrio de investir bispos em troca 
por seus votos de lealdade.
No contexto dessa luta contnua contra o domnio do Vaticano, os partidrios dos Hohenstaufen anti-romanos ficaram conhecidos como gibelinos (nome derivado de seu 
castelo, em Waiblingen). Seus rivais pr-romanos eram chamados de guelfos (ou Guelphs, de Welf, duque da Bavria). Os gibelinos mantiveram sua posio proeminente 
at os Hohenstaufens serem militarmente derrotados por uma aliana papal em 1268. A partir daquele momento, o imprio se tomou o Santo Imprio Romano, e os imperadores 
emergentes eram invariavelmente os Habsburgos - uma famlia originria da Sua, no sculo X. Desde 1278, os Habsburgos eram os governantes da ustria, e em 1516 
tambm herdaram a coroa espanhola. Durante cinco sculos, eles foram a mais proeminente de todas as casas europias, e governaram o Santo Imprio Romano, quase continuamente, 
at sua abolio em 1806.

TEMPLO DO GRAAL

LEGADO DO SANGRAL

De todos os temas arturianos, o mais romntico  o do Santo Graal, e, no entanto, por causa de sua longa tradio, ainda no se sabe ao certo sua localizao no 
tempo. As trs teorias mais importantes o atriburam ao primeiro sculo da era crist, ao perodo arturiano ou  Idade Mdia. Essencialmente, o Graal  atemporal.
O Graal tem sido simbolizado por muitas coisas: um clice, uma bandeja, uma pedra, uma urna, uma aura, uma jia ou uma videira. s vezes ele  tangvel, com guardies 
vigiando-o ou donzelas que zelam por ele, mas geralmente  etreo, aparecendo de diversas formas, incluindo a do prprio Jesus. Alguns de seus poderes so os de 
rejuvenescimento. conhecimento e proviso. Assim como Jesus curava, ensinava e provia, o mesmo faz o Graal. Seu nome varia entre Graal, Saint Graal, Seyn; Grayle, 
Sangral, Sankgreal, Sangrail, Sank Ryal e, claro, em ingls. Holy Graal; mas, independentemente da definio, seu esprito permanece bem no centro da realizao.
Apesar de uma origem ao mesmo tempo romntica e sagrada, as histrias do Graal permanecem uma heresia no-proclamada, sendo associadas a tradies pags, a blasfmia 
e a mistrios profanos. Alm disso, a Igreja Romana condenou veementemente o Graal por causa de suas fortes associaes femininas, particularmente com o ethos do 
Amor Romntico (Amour Courtois) na Idade Mdia. As noes romnticas do cavalheirismo e as canes dos trovadores eram desprezadas por Roma porque colocavam a mulher 
num pedestal de venerao, contrrio  doutrina catlica. Um motivo muito mais forte, porm, para a relutncia da Igreja em aceitar a tradio do Sangral deriva 
da linhagem especificamente messinica da Famlia do Graal.
Em sua funo mais popular, o Santo Graal  identificado como o clice usado por Jesus na Santa Ceia. Aps a crucificao, ele supostamente foi enchi do com o sangue 
de Jesus por Jos de Arimatia. Esse conceito surgiu pela primeira vez no sculo XII, mas sua perpetuao se deveu em grande parte graas  publicao de Holy Graal, 
de Alfred, lorde Tennyson, em 1859.
Foi Sir Thomas Malory quem primeiro usou as palavras Holy Grayle em sua adaptao da obra Francesa Le Saint Graal, no sculo XV. Malory se referia ao "clice sagrado", 
mas tambm escreveu do Sankgreal como sendo o "abenoado sangue de Cristo", com as duas definies aparecendo na
mesma histria. Alm dessas menes, Malory no descreveu o Graal  dizendo apenas que ele apareceu em Camelot "coberto de uma seda branca finssima". Foi visto por 
Lancelot numa viso e depois por Galahad. No relato de Malory, os campees do Graal so Bors, Percival, Lancelot e seu filho Galahad, o ltimo descrito como "umjovem 
cavaleiro da linhagem dos reis e da famlia de Jos de Arimatia, sendo neto do rei Pelles".
A tradio medieval conta que Jos de Arimatia levou o Santo Graal  Gr-Bretanha, enquanto lendas ainda mais antigas diziam que foi Maria Madalena a primeira a 
levar o Sangral a Provena.  um fato significativo que, antes do sculo XV, a maioria dos romances a respeito do Graal vinha da Europa continental. Mesmo os contos 
como Peredur, do Pas de Gales, derivavam de textos europeus. As lendas celtas da Irlanda e do Pas de Gales falavam de caldeires, e foi em parte por causa disso 
que o Graal comeou a ser interpretado como um clice ou uma taa.
        
Entretanto, a noo no era inapropriada, pois o sangue real s poderia ter sido transportado dentro de alguma espcie de receptculo.
O mais antigo relato escrito de le Seynt Graal vem do ano de 717, quando um eremita britnico chamado Waleran teve uma viso de Jesus e do Graal. O manuscrito de 
Waleran foi mencionado por Heliand, um monge francs da abadia de Fromund, por volta de 1200; tambm por John de Glastonbury em Cronica sive Antiquitates Glastoniensis 
Ecclesie, e mais tarde por Vincent de Beauvais, em sua Speculum Historiale, de 1604. Cada um desses textos conta que Jesus deixou um livro nas mos de Waleran, que 
comeava assim:

"Eis o Livro de Tua Descendncia;
 Aqui comea o Livro do Sangral".

No domnio pblico, o Graal literrio s apareceu na dcada de 1180, quando foi descrito simplesmente como um "graal"; no era explicado como uma relquia sagrada 
nem associado ao sangue de Jesus. Em seu le Conte de Graal - Roman de Perceval, Chrtien de Troyes diz:

"Uma donzela chegou com os escudeiros, segurando entre as mos um graal... E quando entrou... acompanhou-a uma luz to brilhante que as velas perderam seu fulgor. 
Depois dela, veio uma donzela segurando uma bandeja de prata. O graal que a precedera era de ouro refinado, e estava cravejado de pedras preciosas de muitos tipos... 
O jovem [percival] as viu passar, mas no ousou perguntar acerca do graal e quem seria servido dele".

Nessa primeira ocasio, no castelo do Rei Pescador ferido, o graal no  descrito como um clice, nem associado a sangue. Mais adiante na histria, porm, Chrtien 
explica:
"No penseis que ele [o Rei Pescador] do graal tira um lcio, uma lampria ou um salmo; o santo homem se sustenta e revitaliza sua vida com uma nica hstia. To 
sagrado  o graal, e o homem to espiritual, que de nada mais ele precisa para sua subsistncia do que a hstia de uma Missa, que vem com o graal".
Se o graal de Chrtien era suficientemente grande para acomodar um peixe grande, obviamente no era um clice nesse contexto, mas uma terrina de bom tamanho. Seu 
mistrio, porm, est no fato de servir uma nica hstia da Missa. Em outras partes da obra de Chrtien, h meno de cem cabeas de javali servidas em graais, enquanto, 
por volta de 1215, o abade de Froidmont, centrando-se nessa explicao, descreveu o graal como um prato fundo usado pelos ricos.
At a, no havia elo algum entre o graal do Rei Pescador e o tradicional Sangral. Mas na dcada de 1190 o escritor borgonhs, Sire Robert de Boron, mudou essa 
situao como seu poema Joseph d'Arimathie - Roman de l'Estoire dou Saint Graal. Ele redefiniu o Rei Pescador de Chrtien (antes contemporneo do rei Artur) como 
Bron (um parente por casamento de Jos de Arimatia) e rec1assificou a relquia como le Saint Graal: um "clice de sangue sagrado".
Segundo De Boton, Jos obteve o clice da Passagem de Pilatos e recolheu o sangue de Jesus quando o tirou da cruz. Ele foi aprisionado pelos judeus, mas conseguiu 
passar o clice ao seu cunhado, Hebrom, que viajou at os Vales de Avalon. L, ele se tornou Bron, o Rei Pescador. Bron e sua esposa Enygeus (irm de Jos) tiveram 
12 filhos homens, 11 dos quais se casaram, enquanto o dcimo segundo, Alain, permaneceu celibatrio. Enquanto isso, Jos se juntou  famlia no exterior e construiu 
uma tvola em honra ao Graal. Ao redor dessa tvola, havia um assento especial chamado de Siege Perilous. Ele representava o assento de Judas Iscariotes e era reservado 
para Alain. Em histrias posteriores, o Siege Perilous . seria reservado para o cavaleiro virgem Galahad, em volta da Tvola Redonda de Camelot.
Aproximadamente na mesma poca de Joseph d 'Arimathie, de Boron, surgia outra obra relacionada, de um escritor conhecido como Wauchier. Era uma continuao da histria 
de Chrtien, mas nesse relato o Graal adquiria um aspecto diferente, uma funo fsica:

"Ento, Gawain viu entrando pela porta o rico Graal, que servia aos cavaleiros e rapidamente colocava um po diante de cada um. Tambm cumpria o oficio do mordono: 
servia vinho e enchia grandes taas de fino ouro, e cobria as mesas com elas. To logo terminava essa tarefa, servia sem demora, em cada mesa, comida numa grande 
bandeja de prata. Sir Gawain observou tudo isso, e se maravilhou pelo modo como o Graal os servia. Intrigou-se por no ver nenhum outro servial, e mal se atrevia 
a comer".

Em alguns aspectos, a verso de Wauchier uniu as histrias de Chrtien e Boron. Os cavaleiros do rei Artur aparecem, mas o autor tambm falou acerca da tradio 
de Jos de Arimatia. Explicou que o descendente lineal de Jos era Guellans Guenelaus, o falecido pai de Percival, e que, de acordo com textos anteriores, a me 
de Percival era uma viva.
A histria conhecida como Perlesvaus, ou a Grande Histria do Santo Graal,  uma obra franco-belga, escrita por volta de 1200. Ela  muito especfica a respeito 
da importncia da linhagem do Graal, afirmando que o Sangral  o repositrio da herana real, reiterando assim o importante princpio dinstico do manuscrito de 
Waleran, do sculo VIII. Em Perlesvaus, o Graal no  definido como um objeto material, mas sim como uma aura mstica que contm vrias imagens <k significado messinico. 
Nessa obra, o Corpus Christi da hstia de Chrtier emerge como a contnua presena do Cristo.
Quanto ao simbolismo da taa, ou do clice, vemos em Perlesvau...

"Sir Gawain vislumbra o Graal, e lhe parece que haja um clice dentro, embora ao mesmo tempo no haja".

Gawain, Lancelot e Percival aparecem na obra Perlesvaus e a pergunta premente : "a quem o Graal serve?" S com essa pergunta, Perciva consegue curar a ferida do 
Rei Pescador e trazer de volta fertilidade as Terras Devastadas e estreis. Em Perlesvaus, o rei pescador (rei sacerdote) se chama Messios, denotando sua posio 
messinica. Outros relatos se referem ao rei pescador Anfortas (efetivamente o mesmo nome do bisneto do rei Davi, Boaz, ambos com o significado de "Em fora" - da 
a identificao da linhagem de Davi). Alternativamente, o rei pescador s vezes  chamado de Pelles (de Palas, o antigo Bistea Neptunis dos registros ancestrais 
merovngios).
A no menos importante caracterstica de Perlesvaus  sua evidente referncia aos Cavaleiros Templrios. Na ilha dos Imortais, Percival chega a um salo de vidro 
e  recebido por dois Mestres. Um reconhece sua familiaridade com a descendncia real de Percival. Ento, batenda palmas, os Mestres chamam outros 33 homens em "vestes 
brancas", cada um portando "uma cruz vermelha no mei do peito". Percival tambm leva uma cruz vermelha dos Templrios em seu escudo. O conto e basicamente arturiano, 
mas se desenrola em um perodo posterior, em uma poca em que a Terra Santa est nas mos dos sarracenos.
Tambm do incio do sculo XIII  o importantssimo romance da Graal, Parzival, escrito pelo cavaleiro da Bavria, Wolfram von Eschenbach. Mais uma vez a associao 
com os Templrios  evidente, pois os Cavaleiros do Templeise so descritos como guardies do Templo do Graal, localizado no monte da Salvao (Munsalvaesche). Aqui. 
o Rei Pescador preside a Missa do Graal e  especificamente descritc como um Rei Sacerdote ao estilo de Jesus, dos merovngios e dos reis dos escoceses. Munsalvaesche 
h muito  associada  fortaleza nas montanhas de Montsgur na regio de Languedoc, sul da Frana.
Wolfram afirmou que a histria do Graal de Chrtien estava errada, citando como sua fonte Kyt le Provenzale, um adido templrio que havia escrito a respeito de 
um antigo manuscrito do Graal provindo da Arbia. Era de autoria do estudioso Flegetanis, que ele dizia ser:

"Um erudito por natureza, descendente de Salomo, e nascido de uma famlia que sempre fora israelita at o batismo se tomar nosso escudo contra o fogo do inferno".
Assim como Perlesvaus, a obra Parzival de Wolfram d grande nfase  importncia da linhagem do Graal. Wolfram tambm introduziu o filho de Percival, Lohengrin, 
o Cavaleiro do Cisne. Na tradio de Lorraine, Lohengrin era marido da duquesa de Brabant (Baixa Lorraine). Parzival explica que o pai de Percival era Gahmuret (e 
no Guellans, como no relato de Wauchier) e que o rei pescador na poca de Percival era Anfortas, filho de Frimutel, filho de Titurel. A irm do rei pescador, Herzeylde, 
era me de Percival: a "senhora viva" da tradio. Expondo extensivamente os vrios atributos msticos do Graal, o texto cita como sua portadora a rainha da Famlia 
do Graal, Repanse de Schoye, declarando:

"Ela vestia seda da Arbia, e carregava, num pano de seda verde, a perfeio do paraso terrestre, tanto as razes como os galhos. Era uma coisa que os homens chamam 
de Graal, que transcendia qualquer ideal terreno".
Apesar da referncia a razes e galhos, dizia-se que o Graal era uma "pedra de juventude e rejuvenescimento". E chamado de Lapsit Exillis (s vezes Lapis Elixis), 
uma variante de Lapis Elixir, a pedra filosofal dos alquimistas. Wolfram explica:

"Pelo poder dessa pedra, a Fnix queima at as cinzas, mas as cinzas rapidamente a trazem de volta  vida. Assim, a Fnix troca de plumagem, aps o que retoma brilhante 
e fulgente como antes".

No sacramento da Eucaristia do rei pescador, a Pedra do Graal registra os nomes daqueles chamados a seu servio, mas no  possvel para todos ler essesl nomes:
"Ao redor da extremidade da pedra, uma inscrio em letras diz o nome e a linhagem daqueles que, donzelas ou meninos, so chamados para fazer a jornada at o Graal. 
Ningum precisa apagar a inscrio, pois logo que ela  lida, desaparece" .

Em termos muito semelhantes (cuja relevncia  totalmente explicada em Gnesis of the Grail  Kings), o Novo Testamento (Apocalipse 2: 17) diz:

"Ao vencedor, dar-lhe-ei o man escondido [alimento divino, como na Eucaristia], bem como lhe darei uma pedra branca, e sobre essa pedra escrito um nome novo, o 
qual ningum conhece, exceto aquele que o recebe".

Wolfram (que tambm escreveu acerca de Guilherme de Gellone, rei de Septimania) dizia que o manuscrito Flegetanis original era guardado pela Casa de Anjou, uma casa 
nobre que era intimamente aliada aos Templrios. Ele tambm afirmava que Percival tambm tinha o sangue de Angevin. Em Parzival, a corte do rei Artur fica na Bretanha, 
enquanto em outra obra Wolfram localiza o castelo do Graal nos Pireneus. Ele tambm menciona a duquesa de Edimburgo (Tenabroc) como fazendo parte da comitiva da 
rainha do Graal.
A obra cisterciense Vulgata do Ciclo, de aproximadamente 1220, contm a Estoire dei Graal, a Queste dei Saint Graal e os Livres de Lancelot, bem como outros contos 
de Artur e Medin. Nessas histrias, as descries do Graal so fortemente influenciadas por Chrtien e De Boron, enquanto a antiga grafia "Graal"  reinstituda. 
Na Estoire, a histria de Jos de Arimatia  prolongada para incluir seus dias na Gr-Bretanha, enquanto seu herdeiro, o bispo Josefe de Saraz,  identificado como 
o chefe da fratemidade do Graal. Bron (o rico pescador de Boron) reaparece como o Rei Pescador na Estoire. O Graal, por sua vez, tomou-se o miraculoso escuele (prato) 
do Cordeiro Pascal. Tanto na Estoire como em Queste, o castelo Graal  simbolicamente chamado de "le Corbenic" (o Abenoado em Corpo).
Os Livres de Lancelot (que apresentam Gawain na primeira instncia) expandem a histria de Galahad, detalhando-o como o filho de Lancelot pela filha de Pelles. Ela 
 a princesa do Graal, Elaine le Corbenic, e Pelles  o filho do rei pescador ferido, enquanto no relato posterior de Malory o prprio Pelles  o rei.
O rei Artur certamente recebeu menes no incio da literatura a respeito do Graal, mas foi s no sculo XIII, com a Vulgata do Ciclo, que ele se tomou firmemente 
associado ao tema. Entretanto, depois da queda da Terra Santa, em 1291, as lendas do Graal desapareceram da arena pblica. Somente no sculo XV, Sir Thomas Malory 
reviveu o tema com seu conto The Sankgreal: The Blessed Blood of Our Jesus Christ.
    
A PEDRA FILOSOFAL


J vimos que o filho mais novo de Jesus e Maria Madalena, Josefes, freqentou escola druida. As instituies educacionais daquele tipo eram internacionalmente renomadas; 
havia nada menos que 60 escolas e universidades assim na Europa, contando com uma freqncia total de mais de 60.000 estudantes. Os sacerdotes druidas no faziam 
parte da Igreja Celta, mas eram um elemento definido, coeso na estrutura da sociedade galica : na Glia, na Gr-Bretanha e na Irlanda. Foram descritos pelo escritor 
Strabo, no primeiro sculo a.C., como "estudantes da natureza e filosofia moral". E ele continuou, dizendo:

"Acredita-se que eles sejam os mais justos dos homens, e por isso se confiam a eles julgamentos em decises que afetam tanto indivduos como o pblico geral. Em 
termos remotos, eles tambm arbitravam nas guerras, sendo capazes de apaziguar adversrios no momento em que a batalha ia ser travada; casos de assassinato so freqentemente 
levados a eles para julgamento".

O siciliano Diodoro, outro escritor da poca, descrevia os druidas como grandes "filsofos e telogos, que so tratados com uma honraria especial". Dizia-se que 
os druidas tambm eram excepcionais estadistas e adivinhadores. Um antigo texto afirma que:

"Os druidas so homens de cincia, mas tambm so homens de Deus, desfrutando um relacionamento direto com as divindades e capazes de falar em nome delas. Eles tambm 
podem influenciar o destino, fazendo seus consulentes observarem regras positivas ou tabus ritualsticos, ou determinando os dias que devem ser escolhidos ou evitados 
para qualquer ao que seja contemplada".

Em pocas posteriores, a Igreja Romana procurava qualquer desculpa para denunciar os sacerdotes druidas e os monges da Igreja Celta, encontrando a marca do pecado 
em seus penteados. Tanto os sacerdotes como os monges deixavam os cabelos longos e esvoaantes a partir da parte de trs da cabea, com a parte da frente raspada 
de uma tmpora  outra. O emergente clero romano, porm, adotava um penteado alternativo: um crculo de cabelos curtos em tomo do restante da cabea totalmente raspada, 
representando uma coroa sagrada. De acordo com Roma, o estilo celta de cor"": o cabelo era um smbolo herege dos Magos, e a Igreja o condena como "o penteado de 
Simo, o Mago".
Quando Diodoro escreveu a respeito dos bretes no primeiro sculo a.C., referiu-se s obras do escritor grego Hecateus, de trs sculos antes, chamando-os de hiperbreos 
(povo originrio do outro lado do Vento Norte). Ele conta que o deus Apolo visitava um templo hiperbreo "a cada 19 anos: o perodo no qual as estrelas retomam ao 
mesmo lugar no cu". Esse ciclo astronmico de 19 anos era usado pelos druidas para clculos de calendrio, como confirma o velho Calendrio de Coligny, encontrado 
no Departamento Francs de Ain, norte de Lyon, em 1897.
O Calendrio (uma tbua de bronze fragmentada) remonta ao primeiro sculo da era crist e  o mais longo documento desenterrado na Glia. Ele d uma tabela com 62 
meses consecutivos (cerca de cinco anos solares), tendo cada ms 29 ou 30 dias. Os dias de cada ms se relacionam entre si, com perodos inerentes de escurido e 
luz, e mencionando tambm dias auspiciosos ou no auspiciosos. No geral, o Calendrio de Coligny indica uma significativa competncia em cincia astronmica, parecida 
com a dos antigos babilnios.
A Astronomia era de suma importncia para os druidas, que, segundo se dizia, "tinham muito conhecimento das estrelas e seus movimentos, do tamanho do mundo e da 
terra, e de filosofia natural". Eles tambm acreditavam em reencarnao (a transmigrao de almas) - um aspecto do antigo pitagorismo. Muito tempo atrs, precisamente 
no sculo VI a.C., Pitgoras fundou uma das primeiras escolas de mistrios. Nesse ambiente, foi desenvolvido um modelo do Universo que se baseava corretamente no 
fato de que a Terra gira em torno do Sol (o princpio heliocntrico). Mas ainda muito tempo depois, no sculo XVI, o astrnomo polons Nicolau Coprnico foi ameaado 
de excomunho, e pior, por sua crena nesse conceito. Ao apresentar sua teoria, Coprnico sofreu um verdadeiro massacre por parte da Igreja Catlica, que insistia 
que a Terra era o centro do Universo. Para os antigos druidas, com seu avanado conhecimento dos corpos celestes, a idia de um Universo com a Terra em seu centro 
era impensvel.
Em comum com os Magos samaritanos da era de Qumr, os druidas eram praticantes de avanada numerologia e cura. Durante o perodo dos Evangelhos, os essnios de Qumr 
tinharn um especial interesse pela matemtica que governava a ordem do Cosmos. Sua cultura era, em grande parte, dominada pelo pensamento pitagrico, herdado por 
meio dos Magos de Manasss do Oeste - uma seita fundada por Menahem em 44 a.C.

Um sucessor de Menahem como Lder dos Magos foi o colega de Maria Madalena, Simo (o Mago) Zelote, cujos gnsticos supostamente possuam uma sabedoria nica e esotrica 
(chamada Sapientia) que transcendia o Cristianismo.
Um documento gnstico encontrado em Chenoboskion, Egito, e conhecido como Tratado de Hermes Trismegisto, diz:

", portanto, por graus que os adeptos entram no caminho da imortalidade, e obtm um conceito do
Ogdoad, que por sua vez revela o Ennead".

O Ogdoad ("ctuplo") corresponde ao cu das estrelas, fora dos cus individuais dos planetas, e o Ennead ("nnuplo") se refere ao grande cu exterior do Universo. 
O cu separado da Terra era chamado de Hebdmada ("stuplo"). Para os gnsticos, os cus eram reas estritamente estratificadas de espao em volta da Terra, dos 
planetas e das estrelas. Embora os cus estivessem sujeitos  sua mitologia, a compreenso lgica dos gnsticos tinha pouca relao com o princpio cosmolgico da 
posterior Igreja Romana, que por sculos insistia que a Terra era chata, e que o Cu era simplesmente "acima" (algumas escolas sugeriam que o Cu - tambm chato 
- era sustentado acima da Terra por pilares invisveis).
Hermes Trismegisto era o nome dos neoplatonistas gregos para Tot, o deus egpcio reverenciado como fundador da alquimia e da geometria. Seguindo os ensinamentos 
de Plato (c.429-347 a.C.), os neoplatonistas afirmavam que o intelecto humano no tinha relao com o mundo material, e que a espiritualidade individual aumentaria 
em relao ao desprezo do indivduo pelos valores terrenos. A relevncia de Hermes era que seu conhecimento especial supostamente representaria a Sabedoria Perdida 
de Lameque (stimo na sucesso de Caim, filho de Eva - Gnesis 4: 18-22). Assim como No salvou vrias formas de vida do grande Dilvio, tambm os trs filhos de 
Lameque, Jabal, Jubal e Tubalcaim, preservaram as antigas sabedorias da cincia criativa, gravadas em dois monumentos de pedra: os Pilares Antediluvianos. Um dos 
filhos era matemtico, o segundo pedreiro, e o terceiro artfice. Hermes descobriu um dos pilares, transcrevendo sua geometria sagrada numa tbua de esmeralda que 
fora herdada por Pitgoras, o qual tambm descobriu o segundo pilar.
A associao entre o conhecimento sagrado do Cosmos e uma tbua de esmeralda lembra Parzival, de Wolfram, em que o Graal  identificado como uma pedra e comparado 
a uma jia de esmeralda. Alm disso, uma inscrio da tbua de esmeralda de Hermes aparece em algumas cartas de tar:

"Visita as partes interiores da terra; por retificao tu encontrars a pedra escondida".

Pela associao com a Pedra enigmtica, o Graal tem sido identificado com a alquimia - a cincia da concentrao de correntes vitais e foras vitais. Na poca da 
Inquisio Catlica, os alquimistas tomavam cuidado para velar sua arte por trs dos smbolos de metalurgia - dizendo que estavam tentando apenas converter metais 
bsicos em ouro. Na verdade, os alquimistas eram metalurgistas da mais alta ordem, mas, em termos filosficos e metafisicos, eles estavam mais interessados na transformao 
da pessoa mundana (chumbo) em uma espiritualmente iluminada (ouro). Assim como o ouro era experimentado e testado no fogo, tambm o esprito humano era tentado no 
crisol da vida - e o agente para essa iluminao era percebido como o Esprito Santo.
Como no seria de surpreender, essa doutrina de perfeio humana pela iluminao era considerada hertica pela Igreja, cujos ensinamentos ela transcendia. Embora 
fundada sobre uma base judaico-crist, a tradio do Graal era comparada  alquimia, e portanto considerada heresia. A pedra escondida foi descrita na obra de alquimia 
Rosarium Philosophorum, em termos de geometria:

"Faze um crculo do homem e da mulher, e disso desenha um quadrado, e do quadrado um tringulo. Faze um crculo, e ters a pedra filosofal".

Assim como a pedra filosofal, o Graal  identificado como a chave do conhecimento e a soma de todas as coisas. Em sua forma nominal como o Graal, a raiz etimolgica 
vem do velho termo mesopotmico Gra-al, que seria o "nctar da suprema excelncia". Tambm deriva da palavra grega gar, que significa "pedra", portanto gar-al  
a taa de pedra. Como j vimos, o sacerdcio de Jesus era o de Melquisedeque (Hebreus 5:6-7), que est reproduzido na porta norte da Catedral de Chartres. L, na 
Porta dos Iniciados, Melquideseque  o anfitrio de Abrao (de acordo com Gnesis 14:18-20), e carrega uma taa que contm o man escondido (alimento espiritual, 
ou po de cada dia) da pedra sagrada.

A Liga dos Pedreiros, que construiu Chartres e outras catedrais francesas, era chamada de "os Filhos de Salomo". Hiram Abiff, o arquiteto do Templo do rei Salomo, 
era um alquimista hermtico - descrito como "um artfice dos metais". Seu antigo precursor foi Tuba1cain (Gnesis 4:22), o filho de Lameque e professor de todos 
os que se seguiram. Na Franco Maonaria, Hiram Abiff  identificado como o Filho da Viva, e nas histrias do Graal o constante epteto de Percival  exatamente 
o mesmo. A viva original da linhagem do Graal era Rute, a moabita (herona do livro de Rute, no Antigo Testamento), que se casou com Boaz para se tornar a bisav 
de Davi. Seus descendentes eram chamados de Filhos da Viva.
O princpio subjacente de Hermes Trismegisto era "Como  em cima, assim  embaixo", o que denota que a harmonia da proporo terrestre  representativa de seu equivalente 
universal - em outras palavras, essa proporo terrestre  a imagem mortal da estrutura cosmolgica. Da menor clula  mais vasta das galxias, a repetitiva lei 
geomtrica prevalece, e isso j era compreendido nos tempos mais remotos.

OS SMBOLOS SAGRADOS DO GRAAL

O CLICE E A VIDEIRA

Em sua representao como uma pedra ou jia, o Santo Graal  o repositrio da sabedoria espiritual e do conhecimento cosmolgico. significando "realizao". Como 
um prato ou bandeja, ele carrega a hstia da Eucaristia ou o Cordeiro Pascal e simboliza o ideal de "servio". A representao mais popular como um clice contendo 
o sangue de Jesus , porm, uma imagem puramente feminina. Para a Igreja, os clices sagrados tinham associaes pags e a imagem do Graal foi relegada s convenientes 
asas da mitologia.
Na tradio pag, o Graal era comparado aos caldeires msticos do folclore celta: as cornucpias da plenitude, que reservavam os segredos da proviso e do renascimento. 
O pai dos reis-deuses irlandeses, Dagda da Tuatha D Danaan, tinha um caldeiro que s cozinhava para heris. Do mesmo modo, a cornucpia de Caradoc no fervia carne 
para os covardes. O pote da deusa Ceridwen continha uma poo de grande conhecimento e os deuses galeses Matholwch e Brn possuam receptculos semelhantes. A semelhana 
do nome Brn ao de Bron o Rico Pescador j foi citada com freqncia, com a sugesto de que talvez um tenha derivado do outro.
O recipiente do mistrio para os antigos gregos era o Krater. (Em contextos mundanos, um krater era uma tigela de pedra para misturar vinho.) Em termos filosficos, 
o Krater continha os elementos da vida e Plato fazia referncia a um krater que continha a luz do sol. Os alquimistas tambm tinham seu recipiente do qual nasceu 
Mercrio, o filius philosophorum (filho dos filsofos) - uma criana divina que simbolizava a sabedoria do vas-uterus, enquanto o recipiente hermtico era chamado 
de "ventre do conhecimento".  esse aspecto uterino da enigmtica taa que  to importante na cincia do Graal.
A medieval Litania de Loretto chegou a descrever Maria, a me de Jesus, como vas espirituale (recipiente espiritual). Na cultura esotrica, o ventre era identificado 
como o "recipiente de luz" e era representado por uma taa ou um clice. Os santurios pr-histricos de 3500 a.C. associam a figura com o ventre da Deusa Me. O 
smbolo reverso masculino era uma lmina ou um chifre, ordinariamente simbolizado como uma espada, embora sua representao mais poderosa fosse na fabulosa mitologia 
do Unicrnio. No Salmo 92:10, lemos: "Tu exaltas o meu poder como o do boi selvagem".  Assim como o Leo de Jud, o lendrio Unicrnio era emblema da linhagem real 
ungida de Jud, emergindo como as armas herldicas da Esccia. O Santo Graal passou a ser comparado com um recipiente ou uma taa, porque se dizia que ele transportava 
o perptuo sangue de Jesus, e, assim como os kraters e caldeires continham seus vrios segredos, tambm O sangue de Jesus (o Sangrai) deveria estar contido numa 
taa.
Em Parzival, lemos que a rainha do Graal "carregava... a perfeio do paraso terrestre, tanto as razes como os galhos". De acordo com o Evangelho de Joo (15:5), 
Jesus disse: "Eu sou a videira, vs os ramos". No Salmo 80:8, l-se: "Trouxeste uma videira do Egito, expulsaste as naes e a plantaste".
A linhagem dos reis merovngios era chamada de A Videira, e a Bblia classifica os descendentes de Israel como uma Videira - a linhagem de Jud sendo descrita extensivamente 
como a "planta dileta" do Senhor (Isaas 5:7). Na verdade, algumas representaes artsticas de Jesus o mostram num lagar, acompanhado pela frase "Eu sou a videira 
verdadeira" (Joo 15:1). Alguns emblemas do Graal e marcas d'gua mostram um clice contendo cachos de uvas: a fruta e as sementes da videira. Da uva  feito o vinho 
- e o vinho da Eucaristia  o smbolo eterno da linhagem messinica.
Nas lendas originais do Graal havia constantes referncias  Famlia do Graal,  dinastia do Graal e aos guardies do Graal. Lendas  parte, os Cavaleiros Templrios 
de Jerusalm eram de fato os Guardies do Sangral. A relacionada Prieur Notre Dame, de Sio, tornou-se aliada  linhagem merovngia em particular, e o descendente 
merovngio Gofredo de Bouillon. duque da Baixa Lorraine, foi ordenado como Defensor do Santo Sepulcro e rei de Jerusalm em 1099.
Independentemente das taas e das pedras, a importncia do Graa: existe em sua definio como o Sangral. Da vem San Greal = Saro Graal = Saint Grayle = Santo Graal. 
Mais corretamente  o Sang Real - o sangue real, carregado no clice uterino de Maria Madalena. Foi ela quem inspirou a Dompna (Grande Senhora) dos trovadores, que 
eram to maltratados pela Inquisio, e eles a chamavam de Graal do Mundo.
Conforme detalhado na literatura medieval, o Graal era identificado com uma famlia e uma dinastia. Era a Videira desposyni de Jud, perpetuada no Ocidente pelo 
sangue de Jesus. Essa linguagem inclua os reis pescadores e Lancelot del Acqs. Descenda at os reis merovngios dos francos e os reis Stewart dos escoceses, incorporando 
reputadas figuras como Guilherme de Gellone e Gofredo de Bouillon.
Descendente do irmo de Jesus, Tiago/Jos de Arimatia, a famlia do Graal fundou a Casa de Camulod (Colchester) e a Casa Nobre de Gales. Notveis nessas linhagens 
foram o rei Lcio, Coel Hen, a imperatriz Helena, Ceredig Gwledig e o rei Artur. O legado divino do Sangral foi perpetuado nas casas soberanas e mais nobres da 
Gr Bretanha e Europa, ainda existentes hoje.
Uma vez estabelecido o fato de que a Videira representa a linhagem messinica, conclumos que o vinhedo  o lugar onde as vinhas florescero. Aproximadamente dois 
sculos depois do Conclio de Constance, em 1417, o arcebispo Ussher deArmagh (o compilador da cronologia da Bblia) comentou acerca dos registros do Conclio. Desses, 
ele repetiu textualmente: "Logo aps a paixo de Cristo, Jos de Arimatia ps-se a cultivar o Vinhedo do Senhor, isto , a Inglaterra".
Pelos anais da genealogia dos santos e do pedigre brdico, fica evidente que a linhagem messinica do Sangral chegou  Gr-Bretanha da Glia, no primeiro sculo 
da era crist. No Vinhedo do Senhor, a linhagem floresceu at se tomar a Casa Nobre de Gales e dessa antiga raiz surgiram os chefes Gwyr-y-Gogledd das regies ao 
norte.
Em paralelo, outra ramificao da Videira se juntou aos grandes reis de Camulod e Silria. No foi por acaso que o prncipe Lino, filho de Caractaco, tomou-se o 
primeiro Bispo de Roma. Tampouco foi um jogo das circunstncias que Helena (princesa Elaine de Camulod), filha de CoeI II da Gr-Bretanha, casou-se com o imperador 
Constncio. Por meio dessa aliana, Roma se atrelou  sucesso real Judia, que ela tanto tentou suprimir de outras maneiras. O filho de Santa Helena era Constantino, 
o Grande, e, tendo uma me crist celta de linhagem desposyni, ele no tardou a se autoproclamar o verdadeiro Messias, embora os predecessores de seu pai fossem 
selvagens perseguidores do movimento cristo.

O REBENTO DE JESSE

Apesar de afirmarem ter descoberto os ossos de Artur e Guinevere, mesmo os inventivos monges da Glastonbury no produziram coisa alguma que pudesse ser o Santo Graal 
- mesmo porque o Graal ainda no tinha sido definido como uma relquia crist antes das escavaes dos monges. Embora De Boron no perdesse tempo em identificar 
o Santo Graal como o clice da Santa Ceia, os monges nunca tinham ouvido falar disso; no havia meno de Clice Sagrado na Bblia ou em qualquer outra escritura 
ortodoxa. Alm disso, como quase todas as lendas do Graal provinham de fora da Inglaterra, nada havia de substancial que associasse o Graal a Glastonbury, exceto 
pela ligao com Jos de Arimatia.
Assim, para no ficarem esquecidos, os monges anunciaram a descoberta de um par de galhetas que teriam sido enterradas com Jos. Elas j tinham sido mencionadas 
(por volta de 540) pelo rei Maelgwyn de Gwynedd, tio de So Davi, que escreveu:

"Jos tinha consigo, em seu sarcfago, duas galhetas brancas e prateadas com o sangue e o suor do profeta Jesus".

As galhetas so reproduzidas em vitrais na Igreja de So Joo, Glastonbury, na Igreja de Langport, em Somerset, e num crucifixo retratado em Plymtree, Devon - mas 
nunca foram exibidas em pblico, se  que de fato existiram. Assim, essa falta de comprovao visvel gerou, sculos mais tarde, uma nova tradio em Glastonbury 
- mais aprazvel aos olhos: o Espinheiro encantado. Em 1520, a literatura local descrevia um espinheiro em Wearyall Hill que dava folhas e brotava na poca do Natal 
e tambm em maio. O espinheiro foi destrudo durante a guerra civil de Cromwell (1642-1651), mas alguns brotos foram replantados na rea, e cada planta floresceu 
novamente do mesmo modo. Botnicos especializados detectaram que o espinheiro no era nativo da Inglaterra, e parecia ter uma origem levantina - o que acabou despertando 
uma nova mitologia em Somerset.

Em 1716, um estalajadeiro local afirmou que a planta incomum tinha brotado do cajado de Jos de Arimatia, que ele plantara para desabrocho no Natal (no que as 
festas de dezembro fossem relevantes na poca dele. S 300 anos mais tarde Constantino ajustaria a data do aniversrio de Jesus para coincidir com o solstcio de 
inverno). A noo de que o cajado de Jos se abriria em flor provinha de um verso proftico em Isaas 11:1: "Do tronco de Jess [que era pai de Davi] sair um rebento, 
e das suas razes, um renovo". Em algumas obras de arte da Igreja e em escritos apcrifos, o cajado em flor da linhagem real  representado na mo do pai de Jesus, 
Jos.

Foi s no sculo XIX, com a obra ldylls ofthe King, ou idlios do rei, de Alfred, lorde Tennyson, que Glastonbury foi especificamente associado ao Santo Graal. A 
gua avermelhada incomum do Poo de Giz de Glastonbury (na verdade, tingida de vermelho pelo xido de ferro) foi prontamente relacionada ao sangue de Jesus. O poo 
foi rebatizado com o nome de Poo do Clice (Chalice Well), e diziam que a cor da gua se devia ao contedo do Graal, que Jos teria enterrado nas proximidades. 
A famosa tampa do poo, decorada em ferro ao estilo da arte celta, foi elaborada pelo arquiteto Frederick Bligh Bond, depois da Primeira Guerra Mundial. A despeito 
da variedade de relquias santas e arturianas em Glastonbury (algumas verdadeiras e outras inventadas), a relao de Jos de Arimatia com a Gr-Bretanha  muito 
mais bem comprovada historicamente. Foi tema de debate em vrios Conclios da Igreja na Europa, dando aos ingleses possibilidade de alegar uma origem crist muito 
anterior  de Roma. No Conclio de Pisa, em 1409, houve at uma controvrsia a respeito de quem teria vindo primeiro ao Ocidente, Jos ou Maria Madalena. Hoje em 
dia seria surpreendente se a Igreja admitisse que sequer eles vieram.

T AR E O GRAAL


A misteriosa lana branca com sangue na ponta, que geralmente acompanhava o Graal nas lendas, seria a arma que espetou a virilha do Rei Pescador. Ela era identificada 
com a lana bblica de Longino, que derramou sangue de Jesus na crucificao. A lana e mais uma taa, uma espada e um prato (ou bandeja) constituam os Smbolos 
Sagrados do Castelo do Graal.
Muitos leitores perguntam a respeito da origem de Longino, pois embora seu nome seja bem conhecido como o do centurio com a lana, no   mencionado nos Evangelhos. 
Na verdade, o nome aparece no apcrifo Atos de Pilatos 15:7 (s vezes chamado de Atos de Nicodemos), que foi omitido do Novo Testamento. Na prtica, porm, Longino 
no era um nome prprio; era a forma latinizada da palavra grega Longynx, que significava "lanceiro".
Depois da primeira Inquisio Catlica do papa Gregrio IX, em 1231, as histrias do Graal foram condenadas pela Igreja. No chegaram a ser denunciadas como heresia, 
mas todo material relacionado ao Graal foi suprimido. Como resultado, a tradio mudou para um simbolismo disfarado  particularmente o das cartas de tar. Estas 
surgiram no norte da Itlia, em Marselhas e em Lyon, no sculo XIV. Parte do trabalho mais interessante surgido recentemente acerca do tar, e tambm acerca do simbolismo 
grfico em geral, vem da autora americana Margaret Starbird. Seus textos, nesse sentido, tm total concordncia com os preceitos da tradio do Graal.
Os quatro naipes dos Arcanos Maiores do tar eram as Espadas, as Copas, os Pentculos e os Bastes (Varinhas). Eles correspondiam aos Smbolos Sagrados do Graal: 
Espada, Clice, Bandeja e Lana. Com o tempo, os naipes foram redefinidos como Paus, Espadas, Ouros e Copas, usados no baralho de cartas para jogos, hoje em dia. 
As espadas eram originalmente uma lmina (o smbolo masculino); o naipe de copas era um clice da igreja alternativa (o smbolo feminino); o de ouros era um valioso 
disco em um pentculo (tambm representando um prato ou bandeja de servir); e o naipe de paus (denotando a contnua linhagem de Davi) era representado como o Rebento 
em flor de Jess.
Desde os tempos mais remotos, os smbolos eram usados para identificar a unidade sagrada da cmara nupcial. O smbolo em forma de V do clice feminino e o V invertido 
da lmina masculina (sexos opostos) se juntavam (um acima do outro) no familiar sinal do X. Esse era o Sinal sagrado original da Cruz, e era usado como a marca de 
batismo e iniciao muito antes de Jesus. Como confirmam os Pergaminhos do Mar Morto, ele era colocado na testa daqueles que gemiam por Jerusalm (Ezequiel 9:4), 
e era concedido no mais alto grau de iniciao comunitria ao Santurio.
Sob influncia romana posterior, uma nova cruz foi elaborada: a cruz latina ereta da Igreja de So Pedro, com sua alta sanefa. Os cristos mantiveram seu antigo 
X, porm, percebendo que a cruz latina representava a tortura romana. Assim, a original se tomou um sinal de heresia aos olhos de Roma. Essa imagem hertica  perpetuada 
at hoje como uma ligao  carne e ao diabo, como em filmes pornogrficos classificados com um "X". Na verdade, seu significado anti-sistema foi incorporado para 
uso em escolas, no processo de marcar com um X as respostas erradas.
Embora a cruz de So Pedro tenha sido latinizada, a tradio de seu irmo foi mantida pelo glifo X original: a cruz de Santo Andr. Andr foi crucificado em Patras, 
perto do mar Negro, onde tinha trabalhado com os Ctios antes que estes comeassem seu movimento para o oeste, at a Irlanda e a Calednia. Como resultado, ele se 
tomou o santo padroeiro da Esccia, e sua cruz se tomou o famoso smbolo nacional do pas. Roma no gostou do ressurgimento desse antigo artefato esotrico, e foi 
bolada uma histria para explicar que Andr morrera numa cruz em forma de X.

Posteriormente, criou-se uma cruz conciliatria - a familiar cruz centrada ereta, no-cruciforme, no esotrica. Ela se tomou a cruz de So Jorge, cujo culto foi 
trazido ao Ocidente pelos Cruzados. Depois da Conveno de Genebra, em 1864, ela se tomou o smbolo da agncia internacional Cruz Vermelha - uma inverso de cores 
da bandeira sua.

Os poderes dos inquisidores do papa aumentaram em 1252, quando foram autorizados julgamentos secretos, tortura e morte na fogueira. Na Espanha, a perseguio dos 
hereges visava particularmente aos judeus apstatas e muulmanos, a partir de 1478. A Inquisio Romana do papa Paulo III contra os protestantes comeou em 1542. 
O "rio subterrneo" do Graal reteve sua identidade por meio de marcas d'gua secretas e smbolos estilizados. Por causa de sua simplicidade, o smbolo do X era amplamente 
usado - s vezes abertamente, porm, com astcia. Na Madona da Rom, de Botticelli, um anjo usa uma fita vermelha em X no peito. Em sua Madona do Livro (1483), Maria 
usa um X vermelho no justilho, enquanto o menino Jesus segura trs flechas douradas em miniatura. Eram os smbolos misteriosos das Trs Flechas da Iluminao - uma 
imagem dos alquimistas misteriosos.

Os segredos do tar eram guardados em 22 cartas de trunfo: os Arcanos Maiores. A palavra "trunfo" nesse contexto deriva do velho termo francs trompe, correspondende 
 trombeta que figurativamente dividiu a Igreja de Pedro. Os trunfos do tar so chamados de O Livro de Thoth, * uma expresso da sabedoria secreta.

A Igreja de Roma condenava os naipes menores, mas proibia expressamente os trunfos porque eram considerados blasfemos. Na verdade, nada havia de anticristo nas 
cartas, embora fossem decididamente anti-sistema. O Cristianismo do tar era o da antiga cultura do Graal, no do Catolicismo. O fato de ciganos e outros grupos 
usarem as cartas de tar para adivinhao nada tinha a ver com seu propsito original, mas foi por esse uso secundrio que a propaganda da Igreja conseguiu impregnar 
uma imagem sinistra s cartas.
As cartas modernas de jogar ainda retm o Curinga do tar. Ele  um bobo-da-corte, ou um louco; mas, mesmo assim, sempre vence. Seu legado vem de 1 Corintos:

"O Senhor conhece os pensamentos dos sbios, que so pensamentos vos. Portanto, ningum se glorie nos homens (3:20-21). Ns somos loucos por causa de Cristo (4:10)" 
.

Uma representao literria do Curinga aparece em Perzival, o homem simples que obtm sucesso naquilo em que os mais sofisticados falharam. Outras figuras de tar 
deixaram sua marca no mundo. Uma destas, e muito importante,  o smbolo feminino da Justia. Ela  a Virgem, a donzela das estrelas, com sua espada de duas pontas 
e a balana de Libra. A representao, na verdade, tem mais a ver com discriminao do que com justia - mostrando o equilbrio e a harmonia da natureza de um lado, 
enquanto o outro exerce a autoridade judicial. A carta original mostrava a tnue posio da Igreja do Graal contra a severidade da Inquisio Romana, e era conhecida 
como a carta de Madalena.
Outras cartas associadas a Maria Madalena eram A Torre, O Mundo e A Fora. Na tradio do Graal, A Torre (ou Casa de Deus) representava o Magdal-eder (ou Torre do 
rebanho, como em Miquias 4:8), e no era diferente de uma torre do jogo de xadrez. Atingida por um raio, ou atacada misteriosamente de outra forma, A Torre simbolizava 
a m sorte da Igreja esotrica nas mos do cruel sistema romano.
O esprito de Maria Madalena tambm se manifestava em O Mundo. De p ou danando dentro de uma guirlanda oval, nua ou vestida, a mulher segurava um cetro ou outra 
marca de soberania. A figura era semelhante  imagem de Madalena subindo ao cu, em Livro das Horas, 1490.
A carta A Fora normalmente mostrava uma mulher dominando um leo ou sustentando um pilar quebrado. Algumas cartas tinham as duas imagens. A primeira era o Leo 
de Jud, e a segunda o Pilar de Boaz ("em fora") do Templo de Salomo. De qualquer forma, a mulher era a responsvel pela sucesso real:

"Porm a tua casa e o teu reino sero firmados para sempre diante de ti; teu trono ser estabelecido para sempre (2 Samuel 7:16)".

Em alguns baralhos antigos, o desenho de um Graal era incorporado na imagem dessa carta, e a mulher era identificada como Maria Madalena. A imagem representava a 
continuao da linhagem de Davi, como se v no Salmo 89:4: "Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de gerao em gerao".

GUARDIES DA RELQUIA SAGRADA

OS CAVALEIROS CRUZADOS

Desde o incio da dinastia carolngia na Frana, no sculo VIII, a Igreja comeou a implementar um novo domnio territorial, com seus reis marionetes na linha de 
frente, por toda a Europa Ocidental e Central. Esse domnio se tomaria o Santo Imprio Romano, que persistiu at 1806. Durante esse perodo, a histria imperial 
era compilada pelos escrives do Vaticano, ou por outros que seguiam a autoridade do Vaticano. O resultado inevitvel foi que os relatos da vida do rei merovngio 
assassinado, Dagoberto, foram suprimidos a ponto de ele no existir nas crnicas. S dali a mil anos os verdadeiros fatos de sua vida viriam a pblico, e s no sculo 
XVII se tomou evidente que Dagoberto tinha um filho chamado Sigeberto, cujos descendentes incluam o famoso cavaleiro cruzado Gofredo de Bouillon, Defensor do Santo 
Sepulcro.
Na poca da conquista normanda da Gr-Bretanha, em 1066, os merovngios da Glia vinham sendo ignorados havia uns 300 anos. Durante seu reinado, porm, eles tinham 
estabelecido um nmero de costumes governamentais que ainda prevaleceram. Uma das inovaes merovngias era um sistema de superviso regional pelos oficiais chefes 
chamados Comtes (condes). Como assistentes dos reis, os condes agiam nas funes de chanceleres, de juzes e de lderes militares. No eram diferentes dos condes 
celtas da Gr-Bretanha, embora a natureza dos dois grupos titulares mudasse para incorporar posse de terra nos tempos feudais.
No sculo XI, os condes de Flandres e Boulogne ganharam proeminncia na sociedade flamenga. Levando em conta a herana de Davi por parte de Gofredo de Bouillon, 
seria apropriado que ele (irmo do conde Eustcio III de Boulogne) se tomasse o designado rei de Jerusalm depois da Primeira Cruzada. Essa ventura militar foi incitada 
em 1095 pela tomada muulmana de Jerusalm, aps o que o papa Urbano I criou um espetacular exrcito, liderado pelos melhores cavaleiros na Europa. A idia foi particularmente 
inspirada por Pedro, o eremita que conduziu uma malfadada cruzada dos camponeses, levando homens, mulheres e crianas atravs da Europa para reconquistar a Terra 
Santa. A maioria no chegou ao destino, e milhares foram massacrados en route por malfeitores e soldados transviados do imprio bizantino. Nas cartas do tar esotrico, 
o eremita (uma aluso a Pedro)  representado com uma lanterna iluminando o caminho.
Na onda do infortnio do eremita, o exrcito do papa Urbano foi coordenado por Ademar, bispo de Le Puy, e na vanguarda estava Robert, duque da Nonnandia, junto com 
Estevo, conde de Blois, e Hugo, conde de Vernandois. O contingente flamengo foi liderado por Robert, conde de Flandres, e inclua Eustcio, conde de Boulogne, com 
seus irmos Gofredo de Bouillon e Baldwin. O sul da Frana estava representado por Raymond de St. Giles, conde de Toulouse.
Naquela ocasio, Gofredo de Bouillon era duque da Baixa Lorraine. Ele tinha sucedido ao ttulo por meio de sua me famosa, Santa Ida, de quem ganhou o castelo e 
as terras de Bouillon - propriedades que ele hipotecara com o bispo de Liege, para que este financiasse sua campanha na Terra Santa. No decorrer da Primeira Cruzada, 
Gofredo tinha se tornado seu comandante-geral e, com o sucesso final, em 1099, ele foi proclamado rei de Jerusalm. No evento, ele preferiu no usar a dignao de 
rei, assumindo, isto sim, a distino alternativa de Defensor do Santo Sepulcro.
Das oito Cruzadas, que duraram at 1291 no Egito, na Sria e na Palestina, s a Primeira Cruzada de Gofredo foi bem-sucedida, mas mesmo ela foi marcada por excessos 
de tropas irresponsveis, que usavam sua vitria como desculpa para massacrar muulmanos nas ruas de Jerusalm. No s Jerusalm era importante para os judeus e 
cristos, mas tambm se tornara a terceira Cidade Santa do Isl, depois de Meca e Medina. Como tal, a cidade  o centro de acirradas disputas at hoje.
A Segunda Cruzada, a Edessa, liderada por Lus VII da Frana e pelo imperador germnico Conrado III, fracassou miseravelmente. Mais ou menos cem anos depois do sucesso 
inicial de Gofredo, Jerusalm caiu novamente, desta vez nas mos do poderoso Saladin, em 1187. Isso acarretou a Terceira Cruzada, sob a liderana de Filipe Augusto 
da Frana e Richard da Inglaterra (Ricardo Corao de Leo), mas os dois no conseguiram recuperar a Cidade Santa. As Quarta e Quinta Cruzadas se centraram em Constantinopla 
e Damietta. Jerusalm foi reivindicada brevemente aps a Sexta Cruzada do imperador Frederico II, mas acabou finalmente sendo concedida ao sulto do Egito em 1244. 
Lus IX, ento, liderou as Stima e Oitava Cruzadas, mas no conseguiu reverter a situao. Em 1291, a Palestina e a Sria se encontravam sob firme controle muulmano, 
e as Cruzadas acabaram.

Durante essa era das cruzadas, vrias Ordens de cavaleiros surgiram, incluindo a Ordre de Sion (Ordem de Sio),  fundada por Gofredo de Bouillon em 1099. Havia tambm 
a Ordem dos Cavaleiros Protetores do Santo Sepulcro e os Cavaleiros Templrios. Gofredo de Bouillon morreu em 1100, pouco depois de seu triunfo em Jerusalm, e foi 
sucedido como rei por seu irmo mais novo, Baldwin de Boulogne. Dezoito anos depois, Baldwin foi sucedido, em 1118, por seu primo Baldwin II du Bourg. De acordo 
com as verses ortodoxas, os Cavaleiros Templrios se formaram naquele ano como os Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Salomo. Eles teriam sido reunidos por 
um grupo de nove franceses, que fizeram votos de pobreza, castidade e obedincia, e juraram proteger a Terra Santa.
O historiador franco Guilherme de Tiro escreveu, no auge das Cruzadas (por volta de 1180), que a funo dos Templrios era salvaguardar as estradas para os peregrinos. 
No entanto, devido  enormidade de tal obrigao,  inconcebvel que nove homens pobres conseguissem cumpri-Ia sem alistar novos recrutas at voltarem para a Europa 
em 1128. Na verdade, havia muito mais na Ordem do que o relato de Guilherme nos passa.
Os Cavaleiros j existiam fazia alguns anos quando se comeou a dizer que sua Ordem fora fundada por Hugues de Payens, um primo e vassalo do conde de Champagne. 
A funo deles certamente no era patrulhar as estradas, e o cronista do rei, Fulk de Chames, no os descreveu assim. Eles eram os diplomatas de linha de frente 
do rei em um ambiente muulmano e, nessa condio, esforavam-se para corrigir as aes indevidas dos Cruzados contra os indefesos sditos do sulto. O bispo de 
Chames escreveu a respeito dos Templrios em 1114, chamando-os de Milice du Christi (Soldados de Cristo). Naquela poca, os Cavaleiros j estavam ordenados no palcio 
de Baldwin, localizado numa mesquita que ficava no lugar do Templo de Salomo. Quando Baldwin se mudou para a fortaleza coberta na Torre de Davi, o espao do Templo 
foi deixado inteiramente para a Ordem dos Templrios.
Hugues de Payens foi ao mesmo tempo o fundador e o primeiro Gro Mestre da Ordem. Seu segundo-em-comando era o cavaleiro flamengo Gofredo Saint Omer, enquanto outro 
recruta era Andr de Montbard, parente do conde de Borgonha. Em 1120, Fulk, conde d' Anjou (pai de Geoffrey Plantagenet), tambm se juntou  Ordem, e foi seguido 
em 1124 pelo senhor feudal de De Payens, Hugues, conde de Champagne. Evidentemente, os Cavaleiros no eram pobres, e no existe nenhum registro desses ilustres nobres 
patrulhando as estradas infestadas de bedunos, para proteo dos peregrinos.

A tarefa de ministrar para os peregrinos era, na verdade, realizada pelos Hospitalrios de So Joo de Jerusalm. J os Cavaleiros Templrios eram um grupo muito 
seleto e uma unidade especial. Eles tinham feito um juramento especial de obedincia - no ao rei ou ao seu lder, mas ao abade cisterciense, So Bernardo de Clairvaux 
(morto em 1153, que tinha ligaes com o conde de Champagne. Na verdade, foi em uma terra doada pelo conde que Bernardo construiu o mosteiro cisterciense de Clairvaux 
em 1115. Foi So Bernardo quem revitalizou a Igreja Celta da Esccia e reconstruiu o mosteiro de Columba em Iona. Foi tambm So Bernardo quem, a partir de 1128, 
traduziu pela primeira vez a geometria sagrada dos Pedreiros do rei Salomo, e pregou a Segunda Cruzada em Vzelay para o rei Lus VII e uma congregao de 100.000. 
Em Vzelay ficava a grande Baslica de Santa Maria Madalena, e o juramento dos Cavaleiros Templrios a So Bernardo exigia a "Obedincia de Betnia - o castelo de 
Maria e Marta".

No h coincidncia no fato de a obra de Chrtien de Troyes, le Conte dli Graal (sculo XII), ser dedicada a Filipe d' Alsace, conde de Flandres. Tampouco foi por 
acaso que Chrtien foi patrocinado e incentivado em sua tarefa pela condessa Maria e a Corte de Champagne. A cultura do Graal nasceu diretamente desse antigo ambiente 
Templrio e a obra Periesvaus retratava os Cavaleiros como guardas de um grande e sagrado segredo. Parzivai, de Wolfram, os definia como os Guardies da Famlia 
do Graal.

SANTURIO DA ARCA


Embaixo e  grande profundidade do Templo de Jerusalm se encontrava o grande complexo do estbulo do rei Salomo, que permanecera selado e intacto desde os tempos 
bblicos. O enorme abrigo subterrneo foi descrito por um Cruzado como um "estbulo de magnfica capacidade, to grande que podia abrigar mais de 2.000 cavalos". 
Abrir esse gigantesco repositrio era a misso secreta original dos Cavaleiros Templrios, pois So Bernardo sabia que ele continha a riqueza de Jerusalm do Antigo 
Testamento, incluindo a Arca da Aliana, que, por sua vez, continha o maior de todos os tesouros: as Tbuas do Testemunho.

Podemos nos perguntar por que essas relquias da poca de Moiss se tomaram objeto de uma misso to bem guardada, chefiada por um abade cisterciense e pela flor 
da nobreza flamenga. Os escritos de hoje, aprovados pela Igreja, dizem que as tbuas de Moiss continham os Dez Mandamentos gravados em pedra pelo prprio Deus; 
entretanto, a substncia desses bem conhecidos decretos de disciplina moral dificilmente constitura um segredo. Na verdade, as tbuas procuradas pelos Cavaleiros 
eram particularmente importantes, pois traziam muito mais do que os conhecidos Mandamentos. Inscritas nelas vinham tambm as Tbuas do Testemunho; a equao csmica: 
a divina lei de nmero, medida e peso.
A arte mstica de ler as inscries foi obtida pelo sistema crptico da Qabala (cabala).
Os Dez Mandamentos eram outra coisa. Eram os preceitos que Deus entregou primeiramente a Moiss e ao povo no monte Sinai (xodo 20 a 23), acompanhados por uma srie 
de instrues verbais. E Deus disse a Moiss (xodo 24: 12):

"Sobe a mim, ao monte, e fica l; dar-te-ei tbuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que escrevi, para os ensinares".

H trs itens separados aqui: tbuas de pedra; uma lei; mandamentos. Deus disse ainda: "E pors na arco o Testemunho, que eu te darei" (xodo 25:16). Mais adiante, 
em xodo 31:18: "... deu a Moiss as duas tbuas do Testemunho, tbuas de pedra".
As tbuas originais foram quebradas por Moiss quando ele as jogou ao cho (xodo 32:19). Depois, Deus disse a Moiss (xodo 34:1):

"Lavra duas tbuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras tbuas, que quebraste".

Subseqentemente, Deus reiterou verbalmente os Mandamentos, e disse a Moiss: "Escreve estas palavras", e Moiss "escreveu nas tbuas as palavras da aliana, as 
dez palavras" (xodo 34:27-28).
Havia uma clara definio entre as Tbuas do Testemunho (escritas por Deus) e os Dez Mandamentos (separadamente escritos por Moiss). Durante sculos, a Igreja deu 
a entender que a Aliana dos Dez Mandamentos era a parte importante do conjunto, em conseqncia do que as verdadeiramente importantes Tbuas do Testemunho foram 
estrategicamente ignoradas.

Seguindo de xodo 25, instrues precisas para a construo da Arca so dadas em grandes detalhes. De modo semelhante, os mtodos para o seu transporte tambm so 
especificados, alm de especificaes para roupas e calados a serem usados pelos portadores e observadores. O desenho e os materiais para o Tabernculo, local onde 
a Arca seria guardada, tambm so minuciosamente descritos, como na composio do altar interior. Como se tudo isso no bastasse, xodo 37-40 continua narrando como 
essas instrues foram seguidas  risca, repetindo tudo, detalhe por detalhe. No havia espao para erros, nem qualquer desvio das instrues passadas. Todo o trabalho 
de construo foi confiado a Bezalel, o filho de Uri Ben Hur de Jud.
Construda exatamente de acordo com as descries no Antigo Testamento, a Arca se mostra no s como um cofre muito bem elaborado, mas tambm como um condensador 
eltrico, construdo de madeira resinosa e forrado duplamente por dentro e por fora com ouro. Os fatos j foram afirmados muitas vezes tanto por cientistas como 
por telogos. As placas individuais, carregadas positiva e negativamente, podem produzir vrias centenas de volts suficientes para matar um homem. Uz sentiu isso 
na prpria pele quando tocou a Arca (2 Samuel e 6:6-7 e I Crnicas 13:9-10). Alm disso, a Arca tambm parece ser um eficiente transmissor de sons, por meio do qual 
Moiss teria se comunicado com Deus (xodo 25:22).
Os Dez Mandamentos foram e so escritos, mencionados, discutidos e ensinados. Nunca foram segredo para ningum, diferentemente das Tbuas do Testemunho. Essas preciosas 
tabulaes foram colocadas na Arca auto-protetora para serem guardadas pelos levitas. Aps o dramtico transporte atravs da Jordnia e da Palestina (Josu e I Samuel), 
ela foi levada para Sio (Jerusalm) por Davi. Seu filho, o rei Salomo, mandou o mestre-pedreiro Hiram Abiff construir o Templo, e a Arca foi posta no Santo dos 
Santos. O acesso era proibido, exceto para inspeo ritual pelo sumo sacerdote, uma vez por ano.
Exceto por algumas breves referncias, essa  a ltima informao que a Bblia d a respeito da Arca da Aliana. Alguns boatos sugerem que ela foi levada para a 
Etipia (Abissnia), mas, em Apocalipse 11:19, h uma indicao de que ela permaneceu no Templo do Cu. Sem dvida, a Arca e as Tbuas eram as posses mais valiosas 
de Jerusalm, mas, quando Nabucodonosor da Babilnia destruiu o Templo (por volta de 586 a.C.), nenhuma delas apareceu na lista de itens pilhados.
Naquela poca, o sumo sacerdote de Jerusalm era Hilquias, cujo filho era Jeremias, o profeta (Jeremias 1:1), tambm o capito da Guarda do Templo. Antes da invaso 
de Nabucodonosor, Hilquias instruiu Jeremias a ordenar a seus homens que escondessem os tesouros do templo nos estbulos subterrneos - incluindo a Arca da Aliana. 
A ordem foi cumprida, e a Guarda formou uma Ordem de elite do Templo, para reter o registro dos guardados sagrados. Assim, quando So Bemardo e De Payens estabeleceram 
sua Ordem, mais de 1.500 anos depois, seus Cavaleiros nomeados sabiam precisamente o que estavam procurando, e onde.
Os leitores de A Linhagem do Santo Graal freqentemente perguntam quando exatamente a Ordem do Templo de Jerusalm foi fundada, j que existe muita controvrsia 
quanto ao ano geralmente atribudo de 1118. Na realidade, porm, pode-se dizer que a fundao no sculo XII foi uma reconstituio da Ordem, pois ela foi originalmente 
fundada por Hilquias e Jeremias muito tempo antes, em 586 a.C.
Em 1127, a busca dos Templrios j tinha terminado. Eles conseguiram pegar no s a Arca e seus contedos, mas uma riqueza inimaginvel de ouro em barras e tesouros 
escondidos, todos seguramente empilhados sob o solo, muito tempo antes da demolio romana e da pilhagem no ano 70 d.C. Foi s em 1956 que uma evidncia confirmatria 
do tesouro de Jerusalm veio  luz, na Universidade de Manchester. A decifrao do Pergaminho de Cobre de Qurnr se completou naquele ano e revelou que um "tesouro 
indeterminvel", alm de uma vasta pilha de ouro em barras e os outros valores, tinha sido enterrado sob o Templo.
 luz do tremendo sucesso dos Templrios, Hugues de Payens foi chamado por So Bemardo para comparecer a um Conclio em Troyes. O conclio seria presidido por um 
embaixador do papa, o Cardeal Legate da Frana. Hugues e uma companhia de cavaleiros deixaram, ento, a Terra Santa, levando a auspiciosa descoberta, e So Bemardo 
anunciou que a misso de Jerusalm estava cumprida. Ele escreveu:

"O trabalho foi realizado com a nossa ajuda, e os Cavaleiros foram enviados numa misso pela Frana e Borgonha, sob a proteo do Conde de Champagne, na qual todas 
as precaues esto sendo tomadas contra qualquer interferncia por parte de autoridades pblicas ou eclesisticas".

A corte de Champagne em Troyes estava bem preparada para o trabalho da traduo crptica e, em prontido, j vinha patrocinando por muito tempo uma escola influente 
de estudos cabalsticos. O Conclio de Troyes aconteceu em 1128, quando So Bernardo se tomou o padroeiro e protetor oficial dos Cavaleiros Templrios. Naquele ano, 
eles ganharam o status de Ordem Soberana, e sua sede em Jerusalm se tomou o centro governante da cidade capital. A Igreja estabeleceu os Cavaleiros como uma ordem 
religiosa e Hugues de Payens foi formalmente ordenado Gro-Mestre.
Diferente da Cruz dos Templrios (vermelha com fundo branco), os Hospitalrios de So Joo usavam um padro de cores distinto (prata com fundo preto), no mesmo desenho. 
Seu hospital de peregrinos em Jerusalm foi fundado antes das Cruzadas, por volta de 1050. Depois da queda de Acre, que encerrou as Cruzadas em 1291, os Hospitalrios 
foram forados a abandonar a Palestina. Foram para Rodes e Chipre, acrescentando venturas seculares e militares s suas atividades, e a partir de 1530 ficaram estabelecidos 
como os Cavaleiros de Malta. Uma dissidncia, regulamentada em 1888, criou a Associao de Ambulncia da Gr-Bretanha, que ainda usa o mesmo distintivo.
Depois do Conclio de Troyes, a ascenso dos Templrios  proeminncia internacional foi incrivelmente rpida. Eles comearam a se engajar na alta poltica e em 
diplomacia em todo o mundo ocidental e se tomaram conselheiros de monarcas e parlamentares. Apenas onze anos mais tarde, em 1139, o papa Inocncio II (outro cisterciense) 
concedeu aos Cavaleiros independncia internacional de obrigao a qualquer autoridade, exceto a ele prprio. Independentemente de reis, cardeais ou governos, o 
nico superior da Ordem era o papa. Mesmo antes disso, porm, eles tinham recebido vastos territrios e substanciais propriedades, da Gr-Bretanha  Palestina. A 
Anglo-Saxon Chronicle, crnica anglo-saxnica, afirma que quando Hugues de Payens visitou Henry I da Inglaterra, "o rei o recebeu com muita honra, e lhe deu ricos 
presentes". O rei espanhol, Alfonso de Arago, passou um tero de seu reino para a Ordem e toda a cristandade estava aos ps deles.

NOTRE DAME

Quando a notcia da incrvel descoberta dos Templrios se espalhou, os Cavaleiros passaram a ser reverenciados por todos e, apesar da riqueza de Jerusalm, grandes 
doaes eram feitas a eles, vindas de todos os lados. Nenhum preo era alto demais para garantir afiliao e, uma dcada depois de seu retorno, os Templrios eram 
provavelmente o rgo mais influente que o mundo j conheceu at hoje. Entretanto, apesar das prodigiosas posses da Ordem, individualmente os Cavaleiros eram comprometidos 
por um voto de pobreza. Qualquer que fosse sua condio social, todo Templrio era obrigado a assinar um termo abrindo mo de suas posses - e, mesmo assim, os filhos 
dos nobres se perfilavam para entrar na Ordem. Sendo to bem custeados, os Templrios estabeleceram a primeira rede de bancos internacional, tornando-se os financiadores 
do Levante e de praticamente todo trono na Europa.
 medida que a Ordem crescia em posio, a fortuna dos cistercienses tambm aumentava e, 25 anos depois do Conclio de Troyes, eles j tinham mais de 300 abadias. 
Mas no parou nisso, pois o povo da Frana testemunhou, ento, o mais espantoso resultado do conhecimento dos Templrios acerca da equao universal. A silhueta 
da cidade comeava a mudar, enquanto as catedrais a Notre Dame, com seus majestosos arcos, erguiam-se da terra. A arquitetura era fenomenal - impossvel, alguns 
diziam. As ogivas pontudas atingiam alturas incrveis, cobrindo espaos inimaginveis, com seus arcobotantes e abbadas trabalhadas. Tudo se estendia para cima e, 
apesar  das milhares de toneladas de pedra ricamente decoradas, a impresso geral era de uma falta de peso mgica.
Seguindo as referncias das Tbuas do Testemunho, a lei csmica e sua geometria sagrada eram aplicadas pelos pedreiros templrios para construir os mais belos monumentos 
sagrados a agraciar o mundo cristo. Na porta norte da Notre Dame de Chartres (o Porto dos Iniciados), uma escultura em relevo em uma pequena coluna mostra a Arca 
da Aliana sendo transportada. A inscrio pode ser traduzi da como: "Aqui, as coisas seguem o seu curso; devereis trabalhar pela Arca".
As catedrais foram constru das na mesma poca, embora algumas tivessem levado mais de um sculo para se completar em todos os estgios. Notre Dame em Paris foi 
iniciada em 1163, em Chartres em 1194, em Reims em 1211 e em Amiens em 1221. Outras da mesma era foram construdas em Bayeux, Abbeville, Rouen, Laon, Evreux e Etampes. 
Em concordncia com o princpio hermtico, "acima, como abaixo", as plantas combinadas das catedrais de Notre Dame replicam a constelao de Virgem. De todas elas, 
dizem que Notre Dame de Chartres  a que est no solo mais sagrado.
Notvel entre as autoridades na histria de Chartres  Louis Charpentier, cuja pesquisa e textos tm contribudo muito para a nossa compreenso da arquitetura gtica 
em geral. Ele diz que em Chartres as correntes telricas esto em seu ponto mais alto e o local era conhecido por sua atmosfera divina mesmo nos tempos dos druidas. 
To venerado  o lugar de Chartres que ela  a nica catedral onde no foi enterrado nenhum rei, bispo, cardeal, cnego ou qualquer outro em seu subsolo. O altar 
original foi construdo acima da "Grotte des Druides", que abrigava um dlmen sagrado e era identificado com o Ventre da Terra.
Um dos maiores mistrios da arquitetura gtica  o vidro usado nos vitrais das catedrais. Eles apareceram pela primeira vez no incio do sculo XII, mas desapareceram 
subitamente cem anos depois. Nada do tipo fora visto at ento, e nada igual foi criado desde aquela poca. No s a luminosidade dos vitrais gticos  maior do 
que qualquer outra, mas tambm as qualidades que o vidro tem de aumentar a luz so muito mais eficazes. Diferentemente dos vitrais de qualquer outra escola arquitetnica, 
o efeito interior produzido pelos vitrais gticos  o mesmo, esteja a luz do lado de fora forte ou fraca. Mesmo no crepsculo, o vidro retm sem fulgor mais do que 
qualquer outro.
O vidro gtico tambm tem o poder singular de transformar raios ultravioletas nocivos em luz benfica, mas o segredo de sua fabricao nunca foi revelado, embora 
fosse sabido que ele continha um produto da alquimia hermtica. Os indivduos empregados para aperfeioar o vidro eram matemticos filosficos persas, como por exemplo 
Ornar Khayyam, cujos adeptos diziam que seu mtodo incorporava o Spiritus Mundi - o flego csmico do Universo. S muito recentemente, como  explicado em Genesis 
ofthe Grail Kings, o processo secreto de manufaturao ficou conhecido - um processo que possui implicaes estonteantes que vo muito alm dos vitrais em si.
Por toda a parte nas catedrais gticas, as obras de arte arquitetnicas proliferam, mostrando a histria bblica e passagens dos Evangelhos, nas quais muita ateno 
 dada  vida de Jesus. Algumas das outras ainda visveis hoje foram feitas depois do sculo XN, mas, durante a verdadeira era gtica, no houve uma nica reproduo 
da crucificao. Com base nos escritos anteriores aos Evangelhos, que foram encontrados em Jerusalm, os Templrios negavam a seqncia da crucificao como est 
descrita no Novo Testamento e, por esse motivo, nunca reproduziram a cena. O vitral do sculo XII na frente oeste de Chartres inclui um medalho da crucificao, 
mas ele foi transferido de outro local numa data posterior - provavelmente da St. Denis, bem ao norte de Paris. H vitrais herdados por meios semelhantes em outras 
catedrais de Notre Dame.

Alm do ouro em barras de Jerusalm, os Templrios tambm encontraram uma riqueza de manuscritos antigos em hebraico e siraco, proporcionando relatos em primeira 
mo que no tinham sido censurados pelas autoridades eclesisticas. Diante disso, tomou-se claro o fato de que os Cavaleiros possuam uma viso e um discernimento 
que eclipsavam o Cristianismo ortodoxo uma viso que lhes dava a certeza de que a Igreja tinha interpretado erroneamente tanto a Concepo Imaculada como a Ressurreio. 
Eles eram, no entanto, considerados altamente pios, e eram firmemente apegados aos papas cistercienses da poca.
Em tempos posteriores, porm, o conhecimento antes reverenciado dos Templrios causou sua perseguio por parte dos papas de outras Ordens, e pelos selvagens frades 
dominicanos da Inquisio. Foi nesse ponto da histria do Cristianismo que o ltimo vestgio do pensamento livre desapareceu. Nem o conhecimento especial nem o acesso 
a certas verdades serviam contra a nova linha dura de Roma. Foi assim que tambm sumiram todos os traos do aspecto feminino, s restando a Virgem Maria para representar 
todas as mulheres. Na prtica, seu status semidivino de Madona Virgem a distanciava tanto das outras que nenhuma era representada. Mas, apesar disso um raio de esperana 
prevaleceu, pois outra luz feminina brilha das catedrais de Notre Dame, onde a venerao a Maria Madalena continua sendo crucial ao tema. O lindo vitral de Madalena 
em Chartres tem uma inscrio que diz "Doado pelos carregadores de gua" - os Aquarianos. Maria era a portadora de. Santo Graal, e sem dvida ela se tornar muito 
mais proeminente com a grande nova inspirao da Era de Aqurio: a era de renovado intelecto, sabedoria e a Lei Universal da Arca.


IRMANDADE DO TERCEIRO GRAU


As catedrais de Notre Dame e as mais importantes construes gticas foram basicamente o trabalho dos Filhos de Salomo - uma sociedade de pedreiros (maons) instrudos 
pela Ordem Cisterciense de So Bernardo.
So Bernardo tinha traduzido a geometria sagrada dos pedreiros do rei Salomo, os quais, sob ordens de seu mestre, Hiram Abiff, eram classificados por graus de conhecimento 
e proficincia. Salomo tinha procurado especificamente c rei Hiram de Tiro, em busca da assistncia de Hiram Abiff, um arquiteto e artfice, qualificado em geometria 
sagrada. Embora Tiro fosse um renomado centro de adorao  deusa, Hiram Abiff se tornou o desenhista-chefe e Mestre Pedreiro para o templo de Jav. Em virtude disso, 
ele estava destinado a ser uma figura simblica chave, na futura Franco-Maonaria.
Outras irmandades manicas da Frana medieval eram os Filhos do Pai Soubise e os Filhos de Mestre Jacques. Quando a Inquisio contra os Templrios, liderada pelos 
dominicanos no sculo XIV, estava em seu pice, essas sociedades tambm corriam perigo. Sendo praticantes da Arte Manica, eles tinham informaes privilegiadas 
a respeito do funcionamento da geometria sagrada e da Lei Universal, de acordo com o nvel do progresso de cada um. Havia trs graus: Companheiro Aprendiz, Companheiro 
Realizado e Companheiro Mestre - assim como hoje h trs graus principais na moderna Franco-Maonaria especulativa. Por isso, depois da Inquisio dos Templrios, 
um severo interrogatrio para extrair as informaes mais vitais ou secretas  freqentemente chamado de Terceiro Grau.

Embora se diga que a moderna Maonaria derivou das sociedades medievais da Europa, a Arte tem origens muito mais remotas. Inscries gravadas no obelisco egpcio 
no Central Park, Nova York, foram identificadas como smbolos manicos da poca do fara Tutmsis III (c.1468-1436 a.C.). Ele foi o trisav de Moiss. Tutmsis 
(herdeiro de Tuth/ Tot) foi o fundador de uma influente sociedade secreta de estudiosos e filsofos, cujo propsito era preservar os mistrios sagrados. Em pocas 
posteriores, os magos samaritanos eram membros da Ordem, sendo ligados ao Terapeutato egpcio, uma comunidade asctica em Qumr. Foi do Egito que Moiss (Akhenaton) 
introduziu o conceito de adorao em templo aos israelitas, quando criou o Tabernculo em Sinai. De modo semelhante, a prpria noo do sacerdcio era egpcia - 
herdada originalmente da antiga Sumria. Antes do Tabernculo de Moiss, os patriarcas judeus usavam altares simples de pedra do lado de fora como locais de reverncia 
e sacrifcio, como aqueles erguidos por No (Gnesis 8:20) e Abrao
(Gnesis 22:9).        .
Um segundo obelisco egpcio do Templo do Sol (conhecido, por algum motivo obscuro, como a Agulha de Clepatra - tendo relao com a rainha Clepatra VII, embora 
seja anterior a ela mais de mil anos) se encontra no dique do Thames, em Londres. Ele tem 20,88 m de altura e pesa 186 toneladas. Os dois obeliscos de granito eram 
originalmente pilares da entrada do Templo em Helipolis, mas foram levados para Alexandria em 12 a.C., depois para Londres e Nova York em 1878 e 1881, respectivamente.
Em sintonia com a prtica egpcia de colocar pilares eretos nas entradas dos templos, Hiram Abiff introduziu o mesmo tema na varanda do Templo do rei Salomo em 
Jerusalm. Os pilares, com seus capitis arredondados, eram semelhantes aos desenhos prprios da adorao  deusa, em Tiro, e aos smbolos de fertilidade dedicados 
a Astarte em Cana. Os pilares de Jerusalm se chamavam Jaquim e Boaz (1 Reis 7:21 e 2 Crnicas 3:17). Foram construdos ocos para servir como repositrios para 
arquivos e rolos constitucionais da arte dos pedreiros. Alm disso, embora o Templo fosse dedicado a Jav e projetado principalmente para abrigar a Arca da Aliana, 
sua construo no era limitada ao princpio hebraico masculino de Deus: o templo fora construdo basicamente obedecendo ao costume tradicional e incorporava energias 
geomtricas masculinas e femininas.
O Templo foi completado em sete anos, quando Hiram foi assassinado e colocado numa cova rasa. Sua morte teria sido o resultado de sua recusa em divulgar os segredos 
do Pedreiro Mestre aos trabalhadores no esclarecidos. Hoje, a morte simblica de Hiram representa significativamente a cerimnia de Terceiro Grau da Franco-Maonaria; 
o candidato  derrubado e erguido novamente da escurido de sua cova com o uso do aperto secreto do Mestre Maom ("pedreiro-mestre").
A moderna Franco-Maonaria  mais especulativa do que operativa, mas mesmo na poca de Hiram a sociedade dos artfices ao qual ele pertencia tinha lojas prprias, 
bem como smbolos e senhas. Um smbolo evidente era a esptula (do pedreiro), um emblema usado pelos pitagricos e essnios, tambm encontrado nas catacumbas de 
Roma, onde h representaes de iniciao manica pintadas nas tumbas dos perseguidos Innocenti.

MASSACRE EM LANGUEDOC

A oeste e noroeste de Marselha, no Golfo de Lion, estende-se a velha provncia de Languedoc, onde, em 1208, o povo foi repreendido pelo papa Inocncio III por comportamento 
anticristo. No ano seguinte, um exrcito papal de 30.000 soldados entrou na regio, sob o comando de Simo de Montfort. De maneira deliberadamente enganosa, eles 
usavam a cruz vermelha das Cruzadas a Terra Santa, mas seu propsito era muito diferente. Na verdade, os soldados tinham sido enviados para exterminar a seita asctica 
dos ctaros (os Puros), os quais, segundo o papa e o rei Filipe II da Frana, eram hereges. O massacre durou 35 anos, levando dezenas de milhares de vidas e culminando 
com a horrenda matana no seminrio de Montsgur, onde mais de 200 refns foram amarrados em estacas e queimados vivos em 1244.
Em termos religiosos, a doutrina dos ctaros era essencialmente gnstica; eles eram indivduos notavelmente espiritualizados, que acreditavam que o esprito era 
puro, mas a matria fsica os conspurcava. Embora suas convices no fossem ortodoxas em comparao com as prfidas perseguies de Roma, o medo que o papa tinha 
dos ctaros vinha, na verdade, de algo muito mais ameaador. Dizia-se que eles eram os guardies de um grande e sagrado tesouro, ligado a um conhecimento fantstico 
e antigo. A regio de Languedoc era aquela que formava substancialmente o reino judeu de Septimania, no sculo VIII, e estava mergulhada nas tradies de Lzaro 
(Simo Zelote), enquanto os habitantes consideravam Maria Madalena a Me-Graal da cristandade.
Como os Templrios, os ctaros eram expressamente tolerantes com a cultura judaica e a muulmana. Eles tambm defendiam a igualdade dos sexos mas, por tudo isso, 
foram condenados e violentamente suprimidos pela Inquisio Catlica (instituda formalmente em 1233) e acusados de todos os tipos de blasfmia e desvio sexual. 
Contrariando as acusaes, as testemunhas convocadas s trouxeram evidncias da Igreja do amor dos ctaros e de sua devoo inabalvel ao ministrio de Jesus. Eles 
acreditavam em Deus e no Esprito Santo, recitavam o Pai Nosso e tinham uma sociedade exemplar, com um sistema prprio de assistncia social, incluindo hospitais 
e escolas de caridade. Chegaram at a traduzir a Bblia para a sua lngua, a langue d'oc (da o nome da regio), e a populao de no-ctaros tambm se beneficiou 
de seus esforos altrusticos.
Em termos prticos, os ctaros eram simplesmente no-conformistas, pregando sem licena e no necessitando de padres nomeados nem das igrejas suntuosas de seus vizinhos 
catlicos. So Bernardo tinha dito que "Nenhum sermo  mais cristo que o deles, e sua moral  pura" - mas, mesmo assim, os exrcitos papais vieram, disfarados 
como santos missionrios, para erradicar a comunidade dos ctaros.
O edito de aniquilao se referia no s aos ctaros msticos, mas a todos os que os seguiam - o que inclua a maior parte do povo de Languedoc. Naquela poca, embora 
fosse geograficamente uma parte da Frana, a regio era na verdade um Estado independente. Politicamente, ela era mais ligada  fronteira norte da Espanha, tendo 
o conde de Toulouse como seu soberano. Eram ensinadas as Lnguas Clssicas, alm de Literatura, Filosofia e Matemtica. De um modo geral, a rea era rica e comercialmente 
estvel, mas tudo isso mudaria em 1209, quando as tropas do papa chegaram ao sop dos Pireneus. Em aluso ao centro de Languedoc em Albi, a selvagem campanha foi 
chamada de Cruzada Albigense - pelo menos  o que se diz. Entretanto, o nome tem uma implicao muito mais importante. Albi era, na verdade, uma variante do velho 
termo europeu ylbi (um elfo do sexo feminino) e os ctaros se referiam ao Sangral messinico como o Albi gens: a linhagem dos elfos.

De todos os cultos que floresceram nos tempos medievais, o dos ctaros era o menos ameaador, e o fato de eles terem alguma ligao com um conhecimento antigo em 
particular no era novidade; Guilherme de Toulouse de Gellone, rei da Septimania, tinha estabelecido sua academia judaica mais de quatro sculos antes. Entretanto, 
esse fato (somado  noo de que os ctaros guardavam um tesouro insupervel, de maior significado histrico do que a raiz do Cristianismo) levava Roma a uma nica 
concluso: a Arca, as Tbuas do Testemunho e os manuscritos de Jerusalm deviam estar escondidos em Languedoc. Isso seria suficiente para abalar o conceito fundamental 
da Igreja Romana ortodoxa. S havia uma soluo para um regime desesperado e fantico - e assim, a ordem se espalhou: "Mate-os todos!"

O REINO DOS ESCOCESES

A PERSEGUIO DOS TEMPLRIOS

A pseudocruzada terminou em 1244, mas se passariam mais 62 anos at que o papa Clemente V e o rei Filipe IV estivessem em posio de molestar os Cavaleiros Templrios 
em sua busca pelo tesouro arcano. Em 1306, a Ordem de Jerusalm j era to poderosa, que Filipe IV da Frana os via com certa preocupao; ele devia muito dinheiro 
aos Cavaleiros e estava praticamente falido. Alm disso, ele temia o poder poltico e esotrico dos Templrios, que certamente era muito maior do que o dele. Com 
o apoio do papa, o rei Filipe perseguiu os Templrios na Frana e se empenhou em eliminar a Ordem em outros pases. Os Cavaleiros estavam sendo presos na Inglaterra, 
mas ao norte da fronteira, na Esccia, as bulas papais no surtiam efeito, pois o rei Robert, o Bruce, e toda a nao escocesa foram excomungados por levantar armas 
contra o genro de Filipe, o rei Edward II da Inglaterra.
At 1306, os Cavaleiros sempre tinham agido sem interferncia papal, mas Filipe conseguiu mudar essa situao. Aps um edito do Vaticano proibindo-o de cobrar impostos 
do clero, o rei francs providenciou a captura e o assassinato do papa Bonifcio VIII. Seu sucessor, Benedito XI, tambm morreu em circunstncias muito misteriosas, 
sendo substitudo em 1305 pelo candidato de Filipe, Bertrand de Goth, arcebispo de Bordeaux, que se tomou o papa Clemente V. Com um novo papa sob seu controle, Filipe 
apresentou sua lista de acusaes contra os Cavaleiros Templrios. A acusao mais fcil era a de heresia, pois todos sabiam que os Cavaleiros no aceitavam a viso 
da crucificao e no usavam a cruz latina ereta. Tambm era sabido que as questes diplomticas e comerciais dos Templrios os faziam se envolver com judeus, gnsticos 
e muulmanos.
Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, os partidrios de Filipe atacaram, e os Templrios foram capturados por toda a Frana, sendo levados  priso, interrogados, 
torturados e queimados. Testemunhas compradas eram chamadas para testemunhar contra a Ordem, e algumas declaraes verdadeiramente absurdas foram feitas. Os Templrios 
eram acusados de numerosas prticas consideradas profanas, incluindo necromancia, homossexualismo, aborto, blasfmia e magia negra. Uma vez tendo dado seu depoimento, 
sob circunstncias que envolviam suborno ou coero, as testemunhas desapareciam sem deixar traos. Mas, apesar de tudo isso, o rei no alcanou seu objetivo primrio, 
pois o tesouro continuou inacessvel para ele. Seus vassalos tinham vasculhado toda a rea de Champagne e Languedoc, mas o tempo todo a maior parte do tesouro estava 
escondida nos cofres do Tesouro de Paris.

Naquela poca, o Gro-Mestre da Ordem era Jacques de Molay. Sabendo que o papa Clemente V era um peo do rei Filipe, Molay providenciou para que o tesouro de Parias 
fosse removido numa frota de 18 galeras de La Rochelle. A maioria desses navios singrou para a Esccia (alguns foram para Portugal), mas Filipe no sabia disso e 
negociou com vrios monarcas para que os Templrios tambm fossem perseguidos fora da Frana. Subseqentemente, ele obrigou o papa Clemente a proibir a Ordem em 
1312 e, dois anos depois, Jacques de Molay foi queimado na estaca.
Edward II, da Inglaterra, relutava em se voltar contra os Cavaleiros, mas sendo genro de Filipe, viu-se numa posio difcil. Assim, ao receber uma instruo clara 
do papa, ele concordou com a ordem da Inquisio. Muitos Templrios foram presos na Inglaterra, suas terras e preceptorias confiscadas e depois passadas para os 
Hospitalrios de So Joo.
Na Esccia, porm, a histria foi bem diferente: a bula papal foi totalmente ignorada. Muito tempo antes, em 1128, Hugues de Payens conhecera o rei David I dos escoceses 
logo depois do Conclio de Troyes, e So Bernardo de Clairvaux integrava a Igreja Celta, com sua abastada Ordem Cisterciense. O rei David concedeu a Hugues e seus 
Cavaleiros as terras de Ballantradoch, prximas ao Esturio de Forth (hoje a vila do Templo), e eles estabeleceram sua sede principal em South Esk. A Ordem, ento, 
foi promovida e encorajada por sucessivos reis, particularmente William, o Leo. Tratos considerveis de terra eram passados para os Cavaleiros (especialmente nas 
cercanias de Lothian e Aberdeen) e os Templrios tambm tomaram posse de propriedades em Ayr e no oeste da Esccia. Um grande contingente lutou em Bannockburn, em 
1314, ganhando grande proeminncia em Lorne e Argyll. Desde o perodo de Robert, o Bruce, cada sucessivo herdeiro Bruce e Stewart era um Cavaleiro Templrio por 
nascimento e, em viturde disso, a linhagem real escocesa compreendia no s reis sacerdotes, mas tambm reis sacerdotes cavaleiros.

BANQUO E MACBETH

Desde a poca dos merovngios depostos, a mais importante dinastia reinante na sucesso dos desposyni foi a Casa Real de Stewart, da Esccia, cuja herana era parte 
escocesa e parte bret. Quanto  ancestralidade escocesa, um dos personagens mais importantes era Banquo, o Thane de Lochaber, do sculo XI.

Depois de Kenneth MacAlpin ter unificado os pictos e escoceses, em 844, cada rei destes ltimos herdava a coroa por meio da descendncia tanista, de acordo com o 
costume dos pictos. Embora os escoceses seguissem sua realeza por sucesso pela linha masculina, a tradio dos pictos sempre fora matrilinear. Foi, portanto, elaborado 
um arranjo no qual as princesas dos pictos se casavam com reis escoceses, mantendo assim o status quo, enquanto a descendncia no era estabelecida em uma linhagem 
familiar. Os reis eram escolhidos antecipadamente dentre os filhos, sobrinhos e primos em linhas paralelas de descendncia de uma fonte comum. Nesse caso especfico, 
a fonte comum era o rei Kenneth. A grande vantagem desse arranjo seletivo era que os mais novos nunca chegavam  coroa como aconteceu para o prejuzo da Esccia 
em pocas posteriores, quando o sistema foi abolido.
Aps quase 200 anos de sucesso tanista alternada na descendncia escocesa, ocorreu uma feroz disputa quando a tradio foi abolida pelo rei Malcolm II. Em vez de 
passar o trono devidamente a seu primo mais novo, Boede de Duff (Dubh), ele decidiu que algum de sua prole herdaria a coroa. O problema era que Malcolm no tinha 
filho, mas sim trs filhas, dentre as quais Bethoc, a mais velha, era casada com Crinan, arcebispo da Sagrada Famlia de So Columba. Como o prprio Columba, Crinan 
descendia da realeza Tir Conaill da Irlanda. A segunda filha de Ma1colm, Donada era esposa de Findlaech MacRory, Mormaer de Moray, enquanto Olith (a mais jovem) 
era casada com Sigurd II, prncipe nrdico e Jarl (conde) de Orkneys. Havia uma complicao adicional, porque a irm do rei Ma1com, Dunclina, era casada com Kenneth 
de Lochaber que, pela estrutura do tanistrado, tinha um direito secundrio  coroa como primo de Boede, descendente de Kenneth MacAlpin.
Os filhos desses vrios casamentos estavam todos na corrida para o trono quando Ma1colm II morreu em 1034 e, entre esses filhos, o herdeiro mais prximo  sucesso 
era o filho de Dunclina, Banquo (Banchu), Thane de Lochaber. Entretanto, de acordo com os desejos de Ma1colm, o filho de sua filha mais velha, Bethoc, sucedeu ao 
trono como rei Duncan I. Sendo tambm o filho e herdeiro do arcebispo Crinan (morto pelos vikings em 1045), Duncan se tornou o primeiro rei sacerdote da Esccia, 
no estilo dos antigos merovngios da Glia. Esse conceito do monarca como representante soberano e patriarca religioso permaneceu no cerne da cultura escocesa dali 
em diante.

Antes da morte de Malcolm, uma revolta contra a sucesso planejada fora instigada por Gruoch, filha mais velha do tanista lgico Boede de Duff, que no tinha filhos 
vivos. Conseqentemente, o rei Malcolm matou Boede, deixando Gruoch com uma significativa reivindicao soberana segundo as regras do tanistrado. Com isso, ela imps 
uma oposio ferrenha contra o rei, que respondeu matando seu marido, Gillacomgen de Moray. Gruoch (que estava grvida, na poca) fugiu, buscando a proteo de seu 
primo, Macbeth, o filho de Donada e Findlaech por casamento. Pouco depois, em 1032, ela se casou com seu protetor e se tomou lady Macbeth.
Quando Malcolm III morreu, Gruoch convenceu Macbeth a desafiar a sucesso de seu primo Duncan. Ela no era a nica a se ressentir de Duncan, e violentas revoltas 
se sucederam, lideradas por vrios chefes de cls. Nem o influente Banquo de Lochaber, um capito do exrcito de Duncan, podia conter os tumultos. Um conselho militar 
foi convocado, no qual Macbeth ganhou controle das tropas do rei, conseguindo aplacar a revolta. Com isso, ele acabou se tomando mais popular que o prprio rei, 
elevando ainda mais as ambies de lady Macbeth, que sabia que a coroa estava ao alcance de seu marido. Mas e quanto ao rei Duncan? A verdade a respeito da morte 
dele, em 1040, ainda  incerta. A histria diz que ele foi morto numa briga em Bothnagowan (Ptigaveny, perto de Elgin), enquanto a literatura romntica conta que 
ele foi assassinado no castelo de Macbeth. Seja qual for a verdade, Macbeth se tomou rei ao sul e a oeste do Tay, enquanto seu primo Thorfinn de Caithness (filho 
de Olith e Sigurd) governava o resto da Esccia.
Por dezessete anos, Macbeth governou um reino ordeiro, enquanto sua esposa era a anfitri de uma corte sempre popular. No comeo, porm, Thane Banquo tentou reconquistar 
a coroa para o filho de Duncan, Malcolm Canrnore, prncipe de Cumbria. No decorrer da disputa, Macbeth matou dois filhos de Banquo e preparou uma emboscada para 
Banquo e seu filho mais velho, Fleance. Banquo foi morto na luta, mas Fleance escapou para o castelo do prncipe Gruffyd ap Llewelyn de Gwynedd (noroeste do Pas 
de Gales). L ele se tomou o primeiro marido da filha de Gruffyd, Nesta, com quem ficou algum tempo. Depois da morte de Fleance, Nesta se casou com Osbern Fitz Richard 
de Len.
Durante todo o reinado de Macbeth, Malcolm persistiu com sua reivindicao, ganhando o apoio de Thorfinn e, em 1057, seus exrcitos conjuntos foraram a retirada 
de Macbeth em Lumphanan. Reconhecendo a derrota absoluta, lady Gruoch Macbeth cometeu suicdio e, pouco depois, Macbeth foi morto. Thorfinn tambm morreu em batalha 
e sua esposa, Ingibjorg, foi obrigada a desposar Malcolm Canrnore. Apesar da vitria, Malcolm no ascendeu  coroa imediatamente, pois o grupo de Macbeth ainda tinha 
o controle e colocou o filho de lady Grouch, Lulach (de seu primeiro marido, Gillacomgen) no trono. Poucos meses depois, porm, Lulach foi morto em Strathbogie e, 
em 1058, Ma1colm III Canmore foi proclamado rei dos escoceses.
As histrias de Macbeth, lady Macbeth e Banquo tm sido tratadas com muita parcimnia pelos historiadores, mas seu status lendrios vive na popular pea de Shakespeare 
baseado em Chronicles of Englande. Scotlande and Irelande de Raphael Holinshed (morto em 1580). Macbeth de Shakespeare foi escrito quase seis sculos depois do evento 
histrico. Portanto, ao construir as profecias das trs irms estranhas, o dramaturgo j sabia exatamente o que acontecera na histria. Quando consultam seus augrios 
no comeo da histria, as bruxas informam a Macbeth que ele ser rei. Elas tambm dizem a Banquo que, embora ele nunca chegue a reinar, gerar uma linhagem de futuros 
reis - o que de fato ele fez.



OS HIGH STEWARDS

O nome Stewart deriva da distino de "Steward" - senescal, mordomo-mor - usada na Idade Mdia, na Esccia. Os primeiros Stewarts se tornaram reis dos escoceses 
em 1371 e a ramificao real posterior adotou a forma adaptada para o francs, Stuart (como o fizeram outras ramificaes). Desde seus primeiros dias, sabia-se que 
os Stewarts eram descendentes de Banquo de Lochaber, e essa descendncia, atravs desse nobre Thane (pelo rei Alpin, pai de Kenneth I), aparecia na lista de todas 
as genealogias relevantes. Tambm era um fato, porm, que os Stewarts surgiram dos Senescais do sculo XI de Dol, na Bretanha. Em termos soberanos, seus legados 
conjuntos foram de enorme importncia, pois sua linhagem escocesa era da sucesso de Arimatia, enquanto sua herana bret era a do prprio Jesus, atravs dos reis 
pescadores.

O precursor pr-escocs da linhagem bret foi Alan, Senescal de Dol e Dinan, um contemporneo de Banquo e Macbeth no segundo quarto do sculo XI. Os filhos de Alan 
eram Alan e Flaald (Stewards hereditrios de Dol) e RhiwalIon (Senhor de Dol). O filho mais velho, Alan (Alanus Siniscallus), foi comandante na Primeira Cruzada 
e aparece no Cartulrio de St. Florent como um benfeitor da abadia. Seu irmo Flaald (Fledaldo) era o baro de S1. Florent e se casou com Aveline, filha de Amulf, 
Seigneur de Hesdin de Flandres. O terceiro irmo, lorde Rhiwallon, tomou-se abade de St. Florent de Saumur em 1082.
Os registros de fidalguia citam Aveline como a esposa do filho de Flaald, Alan, mas esse dado est incorreto.  Alan Fitz Flaald nasceu com o ttulo de "de Hesdin" 
herdado de sua me, Aveline (Ava). Ela  descrita no Cartulrio de So Jorge (Cartulary of St. George), Hesdin, como sendo de uma idade que podia consentir que seu 
pai desse de presente propriedades inglesas para os priores em 1094. Quando Seigneur Amulf (irmo do conde Enguerrand de Hesdin) entrou para a Cruzada em 1090, Aveline 
se tomou sua assistente e herdeira na Inglaterra. Ela recebeu o ttulo de Domina de Norton (Senhora de Norton) e seu filho era Alan Fitz Flaald de Hesdin, baro 
de Oswestry no reinado do rei Henry I. Alan casou-se com Adeliza, filha do Sheriff Warine de Shrophsire, herdando, portanto, o mesmo posto. Ele tambm fundou o convento 
de Sporle, em Norfolk, como uma clula de St. Saumur.
Os filhos de Alan, o Steward, eram William e Jordan FitzAlan. William sucedeu aos ttulos de Oswestry e Shropshire depois da morte de seu primo Alan, e os condes 
Fitz Alan de Arundel descendiam dele. Jordan herdou a senescalia de Dol e tambm as terras de Tuxford, Burton e Warsop na Inglaterra. Alan tambm teve uma filha, 
Emma, que se casou com Walter, Thane de Lochaber- o filho de Fleance (filho de Banquo) e da princesa Nesta de Gwynedd. O filho deles, Alan de Lochaber, casou-se 
com sua prima, Adelina de Oswestry (filha de Alan Fitz Flaald) e eles foram os pais de Walter Fitz Alan (morto em 1177), que se tornou o primeiro High Steward da 
Esccia.
Alguns mapas publicados da genealogia Stewart identificam erroneamente Walter, o High Stewart, com seu av Walter, Thane de Lochaber. Esse erro surgiu porque uma 
forma alternativa do nome Alan era Flan, o que se confundiu com Fleance, o nome do filho de Banquo.
Na verdade, o segundo Walter Fitz Alan  que foi nomeado como Grande Senescal Escocs do rei David I (1124-1153). Walter chegou  Esccia por volta de 1138 e recebeu 
do rei David I terras em Renfrewshire e East Lothian. Ao se tornar o High Stewart da Esccia, Walter obteve a mais alta das posies concedidas e tambm se tornou 
Chanceler das Rendas do Tesouro. Esse ltimo posto trouxe a Fesse Chequey ao armorial dos Stewarts: o chequey representa a tabela xadrez que era usada para clculos 
monetrios, e da deriva o termo ingls moderno Exchequer, aplicado ao Departamento do Tesouro Nacional.
Durante o reinado do neto de David, Malcolm IV, Walter fundou o convento de C1uniac Paisley e foi nomeado Comandante do exrcito do rei. Em 1164, a costa de Renfrew 
foi invadida por 160 navios de guerra nrdicos do poderoso Somerled, Thane das ilhas. Os navios continham mais de 6 mil guerreiros determinados a conquistar, mas, 
chegando  terra firme, foram derrotados por um contingente muito menor sob o comando dos Cavaleiros Pessoais de Walter. Na biblioteca do Corpus Christi College, 
Cambridge, h um manuscrito do monge Willliam de Glasgow que d um testemunho pessoal da batalha de Renfrew, em 1164. O monge afirma que Somerled foi morto no incio 
da luta, aps o que os invasores foram massacrados. A batalha tambm est descrita em Chronicles of Man, of Holyrood and of Melrose.
De todos os reis escoceses, o jovem Malcolm IV (conhecido como o Donzelo) foi o mais fraco, o que ele provou quando cedeu os valiosos territrios de Cumbria a Henry 
II da Inglaterra. Em seguida, ele foi a Toulouse, quando tinha 14 anos, e passou o resto de seus outros dez anos no exterior. Foi bom para a Esccia que Walter, 
o Steward, estivesse l para administrar as questes polticas, militares e financeiras no lugar do rei.

Malcolm IV foi sucedido por seu irmo William, em 1165; ele era um personagem muito mais forte, recebendo o apelido de "O Leo". Um pouco depois de sua ascenso, 
William tentou recuperar Northumberiand e Cumberland de Henry II em Alnwick, em 1174. Nessa poca, o rei Henry da Inglaterra era casado com Eleanor de Aquitnia 
(a ex-esposa de Lus VII da Frana), mas seus filhos (com a aprovao de Eleanor) ficaram do lado de William dos escoceses na disputa de Cumbria, voltando-se contra 
o pai no campo de batalha. No evento, William foi derrotado e capturado, sendo posteriormente obrigado a assinar o Tratado de Falaise, reconhecendo o rei ingls 
como Senhor Supremo da Esccia. William ficou sob custdia e, mais uma vez, Walter, o High Steward, assumiu as rdeas.
Walter Fitz Alan morreu em 1177 e foi sucedido por seu filho Alan como o 2o. High Steward. Em 1189, Alan entrou para a Terceira Cruzada com o filho e sucessor de 
Henry II, Richard I Coeur de Lion (Ricardo Corao de Leo). Antes de partir para a Terra Santa com Alan, o rei Richard declarou nulo o Tratado de Falaise, reafirmando 
o direito da Esccia  independncia. Alan, o Steward, morreu em 1204 e seu filho Walter se tomou o 3. High Steward do filho e herdeiro de William, Alexander II. 
Esse Walter foi o primeiro a usar o nome Stewart, e tambm foi ele quem elevou o convento Paisley ao status de abadia em 1219. Em 1230, ele j era Justiciar, no 
norte de Forth, alm de chanceler.
O rei seguinte, Alexander III, tomou-se um dos monarcas mais impressionantes da Esccia, embora, no comeo, seu reinado estivesse sujeito  regncia papal do 4o. 
High Steward, o filho de Walter, Alexander. Naquela poca, os invasores nrdicos estavam causando problemas e, em 1263, a frota do rei noruegus Haakon chegou a 
Clydeside. Eles foram derrotados na batalha de Largs pelas foras escocesas sob o comando de Alexander Stewart, que foi recompensado ganhando o domnio de Galloway.
O rei Alexander III se casou com Margaret, filha de Henry lU Plantageneta da Inglaterra, e, para manter a paz com o rei da Noruega, sua filha, a princesa Margaret 
da Esccia, casou-se com o futuro rei Eric II. Infelizmente, ela morreu de parto pouco tempo depois - dois anos antes da morte de seu pai, que no deixou herdeiros 
do sexo masculino. Isso significava que a nica herdeira ao reino dos escoceses era a neta de Alexander, a Donzela da Noruega, que tinha apenas trs anos de idade. 
E assim o 5o. High Steward, Sir James (filho de Alexander Stewart) se tomou Regente na Esccia.
Os escoceses comearam a se preocupar com o fato de sua nao ficar sob o governo da Noruega. O bispo de Glasgow foi procurar o tio da Donzela, rei Edward I da Inglaterra, 
para conselhos, mas por causa das aspiraes dos Plantagenetas quanto ao controle da Esccia, a resposta de Edward foi previsvel. Ele sugeriu que Margaret, Donzela 
da Noruega, se casasse com seu filho Edward Caernarvon e foi trazida para a corte Plantageneta inglesa. Edward I considerava sua sugesto um positivo noivado, mas 
os escoceses no viam a proposta como um compromisso.

Quatro anos depois, porm, foi decidido que a jovem herdeira seria trazida para a Esccia, a qualquer custo.
Em setembro de 1290, Margaret, a rainha dos escoceses, que se tinha sete anos de idade, singrou para a sua terra soberana, mas morreu de maneira sbita e misteriosa 
quando seu navio chegou a Orkney. Na seqncia dessa tragdia, Sir James Stewart se empenhou em manter a paz, mas as emergentes guerras de sucesso e independncia 
estavam destinadas a infestar a Esccia por muitos anos.

ROBERT, O BRUCE

Os trs principais contendores  herana de Margaret eram Jolm Comyn (descendente do rei Donald Ban), John Balliol (descendente do rei David, conde de Huntingdon) 
e Robert Bruce, Senhor de Annandale (outro descendente do rei David). Bruce era o favorito inicial, mas Edward I da Inglaterra se autoproclamou Senhor Supremo da 
Esccia, considerando o suposto noivado de seu filho. Ele ganhou permisso de alguns nobres escoceses de abjudicar e, por meio de manobras polticas, assumiu o controle 
das fortalezas-chave da nao. Em seguida, com um comit especialmente formado, o qual ele chamava de "os mais sbios da Inglaterra", Edward fez sua seleo. O conselho 
Plantageneta insistia que o novo rei dos escoceses estivesse preparado para governar abaixo do rei da Inglaterra. Robert Bruce era a escolha dos escoceses, mas ele 
se recusava a se submeter a Edward, afirmando:
"Se eu puder obter o mencionado reino por meus direitos e com um tribunal fiel, muito bem. Do contrrio, ao ganhar o reino, eu jamais o reduzirei  servido."

John Balliol, por outro lado, concordou com a exigncia e, por isso,tomou-se o rei nomeado, fazendo o juramento necessrio:
"Eu, John, rei da Esccia, serei honesto e fiel a vs, lorde Edward, pela graa de Deus, rei da Inglaterra, o nobre e superior Senhor do reino da Esccia, pela qual 
zelarei por vs."

Balliol ganhou o trono em 1292, quando o High Steward ainda era Sir James Stewart. Sir James era partidrio de Robert Bruce e um feroz oponente do rei Edward e de 
Ballio!. Edward obrigou Balliol a fornecer dinheiro e tropas para o exrcito ingls - um gesto que levou muitos a formar um movimento de resistncia marcial, sob 
a liderana do cavaleiro nascido em Paisley, Sir William Wallace. Com o apoio de James Stewart, Wallace teve sucesso inicialmente, levando Edward a depor Balliol 
em 1296 e a comear a governar a Esccia sozinho. Wallace teve uma boa vitria em Stirling em 1297, sendo subseqentemente proclamado Governador da Esccia, mas 
no ano seguinte ele foi derrotado pelos arqueiros de Edward em Falkirk. Em 1305, ele foi capturado e executado pelos ingleses, que empalaram sua cabea na ponte 
de Londres e mandaram o resto do corpo em pedaos a cidades na Esccia e no Norte.
Daquele momento em diante, um novo lder assumiu a causa dos escoceses. Era Robert, o Bruce, o herdeiro e sucessor de Robert Bruce, o contendor. Ignorando o pretensioso 
interesse dos Plantageneta, os escoceses coroaram Robert I Bruce em 1306. Edward II invadiu a Esccia em 1314, e Bruce o derrotou em Bannockburn e declarou a independncia 
de sua nao.

A CASA REAL DE STEWART

Sir James Stewart morreu trs anos aps a coroao de Bruce e foi sucedido por seu filho Walter Stewart, o 6. High Steward. Walter tinha comandado a ala esquerda 
do exrcito escocs em Bannockburn, auxiliado pelo cavaleiro Bruce no campo de batalha. No ano seguinte, Walter se casou com a filha do rei Robert, Marjorie. Alguns 
meses depois, Robert foi para a Irlanda, deixando Walter Stewart como seu regente na Esccia, mas Marjorie morreu ao cair de seu cavalo, menos de um ano aps se 
casar. Quando morreu, ela estava grvida, mas o beb, Robert, foi salvo pelo parto cesariano e, no devido tempo, tornou-se o 7. High Steward. Com 19 anos, Robert 
era o regente do filho de Bruce, o rei David II, ocupando o cargo at David chegar  idade de assumir, em 1341.
Pouco depois, Edward III Plantageneta comeou a Guerra dos Cem Anos com a Frana. David decidiu ficar do lado da causa francesa, mas foi derrotado e capturado pelos 
ingleses em Nevill's Cross, em 1346. Ficou em custdia por onze anos, tempo em que Robert, o High Steward, assumiu o controle na Esccia. O rei David foi libertado 
em 1357, mas no sem antes entrar num acordo com Edward III. Dirigindo-se ao Parlamento escocs, David anunciou que, se morresse sem herdeiros, a coroa da Esccia 
passaria para o rei da Inglaterra, mas a resposta ecoou em alto e bom tom: "Enquanto um de ns puder usar armas, jamais permitiremos que um ingls seja nosso rei". 
A partir daquele momento, David foi ignorado pelos escoceses e, quando morreu sem herdeiro em 1371, o povo resolveu fazer a prpria escolha para o seu sucessor.
Havia somente um homem para essa posio - aquele que vinha governando a Esccia havia anos e cujos ancestrais tinham sido reis inferiores por seis geraes. Era 
Robert Stewart, o 7o. High Steward.
Em 26 de maro de 1371, a Casa Real de Stewart foi fundada pelo rei Robert II. Pela primeira vez, desde Artur mac Aedn de Dalriada do sculo VI, as principais sucesses 
do Graal da Gr-Bretanha e da Europa tinham se juntado na realeza dos escoceses, e o antigo legado real dos Stewarts se realizava.        

A ERA DO CAVALHEIRISMO.

GUERRA E PESTE NEGRA

O sculo XIV foi um perodo de grande tumulto e desordem geral na Gr-Bretanha e na Europa continental. Foi um sculo no s de contnuas guerras mas tambm de pestes, 
uma das quais tirou a vida de quase um tero da populao da Inglaterra. No fim do sculo XIII, os escoceses viviam continuamente perturbados pela Casa de Plantageneta, 
mas, em 1314, Robert, o Bruce, derrotou os invasores ingleses em Bannockbum Subseqentemente, em 1328, a independncia da Esccia foi formalmente reconhecida por 
Edward II no Tratado de Northampton.
Pouco depois, a Inglaterra entrou em guerra com a Frana. A luta fa: instigada por uma disputa entre Edward II e o rei francs, de que Edward (que tambm era duque 
de Aquitnia) era tecnicamente um vassalo quanto a determinadas propriedades na Frana. Edward se recusava a reconhecer a autoridade primria da coroa ftancesa nesse 
aspecto, o que levou a rei Carlos IV da Frana a tomar alguns dos territrios de Edward na Gasconha (1324). Como retaliao, Edward ameaou cessar o comrcio com 
Flandres e formou uma aliana com o duque de Borgonha. A ironia era que Edward II era casado com a irm do rei, Isabela, que se tornou to impopular na Inglaterra 
por causa da disputa que, em 1325, ela voltou para a Frana. L, ela e seu amante ingls, Roger Mortimer, conde de March, planejaram depor e assassinar Edward II 
em 1327.
No ano seguine, Carlos IV (o ltimo capetngeo) morreu, e uma nova dinastia comeou com seu primo, o duque de Valois, que se tornou Filipe VI. Mas a herana de Filipe 
foi desafiada pelo novo rei da Inglaterra, Edward III. Em conseqncia do assassinato de seu pai (instigado por sua me), Edward declarou que ele prprio era o verdadeiro 
rei da Frana, sendo o neto do pai de Isabela, Filipe V. Em 1330, Edward III mandou executar Mortimer e confinou Isabela em um convento. Em 1346, ele levou seus 
arqueiros a Crecy e estraalhou as fileiras de cavaleiros franceses com uma saraivada de flechas.
Naquele mesmo ano - em meio ao tumulto geral de batalha e peste - nascia a Era do Cavalheirismo. Segundo a tradio, em 1348, o rei Edward notou alguns dos membros 
da corte rindo quando a condessa de Salisbury deixou cair a liga, na presena deles. Aparentemente, Edward pegou o objeto e o colocou na prpria perna, dizendo: 
"Honi soit qui mal y pense" (Vergonha daqueles que vem nisso um mal). Foi assim que teve incio a Ordem da Liga, usando o comentrio do rei como lema (traduzido 
alternativamente, e de modo errado, como "Que venha o mal para aquele que pensa o mal"). Edward, cujos torneios se tornaram muito conhecidos, escolheu 24 cavaleiros 
(alm de seu filho) com os quais inaugurou a Ordem. A tradio romntica da Tvola Redonda do rei Artur era seu modelo para a igualdade cavaleirosa, e um Cdigo 
de Cavalheirismo foi estipulado, segundo o qual os cavaleiros deveriam servir a Deus e ao rei, travar batalha pelos seus bons nomes e respeitar e defender a honra 
das senhoras (esse tema  abordado com mais detalhes no livro Realm of the Ring Lords).
O filho mais velho de Edward m era Edward, prncipe de Gales (designado por futuros historiadores como o Prncipe Negro por causa da cor de sua armadura). Em Crecy, 
ele ganhou trs plumas (penas), alm do lema Ich dien (eu sirvo), e desde ento estes tm sido os emblemas dos prncipes de Gales. Durante oito anos, o Prncipe 
Negro governou Aquitnia, cruel e grandemente temido. Na Inglaterra, porm, ele era um notvel expoente do cavalheirismo, e sua reputao introduziu um elemento 
de grande romance num perodo ttrico de guerras contnuas e doenas.

ROMANCE ARTURIANO

As lendas romnticas do rei Artur, que serviram de modelo para a Era do Cavalheirismo, pouco tinham a ver com o Artur histrico - um Ard Ri (Grande Rei) e senhor 
da guerra celta, cujos guerreiros guletic eram de uma reputao temvel no sculo VI. Entretanto, as histrias do Graal trouxeram Artur ao domnio pblico e, quando 
a Nobre Ordem da Liga, da Inglaterra, foi fundada por Edward III em 1348, os cavaleiros de Artur viraram cavalheiros, homens galantes, porm guerreiros campees, 
usando armadura. A grande Tvola Redonda (c. 5,5 metros) de carvalho, usada na era Plantageneta, est pendurada hoje em Castle Hall, Winchester. Testes de carbono 
revelam qU: ela remonta ao reinado de Henry III (1216-1272), mas a pintura arturiana simblica foi acrescentada depois, provavelmente durante o reinado Tudor de 
Henry VIII.
J abordamos o Artur histrico num captulo anterior, mas agora  apropriado examinarmos o Artur lendrio, que tanto inspirou a Era do Cavalheirismo - o Artur cuja 
histria nasceu quando Geoflfrey de Monrnouth produziu sua exuberante Ristoria Regum Britanniae, por volta de 1147. Comissionado pelo conde normando de Gloucester, 
Geoffrey transps Artur mac Aedn dos escoceses de Dalriada para um ambiente a oeste da Inglaterra. Ele tambm transformou Gwyr-Llew, Dux de Caruele, em Gorlois, 
duque da Comulia, alm de inventar Uther Pendragon e introduzir vrios outros temas que se adequassem s exigncias feudais. Em meio a tude isso, uma das introdues 
mais romnticas de Geoffrey foi a espada mgica de Artur, Caliburn, que teria sido confeccionada na ilha de Avalon.
Em 1155, o poeta de Jersey, Robert Wace, comps o Roman de Broc (Histria de Brutus). Era uma verso potica da Ristoria de Geoffrey baseada numa tradio de que 
a civilizao na Gr-Bretanha fora fundada por volta de 1130 a.C. pelo prncipe Brutus de Tria. Uma cpia do poema de Wace, que inclua a primeirssima referncia 
aos Cavaleiros da Tvola Redonda, foi apresentada a Eleanor de Aquitnia. Nessa notvel obra, a rainha Guanhumara de Geoffreios aparecia mais corretamente com e 
nome de Gwynefer (do galico Gwen-hwyfar: "bom esprito") e a espada Calibum de Artur recebeu o nome de Excalibur.
Por volta de 1190, o padre Layamon, de Worcestershire, compilou uma verso inglesa do poema de Wace, mas antes disso um romance mais excitante surgira na Frana. 
Seu autor era Chrtien (que significa "cristo") de Troyes, cujo mentor era Marie, condessa de Champagne. Chrtien transformou a tradio j aventurosa de Artur 
na lenda totalmente inspirada e deu a Gwynefer o nome mais potico de Guinevere. Seus seis contos relacionados aparecem por volta de 1175, e foi no conto de Lancelot, 
intitulado Le Chevalier de La Charrette, que Camelot apareceu pela primeira vez como a corte real. Chrtien freqentava os crculos aristocrticos, e histrias como 
Yvain - le Chevalier au Lion baseavam-se em vrios personagens nobres de Lon do sculo VI ao XI. As distintas armas herldicas dos condes de Len d' Acqs incorporavam 
um leo preto sobre um escudo dourado, e os condes eram conhecidos como os Cavaleiros do Leo.
Foi nessa ocasio que os escritores europeus continentais comearam a amalgamar a literatura arturiana com as histrias do Santo GraaI. A pedido do conde Filipe 
d'Alsace, Chrtien abriu seu famoso conto de Percival em Le Conte dei Graal (A Histria do Graal). Mas Chrtien morreu enquanto escrevia a histria, e o trabalho 
foi concludo por outros escritores.
O prximo a trabalhar com a cena arturiana foi o poeta borgonhs Robert de Boron. Seus versos escritos na dcada de 1190 incluem Joseph d'Arimathie - Roman l'Estoire 
dou Saint Graal. Entretanto, diferentemente da histria de Chrtien do Sangral, a de Boron no era contempornea ao rei Artur. Em essncia, ela se concentrava mais 
na estrutura temporal de Jos de Arimatia.
Mais ou menos da mesma poca, surgiu um manuscrito annimo intitu1ado Perlesvaus. Essa obra tinha origens entre os Templrios e declarava que Jos deArimatia era 
o tio-av de PercivaI. Depois, por volta de 1200, aparecia o conto Parzival, uma histria detalhada e mais profunda da Famlia do Graal, escrita pelo cavaleiro da 
Bavria, Wolftam von Eschenbach.
O rei Artur ganhou maior destaque por uma srie de cinco histrias do perodo de 1215-1235, as quais ficaram conhecidas como o Vulgate Cycle, ou o cicIo da Vulgata. 
Escritas pelos monges cistercienses, essas obras apresentavam o filho de Lancelot, Galahad, cuja me era a filha do rei pescador, Elaine le Corbenic. O maior cavaleiro 
de Artur, Percival, tambm continuou sendo um dos personagens centrais. O Cycle reteve a Excalibur de Wace como a espada de Artur e estabeleceu o tema de sua aquisio 
da espada pelas mos da Senhora do Lago. Nesse ponto, a histria de Artur tirar uma espada de uma pedra nada tinha a ver com Excalibur. A origem dessa lenda  um 
incidente totalmente separado na histria de Robert de Boron, Merlin, e foi s no sculo XIX que Excalibur e a pedra se encontraram.
Durante todo esse perodo de cultura franco-europia, o rei Artur teve pouca proeminncia na Gr-Bretanha, exceto por breves aparies em obras como o Black Book 
of Carmarthen, do sculo XIII. Geoffrey de Monmouth afirmara que a cidade galesa de Carmarthen tinha esse nome por causa de Merlin (como Caer Myrddin: Sede de Merlin), 
mas, na verdade, o nome nada tinha a ver com Merlin; derivava do nome romano do povoamento, Castra Maridunum.

O poema ingls Arthour and Merlin apareceu no fim da dcada de 1200 e, de Gales, cerca de 1300, veio o Book of Taliesin, que mostrava Artur no Outro Mundo sobrenatural. 
Ele tambm apareceu no White Book of Rhydderch (c. 1325) e no Red Book of Rergest (c. 1400). A obra galesa Triads incluia algumas referncias arturianas, assim como 
a Four Branches of the Mabinogi, que foi traduzida no sculo XIX do gals para o ingls por lady Charlotte Guest e publicada com o ttulo revisado de The Mabinogion.
Foi s no sculo XV (cerca de 800 anos depois da poca do Artur histrico) que todas as lendas se consolidaram no formato geral que conhecemos hoje. Isso ocorreu 
nos escritos compilados de Sir Thomas Malory de Warwickshire. Eles foram impressos em 1485 com o ttulo de Morre d'Arthur (Morte de Artur). Sendo um dos primeiros 
livros publicados em imprensa por William Caxton, o ciclo arturiano de Malory foi considerado a obra padro a respeito do tema, embora devamos admitir que ela no 
 um relato original de coisa alguma. A obra foi encomendada por Margarer Beaufort de Somerset, me do homem que, por fora de armas naquele mesmo ano, tomou-se 
o rei Henry VII, o primeiro da Casa de Tudor.
Foi tambm nesse mesmo perodo que Uther Pendragon e Artur comearam a aparecer em genealogias recm-compiladas, mas havia um motivo claro para isso. Quando Henry 
VII (filho de Edmund Tudor de Richmond) usurpou o trono Plantageneta de Richard III, seu nico direito  sucesso era atravs de sua me, a trineta de Edward III. 
Para apresentar sua herana Tudor de maneira favorvel, Henry encomendou novas genealogias para mostrar uma descendncia impressionante da Casa nobre de Gales. Entretanto, 
ao preparar esses mapas, os genealogistas tentaram acrescentar uma centelha de intriga e, para atiar as coisas, os nomes de Uther eArtur foram introduzidos numa 
linhagem relacionada da Cornu1ia.
Os famosos contos de Malory eram uma compilao das tradies mais populares de vrias fontes. Todos os nomes familiares foram usados e, para agradar a Henry Tudor, 
Camelot foi situado em Winchester, Hampshire. Alm disso, os velhos contos foram fortemente incrementados e muitas novas histrias foram criadas. Uma das mais proeminentes 
foi o romance entre Lancelot e Guinevere. Os princpios cavalheirescos eram cruciais na narrativa de Malory, embora ele prprio tivesse um passado criminoso, tendo 
sido preso por furto, estupro, roubo de gado, dvidas, extorso e tentativa de assassinato do duque de Buckingham. Em vrias ocasies entre 1451 e 1470, ele foi 
trancafiado nas celas de Coleshill, no castelo de Co1chester, em Ludgate, Newgate e na Torre de Londres.
Malory colocou Artur firmemente na Idade Mdia e seus personagens trocaram as vestimentas celtas pela armadura reluzente. Ele intitulou seu livro inspirado de The 
Whole Book of King Arthur and His Noble Knights of the Round Table, ou o Livro Completo do Rei Artur e seus Nobres Cavaleiros da Tvola Redonda. Ao todo, havia oito 
histrias interligadas, cujos ttulos traduzidos seriam: A Histria da Tvola Redonda, A Nobre Histria do Rei Artur e do Imperador Lcio, A Nobre Histria de Sir 
Lancelot do Lago, A Histria de Sir Gareth, O Livro de Sir Tristo de Lyonesse, A Histria do Sangral, O Livro de Sir Lancelot e da Rainha Guinevere e A Triste 
Histria da Morte de Artur.
Desde a poca de Sir Thomas Malory, as lendas arturianas se tornaram parte integrante da herana britnica. Elas ganharam uma vida nova com o advento do romantismo 
no sculo XIX: um movimento fortemente nacionalista que recorria  nostalgia vitoriana pelos Anos Dourados perdidos. Durante essa era, o poeta premiado Alfrede, 
lorde Tennyson, escreveu seu famoso Idylls of the King, e os temas arturianos eram muito evidentes nos quadros marcantes da Irmandade Pr-Rafaelita.

A FELIZ INGLATERRA

Os turbulentos tempos medievais costumam ser considerados a era que viu florescer a Merrie Englande - a feliz Inglaterra - um rtulo que persiste apesar das severas 
pestes e dificuldades da poca. Na verdade, a descrio pouco tinha a ver com o fato de a Inglaterra ser "feliz" (em ingls, merry). A descrio deriva mais exatamente 
de Maria Jac (Santa Maria, a Cigana), ou como ficou conhecida na lngua inglesa, Mary Jacob, que viera para a Europa Ocidental com Maria Madalena em 44 d.C. Alm 
da venerao da Madalena, o culto de Maria, a Cigana, foi difundido na Inglaterra durante a Idade Mdia. O nome Mary  uma forma inglesa (baseada numa variante grega) 
do nome egpcio Mery, que significa "amada" (hebraico: Miriam). Como j vimos, o nome era associado ao mar (latim: mar; francs: mer) e  gua em geral, como numa 
poa ou lagoa. Conseqentemente, Maria, a Cigana, era identificada com a deusa Afrodite, que diziam ter nascido da espuma do mar.

Maria Jac (esposa de Clopas, segundo Joo 19:25) era uma sacerdotisa do primeiro sculo d.C. e s vezes  chamada de Maria, a Egpcia. Seu voto de matrimnio era 
chamado de Merrie (novamente de "amada") - de onde provavelmente deriva o verbo ingls "to marry" (casar). Fora da doutrina catlica, o Esprito Santo era considerado 
feminino e j era associado  gua. Freqentemente representada com uma cauda de peixe, Santa Maria, a Cigana, era uma tradicional merri-maid (no ingls moderno, 
mermaid, sereia) e tinha o nome atributivo de Marina. Ela  representada junto a Maria Madalena (la Dompna del Aquae) num vitral na Igreja de St. Marie em Paris. 
Como Donzela Mariana (em ingls moderno, maid ou maiden = donzela), seu culto aparece nas lendas de Robin Hood, enquanto a encarnao de Maria Madalena aparece na 
tradio celta como Morrigan, a grande rainha do Destino. A identificao individual das duas Marias geralmente  confusa porque elas so associadas a Provena e 
ao mar.

Nos primeiros dias do Cristianismo, o imperador Constantino proibiu a venerao  Maria, a Cigana, mas seu culto continuou e foi introduzido na Inglaterra, vindo 
da Espanha. Maria Jac-Clopas tinha chegado a Ratis (Saintes Maries de La Mer) com Maria Madalena e Maria Helena-Salom, como est detalhado em Os Atos de Madalena 
e na antiga Histria da Inglaterra, na biblioteca do Vaticano. Seu emblema mais significativo era a concha, representada de maneira to vvida junto ao seu status 
de Aftodite, no famoso quadro de Botticelli, O Nascimento de Vnus. Ainda hoje, os peregrinos em Compostela carregam as conchas do peixe afiodisaco at a suposta 
tumba de So Tiago, em Santiago. Maria, a Cigana - meretriz sagrada e cultora do amor - era ritualisticamente retratada pelos anglo-saxes como a Rainha de Maio; 
e seus danarinos, os Homens de Maria, realizam seus ritos sob o nome adaptado de Morris (Mary S. ou "de Maria") nas festividades rurais inglesas. Outra referncia 
aos Homens de Maria  encontrada nos rebeldes Merrie Men das lendas de Greenwood.

A ESCCIA E O GRAAL

Muitas das famlias escocesas que se gabam de descendncia normanda so, na verdade, de origem flamenga.308 Seus ancestrais foram ativamente incentivados a emigrar 
para a Esccia durante os reinados de David I, Malcolm IV e William, o Leo, nos sculos XII e XIII. Uma poltica de povoamento deliberado foi implementada porque 
os flamengos tinham muita experincia em comrcio, agricultura e desenvolvimento urbano, sendo a sua chegada estratgica na Esccia, algo bem diferente da indesejvel 
invaso normanda da Inglaterra. Famlias como Balliol, Bruce. Comyn, Douglas, Fleming, Graham, Hay, Lindsay e muitas outras tm suas origens herldicas em Flandres. 
Recentemente, uma pesquisa excelente vem sendo conduzida nessa rea pelo historiador Beryl Platts.

Houve poucos normandos de destaque na Esccia medieval, mas uma famlia que teve grande proeminncia desde o sculo XI foi a de St. Clair. Henrique de St. Clair 
foi um Cruzado, junto com Gofredo de Bouillon. Mais de dois sculos depois, seu descendente (tambm Henrique de St. Clair) foi um comandante dos Cavaleiros Templrios 
na batalha de Bannockbum. Os St. Clairs (que se tomariam os condes Sinclair de Caithness) eram a herana viking por meio dos duques da Nonnandia e dos Jarls (condes) 
de Orkney. Aps a Inquisio dos Templrios e seu assentamento na Esccia, os St. Clairs se tomaram os embaixadores escoceses tanto na Inglaterra como na Frana. 
Henry de St. Clair (filho de Henrique, o Cruzado) era um Conselheiro Particular e sua irm, Richilde, casou-se com um membro da famlia Chaumont, parentes de Hugues 
de Payens, o Gro-Mestre original dos Templrios.

O legado dos Templrios dos St. Clairs  particularmente evideme ao sul de Edimburgo, perto do centro original dos Templrios em Ballantradoch. L, na vila de Roslin, 
encontra-se a capela Rosslyn, do sculo XV, que  primeira vista parece uma miniatura de uma catedral gtica com suas janelas arqueadas e pontudas e arcobotantes 
encimados por elaborados pinculos. Uma inspeo mais apurada, porm, revela que ela  uma estranha combinao de estilos nrdicos, celtas e gticos.
Os St. Clairs receberam o baronato de Roslin de Malcolm III Canmore em 1057 e, no sculo seguinte, construram seu castelo nas vizinhanas. Nas profundezas abaixo 
dessa fortaleza, dizem que h cofres selados que ainda contm parte do tesouro dos Templrios trazido da Frana durante a Inquisio Catlica. Quando a Frota dos 
Templrios escapou da costa da Bretanha, em 1307, a maioria dos navios, com sua valiosa carga, foi para a Esccia passando pela Irlanda e pelas ilhas ocidentais.309 
Alguns, no entanto, foram para Portugal, onde os Templrios se tomaram reincorporados como Cavaleiros de Cristo. O famoso navegador portugus Vasco da Gama, pioneiro 
da rota do Cabo at a ndia em 1497, era um Cavaleiro de Cristo, enquanto anteriormente o prncipe Henry, o Navegador (1394-1460), fora o Gro-Mestre da Ordem.
Alm dos fugitivos franceses, a Esccia tambm recebeu os Templrios que fugiam da Inglaterra, onde sua sede, desde 1185, era em Temple, ao sul de Fleet Street, 
Londres. Desde sua proscrio no sculo XIV, o lugar tinha sido ocupado por dois Colgios de Advogados: o Inner Temple e o Middle Temple. Nas proximidades se encontra 
a igreja redonda dos Templrios, do sculo XII, enquanto Temple Bar, o porto de Westminster para a Cidade, ficava entre Fleet Street e Strand.
Desde a poca em que Roslin passou para os St. Clair, proeminentes membros da famlia foram enterrados l, com exceo de Rosabelle, esposa do baro Henrique, o 
Cruzado. Ela se afogou perto da praia, deixando uma lgubre lembrana, como lembrou Sir Walter Scott no sculo XIX. Em sua obra The lady of the Last Minstrel, ele 
escreveu:

"E cada Sinclair foi l enterrado, Com vela, livro e repique; Mas as cavernas marinhas repicavam, E os ventos selvagens entoavam O canto da doce Rosabelle."

Em seus primeiros anos, os bares St. Clair de Roslin pertenciam a mais alta nobreza escocesa e faziam parte dos confederados mais prximos dos reis. No sculo XIII, 
Sir William de St. Clair foi xerife de Edimburgo, Lothian, Linlithgow e Dumfries, alm de ser o Judiciar nomeado para Galloway. O rei Alexander III tambm o escolheu 
como pai adotivo do principe da coroa da Esccia.
Aps a morte de Robert, o Bruce, em 1329, um posterior Sir William de St. Clair partiu levando o corao de Bruce numa uma de prata. Com Sir James Douglas e outros 
dois cavaleiros, ele queria enterrar a uma em Jerusalm, mas ao chegar  Andaluzia, no sul da Espanha, o grupo foi confrontado pela cavalaria dos mouros. No vendo 
sada, os quatro homens atacaram o inimigo invencvel e foram mortos. Os mouros ficaram to impressionados com a coragem dos cavaleiros e devolveram a uma para a 
Esccia, onde o corao de Bruce foi enterrado na abadia de Melrose.
Foi um descendente chamado William Sinclair, conde de Caithness, Grande Almirante e Chanceler da Esccia, que fundou a capela Rosslyn em 1446. A famlia de St. Clair 
(tendo adaptado o nome para Sinclair no fim do sculo XIV) era a eminente guardi dos reis (o Sangral - sangue real) na Esccia. Cinco anos antes, o rei James II 
Stewart tambm tinha nomeado William para o posto de Patrono Hereditrio e Protetor dos Maons escoceses. No eram maons-livres especulativos, mas operativos, pedreiros 
ativos e proficientes na aplicao de matemtica e geometria arquitetnica. Nesse posto, William podia chamar os melhores artesos e construtores no pas. Quando 
a fundao de Rosslyn estava pronta, o trabalho de construo comeou (1450) e a capela foi completada em 1486 pelo filho de William, Oliver. Ela deveria ser parte 
de uma igreja colegiada maior, mas o restante nunca foi construdo, embora as fundaes ainda sejam visveis.
Apesar de sua idade, a capela est em timas condies (passando por reformas atualmente) e ainda  usada regularmente. O prdio tem 10,7 m x 21 m, a altura do telhado 
sendo de 13,4 m. Centenas de entalhes em pedra enfeitam as paredes e tetos. Todas contam histrias da Bblia e mostram numerosos smbolos manicos e exemplos de 
iconografia dos Templrios. H espadas, bssolas, esptulas, esquadros e marretas em abundncia, alm de vrias imagens do Templo do rei Salomo. A capela Rosslyn 
tem um visual extraordinariamente estimulante e proporciona uma experincia espiritual que os visitantes no podem perder. O historiador e bigrafo Andrew Sinclair 
escreveu extensivamente a respeito da histria de Rosslyn e dos Sinclairs, incluindo um relato detalhado da viagem transatlntica da frota de Sinclair em 1398, muito 
antes da suposta descoberta da Amrica por Cristvo Colombo. Realmente, h vrios entalhes originais mostrando espigas de milho americanas em Rosslyn, o que confirma 
o fato.

Alm das imagens judaicas e esotricas, a mensagem crist tambm e evidente, com uma variedade de imagens em pedra. H tambm constantes traos do Isl, e o conjunto 
geral  estranham ente unido numa estrutura pag de serpentes e drages ondulantes e rvores dos bosques. Em todo lugar, c rosto feroz do Homem Verde espia do meio 
da folhagem em pedra dos pilare; e arcos, simbolizando as contantes foras da terra e o ciclo de vida. E tudo isso  envolto num vasto conjunto de trutas, ervas, 
folhas, especiarias, flores, videiras e as emblemticas plantas do paraso do jardim. A cada centmetro, Rosslyn provavelmente  a igreja decorada de forma mais 
extravagante no pas, embora no haja uma obra que possa ser considerada arte por arte. Cada gravura e entalhe esculpido tem um propsito e cada propsito se relaciona 
ao seguinte, enquanto, apesar da ambigidade da cena, uma harmonia quase mgica reina em toda a parte.
O nome St. Clair deriva do latim Sanctus Clarus, que significa Luz Santa, e, acima de tudo, Rosslyn  a capela mais representativa do Santo Graal, tendo a suprema 
busca mstica em suas imagens. Os Cavaleiros Templrios eram os Guardies da Famlia do Graal e o escudo da famlia de St. Clair trazia uma cruz preta caliciforme 
sobre um fundo prateado, denotando seu portador como Cavaleiro do Graal. Em Rosslyn e em outras partes da Esccia, esculturas em paredes e tumbas dos Cavaleiros 
do Graal contm o emblema de um Clice com p alto, e o receptculo voltado para a frente. Nele, a Cruz Rsea (com seu desenho da flor-de-lis) significa que o vasuterus 
contm o Sangue Real.

A PEDRA DO DESTINO

No s eram os Cavaleiros do Graal e Templrios os Guardies do Sangral Stewart na Esccia, mas tambm se tomaram os protetores da Pedra do Destino (a Pedra de 
Scone). Esse mais sagrado de todos os tesouros escoceses fora levado  Esccia da Irlanda por Fergus Mr mac Erc (o primeiro rei de Dalriada), no sculo V, vindo 
originariamente de Jud para a Irlanda por volta de 586 a.C. A venerada relquia sagrada seria a Pedra da Aliana, conhecida como o travesseiro de Jac (Gnesis 
28:18-22), sobre a qual Jac deitou a cabea e viu a escada que subia ao Cu em Betel. Num sonho, Deus prometeu a Jac que sua semente geraria a linhagem da realeza 
a ser seguida - a linha que se tomaria, no devido tempo, a sucesso de Davi.
Quando os judeus foram perseguidos por Nabucodonosor da Babilnia, Matanias, filho do rei Josias (e descendente direto de Davi), foi ordenado em Jud. Conhecido 
como rei Zedequias, ele ascendeu ao trono de Jerusalm em 598 a.C. Doze anos depois, Jerusalm caiu sob o poder de Nabucodonosor, quando Zedequias foi levado para 
a Babilnia e cegado (Jeremias 39:6-7,52:10-11). Seus filhos foram assassinados, mas sua filha Tamar foi levada para a Irlanda (atravs do Egito e da Espanha) pelo 
profeta Jeremias, filho do sumo sacerdote de Jerusalm, Hilquias. Ele levou a Pedra da Aliana, que ficou conhecida como Lia Fil (Pedro do Destino). Em latim, ela 
era a Saxum Fatale.
A princesa Tamar (Teamhair/Tea) deu o nome a Tara, a sede dos Grandes Reis da Irlanda, e se casou com Eire-arnhon, prncipe da Ctia - pai do Ard R (Grande Rei) 
Irial, ancestral de Ugaine Mr (Ugaine, o Grande). Subseqentemente, no decorrer de um milnio, os sucessores de Irial foram ordenados na presena da Pedra Sagrada. 
A herana irlandesa, ento, prosseguiu para a Esccia, onde a relquia de Jud se tornou sinnimo dos reis de Dalriada. O rei Kenneth I MacAlpin (844-859) acabou 
transferindo a Pedra para a abadia de Scone, quando unificou os escoceses e os pictos. Na poca de William, o Leo (morto em 1214), a Pedra do Destino testemunhou 
quase cem coroaes em descendncia soberana do rei Zedequias.
Ao se autoproclamar Senhor da Esccia, em 1296, Edward I da Inglaterra roubou o que julgava ser a Pedra do Destino. Mas o que ele de fato pegou foi um pedao de 
arenito da porta de um mosteiro, que desde ento repousa sob o trono da coroao na abadia de Westminster em Londres. Esse pedao de entulho mede 66 cm x 28 cm e 
pesa quase 152 quilos. Os selos reais dos primeiros reis escoceses mostram uma rocha de ordenao muito maior, mas no era a Pedra Sagrada do Destino - como tampouco 
o era o entulho medieval do rei Edward. A verdadeira Pedra do Destino seria menor, mais naturalmente arredondada, como de basalto preto gravado, no arenito cortado 
 mo. Ela foi escondida pelo abade cisterciense de Scone em 1296, e continua escondida desde ento. A tradio columbana diz que, ao ocultar a Pedra, o abade profetizou 
que um dia Miguel retomaria para a sua herana.  importante notarmos que o desenho do X, que se tornou to detestado pela Igreja Romana, era identificado com o 
arcanjo Miguel (Melquisedeque) desde os tempos do Antigo Testamento. A herana de So Miguel foi a dinastia dos sumos sacerdotes Zadoques - um legado que prevaleceu 
na contnua linhagem messinica. A relao de Santo Andr com a Cruz em X foi um adendo posterior.
No  surpreendente que as autoridades escocesas jamais tentassem recuperar a pedra falsa da Inglaterra. At Robert, o Bruce, recusouse a aceit-la em 1328 no Tratado 
de Northampton. Depois que alguns jovens escoceses removeram a pedra de Westminster, atravessando com ela a fronteira no Natal de 1950, ela acabou retomando a Londres 
sem a menor agitao. Quanto  Pedra verdadeira, o reverendo J. MacKay Nimmo da Igreja de So Columba, Dundee, declarou: "Quando a Esccia conseguir se autogovemar, 
a Pedra reaparecer... At l, continuaremos a guardar esse antigo smbolo de nossa identidade nacional".

O recente retomo parlamentar do artefato da simulao no  da menor conseqncia para a Esccia. Alm disso, mesmo que aceitemos :: simbolismo da pedra de Westminster 
como sendo emblemtica da nacionalidade escocesa, ela no voltou para a posse dos escoceses. Significa simplesmente que os oficiais da Coroa a mantm na Esccia 
em vez de em Londres, sob a condio de que ser levada de volta para futuras coroaes em Westminster. Em suma, a pedra em exibio no castelo de Edimburgo constitui 
um gesto absolutamente vazio, que perpetua abertamente o ideal coercivo do rei Edward I, confrontando os escoceses como um lembrete dirio de sua posio histrica 
subjugada.



J OANA D' ARC

Durante o sculo XV, enquanto a capela Rosslyn estava sendo construda, o Grande Timoneiro da Prieur Notre Dame de Sio era Ren d'Anjou. Ele foi o conde de Bar, 
Provena, Piedmont e Guise; tambm o duque da Calbria, Anjou e Lorraine. Adicionalmente, era um rei titular de Jerusalm,j que pertencia  Casa de Lorraine de 
Godefroi de Bouillon. Em sua condio como Timoneiro, Ren foi sucedido por sua filha Yolanda, cujos sucessores incluam Botticelli e Leonardo da Vinci. A filha 
de Ren, Margaret, casou-se com o rei Henry VI da Inglaterra.
Foi Ren d' Anjou quem deu a Cristvo Colombo sua primeira comisso naval, e  de Ren que deriva a familiar Cruz de Lorraine. A cruz, com suas duas barras horizontais, 
tomou-se o smbolo duradouro da Frana Livre e foi o emblema da Resistncia francesa durante a Segunda Guerra Mundial. Entre as mais valiosas posses de Ren havia 
uma taa egpcia de cristal vermelho, que ele obteve em Marselha. Ela teria sido usada no casamento de Jesus e Maria Madalena, contendo a inscrio (traduzida):

"Aquele que beber bem, ver Deus. Aquele que beber tudo de um s gole ver Deus e a Madalena." 

O trabalho literrio de Ren d' Anjou, intitulado Batalhas e a Ordem da Cavalaria e o Governo dos Prncipes, existe hoje na traduo do Manuscrito Rosslyn-Hay na 
biblioteca do Senhor William Sinclair.  a mais antiga obra existente de prosa escocesa e sua capa de carvalho encadernada de couro traz o nome "Jhesus : Maria: 
Johannes" (Jesus: Maria : Joo). Similarmente, uma inscrio de pedreiro na abadia de Melrose diz: "Jhesus: Mari : Sweet Sanct John".

So Joo (o "discpulo bem-amado" de Jesus) era grandemente venerado pelos Cavaleiros do Graal e os Templrios. Ele foi a inspirao dos Hospitalrios de So Joo 
de Jerusalm e da futura Associao de Ambulncia da Gr-Bretanha.  significativo que o Evangelho de Joo no mencione a Concepo Imaculada, mas s a descendncia 
de Davi de Jesus. E mais importante, ele traz o nico relato do Novo Testamento das bodas de Can, historicamente significativo (Joo 2:1-11). Interessante que o 
manuscrito Rosslyn simbolize So Joo como uma serpente gnstica e um emblema do Graal.
Entre os colegas de Ren d' Anjou estava a famosa Donzela de Orlans, Jeanne d'Arc (Joana d'Arc). Nascida em 1412, Joana era filha de um fazendeiro de Domrmy no 
ducado de Bar. No ano seguinte, Henry V (provavelmente o mais sedento de poder de todos os monarcas ingleses) se tornou rei da Inglaterra. Ele era descrito por seus 
nobres como um guerreiro frio e sem corao, embora a propaganda histrica lhe tenha conferido o manto de um heri patriota. Na poca de sua ascenso, a guerra Plantageneta 
contra a Frana tinha cessado, mas Henry resolveu reviver a reivindicao que Edward III fizera do reino da Frana. Ele fez isso com base no fato de que a me de 
Edward, um sculo atrs, era filha do rei Filipe IV.
Henry V, com 2 mil soldados e 6 mil arqueiros, varreu a Normandia e Rouen, derrotando os franceses em Agincourt, em 1415. Subseqentemente, ele foi proclamado regente 
da Frana no Tratado de Troyes. Com o auxlio da infiel rainha ftancesa, Isabau, Henry se casou com a filha do rei ftancs, Catarina de Valois, e planejou derrubar 
o irmo dela, o Delfim, que era casado com a irm de Ren d' Anjou, Maria. Entretanto, Henry V morreu dois anos depois, assim como o rei Carlos VI da Frana. Na 
Inglaterra, o herdeiro ao trono era o filho de Henry, ainda um beb, cujos tios - os duques de Bedford e Gloucester - se tornaram Senhores da Frana. O povo ftancs 
se preocupava com suas perspectivas para o futuro, mas nem tudo estava perdido, pois logo surgiu a inspirada Joana d'Arc. Em 1429, ela apareceu na fortaleza de Vaucouleurs, 
perto de Dornrmy, anunciando que tinha recebido ordens dos santos para sitiar os ingleses em Orlans.
Com 17 anos de idade, Joana partiu para a Corte Real em Chinon, junto com o cunhado do Delfim, Ren d'Anjou. Chegando l, no Loire, ela proclamou sua misso divina 
de salvar a Frana dos invasores. A princpio, a Corte resistiu s ambies militares de Joana, mas ela conseguiu o apoio de Yolanda de Arago, que era sogra do 
Delfim e me de Ren d' Anjou.  Joana foi confiado o comando de mais de 7 mil homens, incluindo a prestigiosa Guarda Real Escocesa dos Gendannes Ecossais e os mais 
proeminentes capites da poca. Com Ren d' Anjou ao seu lado, Joana e suas tropas destruram o bloqueio em Orlans e derrotaram a guarnio inglesa. Em poucas semanas, 
o vale Loire estava de volta em mos fumcesas e, em 17 de julho de 1429, Carlos, o Delfim, foi coroado na catedral de Reims pelo arcebispo Regnault de Chartres.

Menos de um ano aps seu sucesso, a Donzela de Orlans foi capturada enquanto sitiava Paris, e o duque de Bedbord providenciou para que ela fosse julgada por Pierre 
Cauchon, bispo de Beauvais, que a condenou  priso perptua, vivendo de po e gua. Quando Joana se recusou a se submeter ao estupro por parte de seus captores, 
o bispo a pronunciou uma feiticeira ingrata e, sem outro julgamento, ela foi queimada viva na velha Praa do Mercado em Rouen, em 30 de maio de 1431.
Quando o delfim foi coroado em Reims, a corajosa pastora de Lorraine tinha ficado ao lado do novo rei, com sua bandeira j famosa. que trazia os nomes: "Jhesus : 
Maria", os mesmos que aparecem na pedra sagrada na capela de Glastonbury ("Jesus: Maria"); que se repetem (ao lado do de So Joo) no manuscrito Rosslyn-Hay ("Jhesus 
: Maria") e que estavam gravados na abadia de Melrose ("Jhesus : Mari"). Todos os nomes se relacionam ao casamento de Jesus e Maria Madalena e  perptua linhagem 
do Santo Graal.

A AMRICA ANTES DE COLOMBO

Mencionamos acima que Cristvo Colombo foi mantido por Ren d' Anjou, enquanto outro de seus patrocinadores foi Leonardo da Vinci, que tinha bons contatos com famlias 
proeminentes, como os Mdicis. Entretanto, a origem da famlia de Colombo  muito mais significativa do que dizem os livros de histria. Certamente, ele  mais bem 
conhecido como o descobridor oficial da Amrica, mas no foi o primeiro a fazer a viagem, como fica evidente na capela Rosslyn.
Colombo (filho de Domenico Colombo e Suzanna Fontanarossa) nasceu em Gnova, Itlia, em 1451. Entrando para o servio com o capito de Porto Santo de Madeira, ele 
se casou com a filha do capito, Felipa Perestrello, em 1478. Subseqentemente, dirigiu-se  corte portuguesa com a idia de chegar  sia singrando para o oeste. 
Seu pedido de fundos foi rejeitado pelo rei Joo II, que contratou Ferman Dulmo para explorar o Atlntico, de acordo com a sugesto de Colombo.
Colombo fez uma segunda tentativa com os monarcas espanhis, o rei Femando II de Arago e sua esposa, rainha Isabela de Castela. No entanto, como o plano portugus 
j estava em andamento, Colombo foi rejeitado novamente. Em 1492, Dulmo retomou, mas sem informaes a respeito de novas terras. Colombo, ento, confrontou mais 
uma vez Fernando e Isabela, e dessa vez conseguiu o apoio deles. Em 3 de agosto de 1492, ele zarpou de Palos com trs caravelas: Nina, Pinta e Santa Maria.
        
Oito meses depois, Colombo retomava a Barcelona, mas no com as sedas e especiarias previstas do Oriente. Em vez disso, ele estava acompanhado por seis nativos de 
pele marrom, carregando prolas, estranhas frutas, ouro e pssaros exticos. Ele tinha descoberto um excitante Novo Mundo do outro lado do mar, e o papa declarou 
que essas ricas terras pertenceriam  Espanha. O nome Amrica s surgiria dali a cinco anos. Era derivado do navegador florentino, Amrico Vespcio (Amerigo Vespucci), 
que partiu para as terras continentais do sul em 1497.
Quando voltou, Colombo relatou que tinha aportado na ilha Watling (hoje San Salvador, Bahamas). Tinha visitado Hispaniola (Haiti e Repblica Dominicana) e Cuba. 
Fernando e Isabela ficaram maravilhados e ofereceram ao seu heri um assento na corte espanhola. Sua segunda viagem (1493-96) o levou a Guadalupe, Antgua, Porto 
Rico e Jamaica. A terceira viagem (1498) levou Colombo a Trindade, no continente sul-americano. E ento, em 1499, os colonos do Haiti se revoltaram contra o comando 
dele. Conseqentemente, um novo governador espanhol foi nomeado, e Colombo voltou  Europa acorrentado. Sua ltima viagem, em 1502-04, foi para a explorao costeira 
de Honduras e Nicargua, mas apesar de sua hora de glria, ele morreu na pobreza, dois anos mais tarde, em Valladolid. Colombo foi enterrado em Sevilha, e em 1542 
seus restos mortais foram removidos para Hispaniola.
Essa excitante histria martima  bem conhecida. O que no  conhecido  o fato de que a descoberta do Novo Mundo no foi por acaso. Colombo estava plenamente equipado 
com mapas de navegao detalhados antes de zarpar. Eles tinham sido feitos em travessias atlnticas anteriores e certificados na corte espanhola por John Drummond, 
cujo av tinha estado na Amrica em 1398. Drummond era parente dos condes Drummond de Perth, onde os registros confirmam que ele estivera com Fernando e Isabela 
em 1492. Tanto Colombo como Drummond tinham vivido na ilha da Madeira. O pai de Drummond, John (o Escocs) Drummond, chegara l em 1419, junto com o sogro de Colombo, 
Bartolomeu Perestrello.
O pai de John, o Escocs, era Sir John Drummond de Stobhall, Justiciar da Esccia. A irm de Sir John, Anabella, era a esposa do rei Robert III Stewart dos escoceses. 
A esposa de Sir John era Elizabeth Sinclair, cujo sobrinho, William Sinclair, foi o fundador da capela Rosslyn. O pai de Elizabeth, Henrique Sinclair, baro de Roslin, 
conde de Orkney, conduziu uma bem-sucedida expedio transatlntica, quase um sculo antes de Colombo - e mesmo ele no foi o primeiro.
Os ancestrais nrdicos de Henry Sinclair tinham explorado o Atlntico j no sculo X. No Book of Icelandic Saga (exemplar existente datando de 1320), de Hauk, Leif 
Ericsson  descrito como tendo atravessado o Atlntico at o encontro com Wineland, o Bom, em 999. De fato, os navegantes de Orkney tinham chegado  terra firme 
no Ocidente enquanto Henry ainda era vivo. Seus relatos afirmavam que os nativos de um lugar distante chamado Estotilalands plantavam milho e exportavam peles e 
enxofre para a Groenlndia.
Estotilands era o lugar que acabou sendo chamado de Nova Scotia (Nova Esccia), no Canad. Os navegantes de Orkney tambm falavam de uma regio ao sul chamada Drogio. 
Os nativos de Drogio
corriam nus sob os ventos quentes, mas, do outro lado do mar, as pessoas eram refinadas. Sua terra era rica em ouro, e elas tinham cidades e grandes templos dedicados 
a seus deuses. Esses vrios relatos foram confirmados quando os viajantes chegaram s ilhas do Caribe, e mais adiante, Flrida e Mxico - o lar dos ndios astecas. 
Ignorando completamente essas antigas descobertas, a tradio diz que o imprio asteca no foi explorado at a chegada do conquistador espanhol Hernn Cortez, em 
1519.
A partir de 1391, o mestre da frota de Sinclair foi o capito do mar veneziano, Antonio Zeno. Os Zenos eram uma das mais antigas famlias de Veneza e eram notveis 
almirantes e embaixadores do sculo VIII. Antes de Sinclair e Zeno atravessarem o oceano, Henry assinou um contrato com sua filha, Elizabeth, e o marido dela, Sir 
John Drummond. O acordo foi selado em Roslin em 13 de maio de 1396. Ele dava a Sir John e  Elizabeth o direito s terras norueguesas de Henry, caso este perecesse 
na expedio.
Em maio de 1398, a frota de Sinclair zarpou. Eram 12 navios de guerra e cem homens, alguns dos quais j tinham feito aquela viagem. Seu primeiro porto foi Nova Scotia, 
onde eles pararam no cabo Blomidon, na baa de Fundy. Ainda hoje, os ndios miquemaque falam da chegada dos navios do grande deus Goolscap, que lhes ensinou a respeito 
das estrelas e como pescar com redes. Quando voltou a Veneza, Antonio Zeno escreveu que, naquele lugar, ele tinha visto rios de betume correndo para o mar e uma 
montanha que cuspia fumaa de sua base. Nova Scotia certamente  um lugar muito rico em carvo, e h veios costeiros expostos de. betume, onde correm ribeiros de 
carvo, em Asphalt. Nas proximidades, resduos pastosos no subsolo freqentemente ardem sob as colinas do cabo Smokey. Em Louisburg, no cabo Breton, h um primitivo 
cnon, encontrado em 1849.  do tipo veneziano usado por Zeno e de um estilo que j era obsoleto na poca de Colombo.
De Nova Scotia, Sinclair continuou rumo ao sul, na direo da terra de Drogio. Evidncias da jornada podem ser vistas em Massachusetts e Rhode Island. Em Westford, 
Massachusetts, onde morreu um dos cavaleiros de Henry, a cova ainda  discernvel. Incrustada na borda de uma rocha, h uma efigie de 2,10m de um cavaleiro do sculo 
XIV usando cota de malha e um manto do tipo que cobria a armadura. A figura porta uma espada do sculo XIV e um esculdo com a herldica de Pentland. A espada do 
cavaleiro est quebrada abaixo do cabo (indicando o costume de quebrar a espada para que ela fosse enterrada com o cavaleiro) - igual  que se encontra aos ps de 
Percival, nas histrias do Graal.
Em Newport, Rhode Island, h uma torre medieval de dois andares, bem preservada. Sua construo (um octgono dentro de um crculo e oito arcos ao redor)  baseada 
no modelo circular das igrejas dos Templrios. Vestgios semelhantes so encontrados na capela Orphir, do sculo XII, em Orkney. A arquitetura de Newport  escocesa 
e seu desenho est reproduzido na Igreja de St. Clair, Corstorphine, onde a filha de Henry Sinclair tem seu memorial. Rhode Island s foi fundada oficialmente em 
1636, mas sua fundao no foi um evento casual. No escritrio de registros pblicos em Londres, um texto datado de quatro anos antes descreve a "torre redonda de 
pedra" em Newport. Propunha que a torre fosse usada como guarnio para os soldados de Sir Edmund Plouden, que colonizou a rea.
Mais de 50 anos aps a expedio de Sinclair, Cristvo Colombo nascia em meio  Era dos Descobrimentos, na Europa. Em Portugal, ele se tornou Cavaleiro de Cristo 
na renovada Ordem dos Templrios, assim como seus contemporneos Vasco da Gama, Bartolomeu Dias e Ferno de Magalhes. Ele tambm pertencia  Ordem dos Crescentes 
(fundada por Ren d' Anjou) - tambm conhecida como Ordem do Navio. Os cavaleiros Crescentes eram particularmente interessados em questes de navegao, mas tinham 
sido condenados pela Igreja por insistir que o mundo era redondo!
Graas a John Drummond e outros, Colombo sabia precisamente para onde estava indo - e no era  sia. Mapas do Novo Mundo transatlntico j existiam em seus crculos 
dos Templrios. Especificamente, ele teve acesso ao novo Globo do Mundo, que foi completado em 1492, precisamente o ano em que ele partiu em sua expedio. Ele era 
scio de negcios em navegao de um certo Joo Afonso Escrcio - apelido do homem mais conhecido como John Drummond.

HERESIA E INQUlSIO

O MARTELO DAS BRUXAS

Depois da perseguio dos Cavaleiros Templrios e seus aliados, o Santo Oficio da Inquisio Catlica continuou com seu trabalho, principalmente na Frana e na Itlia. 
Os inquisidores nomeados pelo papa eram essencialmente frades dominicanos de hbito preto e frades franciscanos de hbito cinza. Seu poder era considervel e eles 
criaram uma reputao terrivel por causa de sua crueldade. A tortura adquiriu sano papal em 1252 e os julgamentos eram secretos. As vtimas que confessavam heresia 
eram aprisionadas e queimadas, enquanto aquelas que recusavam a confisso recebiam o mesmo tratamento por desobedincia.
No sculo XV, a Inquisio j tinha perdido parte de seu impacto, mas um novo mpeto surgiu na Espanha a partir de 1480, quando a ira da Inquisio espanhola foi 
dirigida principalmente contra os judeus e os muulmanos. O Grande Inquisidor era o brutal dominicano Toms de Torquemada, confessor oficial de Fernando II e da 
rainha Isabela. Alguns anos aps sua implementao, porm, a Inquisio espanhola comeou a visar a outro culto apstata. A opresso resultante duraria mais de dois 
sculos - no s na Espanha, mas por toda a Europa crist. As presas inocentes eram descritas como "os mais diablicos hereges a conspirar para a destruio da Igreja 
Romana".
Em 1484, dois dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger, publicaram um livro chamado Malleus Maleficarum (O Martelo das Bruxas). Essa obra malvola, porm imaginativa, 
fornecia detalhes de como identificar uma nova e hedionda ameaa dos praticantes da magia satnica. O livro era to convincente que, dois anos mais tarde, o papa 
Inocncio VIII emitiu uma bula para autorizar a supresso dessa seita blasfema. At aquele ponto, o culto conhecido como bruxaria no consistia uma ameaa a ningum, 
contando apenas com a continuidade de rituais pagos e ritos de fertilidade feitos pelas classes dos camponeses. Em termos reais, era pouco mais que o vestgio de 
uma crena primitiva no poder divino das foras naturais, centrado principalmente em P, o maroto deus arcadiano dos pastores. P era tradicionalmente descrito com 
pernas, orelhas e chifres de um bode, mas os criativos dominicanos tinham outras idias do Chifrudo que tocava flauta. Eles enegreceram sua imagem a ponto de faze-lo 
parecer o prprio diabo, e os frades invocavam uma passagem das ordenaes do Exodo (22: 18-19), que dizia:

"A feiticeira no deixars viver. Quem tiver coito com animal ser morto."

Assim, por meio de uma evidente aplicao errnea do texto bblico, eles condenavam os cultistas de P primeiro como bruxos e, depois, como pessoas que praticavam 
orgias hediondas com um animal. Como todos os inquisidores eram homens, foi determinado que a bruxaria devia ser uma forma de depravao associada  insacivel lascvia 
das mulheres!
A palavra inglesa witch (bruxa) deriva de uma antiga variante de willow - ingls para salgueiro - a rvore da Deusa Tripla da Lua (donzela, mulher e anci). Dizia-se 
que os adoradores do salgueiro possuam poderes sobrenaturais de adivinhao (como vemos nas trs bruxas em Macbeth, de Shakespeare), e isso possibilitava  Igreja 
incluir toda espcie de Mago, cigano e cartomante em sua classificao aleatria de bruxaria. Na verdade, a definio revisada era to abrangente que quase todo 
mundo que no observasse estritamente o dogma ortodoxo vivia sob suspeita de ser praticante das artes negras (esse tema  abordado com mais profundidade em Realm 
of the Ring Lords).
Embora alguns indivduos no-conformistas fossem pegos na rede, como mtodo de evitar julgamentos justos, as caas s bruxas eram, de um modo geral, dirigidas contra 
as indefesas classes rurais. As desafortunadas vtimas eram estranguladas, afogadas ou queimadas vivas, aps serem acusadas de venerar o diabo em orgias noturnas 
e se chafurdar com espritos malignos. Enquanto isso, as pessoas das classes privilegiadas que possuam verdadeiras habilidades esotricas e conhecimento hermtico 
eram obrigadas a realizar suas atividades em segredo, escondidas em suas lojas e clubes subterrneos.


A REVOLTA PROTESTANTE

Durante os primeiros anos dessa perseguio, o monge dominicano Johann Tetzel implementou um esquema lucrativo para abastecer os cofres do Vaticano. O plano envolvia 
o perdo dos pecados, que at ento eram expiados por meio de penitncia e jejum, recitao do rosrio e outros atos de contrio. O conceito de Tetzel substitua 
essas penalidades tradicionais por indulgncias - declaraes formais de absolvio garantida, disponivel mediante pagamento em dinheiro. Aprovada por decreto papal, 
a venda de indulgncias logo se tornou uma fonte de considervel renda para a Igreja.
Durante sculos, o clero ortodoxo e suas Ordens monsticas associadas tinham sofrido uma srie de medidas ultrajantes impostas por uma hierarquia que se tornava 
cada vez mais corrupta. Passando por tudo isso, eles tinham obedecido a sucessivas imposies do Vaticano da maneira mais leal possvel; mas a troca da salvao 
crist por dinheiro era demais para ser tolerada. A prtica foi, por isso mesmo, abertamente contestada. Em outubro de 1517, um monge agostiniano e professor de 
Teologia na Universidade de Wittenberg, Alemanha, pregou um protesto escrito na porta de sua igreja local - um ato de objeo formal, destinado a dividir a igreja 
ocidental permanentemente em duas. Ao receber a repreenso papal, ele publicamente ateou fogo nela e foi excomungado. Seu nome era Martinho Lutero e seus seguidores 
ficaram conhecidos como protestantes.
A tentativa de Lutero de reformar uma prtica especfica da Igreja acabou gerando uma Reforma em escala muito maior, estabelecendo uma sociedade crist alternativa, 
fora do controle do Vaticano. Na Inglaterra, a conseqncia mais significativa da resultante reforma foi a rejeio formal da autoridade do papa e sua substituio 
como chefe da Igreja inglesa pelo rei dos Tudor, Henry VIII. No devido tempo, isso culminou no estabelecimento da Igreja independente da Inglaterra, sob a rainha 
Elizabeth I, que foi excomungada por Roma em 1570. A dissidncia formal da Esccia do limitado vestgio de controle papal ocorreu em 1560, sob a influncia do reformista 
protestante John Knox.
No foi por acaso que o protesto de Martinho Lutero encontrou apoio em alguns crculos muito influentes, pois Roma tinha muitos inimigos em altos lugares. Entre 
esses ferrenhos inimigos estavam os Cavaleiros Templrios e as sociedades secretas hermticas, cujas artes misteriosas tinham sido condenadas pela Inquisio Catlica. 
A verdade no era que Lutero tivesse conseguido o apoio de outros, mas que fora de bom grado o instrumento de um movimento j ativo que se empenhava em desmantelar 
a rgida dominao internacional do papa.
A rompimento protestante com Roma facilitava um ambiente de liberdade de pensamento, que culminaria nas conquistas da Sociedade Real da Gr-Bretanha e fomentaria 
os ideais culturais e intelectuais da Renascena. Na verdade, o movimento da Alta Renascena de 1500-1520 proporcionava o cenrio perfeito para a posio de Lutero 
contra os bispos politicamente motivados. Comeava a era do indivduo e da dignidade humana; a era em que Leonardo da Vinci, Rafael e Michelangelo desenvolveriam 
a harmonia da arte clssica  sua mais perfeita forma; a era em que a empolgao pelo aprendizado do conhecimento pago reemergia numa exploso de cores, atravessando 
novas fronteiras da cincia, da arquitetura e dos projetos. Acima de tudo, a Reforma ia contra todas as aspiraes para a recriao do supremo domnio de Roma Imperial.
Desde que a Igreja Catlica tinha deposto os reis merovngios no sculo VIII, havia um movimento calculado para refletir prvias glrias por meio do Santo Imprio 
Romano, convenientemente inventado. Mas a Reforma comprometia tudo isso, pois as naes da Europa se polarizavam e dividiam. A Alemanha, por exemplo, separou-se 
no norte predominantemente protestante e no sul catlico romano. Como resultado, a Inquisio espanhola contra os judeus e muulmanos se estendeu tambm aos protestantes. 
Inicialmente, eles foram caados principalmente nos Pases Baixos, mas, em 1542, uma Inquisio romana oficial contra todos os protestantes foi estabeleci da pelo 
papa Paulo III. Como no podia ser de outra forma, os protestantes levantaram as armas.
Os poderosos Habsburgos catlicos, que governaram a Espanha e o imprio, sofreram o maior impacto da retaliao protestante, levando um golpe devastador quando a 
armada espanhola do rei Filipe II se espalhou aos quatro ventos em 1588. Alm disso, eles sofreram tambm com a extensa revolta protestante na Holanda, iniciada 
em 1568, e a guerra de 30 anos na Alemanha, um conflito iniciado em 1618, quando os protestantes bomios se rebelaram contra o governo Habsburgo da ustria. Eles 
ofereceram sua coroa para o prncipe alemo Frederico V, palatino eleitor do Rena. Ele era sobrinho do lder francs huguenote, Henri de la Tour d' Auvergne, Duc 
de Bouillon. Quando ele aceitou a honra da Bomia, porm, despertou a fria do papa e do Santo Imprio Romano e a longa guerra comeou. Durante a luta, a causa da 
Bomia ganhou o apoio da Sucia, junto com a Frana protestante e a Alemanha. Com o passar do tempo, os territrios imperiais foram severamente devastados, a ponto 
de o imperador ficar com um controle meramente nominal dos estados germnicos.
Em 1562, os protestantes franceses (huguenotes) se levantaram contra sua prpria monarquia catlica, fazendo surgir guerras civis (que duraram at 1598) que ficaram 
conhecidas como as Guerras de Religio. A Casa de Valois estava no poder, mas o regente da Frana era a florentina Catarina de Mdici. Ela era neta do papa Clemente 
VII e grandemente responsvel pelo notrio Dia do Massacre de 24 de agosto de 1572, de So Bartolomeu. Nesse fatdico dia, mais de 3mil huguenotes foram mortos em 
Paris, enquanto outros 12 mil eram mortos em toda a Frana. Tal fato agradou visivelmente o papa Gregrio XIII, que enviou uma mensagem pessoal de congratulaes 
 corte francesa!
Proeminente nas Guerras de Religio foi a nobre famlia francesa de Guise. Embora fossem lderes da Santa Liga Catlica, os membros dessa famlia no eram amigos 
da dinastia Valois governante. Na verdade, eles disputavam a legitimidade da sucesso dos Valois e reivindicavam seu direito ao trono por descenderem do imperador 
Carlos Magno pela Casa de Lorraine. Isso era um problema para as tropas escocesas na Frana porque, aps sua participao ativa na vitria de Joana d' Arc em Orlans, 
eles tinham fornecido por algum tempo uma guarda de elite para a Casa de Vale A Guarda Escocesa dos Compagnie Gendarmes Ecossais no tinha otrgao religiosa com 
os catlicos nem com os protestantes, mas tinha, is, sim. uma aliana de compromisso com os reis Valois por meio de sua incorporao formal.
O dilema era porque o rei James V Stewart tinha se casado com Maria de Guise, e a atual rainha Mary dos escoceses era a filha do casal. Em 1558, ela se casou com 
o filho mais velho de Catarina de Mdice, o delfim dos Valois, Franois. Assim, os desafortunados soldados escocese, foram pegos no meio do conflito francs e obrigados, 
em nome da honra. a apoiar a Casa de Valois. contra a de Guise, embora tivessem anteriormente liderado o exrcito do irmo de Maria de Guise, Franois, para resgatar 
Calais dos ingleses em 1558. Na verdade, alm de serem uma guarda dos Valois, eles eram partidrios tradicionais da Casa de Lorraine, a mais alta de Guise. Levando 
em conta toda essa situao, a Guarda estava numa posio realmente difcil.
O problema dos escoceses para equilibrar esse conflito de interesse foi finalmente resolvido quando a dinastia Valois se extinguiu. A partir de 1589, a Frana comeou 
um perodo de dois sculos de governo por parte da Casa de Bourbon, com a qual a Guarda Escocesa no tinha compromisso formal.
Desde os primeiros dias dos reis francos, os administradores papais tinham conseguido afastar qualquer instituio poderosa que ameaasse o Santo Imprio Romano 
em evoluo. Mas, subitamente, ela se viu confrontada por um oponente imprevisto - uma imagem renovada e de modo geral mais aceitvel de si prpria - uma paralela 
e independente Igreja Crist. Alm disso, o movimento de oposio era mantido pelas mesmas vtimas da perseguio e da alegada heresia que o Vaticano julgava ter 
reprimido. Na nova e iluminada Era da Razo, os protestantes emergiam sob a bandeira unificada da Cruz Vermelha (Rsea) - um emblema incorporado no selo pessoal 
de Martinho Lutero.
Os rosa-cruzes (como se intitulam) pregavam a liberdade, a fraternidade e a igualdade. Viviam desafiando constantemente a opresso tirnica e acabariam se tornando 
instrumentais na revoluo americana e na francesa. Aps a Reforma, a Ordem Rosa-cruz foi grandemente responsvel pelo estabelecimento de um novo ambiente de conscincia 
espiritual. As pessoas descobriram que a histria apostlica dos bispos romanos era uma ultrajante fraude e que a Igreja tinha deliberadamente sabotado a histria 
de Jesus. Tambm ficou evidente que os Rosa-cruzes (como os ctaros e Templrios antes deles) tinham acesso a um conhecimento antigo com mais substncia do que qualquer 
coisa promulgada por Roma.
Contra o peso desse impacto, a nica defesa de Roma era continuar com suas bem testadas declaraes de heresia. Ameaas de violncia foram mandadas contra todos 
os que se opusessem  doutrina catlica. Na verdade, era preciso encontrar uma nova acusao - que no fosse to leve quanto a de heresia, suficiente no passado. 
Os opositores do Catolicismo, fossem eles quem fossem, eram definidos como adoradores do diabo e a Inquisio do Martelo das Bruxas foi implementada contra uma imaginria 
conspirao satnica promulgada pelos feiticeiros. O problema era que ningum sabia realmente quem eram esses supostos feiticeiros - e assim, uma srie de julgamentos 
e testes ridiculamente trgicos foi elaborada para extermina-los. No meio de tudo isso, a rigida seita puritana se tomou politicamente aliada  estratgia romana, 
implementando suas prprias caas s bruxas na Inglaterra e na Amrica. Por um periodo de 250 anos, mais de um milho de homens, mulheres e crianas inocentes foram 
assassinados pela autoridade delegada dos caadores de bruxos.

A ORDEM DA ROSA-CRUZ

Em 1614 e 1615, dois tratados conhecidos como os Manifestos Rosa-cruz surgiram na Alemanha. Eram eles o Fama Fraternitatis e o Confessio Fraternitatis. A eles se 
seguiu, em 1616, um romance do mesmo tema, chamado O Casamento Qumico, escrito pelo pastor luterano Johann Valentin Andreae. Os primeiros Manifestos eram de autores 
a ele relacionados, se no do prprio Andreae, que era um alto funcionrio da Prieur Notre Dame de Sio. As publicaes anunciavam uma nova era de Iluminismo e 
liberao hermtica, na qual determinados segredos universais seriam desvendados e conhecidos. Diante do advento da Sociedade Real cientfica dos Stuarts, algumas 
dcadas mais tarde na Gr-Bretanha, pode-se dizer que as profecias estavam suficientemente corretas, mas na poca vinham veladas em alegoria. Os escritos se centravam 
nas viagens e nos aprendizados de um misterioso personagem chamado Christian Rosenkreuz, um Irmo da Cruz Rsea. Seu nome foi claramente criado para ter um significado 
rosa-cruz, e ele era descrito usando a equipagem dos Templrios.
O enredo de O Casamento Qumico se passa no castelo mgico da Noiva e do Noivo: um palcio cheio de efigies de lees, onde os cortesos so estudantes de Plato. 
Num ambiente digno de qualquer romance do Graal, a Virgem Acendedora de Lampies faz com que todos os presentes sejam pesados na balana, enquanto um relgio indica 
os movimentos dos cus e o Velo de Ouro  apresentado aos convidados. O tempo todo toca uma msica de corda e trombeta, e reina um clima de romntico cavalheirismo, 
com cavaleiros de Ordens Sagradas presidindo. Embaixo do castelo h um rnisterioso sepulcro que contm estranhas inscries, enquanto do lado de fora, no porto, 
encontram-se 12 navios da Pedra Dourada, cada um com sua bandeira individual do zodaco. Em meio a essa curiosa recepo, uma pea de fantasia  conduzida para contar 
a intrigante histria de uma princesa sem nome que lanada ao mar numa arca de madeira, casa-se com um prncipe de origens igualmente obscuras, fazendo com que uma 
herana real usurpada seja restaurada.
Combinada com as duas publicaes anteriores, O Casamento Qumico tem um significado ligado ao Graal bvio. A Igreja, por isso mesmo, no perdeu tempo em lanar 
todo o peso de sua condenao contra os Manifestos. O ambiente era mtico, mas, para ilustrar a cena, os rosa-cruzes s usavam um nico castelo em suas representaes: 
o castelo de Heidelberg, a abadia do Leo Palatino - o lar do prncipe Frederico do Reno e sua esposa,  princesa Elizabeth Stuart, filha do rei James VI dos escoceses 
(James I da Inglaterra).
Apesar do despertar rosa-cruz da Reforma, a Irmandade da Ordem da Rosa-cruz tinha uma histria muito antiga, remontando  Escola Egpcia de Mistrio do Fara Tutmsis 
III (c.1468-1436 a.C.). Os velhos ensinamentos foram disseminados por Pitgoras e Plato, chegando mais tarde  Judia por meio do Terapeutato egpcio asctico, 
que presidia em Qurnr, na poca anterior a Jesus. Aliados ao Terapeutato estavam os magos samaritanos de Manasss do Oeste, cujo chefe era o lder gnstico Simo 
(o Mago) Zelote, um confederado convicto de Maria Madalena, um essnio da dispora e o av de Maria Madalena. A descendncia de Menahem era dos sacerdotes da famlia 
de Judas Macabeu, to reverenciado na histria do Graal arturiana de Gawain.
O "discpulo amado", Joo Marcos (promulgador do Evangelho de Joo e tambm conhecido como Bartolomeu), era um especialista em medicina preventiva e curativa e ligado 
ao Terapeutato egpcio (gerando o cognato "teraputico"). Foi por causa disso que Joo se tomou o santo reverenciado dos Cavaleiros Hospitalrios de Jerusalm. Joo 
Marcos era o discpulo que Jesus encarregou de cuidar de sua me na crucificao
"Dessa hora em diante, o discpulo a tomou" (Joo 19:27). Algumas Bblias - incluindo a Verso Autorizada do rei James - erroneamente acrescentam uma ou mais palavras 
(geralmente em itlico): "... a tomou para casa". Mas a palavra "casa" no era aplicvel ao texto original do Evangelho. Na verdade, Joo foi encarregado de ser 
paraninfo (assistente pessoal) de Maria. e em vez de lev-la "para casa", ele teria levado Maria para as amas do Terapeutato (um paranymphos era, em termos exatos, 
aquele que na cerimnia conduzia a noiva at o noivo).

O smbolo dos curandeiros do Terapeutato era uma serpente - a mesma que  mostrada (junto ao emblema do Graal da Cruz Rsea) para indicar So Joo no manuscrito 
Rosslyn-Hay do rei Ren d'Anjou. A serpente gnstica da sabedoria  usada como parte da insgnia do caduceu de muitas associaes mdicas internacionais da atualidade. 
Foi por causa da particular proximidade de Joo com a famlia de Jesus que ele reconheceu o verdadeiro significado das bodas sagradas em Can. A dinastia real de 
Jesus tinha grande mrito, mas a de Maria Madalena tambm. Ela era a original Notre Dame des Croix, a portadora do vaso messinico, a Senhora da Luz - e  no clice 
dela que a Cruz Rsea do Sangral  sempre encontrada.
Entre os notveis Gro-Mestres rosa-cruzes havia o poeta e filsofo italiano Dante Alighieri, autor de A Divina Comdia, por volta de 1307. Um dos mais vidos estudantes 
de Dante foi Cristvo Colombo, que, alm de seu patrocnio pela corte espanhola, era bancado tambm por Leonardo da Vinci, membro da Ordem dos Crescentes de Ren 
d' Anjou (uma retomada de uma antiga Ordem das Cruzadas, estabelecida por Luis IX). Outro proeminente Gro-Mestre era o Dr. John Dee, astrlogo, matemtico, agente 
do servio secreto e conselheiro pessoal da rainha Elizabeth I. Tambm o advogado e escritor de filosofia Sir Francis Bacon, Visconde St. Albans, foi Gro-Mestre 
no incio do sculo XVII. Sob o rei James VI Stuart, Bacon se tomou o Procurador-Geral da Gr-Bretanha e lorde Chanceler. Por causa da contnua Inquisio, ele se 
preocupava muito com a perspectiva do assentamento catlico em grande escala na Amrica, o que o fez se envolver de modo particular com a colonizao transatlntica 
britnica, incluindo a famosa viagem do Mayjlower em 1620. Entre os colegas rosa-cruzes de Bacon estava o notvel mdico e filsofo telogo de Oxford, Robert Fludd, 
que auxiliou na traduo para o ingls da Verso Autorizada da Bblia do rei James.
Em 1307, os rosa-cruzes tinham sido formalmente inaugurados na Esccia pelo rei Robert, o Bruce, que escolheu certos Templrios e Hospitalrios para serem fundadores 
dos Irmos Mais Velhos da Rosacruz. A Ordem foi herdada por seus descendentes da Casa Real de Steward e, na era Stuart da Gr-Bretanha, sculo XVII, os rosa-cruzes 
eram inseparavelmente ligados  Sociedade Real cientfica. Essa academia inclua mestres e acadmicos como Robert Boyle e Sir Christopher Wren, . que tinham destaque 
na Ordem da Rosa-cruz. Os objetivos e as ambies da Ordem, com eminentes estudiosos como Sir Isaac Newton, Robert Hooke, Edmond Halley e Samuel Pepys, eram claros: 
avanar o estudo e a aplicao da antiga cincia, da numerologia e da lei csmica. Os rosa-cruzes tambm se empenhavam em encorajar os ideais do Terapeutato egpcio 
promovendo assistncia mdica para os pobres. No  coincidncia que a agncia de maior influncia no campo da emergncia mdica em todo mundo (conforme estabelecido 
na Conveno de Genebra de 1864) seja identificada por sua familiar Cruz Vermelha.
Na poca do rei Charles I, a Ordem Rosa-cruz estava bem estabelecida em vrios pases, incluindo Gr-Bretanha, Frana, Alemanha e Holandz. O trabalho da Ordem progrediu 
muito por algum tempo, independentemet'te da condenao papal emitida por meio de decretos do Vaticano. Contra esse progresso, porm, um novo inimigo visava  fraternidade 
erudita um inimigo cujos esforos perniciosos se concentravam para atrasar o avano espiritual e tecnolgico por tempo indeterminado. Os puritanos estavam chegando.
 um fato triste que, sempre que as aes prfidas de um regime so suprimidas, outro regime de igual iniqidade  criado no lugar. Foi isso que aconteceu com a 
separao da igreja inglesa de Henry VIII de Roma. No tardou para que Henry fechasse mosteiros e vendesse as terras deles para classes mercantes; mas no era como 
se os cultos monges da Inglaterra tivessem a menor afinidade com a Igreja Catlica episcopal. De modo semelhante, ao estabelecer a Igreja Anglicana Protestante (a 
Igreja da Inglaterra), a filha de Henry, a rainha Elizabeth I, apressou-se em impor seu controle absoluto aos catlicos de Irlanda. Ela vendeu Ulster para as Associaes 
da Londres, cujos mercadores foraram os irlandeses a se tornarem seus servos ou a abandonar sua terra natal.
Henry VIII no se tornou protestante, como  freqentemente sugerido; na verdade, ele tinha denunciado Martinho Lutero em seus escritos. O que ele fez foi cortar 
a parte inglesa da Igreja do controle papal. Isso facilitou seu divrcio de Catarina de Arago (a filha de Fernando e Isabela, da Espanha). Tambm permitiu que ele 
tivesse acesso  riqueza da Igreja e s propriedades na Inglaterra. Quando o conselho dos reformistas protestantes assumiu as rdeas depois da morte do rei, o povo 
no ficou feliz, mas sua felicidade diminuiu ainda mais quando Mary Tudor se casou com Filipe da Espanha e comeou a queimar protestantes na Inglaterra. Bloody Mary 
(ou Maria, a Sanguinria) morreu antes que ocorresse uma grande revolta pblica, e sua meia-irm Elizabeth acalmou o furor, criando a Igreja Anglicana Protestante. 
Foi o medo de que a Irlanda fosse usada para incitar uma invaso espanhola da Inglaterra que motivou suas aes, mas um fim a curto prazo raramente justifica um 
meio a longo prazo, e as tristes repercusses dos atos de Elizabeth ainda podem ser sentidas.

Quaisquer que fossem os motivos de Henry e Elizabeth, seus esforos aumentaram grandemente o poder das classes mercantes, que se aliaram aos protestantes holandeses 
para suprimir as pretenses comerciais internacionais. A resposta de Filipe II foi a grande Armada, mas esta foi repelida com a considervel ajuda das condies 
climticas. A Inglaterra emergia como uma nao religiosamente independente, com a Igreja Anglicana firmemente estabelecida, mas muita coisa havia mudado desde que 
Martinho Lutero se pronunciou quase um sculo antes.
A Igreja Anglicana, com sua estrutura episcopal, tomou-se to pouco tolerante com outras denominaes quanto a Igreja de Roma. Na poca do rei Charles I Stuart (1625-1649), 
ela j era decididamente antagonista em relao a qualquer um que ousasse questionar seu dogma. Como uma irnica repetio da histria dos Templrios, cientistas, 
astrnomos, matemticos, navegadores e arquitetos rosa-cruzes se tomaram as vtimas do pernicioso sistema protestante. Os clrigos anglicanos os chamavam de pagos, 
ocultistas e hereges, assim como a Igreja de Roma fazia. Na verdade, a queda do rei Charles I teve muito mais a ver com sua tolerncia religiosa e sua ligao com 
aqueles grandes homens de conhecimento e erudio avanada do que os livros ortodoxos nos ensinam.
Se os cientistas ocultos da alta sociedade eram perseguidos pela sua prpria Igreja nacional, havia pouca esperana para os praticantes dos velhos costumes nos estratos 
mais baixos da sociedade - aqueles que tinham sido tachados de bruxos pela Inquisio. Eles viviam com medo dos extremistas protestantes, -assim como tinham temido 
os catlicos, e a seita protestante que mais se assemelhava ao fanatismo da Inquisio era a prpria seita que se dividiu do episcopado anglicano para se tomar mais 
religiosamente "pura". O que esses puritanos conseguiram, porm, foi se transformar em idlatras intolerantes, desprovidos de qualquer intelecto espiritual. Na verdade, 
eram to antidemocrticos em suas crenas que seu chefe preliminar era um dspota brutal que fazia at Toms de Torquemada parecer um cordeirinho. Foi durante os 
anos do selvagem protetorado de Oliver Cromwell, a partir de 1649, que os astrnomos e matemticos foram forados a se esconder debaixo do solo, como o Colgio Invisvel. 
Foi s em 1660, aps a Restaurao de Stuart, que os rosa-cruzes apareceram abertamente em pblico mais uma vez, com o rei Charles II como seu novo patrono e promulgador 
da Sociedade Real.

CASA DOS UNICRNIOS

A UNIO DAS COROAS

A Casa Real de Stewart da Esccia surgiu de uma unio conjugal das linhagens hereditrias de Jesus e de seu irmo Tiago - originando-se na fonte dos merovngios 
de um lado e dos reis celtas da Bretanha de outro.
Os Stewarts emergiram, portanto, como uma dinastia verdadeiramente singular e so conhecidos h muito tempo como a Casa dos Unicmios. J vimos que o chifre do unicmio 
era simbolicamente equivalente  lmina nas histrias do Graal, e ambas representavam o clice "masculino" em contraste ao "feminino".
Junto ao Leo de Davi de Jud e  flor-de-lis franco-judaica, o unicrnio desposyni foi incorporado s Armas Reais. O unicrnio correspondia ao Jesus viril e era 
relacionado  imagem messinica ungida do Salmo (cano sagrada) 92:10. De fato, o animal mstico era um dos mais importantes smbolos dos ctaros albigenses, que 
foram to cruelmente perseguidos pela Inquisio inicial. Nas lendas medievais, o Unicrnio sempre foi associado  fertilidade e  cura, e as tapearias da Renascena 
o mostram com a cabea no colo da noiva real. Isso  uma aluso ao antigo texto ritual do Casamento Sagrado (o Hieros Gamos): "O rei vai com a cabea erguida ao 
colo sagrado'', como  expressado no rito potico da antiga Mesopotmia: a terra de No e Abrao.
Os ctaros acreditavam que somente o chifre sacro do unicmio podia purificar as falsas doutrinas que fluam da Igreja Romana, e nesse sentido a reverenciada criatura 
costumava ser reproduzida com o chifre mergulhado num rio ou fonte. Outras descries mostram o unicmio preso num jardim enclausurado - confinado, mas bem vivo. 
Os sete painis de tapearia de La Dame  la Licorne, no Museu Cluny, em Paris, vieram originalmente de Lyon medieval. Os sete painis flamengos intitulados Caada 
dos Unicrnios, na c1ausura do Museu Metropolitano, Nova Iorque, so do sculo XVI, de Languedoc, e mostram o unicrnio sendo caado e perseguido. Depois de capturado, 
ele  sacrificado, mas depois aparece vivo novamente no jardim da noiva. Essa  uma reproduo direta da histria de Jesus.
O simbolismo mitolgico do unicrnio era central s assim chamadas heresias de Provena, que foram to brutalmente condenadas pela Igreja. No foi por acaso que 
a fabuloso animal da linhagem do Graal encontrou seu lugar como guardio do Leo nas Armas da Esccia, junto ao sinal de X da unidade entre masculino e feminino 
- a bem conhecida Cruz Nacional, popularmente identificada como a cruz de Santo Andr.
Quando Robert II Stewart (neto de Robert, o Bruce) fundou a Casa Real Escocesa em 1371, a sucesso ficou com seus herdeiros no Parlamento escocs. As Casas Plantagenetas 
de York e Lancaster acabaram lutando pela dominao na Inglaterra, mas perderam para os Tudors. Na Frana, a dinastia Valois travou constantes guerras contra pretendentes 
rivais, e os Valois foram sucedidos pelos Bourbons. Mas durante todo esse tempo, os Stewarts mantiveram sua posio dinstica ininterrupta (a histria completa da 
Casa Real de Stewart  relatada na obra do HRH Prncipe Michael de Albany, The Forgotten Monarchy of Scotiand).
Antes que os High Stewards se tomassem reis escoceses, suas ramificaes familiares estavam bem posicionadas em termos de status nobre e, com o passar do tempo, 
eles adquiriram ttulos em Lorne, Innermeath.. Atholl, Lennox, Doune, Moray e outros lugares. No fim do sculo XVI, o nome Stewart tinha se tomado Stuart na linhagem 
real - uma mudana ocorrida por meio da ligao francesa atravs dos Stewarts Seigneurs d' Aubignie e do primeiro casamento de Mary, rainha dos escoceses, como o 
Delfim, pois no existia a letra "w" no alfabeto francs.
Depois da morte de Elizabeth Tudor da Inglaterra, que no teve filhos, as coroas da Esccia e da Inglaterra se uniram em 1603. James VI dos escoceses era bisneto 
de James IV e da irm de Henry VIII, Margaret. Era considerado, portanto, o parente vivo mais prximo de Elizabeth, e por isso mesmo foi convidado como sucessor. 
Na verdade, a Inglaterra tinha um herdeiro apropriado ao trono, Edward Seymour, lorde Beauchamp. por descendncia da filha de Henry VII, Mary. Entretanto, embora 
muitos gostassem de reconhecer uma legtima sucesso paralela de Henry VII, outros se sentiam indignados com o fato de o rei dos escoceses ser rei da Inglaterra. 
No tinham objeo  unio das coroas, mas prefeririam que a situao fosse reversa, ou seja, um monarca ingls governando a Esccia. Como resultado, uma das maiores 
conspiraes polticas da histria foi montada contra James e os reis Stuart. Quando James VI dos escoceses chegou a Londres para se tomar tambm James I da Inglaterra, 
ele se viu confrontado por dois problemas imediatos. O primeiro relacionava-se  religio. Tanto a Esccia como a Inglaterra se haviam definido como naes protestantes, 
mas James tivera uma formao presbiteriana enquanto a Inglaterra era anglicana. A segunda dificuldade era que a administrao de Westminster era totalmente inglesa, 
e os escoceses nascidos antes da ascenso de James, em 1603, no podiam exercer funes no governo. Isso significava que ele teria de esperar pelo menos 16 anos 
at que um escocs aparecesse em Westminster!
Depois de muitas tentativas frustradas de obter o controle da Esccia, o Parlamento ingls tinha descoberto um caminho estratgico para a possesso escocesa - que 
talvez j tivesse sido elaborado antes do convite  sucesso feito a James. Com James assentado nos tronos unidos. uma soluo para a ambio de longa data foi elaborada: 
(a) os futuros reis da Gr-Bretanha permaneceriam sediados em Londres, o que restringia a influncia escocesa mesmo nas questes da Esccia; (b) Westminster poderia, 
se julgasse necessrio, dissolver o tradicional Parlamento triplo escocs; (c) no momento apropriado, os Stuarts seriam desacreditados e depostos; e (d) um monarca 
marionete escolhido em Westminster substituiria a sucesso escocesa. O resultado dessa estratgia seria a submisso total da Esccia ao governo ingls, uma ambio 
que tinha prevalecido desde a era Plantageneta de Edward I. E foi exatamente isso Q que aconteceu em 1688, quando o rei James VII (11) teve seu trono usurpado e 
foi mandado para o exlio pela Igreja e os conspiradores parlamentares.

Antes disso, em 1560, a Igreja Presbiteriana da Esccia (Presbyterian Kirk - regulamentada por ancios em vez de bispos) tinha se tomado a Igreja Nacional do pas. 
Ao sul da fronteira, a Igreja Anglicana existia desde a autorizao por parte de Elizabeth I dos Trinta e Nove Artigos da doutrina inglesa em 1563. Assim, quando 
os Stuarts sucederam como monarcas gerais da Gr-Bretanha, eles supostamente deveriam manter duas importantes igrejas, sem que uma ofendesse a outra. Era uma tarefa 
impossvel, principalmente porque o rei seria o Chefe da Igreja da Inglaterra. Para atingir um equilbrio, os Stuarts fundaram a Igreja Episcopal Escocesa, que introduzia 
uma estrutura parecida com a dos bispos protestantes, paralela  equivalente anglicana. Mas os reis tinham, ento, uma terceira Igreja para manter, o que complicava 
as coisas ainda mais. Acima de tudo isso, havia outra complicao. Alm de serem reis da Gr-Bretanha, os Stuarts eram tambm reis da Irlanda (o Estado Livre irlands 
s seria estabelecido em 1921), tendo, portanto, responsabilidades com o povo irlands, que era tradicionalmente catlico.
Elizabeth I tinha governado sem consultar o Parlamento com freqncia, e deixara a Coroa com dvidas considerveis. Conseqentemente, o rei James foi obrigado a 
implementar uma taxao mais alta. No entanto, ao aprovar essa medida, o Parlamento insistiu que ele no governasse no estilo autocrtico de Elizabeth. Na verdade, 
estipulou uma srie de restries que praticamente deixavam o rei sem poderes individuais. James respondeu declarando que, segundo a tradio escocesa, ele no prestava 
contas a nenhum Parlamento, mas somente a Deus e  nao. Era seu dever, afirmou, manter a Constituio Escrita da Esccia em nome do povo e assumir posies contrrias 
ao Parlamento e  Igreja, se elas se fizessem necessrias. Diferentemente da Esccia, porm, a Inglaterra no tinha uma Constituio Escrita (como ainda no tem), 
e nada protegia os direitos e as liberdades do povo. Existia apenas uma tradio feudal que investia as classes altas feudais de poder de terras.
Durante toda a era Stuart, as diferenas religiosas entre as faces rivais da Igreja Crist se faziam muito evidentes. Ao instituir os Atos de Uniformidade com 
respeito ao Book of Common Prayer (Livro da Orao Comum), James VI (I) irritou os catlicos e incitou no Parlamento o Golpe da Plvora contra ele. Por outro lado, 
ao introduzir a sua Verso Autorizada da Bblia, fez com que os protestantes afirmassem que ele estava do lado de Roma. No havia modo de um rei Stuart satisfazer 
os anglicanos, presbiterianos, episcopais e catlicos sem ser plenamente tolerante com todos. O Problema era que o Parlamento anglicano no reagia bem a essa tolerncia, 
principalmente quando ela se estendia inclusive aos judeus.
Quando o filho de James, Charles I, ascendeu ao trono, sua preocupao imediata era a natureza discriminatria do Parlamento de Westminster. Os ministros estavam 
to envolvidos em disputas religiosas e territoriais que tinham esquecido a administrao do pas. Charles, ento, dissolveu o problemtico Parlamento em 1629 e 
instituiu uma administrao nova. Com isso, ganhou uma considervel popularidade; tambm conseguiu equilibrar o oramento nacional pela primeira vez em sculos. 
Em seis anos, ele era mais favoravelmente aceito do que qualquer monarca desde Henry VII (1485-1509) - mas quando os dogmticos puritanos ascenderam ao poder. o 
reinado de Charles ruiu.
As estritas doutrinas dos bispos anglicanos desagradavam a grandes setores da comunidade. Assim, no era de se surpreender que o povo estivesse prontamente disposto 
a seguir seus pregadores puritanos locais, que denunciavam o episcopado em geral. O rei Charles fez o que pde para resguardar a reputao anglicana, mas s conseguiu 
alienar muitos partidrios potenciais. Durante a disputa com a Espanha, Charles se aliou  Frana, casando-se com a filha de Henry IV, Henrieta Maria, e isso irritou 
tanto a Igreja Anglicana como os puritanos, pois Henrieta era catlica.

GUERRA CIVIL

Depois de onze anos de auto-suficincia, Charles foi obrigado a reconvocar seu Parlamento em 1640. Isso gerou vrios problemas com a Igreja da Esccia, cujos ancios 
no-episcopais tinham se sentido ofendidos pela tentativa do arcebispo de Canterbury de impor o Livro Anglicano de Oraes na Esccia presbiteriana. Em Westminster, 
os ministros puritanos imediatamente impugnaram o arcebispo Laud por traio, e ele foi decapitado junto com o assistente de Charles, o visconde Strafford. Os puritanos, 
ento, resolveram abolir o conselho da Cmara da Estrela do rei e organizaram o Grande Protesto: uma lista de queixas contra o prprio rei.
Tendo amainado o problema escocs, Charles se viu confrontado por mais problemas no ano seguinte, desta vez na Irlanda. L, os catlicos estavam reagindo violentamente 
contra a presena de protestantes britnicos que, aos milhares, estavam sendo encorajados a migrar para Ulster. O rei Charles tentou criar um exrcito para aplacar 
a insurgncia, mas o Parlamento se recusou a financi-lo, achando que Charles poderia voltar o exrcito contra eles. Ento, em 1642, quando Charles tentou prender 
cinco membros do Parlamento por comportamento obstrutivo, os portes de Londres se fecharam firmemente contra ele, e o resultado foi a guerra civil.
Em Nottingham, o rei levantou um contingente de Cavaliers Reais. enquanto Oliver Cromwell - um ambicioso MP - assumiu o comando das foras parlamentares. Sua cavalaria 
se encontrou com as foras do rei em Edgehill, mas a batalha terminou de maneira indefinida. Diferentemente dos exuberantes Cavaliers, o grupo de Westminster era 
de fato puritano. principalmente com seus cabelos bem curtos, o que lhes rendia o apelido de Roundheads ("cabeas redondas"). Simultaneamente, os soldados com peitoral 
do Cromwell eram chamados de Ironsides ("flancos de ferro").
Aps Edgehill, os Roundheads estabeleceram a Solene Liga e Aliana com a Igreja da Esccia, prometendo introduzir o prebiterianismo na Inglaterra, se a Kirk (Igreja 
da Esccia) fornecesse mais soldados. Isso e mais uma taxa de 30,000 por ms (equivalente a cerca de 2,000,000 por ms, convertido para o valor atual) era suficiente 
para ganhar o apoio da Kirk e, como resultado direto, Cromwell derrotou as tropas reais em Marston Moor, em 1644.
No ano seguinte, o novo exrcito modelo do Parlamento derrotou Charles novamente em Naseby. S nessa ocasio, porm, os soldados da Igreja da Esccia descobriram 
a verdadeira natureza de seus colegas puritanos. Antes, eles os viam simplesmente como outros protestantes no-episcopais, semelhantes  sua sociedade presbiteriana 
- mas agora estavam abrindo os olhos. Chegavam relatos de que os Roundheads tinham massacrado todas as mulheres irlandesas encontradas no campo das foras reais 
depois da batalha de Naseby, e eles mutilavam as mulheres inglesas com facas. Quanto aos homens escoceses, eles os prendiam, arrancavam-Ihes os olhos, cortavam-Ihes 
as orelhas e pregavam suas lnguas. No sul, o povo tinha apoiado a causa puritana em grande nmero, mas agora aquela seita aparentemente moderada era vista sob uma 
nova luz - como um exrcito de perseguidores fanticos comparveis aos selvagens inquisidores catlicos do Santo Oficio na Europa. Esses mesmos puritanos fanticos 
logo estariam perseguindo seus prprios seguidores com um esprito de vingana no esforo de exterminar bruxos e feiticeiros!
Foi apenas uma questo de tempo at o rei Charles ser forado a se render, e em 1646 ele ficou sob custdia parlamentar em Newark. Mais tarde, naquele mesmo ano, 
ele comeou negociaes com a Igreja Presbiteriana da Esccia, totalmente constrangida. Os ancios reconheciam que, ao apoiar os puritanos, eles tinham colaborado 
com a queda de sua prpria dinastia real (diferentemente dos episcopais escoceses, que tinham permanecido fiis  Coroa). Mas era tarde demais para remediar a situao, 
e embora constitussem um exrcito escocs contra Cromwell, ele o derrotou em Preston, em agosto de 1648. No incio do ano seguinte, em 30 de janeiro de 1649, o 
rei Charles I foi julgado em Westwinter Hall e decaptado em Whitehall. Em seguida, o exrcito puritano varreu a Irlanda, matando milhares de cidados inocentes - 
uma atrocidade pela qual todo o infeliz povo ingls fora culpado.
Sem rei, o Parlamento ingls estabeleceu um perodo interino conhecido como Commonwealth (literalmente, Comunidade ou Repblica), e em 1650 Cromwell derrotou o filho 
do rei falecido, Charles, prncipe de Gales, em Dunbar. Independentemente desse incidente, os escoceses coroaram Charles II em Scone, em 1o. de janeiro de 1651, 
e ele enfrentou mais uma vez as tropas de Cromwell em Worcester. Perdeu novamente, mas conseguiu escapar para a Frana.
Dois anos depois, em 1653, Oliver Cromwell dissolveu tanto o Parlamento como o prprio Commonwealth. Nomeando a si prprio lorde Protetor, ele governava somente 
com fora militar, e seu protetorado era muito mais severo do que qualquer regime j experimentado at ento. Ele ordenou que o Livro Anglicano de Oraes fosse 
proibido, bem como qualquer forma de celebrao no Natal e na Pscoa. As propriedades eram confiscadas, a educao restringida e a liberdade de expresso suprimida. 
O adultrio passou a ser punido com a morte, e as mes solteiras eram aprisionadas. Esportes e diverses foram declarados blasfemos, as estalagens foram fechadas 
e lli encontros e reunies, proibidos. Multas punitivas eram impostas  vontade pelos soldados. Aqueles que ainda ousavam rezar pediam uma "rpida volta  proteo 
da Lei Comum".
Quando Oliver Cromwell morreu, em 1658, seu legado desptico caiu nas mos de seu filho Richard. Felizmente, ele no tinha a ambio de seu pai, no tardando em 
convidar Charles II a voltar aos seus reinos. A Restaurao de Charles Stuart ao trono ocorreu em 1660, onze anos depois da execuo de seu pai.
Charles se revelou um rei habilidoso e popular. Ele reformou a Igreja Anglicana e manteve uma sociedade em que todas as denominaes religiosas eram igualmente aceitas. 
Entretanto, apesar desses avanos, os polticosanglicanos e o clero ainda perseguiam sua meta imperiosa. No lhes importava o que o rei pensasse, eles no tinham 
a menor inteno de mostrar tolerncia com as outras convices religiosas, particularmente com os judeus ou catlicos. Alm disso, como Charles era casado com a 
portuguesa Catarina de Bragana, eles insistiam em afirmar que ele devia ter uma inclinao para a Igreja Romana. Assim, o Parlamento outorgou a Lei Padro restritiva 
em 1673 e 1678, impedindo quem no fosse anglicano de ocupar cargos governamentais ou pblicos.

O COLGIO INVISVEL

No  nenhum segredo - embora talvez no seja do conhecimento geral - que as primeiras Lojas manicas na Gr-Bretanha tinham uma associao direta com a Casa de 
Stuart. Oriundo da graduao arqutipa dos pedreiros (maons) medievais de acordo com nveis de profecincia, um conceito simblico de Maonaria ritualizada evoluiu 
durante o reinado de Charles I. As primeiras indues s Lojas manicas livres (ou especulativas) foram registradas por volta de 1640. O movimento era fortemente 
centrado na aquisio estruturada de conhecimento de cincias inexploradas, boa parte do qual fora preservada na Esccia desde a poca dos Templrios originais e 
dos monges cistercienses.

Na Inglaterra dos Stuarts, os primeiros maons livres de Charles I e Charles II eram homens de filosofia, astronomia, arquitetura, qumica e aprendizado avanado 
em geral. Muitos eram membros da academia cientfica mais importante do pas, a Sociedade Real, que tinha recebido o ttulo de Colgio Invisvel quando seus fundadores 
eram forados a se reunir em locais subterrneos durante o protetorado de Cromwell. A natemidade foi estabelecida no reinado de Charles I em 1645 e incorporada sob 
decreto real de Charles II em 1662, depois da Restaurao. Entre os primeiros membros da Sociedade, estavam Robert Boyle, Isaac Newton, Robert Hooke, Christopher 
Wren e Samuel Pepys.
Basta considerarmos os feitos da Sociedade Real para percebermos que, como os antigos Templrios, eles eram agraciados com um conhecimento especial. O filsofo naturalista 
Robert Boyle (1627-1691) era um renomado alquimista, estudante de Nostradamus e uma autoridade em cultura do Graal. Boyle apoiava o astrnomo e matemtico Galileu 
Galilei em sua defesa do princpio heliocntrico de Copmico do sistema solar. Ele fez muitas descobertas a respeito das propriedades do ar e formulou a notvel 
Lei de Boyle. Seu colega, o fisico Robert Hooke (1635-1703), inventou o cabelo de relgio, a bomba de ar dupla, o medidor de cido muritico e o barmetro marinho. 
Tambm pertencia  fraternidade o astrnomo e gemetra Edmond Halley, que calculou o movimento de corpos celestes e previu corretamente as aparies regulares futuras 
do cometa de Halley.
Isaac Newton (1642-1727) foi um dos maiores cientistas de todos os tempos, renomado particularmente por anunciar a Lei da Gravidade e as definies da fora orbital. 
Foi um notvel alquimista, aperfeioou o clculo, elaborou as Leis de Movimento e inventou o telescpio refletor. Um dos mais importantes estudos de Newton foi referente 
 estrutura dos reinos antigos, e ele citava a preeminncia da herana judaica como um arquivo de conhecimento divino e de numerologia. Newton estava totalmente 
a par da Lei Universal, da geometria sagrada e da arquitetura gtica. Embora fosse um homem profundamente espiritualizado e uma autoridade em religio antiga, ele 
rejeitava abertamente o dogma da Trindade e a divindade de Jesus, afirmando que o Novo Testamento tinha sido distorcido pela Igreja antes de sua publicao. Newton 
no s foi um presidente da Sociedade Real, mas tambm Timoneiro da Prieur Notre Dame de Sio.
A Ordem original de Sio tinha sido inaugurada pelos Cavaleiros Templrios para acomodar judeus e muulmanos dentro de sua organizao crist e, at 1188, eles tinham 
o mesmo Gro-Mestre. Embora os primeiros Templrios tivessem afiliao crist, eles eram os expoentes da tolerncia religiosa, o que lhes permitia ser diplomatas 
influentes tanto nas comunidades judaicas como nas islmicas. Entretanto essa associao liberal com judeus e muulmanos foi denunciada como heresia pelos bispos 
e serviu para a excomunho, por parte da Igreja de Roma, dos Cavaleiros Templrios, em 1306.
A partir de 1188, a Ordem vinha sendo reestruturada, e evoluiu para seguir um caminho mais especfico de lealdade  linhagem merovngia da Frana. Os Templrios, 
por outro lado, eram particularmente interessados em apoiar a emergente sucesso Stewart. Na prtica, as duas Ordens operavam em ntima associao, pois se interessavam 
essencialmente pela mesma linhagem raiz.
Outro proeminente membro da Sociedade Real era Sir Christopher Wren (1632-1723), o arquiteto de obras como St. Paul's Cathedral, Royal Exchange, Greenwich Hospital 
(o Colgio Naval Real), Royal Greenwich Observatory e numerosas outras igrejas, sales e monumentos. Ele tambm foi um aclamado matemtico e professor de astronomia. 
Wren era Gro-Mestre da Ordem esotrica dos Rosa-cruzes, assim como o foram Robert Boyle e o lorde Chanceler, Sir Francis Bacon. Outros Gro-Mestres rosa-cruzes 
foram Benjamin Franklin (1706-1790), que distinguiu a eletricidade positiva da negativa, e Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos da Amrica 
(1801-1809).
Os historiadores modernos tm o infeliz hbito de exaltar determinadas virtudes de homens grandiosos e inteligentes e de ignorar totalmente as fontes de sua sabedoria. 
Eles so explicitamente descritos como artistas, cientistas, polticos ou qualquer outra coisa; mas de Leonardo a Newton, e de Newton a Franklin, seus interesses 
comuns eram a alquimia hermtica e a Arte Sagrada. Na verdade, suas vrias revelaes no eram necessariamente descobertas em primeira mo; eram, isso sim, produto 
do estudo das leis csmicas e equaes de origens muito antigas. Como um grupo, os homens eram capazes de se auxiliar mutuamente com tradues, experimentos e desenvolvimento. 
A histria de Newton e da queda da ma pode acrescentar um toque de humor  Lei da Gravidade, mas ele admitiu que sua verdadeira fonte de inspirao tinha sido 
Msica das Esferas, de Pitgoras, escrita no sculo VI a.C.
Na Gr-Bretanha, e seu posterior exlio, os reis Stuart estavam bem na frente da Maonaria escocesa, que se baseava nos mais antigos de todos os conhecimentos arcanos 
e na Lei Universal. Sua herana bret era intimamente aliada s famlias nobres de Boulogne e Jerusalm, e sua origem era grandemente inspirada nos Templrios. No 
 surpresa, portanto, que tivesse surgido durante os reinados de Charles I e Charles II (que representavam um problema para os ignorantes puritanos e a Igreja Anglicana) 
o Colgio Invisvel da Sociedade Real - um colgio que no breve perodo do patronato Stuart revelou algumas das maiores descobertas cientficas de todos os tempos.

LIBERDADE DE CONSCINCIA

JACOBITAS

Em termos religiosos,  impossvel classificar os primeiros Stuarts em qualquer denominao; eles eram simplesmente cristos. Entretanto, um a um, eles foram as 
vtimas dos cimes de diferentes igrejas, com cada faco rival tentando impor sua ambio contra as outras. At o irmo e sucessor do rei Charles II, James VII 
(II), declarar-se catlico, nenhum rei Stuart podia se rotular pessoalmente uma coisa ou outra. Apesar dessa inclinao pessoal,  evidente que o rei James foi o 
mais tolerante na histria da Gr-Bretanha. Ele no s evitava impor qualquer persuaso, mas fazia exatamente o contrrio - chegou a emitir uma Declarao escrita 
de Liberdade de Conscincia, propondo o ideal de liberdade religiosa para todos:

"Somos da constante opinio de que a Conscincia no deve ser restringida, nem as pessoas foradas em matria de mera religio. Isso sempre foi contrrio  nossa 
inclinao, como acreditamos ser tambm o interesse dos governos destru dos pela intolerncia, tendo o comrcio prejudicado, a populao esvaziada e os estrangeiros 
desencorajados. E finalmente, a intolerncia jamais obteve o fim para o qual foi empregada...
Tambm declaramos que  nossa vontade real e nosso gosto que, a partir de agora, a execuo de todas as espcies de leis penais (em questes eclesisticas) por no 
ir  Igreja, no receber um sacramento, por qualquer no-conformidade  religio estabeleci da, ou por razo do exerccio da religio desta ou daquela maneira, seja 
imediatamente suspensa; e que a posterior execuo das ditas leis penais seja, a partir de agora, suspensa... E para que, pela Liberdade assim concedida, a Paz e 
a Segurana de nosso Governo nessa prtica no sejam postas em risco, julgamos apropriado, e o mesmo julgamento esperamos de nossos amveis sditos, que todos tenham 
a liberdade de buscar e servir a Deus de sua maneira e a seu modo".

Ao lanar essa Declarao em 4 de abril de 1687, James esperava pr um fim a toda idolatria, em favor da indulgncia compassiva. O que o rei no percebia era que 
nem ele nem o povo tinham liberdade de tomar decises nesse sentido. Naquela poca, dois grupos polticos ativos (partidos) tinham se desenvolvido em Westminster, 
e cada um era conhecido pelo apelido que lhe fora dado pelo outro. Havia os Whigs (os arruaceiros) e os Tories (os ladres) - sendo os ltimos os herdeiros da posio 
da realeza. Os Whigs eram essencialmente aqueles que pertenciam ao abastado sistema dos proprietrios de terra, e quando James emitiu a Declarao, eles eram a maioria. 
Eles no s condenavam o rei, mas ainda o depuseram formalmente por ousar reconhecer as crenas alternativas dos catlicos, dos presbiterianos, dos judeus, dos quakers 
e de outros. Eles baseavam seu argumento na tolerncia que James tinha com os catlicos, embora sua aceitao aos judeus seria realisticamente um alvo mais bvio 
para os cristos anglicanos convictos.  evidente, portanto, que a perseguio a ele tinha pouca relao com assuntos religiosos; o motivo mais importante era justamente 
o fato de o rei ter desafiado o direito do Parlamento de impor sua vontade ao povo.
Isso nos leva de volta, claro, ao incio do livro, com a noo de Servio. Em essncia, o rei James estava agindo de pleno acordo com o Cdigo do Graal- um cdigo 
que obriga as pessoas com autoridade, seja ele em posio eleita ou hereditria, a se ocupar no dos poderes de seus cargos, mas sim dos deveres desses mesmos cargos.
Tentando conceder igualdade de religio, o rei James tentou cancelar a Lei Padro restritiva de 1673 e 1678, que obrigava todos os que tinham cargo pblico a entrar 
em comunho com a Igreja da Inglaterra. Essa lei acabou sendo revogada em 1828-9 para o beneficio dos catlicos. Mais tarde, em 1858, as clusulas tambm se afrouxaram 
em relao aos judeus. Atualmente, na Gr-Bretanha, todas as denominaes religiosas (crists ou no) tm o mesmo direito de culto, de acordo com a conscincia de 
cada indivduo, exatamente como pretendia o rei James VII (II), 300 anos atrs. So poucos os que hoje diriam que James estava errado em sua viso de tolerncia; 
ele simplesmente estava  frente de seu tempo.
Entretanto, nem toda a hierarquia anglicana se opunha ao rei James. Entre outros, ele recebia o apoio do arcebispo Sancroft, de Canterbury, e dos bispos de Bath 
e Wells, de Ely, de Gloucester, de Norwich, de Peterborough, de Worcester, de Chichester e de Chester. Quando James foi deposto, todos esses perderam sua s e suas 
incumbncias. Desde ento, a histria tem sido manipulada para sugerir que James foi deposto porque era catlico. Na verdade, ele foi derrubado para garantir poder 
a um Parlamento que no tinha sido eleito pelo voto democrtico do povo.
Com a sada de James, o trono foi oferecido conjuntamente ao Magistrado Chefe holands, William de Orange, e  sua esposa (filha de James), Mary. Mas, na ocasio, 
regras rgidas foram estipuladas. A Declarao de Direitos de 1689 afirmava que os futuros monarcas s poderiam reinar com consentimento parlamentar, e que os MPs 
deveriam ser eleitos livremente. Na verdade, os MPs da poca certamente no eram eleitos. Apenas um nmero limitado de proprietrios de terra, todos homens, que 
desfrutavam altas rendas, tinha direito a voto, e a Casa dos Comuns estava longe de ser caracterstica da populao que supostamente ela representava.
Embora a rainha Mary fosse protestante, os ministros se preocupavam com o relacionamento de William com Roma. A Holanda era a principal provncia do norte das Terras 
Baixas independentes, mas j tinha sido ligada ao Santo Imprio Romano, e era um fato conhecido que o exrcito de William se constitua basicamente de mercenrios 
catlicos. Foi por essa razo que a Lei do Acordo foi promulgada em 1701 com o intuito de garantir o trono da Gr-Bretanha somente para protestantes - uma Lei que 
ainda vale hoje, embora tenha sido aprovada na Casa dos Comuns por uma maioria de apenas um voto!
Depois que James foi deposto, a Casa dos Lordes determinou que, como havia um pacto legal entre o rei e o povo, o trono "no estava vago" (embora tampouco estivesse 
tecnicamente ocupado). Foi sugerido que uma regncia seria o melhor modo de preservar o reino durante o resto da vida de James Stuart.
Mas o invasor holands William de Orange convocou uma conveno parlamentar em Londres, em 26 de dezembro de 1688. Com seus guardas armados dentro e ao redor da 
Casa, ele declarou que no tinha inteno de se tornar regente; tampouco consentiria em dividir o governo. Sua declarao foi to veemente que houve um medo imediato 
de guerra, e muitos pensaram que ele tomaria a Coroa, de um jeito ou de outro. Uma conferncia de pnico foi marcada entre os Lordes e os Comuns, resultando em uma 
nova deciso: talvez o trono no estivesse vago, afinal de contas! 
No momento em que escrevo isto, o atual prncipe de Gales enfrenta um dilema pessoal envolvendo a religio e a Igreja. Desde a era Tudor, os monarcas ingleses tm 
sido designados como Defensores da F - isto , da f protestante anglicana. O HRH Prncipe Charles afirmou, porm, que como futuro rei nestes tempos cosmopolitas, 
ele preferiria ser classificado simplesmente como um Defensor da F - em geral, de qualquer tendncia. H nisso alguns significativos ecos do desafortunado rei James 
VI (II) e de sua Declarao de Liberdade de Conscincia. No entanto, muito pouco mudou nos ltimos 300 anos. Os monarcas britnicos ainda so os Chefes da Igreja, 
e a atual hierarquia anglicana  to protetora e separatista quanto seus predecessores do sculo XVII. Apesar do fato de os Estados Unidos da Amrica e outras naes 
ocidentais terem Constituies Escritas formais que garantem os direitos e liberdades individuais, os britnicos ainda no tm essa proteo. Isso significa que 
o Parlamento e a Igreja retm o domnio supremo da monarquia (e, portanto, do povo), enquanto a Declarao dos Direitos e a Lei do Acordo prevalecerem.
Quando William III e Mary II ascenderam juntos ao trono britnico. um ambguo legado Stuart era inerente. Mary era filha do rei James VII (II) com sua primeira esposa, 
Anne Hyde de Clarendon. William (cujo pai era William de Nassau) era filho da filha do rei Charles I, Mary. No entanto. apesar dos aparentes elos, os escoceses no 
estavam satisfeitos com a perda de seu rei dinstico legtimo. Em 1689 (o ano seguinte ao que James foi deposto) ocorreu o primeiro levante jacobita. O visconde 
Graham de Claverhouse, Grande Prior dos Cavaleiros Templrios na Esccia (e conhecido como Bonnie Dundee), liderou um contingente de homens das Terras Altas (Highlanders) 
contra as tropas do governo em Killiecrankie, em 27 de julho. Embora a investida escocesa tivesse sucesso, o visconde Dundee foi mortalmente ferido na batalha. Em 
18 de agosto, os Highlanders tiveram menos sorte em Dunkeld. Depois, no dia 10. de julho de 1690, os homens de Orange, do rei William, derrotaram as tropas da restituio 
de James VII na batalha de Boyne, na Irlanda.
Em meio a tudo isso, os Campbells e alguns outros cls escoceses decidiram ganhar as graas dos novos monarcas, auxiliando na supresso governamental dos leais jacobitas 
(eles eram chamados de jacobitas porque o nome James deriva do latim Jacobus/Jacomus, sendo originalmente Jac em hebraico - da Jacob-itas). O rei William ordenou 
que todos os Chefes das Terras Altas deveriam fazer um Juramento de Aliana a ele, mas a maioria relutava em obedecer; seus reis sempre tinham jurado fidelidade 
 nao, e no o contrrio. Para forar a questo, Sir John Dalrymple, secretrio de Estado da Esccia, teve a permisso de processar um cl relutante, para dar 
o exemplo aos outros. Ele escolheu os MacDonalds de Glencoe, que no tinham cumprido o prazo do juramento de aliana, que era 1o. de janeiro de 1692. O idoso chefe 
do cl dos MacDonald, Maclain, tinha tentado fazer o juramento em Fort Williams, em 30 de dezembro, mas no havia nenhum oficial da Coroa presente, e como resultado 
ele s conseguiu obedecer em 6 de janeiro, quase uma semana depois.

Diferentemente de alguns outros cls, os MacDonalds no tinham fora militar e eram uma presa fcil. Seu povoado ficava incrustado entre as altas montanhas de Glencoe, 
mais uma armadilha geogrfica do que uma fortaleza natural. Em 1. de fevereiro, Dalrymple enviou duas companhias do regimento de Argyll, sob o comando de Robert 
Campbell de Glenlyon, para exterminar o cl, que nada suspeitava. Chegando no disfarce de uma misso pacfica, os soldados se alojaram nas casas das hospitaleiras 
famlias por muitos dias. De repente, na terrvel manh de 13 de fevereiro, eles eliminaram todos os MacDonalds que encontravam, no poupando nem as mulheres, os 
velhos e os jovens. O horrendo massacre, porm, teve o efeito contrrio do desejado. Em vez de intimidar os cls a apoiar o novo regime, f-los formar uma forte 
confederao jacobita contra o cruel holands e seu governo.

TRATADO DA UNIO

Quando a rainha Anne sucedeu a William III em 1702, a maioria dos escoceses no mostrou entusiasmo, embora ela fosse irm da falecida rainha Mary. Anne tinha desertado 
seu pai, o rei James, para apoiar seu cunhado, William de Orange. Ela era um antema para os Stuarts e nunca tinha visitado a Esccia. Em 1706, Anne anunciou a inteno 
de dissolver o Parlamento escocs. Os ministros escoceses reagiram dizendo que tal ato seria ilegal de acordo com a lei escocesa. Eles citaram sua Constituio Escrita, 
a Declarao de Arbroath de 1320, que afirmava que, se um monarca decidisse:

"Tornar a ns ou a nosso reino submissos ao rei da Inglaterra ou aos ingleses, ns nos mobilizaremos imediatamente para expuls-lo como inimigo e subversor de seus 
prprios direitos e dos nossos, e faremos de outro homem, que saiba nos defender, nosso rei".

Estava claro que o plano de Anne submeteria o reino  dominao inglesa de Westminster. Mas embora os escoceses no pudessem expulsar a rainha inglesa, eles tinham 
o direito legal de apresentar uma Declarao de Segurana (1706), que, de acordo com a Constituio, lhes permitia no aceitar o herdeiro escolhido de Anne. Com 
isso, eles retinham a liberdade de eleger um soberano escocs de uma linhagem real que no fosse escolhida pela Inglaterra. Enquanto isso, ficava cada vez mais evidente 
que Anne teria de escolher um herdeiro, em vez de dar  luz um. Ela chegou a conceber 18 vezes, mas s cinco nasceram, e s um sobreviveu aos primeiros anos, e mesmo 
assim morreu com 11 anos de idade. No evento, a rainha escolheu para suced-la a eleitora alem, Sofia.

Apesar da Declarao de Segurana, Anne conseguiu o que queria. Ela props restries comerciais aos escoceses e ameaou-os com uma invaso militar em alta escala. 
Em maro de 1705, Westminster criou a Lei do Estrangeiro, que determinava que os escoceses deveriam aceitar" Sofia de Hanover como a sucessora nomeada de Anne, ou 
o comrcio entre o norte e o sul cessaria: a importao de carvo, linho e gado para a Inglaterra estaria proibida e, por outro lado, no haveria mais exportao 
de mercadorias inglesas para a Esccia.
Em 1o. de maio de 1707, o Parlamento escocs foi suspenso, e as Coroas da Esccia e da Inglaterra se tornaram uma, com Westminster assumindo o controle do novo Reino 
Unido da Gr-Bretanha segundo os termos do Tratado da Unio. Independentemente disso, os membros da aliana ignoraram o regime imposto; eles formalmente renunciaram 
 rainha Anne e proclamaram seu meio-irmo, James Francis Edward Stuart, a verdadeiro rei dos escoceses. Ele era filho e herdeiro de James VII (XII) com sua segunda 
esposa, Mary d'Este de Modena. James VIII (como seu pai antes dele) era catlico, mas os membros presbiterianos da aliana pouco se importavam com a religio individual 
de seu rei. Diferentemente do sistema ingls, os monarcas escoceses no eram chefes de nenhuma igreja nacional. Tanto os presbiterianos como os episcopais estavam 
muito mais interessados em preservar sua casa real tradicional fora da supremacia inglesa.
Com o Tratado da Unio, os escoceses tinham permisso de manter sua igreja prpria, alm de seu sistema legal separado. Entretanto, vrias medidas parlamentares 
foram introduzi das para a desvantagem dos escoceses em relao aos ingleses. Mas os escoceses no eram os nicos  merc dos poderes regulamentares; o povo ingls 
tinha sofrido com a taxao atroz de William e Mary sobre luz e ar, iniciado em 1695. O imposto sobre cada janela alm de seis em todas as casas, no valor de cinco 
libras por ano, durou 156 anos. Ainda hoje podem ser vistas janelas elevadas, que evitavam imposto, principalmente em reas rurais.
Quando a rainha Anne morreu, em 1714, sua escolhida Sofia de Hanover j tinha morrido tambm. Os ministros Whigs ordenaram, ento, o filho de Sofia, George, eleitor 
de Hanover, para o trono da Gr-Bretanha - a despeito dos fortes protestos do banco dos Tris. Para a convenincia dos oligarcas Whig, o rei George I s falava alemo, 
e passava a maior parte de seu tempo no exterior. As rdeas da administrao nacional eram controladas principalmente pelo lorde do Tesouro, Robert Walpole. Ele 
se tornou o primeiro efetivo Primeiro-Ministro, e desenvolveu a idia antidemocrtica do Gabinete (um crculo interno de ministros que se reuniam em particular fora 
da Casa para controlar a poltica do governo). A partir daquele momento, o povo no tinha voz ativa nas questes de seu prprio governo, nem a maioria dos MPs, controlada 
pelos Whigs ("chicotes"), cujo nome provinha dos assistentes dos Mestres Caadores, de acordo com as exigncias do Gabinete (ou Gabinete das Sombras).
Fora da Esccia, muitos Tris de Westminster e seus partidrios tentavam substituir Anne por James Francis Edward Stuart. Ele era o herdeiro legal  sucesso escocesa, 
e tinha sido seu titular o rei James VIII desde 1707. No entanto, os Whigs estrategicamente ignoraram James porque ele se recusava a se vincular  Igreja Anglicana. 
Os partidrios da realeza escoceses e ingleses tentaram ganhar a Coroa para James Stuart em 1715, mas sua revolta limitada no foi bem-sucedida, e assim James voltou 
ao continente para continuar seu exlio francs em St. Germain-en-Laye, perto de Paris.

BONNIE PRNCIPE CHARLES

Em 1727, George 11 de Hanover sucedeu ao seu pai como rei da Gr-Bretanha. O segundo importante levante jacobita ocorreu 18 anos depois, em 1745, quando Charles 
Edward Stuart (Bonnie Prncipe Charles) contestou a sucesso alem da Gr-Bretanha. O clero escocs o apoiou totalmente. Em um domingo, 24 de setembro daquele ano, 
a Igreja Episcopal simbolicamente coroou o rei Charles III na abadia de Holyrood House (Casa da Santa Cruz). Representantes das igrejas catlica e presbiteriana 
tambm estavam presentes para testemunhar e aprovar o evento.
Apesar do fato de James VIII ainda estar vivo, ele tinha formalmente transferido seus interesses para seu filho, na Declarao em 23 de dezembro de 1743:

"Estimamos para nosso servio, e para o bem de nossos reinos e domnios, nomear e indicar, como agora nomeamos, constitumos e indicamos, nosso querido filho, Charles, 
Prncipe de Gales, como nico regente de nossos reinos de Inglaterra, Esccia e Irlanda, e de todos os nossos outros domnios durante a nossa ausncia".
O prncipe Charles estava ansioso para restaurar o Parlamento e a Constituio. Ele estava igualmente determinado a que os ingleses deveriam ter direitos idnticos 
de liberdade poltica e religiosa. Em sua primeira proclamao, emitida em Edimburgo em 9 de outubro, de 1745, Charles Edward afirmou:

"Com respeito  pretensa Unio das duas naes, o rei no pode ratific-la, uma vez que observou repetidos protestos contra ela, de cada um dos reinos"

Pouco depois de sua coroao figurativa, Charles foi investido como Gro-Mestre da Ordem do Templo de Jerusalm e, ao fazer o juramento. ele declarou:
    
"Vs podeis estar certos de que quando tiver meus plenos poderes, eu elevarei a Ordem ao que ela era nos dias de William, o Leo".

Aps o incio vitorioso na batalha de Prestonpans, os escoceses marcharam para o sul. Avanando at Derby, eles no tinham idia do pnico que assolara Londres e 
a Casa de Hanover. George II tinha at carregado uma barca no Tmisa com as jias da Coroa, pronto para uma rpida fuga para a Alemanha. Os polticos se apressaram 
em espalhar uma propaganda para convencer os jacobitas ingleses e galeses de que Charles jamais chegaria  capital- e funcionou; os reforos previstos pelo prncipe 
no se materializaram.
Como os escoceses ainda no tinham enfTentado o principal contingente do rei George, sob o comando do duque de Cumberland, lorde George Murray persuadiu os chefes 
dos cls de que uma retirada estratgica era necessria. De volta  Esccia, dizia ele, todos poderiam se reagrupar e enfTentar Cumberland no territrio deles. Aps 
algumas rusgas no caminho, os escoceses finalmente se encontraram com o poderoso exrcito em Culloden Moor, perto de Invemess, em 16 de abril de 1746. Mas, apesar 
de todo o seu sucesso anterior, os escoceses estavam muito cansados e famintos para ter um bom desempenho. Erraram nos clculos e foram completamente derrotados.
Ironicamente, se no fosse pela propaganda ministerial no sul, os Highlanders poderiam de fato ter marchado desde Derby e tomado a capital facilmente: "Teu ancestral 
estava enganado", disse o futuro George V a Murray, duque de Atholl. "O exrcito jacobita deveria ter continuado diretamente at Londres, e um Stuart seria hoje 
o rei da Esccia e da Inglaterra, cada pas tendo o seu Parlamento."

ASSASSINATO DE CARTER

Para a maioria das pessoas na Gr-Bretanha, o objetivo de James VII de liberdade religiosa para todos era uma inovao muito bem-vinda. Agrada o senso de liberdade 
individual. Era, portanto, imperativo aos olhos dos Whigs que, para preservar seu domnio, eles denegrissem a memria do rei James e dos Stuarts. Lanaram um ataque 
totalmente em nvel pessoalvisando em primeiro lugar  esposa de James, a rainha Mary d'Este. Ela era filha de Alfonso IV, duque de Modena, mas os hanoverianos decidiram 
retrat-la como uma filha ilegtima do papa!
No havia muito a ser dito contra o irmo e predecessor imediato de James, Charles lI, que era muito bem visto pela opinio pblica. Mas James VI (1) e Charles I 
eram outros bons alvos. Os anais de Cromwell foram vasculhados, para que fosse encontrado algum contedo devidamente crtico. James VI era conhecido por todos como 
o Salomo britnico, mas os Whigs lhe deram o novo nome de o Mais Sbio Tolo na Cristandade. Sua infeliz doena intestinal era usada para criar a impresso de que 
ele era um gluto vulgar, e a mais comum de todas as acusaes dos caadores de bruxas puritanos foi lanada contra ele, a de m conduta sexual.
Fora essas coisas, a grande popularidade do prncipe Charles Edward Stuart era uma ameaa enorme a George II, por isso o prncipe se tornou o principal objeto dos 
ataques hanoverianos. Enquanto o duque de Cumberland prosseguia com sua violenta subjugao das Terras Altas escocesas depois de Culloden, o Bonnie era retratado 
na Inglaterra como um traioeiro estimulador de guerras, rotulado de usurpador perigoso embora na verdade a famlia dele  que tinha sido usurpada. No tardou para 
que toda a cena se voltasse contra o de jure rei dos escoceses. Dizia-se que ele era um bbado e odiava as mulheres; sua vasta prole (exceto Charlotte de Albany) 
foi excluda dos livros de histria britnica, bem como suas numerosas companhias femininas, exceto por um casamento com a princesa Luisa de Stolberg, com quem no 
teve filhos, e seu relacionamento com a me de Charlotte, Clementina Walkinshaw. Na verdade, seus ocasionais ataques de asma e epilepsia reforavam a imagem de embriaguez.
A histria tradicional na Inglaterra ainda descreve o prncipe como um problemtico peo de Roma, mas ele no era nada disso. Seu relacionamento com o papa nada 
tinha de amistoso, e ele se converteu formalmente ao Protestantismo anglicano quando tinha 29 anos de idade. Subseqentemente, ele escreveu:

"Para tornar mais autntica a minha renncia da Igreja de Roma... Fui a Londres no ano de 1750, e naquela capital fiz uma abjurao solene da religio romana, e 
abracei a religio da Igreja da Inglaterra" .

Aps a morte de Charles Edward, em 1788, vrios relatos de sua vida foram compilados de fontes hanoverianas. Existem atualmente numerosas biografias publicadas, 
na maioria, adaptadas umas das outras. Intencionalmente ou no, essas biografias geralmente se baseiam nos relatos inventados pela mquina de propaganda de Hanover. 
A Esccia, porm, conserva seu legado de orgulho no Bonnie. Os registros da Europa tambm transmitem uma imagem muito diferente de Charles Edward e seus descendentes 
legtimos; descrevem uma linhagem real resoluta, que foi estrategicamente velada pelo governo britnico at tempos recentes.
Os ingleses agora aguardam a perspectiva de Sua Alteza Charles. prncipe de Gales, tomar-se seu rei Charles III da Casa de Windsor. Ao mesmo tempo, muitos escoceses 
ainda insistem em uma nova independncia. Um possvel primeiro passo nesse sentido foi a recente reinstituio do Parlamento escocs, mesmo que ainda subordinado 
a Westminster. A Esccia j tem uma tradicional Constituio Escrita que poderia ser reimplementada, se no melhorada, em um ambiente independente - e essa Constituio 
d  nao o direito de escolher seu prprio monarca e ao mesmo tempo rejeitar o domnio da Inglaterra.
Se a sua alteza atual Charles, prncipe de Gales, de fato se tomar rei da Gr-Bretanha,  improvvel que os escoceses nacionalistas aceitem prontamente um segundo 
Charles III. Aps a coroao de sua me, a rainha Elizabeth II, eles protestaram, e com razo, porque nunca tinham tido uma Elizabeth I, j que Elizabeth Tudor tinha 
reinado na Inglaterra, mas no na Esccia.
A atual Casa Real, portanto, enfrenta um dilema considervel. Assim como ele mudou seu antigo nome germnico em 1917, de Sax-Coburg-Gotha para Windsor, com o intuito 
de acalmar a nao inglesa durante a Primeira Guerra Mundial, ela talvez seja obrigada a dar mais um passo diplomtico. Assim como o av do prncipe Charles, Albert, 
duque de York, tomou-se o rei George VI,  perfeitamente possvel que o prximo rei da Gr-Bretanha seja coroado no como Charles III e sim George VII. Alternativamente, 
uma vez que a Igreja e o Parlamento do as cartas,  possvel que o prncipe Charles seja simplesmente ignorado - principalmente se ele no satisfizer a exigncia 
anglicana com relao  defesa da f. Essas so obviamente noes especulativas, mas ser interessante ver o que acontece.


O SANGRAL HOJE

A CONSPIRAO DA LINHAGEM

Hoje em dia, compreende-se que a histria oficial se baseia geralmente em registros de propaganda. Ela foi originalmente compilada para satisfazer as necessidades 
da poca em que era escrita, em vez de oferecer um registro correto dos eventos. Em suma, ela , de modo geral, uma verso adaptada da verdade. Por exemplo, a verso 
histrica inglesa da batalha de Agincourt, em 1415, difere consideravelmente do ponto de vista francs. De modo semelhante, a percepo crist das Cruzadas no deve 
ser a mesma dos muulmanos. H pelo menos dois lados em cada histria.
Em 1763, o jornalista John Wilkes acusou o governo de George III de distorcer os fatos nos discursos do rei. Hoje, essas acusaes so mais comuns, mas Wi1kes foi 
preso e trancafiado na Torre de Londres. Naqueles dias, no havia liberdade de expresso ou opinio; porm, durante esse mesmo perodo de restries, uma enorme 
quantidade de histria aprovada pelo governo foi escrita.
Aos poucos, no decorrer do sculo XX, os registros oficiais de nobreza foram revisados para corrigir uma multiplicidade de erros em edies passadas. Mas muitos 
dos erros (alguns ainda no corrigidos totalmente) no eram equvocos, e sim manipulaes deliberadas. Como resultado direto da poltica hanoveriana (de George e 
Vitria), por exemplo, h muito se afirma que na Gr-Bretanha a sucesso Stuart se tomou extinta no exlio. Os livros de histria britnicos so praticamente unnimes 
ao afirmar que Charles Edward Stuart no tinha esposa quando morreu, nem um herdeiro legtimo do sexo masculino. Mas esses livros esto errados, e os registros na 
Europa continental contam uma histria muito diferente.
De acordo com a opinio doutrinal inglesa, o atual herdeiro  Casa Real de Stuart  Franz, duque de Bavria, que herdaria as honras escocesas em virtude da ltima 
vontade e do testamento do irmo mais novo e catlico de Charles Edward, o cardeal Henry, duque de jure de York. Esse testamento supostamente nomeava Carlos Emmanuel 
IV de Sardenha como o sucessor Stuart. Por meio de casamentos na linha feminina descendente do irmo de Carlos Emmanuel, Victor Emmanuel I, o atual Franz da Bavria. 
sucede ao seu pai, o falecido duque Albrecht, contando (nesse sentido) com uma ancestralidade um tanto tnue de Henrietta, filha de Carlos I. O fato, porm,  que 
o testamento do cardeal Henry Stuart no mencionava Carlos Emmanuel como seu sucessor. Isso  uma completa fantasia que entrou nos livros de histria, mas foi originalmente 
um engano intencional por parte dos polticos do governo de George - um engano perpetuado pelos posteriores ministros vitorianos.
Desde o momento em que o eleitor de Hanover comeou a reinar como rei George I da Gr-Bretanha, em 1714, tomou-se politicamente necessrio suprimir ou esconder muitas 
informaes a respeito de determinadas famlias, e destacar a linhagem de outras. A Casa de Stuart foi particularmente atacada para que se justificasse a entrada 
da sucesso alem. Ainda hoje, os livros de histria repetem o absurdo elaborado na poca e tambm depois, para desacreditar a dinastia Stuart e suas famlias associadas. 
As confabulaes foram to bem feitas que sua tendncia  prevalecer enquanto os autores histricos continuarem a copiar um do outro.
Charles Edward Stuart se casou em 1772 com a princesa Luisa Maximiliana, filha de Gustavo, prncipe de Stolberg-Guedern. Em 1784, porm, uma dispensa papal para 
o divrcio foi obtida aps o caso de Luisa com o poeta italiano Vittorio, conde Alfieri. Luisa fora declarada estril pelos mdicos, e, depois de alguns anos de 
casamento, ela deixou Charles, em 1780, para viver com seu amante. O divrcio costuma ser descrito como o fim da vida de casado para Charles Edward, mas no foi.
Os arquivos Stuart em Roma e Bruxelas revelam que; em novembro de 1785, Charles se casou novamente - dessa vez com a condessa de Massilan, na Santi Apostoli, em 
Roma. A condessa era Marguerite Marie Threse O'Dea d'Audibert de Lussan - uma prima por descendncia do tio-av de Charles, o rei Charles II. At 1769, ela vivia 
com seu tio-av, Louis Jacques d' Audibert, arcebispo de Bordeaux. A av paterna de Marguerite, Threse, marquesa de Aubignie, era filha de Tiago de Rohano Stuardo, 
prncipe de Bovria, marqus de Aubignie. Ele era o filho natural (legitimado em 1667) do rei Charles IIMarguerite, duquesa de Rohan. Por parte da me, Marguerite 
de Massillan, descendia atravs dos condes de Lussan.
Em novembro de 1786, a condessa, ento com 37 anos, deu  luz um filho, douard Jacques Stuardo (Edward James Stuart), que ficou conhecido como conde Stuarton. Embora 
no fosse novidade na Europa, a notcia do filho legtimo e herdeiro de Charles Edward foi imediatamente suprimida pelo governo hanoveriano em Westminster. Desde 
ento, esse filho tem sido totalmente ignorado pelos historiadores acadmicos na Gr-Bretanha.
Naquele mesmo ms, a filha de Charles Edward e Clementina Walkinshaw de Barrowfield, Charlotte de Albany (nascida em 1753), encontrou-se com o irmo do rei George 
III, William, duque de Gloucester, na casa do prncipe Santa Croce, em Roma. Preocupada com sua posio como filha legtima de Charles Edward, Charlotte informou 
William de Gloucester acerca do nascimento real, e pediu seus conselhos. O duque disse que a posio de Charlotte estava provavelmente segura, mas a principal preocupao 
dele era uma carta que fora enviada ao pai de Charlotte pelo rei George III em 1784, sugerindo que Charles Edward poderia retomar  Gr-Bretanha do exlio como conde 
de Albany (Esccia). Charles no aceitara o convite, mas a questo agora se complicava com o filho recm-nascido, que poderia pensar diferente ao se tomar o segundo 
conde Stuarton, no devido tempo.
Quando o prncipe Charles Edward morreu, uma trama envolvendo a substituio de testamentos permitiu que as notcias do casamento e do nascimento fossem escondidas 
do pblico britnico - um golpe que foi perpetuado na era Hanover-Saxe-Coburg.
Em 1784, Charles fez um testamento nomeando seu irmo, o cardeal Henry, duque de jure de York, como seu herdeiro real, enquanto Charlotte de Albany seria a nica 
beneficiria de suas propriedades. Isso est muito bem documentado nas biografias histricas, mas o que esses relatos no mencionam  que aquele no era o testamento 
final de Charles. Foi substitudo por outro antes de sua morte. O Parlamento georgiano no escondeu apenas esse ltimo testamento, mas tambm o motivo de sua existncia.
Para estabilizar a posio do rei George III seus polticos acharam prudente acabar com o problema da popularidade Stuart na Gr-Bretanha, declarando extinta a linhagem 
escocesa, especialmente porque os jacobitas tinham sido to teis na Guerra Americana da Independncia (17751783). Um grande nmero de escoceses destitudos tinha 
emigrado para a Amrica aps a brutal derrota dos Highlanders, depois de Culloden. No conseguiram reconquistar a independncia em casa, mas continuavam com sua 
causa no outro lado do Atlntico, auxiliando os colegas americanos a garantir sua liberdade do controle hanoveriano.
Em 30 de janeiro de 1788, o de jure rei Charles III (lembrado carinhosamente como Bonnie Prncipe Charlie) morreu no Palazzo Muti, em Roma. Ele tinha 67 anos de 
idade. Pouco antes de sua morte, tinha escrito seu ltimo testamento. As testemunhas, em 13 de janeiro de 1788, foram o padre dominicano O'Kelly e o abade Consalvi, 
ambos executantes. O testamento declarava que o filho e a filha de Charles, Edward e Charlotte, eram co-herdeiros. Edward sucederia s Honras Reais em seu 16o. aniversrio, 
e o cardeal Henry seria regente interino.
Aps a morte de Charles Edward, porm, seu ambicioso irmo Henry no perdeu tempo em se autoproclamar rei Henry I dos escoceses (IX da Inglaterra). Para sustentar 
essa reivindicao, ele mostrou no o testamento de Charles de 1788, mas o anterior, de 1784, que interessava ao governo da Gr-Bretanha, j que o cardeal Henry 
provavelmente no teria filhos. Tanto O'Kelly como Consalvi participaram da intriga em troca de uma rpida promoo na Igreja. Pouco depois, o primeiro se tornou 
Procurador Dominicano, enquanto o abade era promovido a cardeal. Charlotte de Albany ganhou uma casa em Frascati, e o Palazzo Muti ficou para Marguerite de Massilan 
e o prncipe Edward. Tambm envolvido no esquema estava o abade James Placid Waters ("guas plcidas"), procurador dos beneditinos em Roma.
Declarando-se de jure, Henry tentou anular a clusula de regncia imediata no testamento de seu irmo. Mas, em janeiro de 1789, Henry fez um testamento no qual tentou 
emendar sua estratgia egosta para o futuro: todas as suas posses e status hereditrio passariam para o prncipe Edward James - isto , "para meu sobrinho, conde 
Stuarton". O cardeal Ercole Consalvi e o cardeal Angelo Cesarini foram as testemunhas e os executantes do testamento, como afirmam em suas memrias.
Subseqentemente, Henry perdeu boa parte de sua riqueza na Revoluo Francesa e durante o avano de Napoleo nos estados papais. Em 1799, ele se tornou um pensionista 
da Coroa Britnica, ganhando 15,000 por ano (cerca de 150,000 anuais, hoje), mas em troca ele deveria reescrever seu testamento. Em uma reunio com o prncipe Edward, 
a condessa Marguerite e o papa, os novos termos do testamento foram concordados. Ele foi escrito em 1802, mas a herana ainda ficava para o prncipe Edward. O documento 
revisado simplesmente substitua as palavras "para meu sobrinho, conde Stuarton" por "em favor daquele prncipe a quem por direito lhe cabe, em virtude da relao 
consangnea de jure".
Quando Henry Stuart morreu, em julho de 1807, o rei George e o Parlamento britnico decidiram que o segundo testamento era, na verdade, menos apropriado do que o 
primeiro. Assim, ignoraram o documento de 1802 e recorreram ao testamento original de Henry, de 1789 - mas a imprensa declarou que Henry tinha deixado o legado para 
o seu parente, o conde Stuarton (ou seja, Edward James, claro). No entanto, ningum na Inglaterra pensava em descobrir quem esse parente, o conde Stuarton, poderia 
ser. Um exemplo de uma tpica declarao da imprensa  o da Gentleman's Magazine, de setembro de 1807:

"Ele [Henry] possua, antes de 1798, uma coleo muito valiosa de curiosidades em sua vila, onde muitos escritos esparsos e interessantes manuscritos a respeito 
da desafortunada Casa de Stuart se encontravam entre os ornamentos de sua biblioteca. Em seu testamento, feito em janeiro de 1789, ele tinha deixado os ltimos para 
seu parente, o conde Stuarton, mas, em 1798, foram todos pilhados pelos jacobinos franceses e italianos em Roma, ou confiscados pelos comissrios franceses para 
as bibliotecas e museus de Paris".

Na verdade, os manuscritos da biblioteca no tinham sido levados pelas pessoas acusadas; alguns se encontram hoje no Vaticano, alguns em bibliotecas romanas e outros 
ficaram com o governo britnico. De qualquer forma, de acordo com as memrias dos executantes de Henry, os cardeais Cesarini e Consalvi (na Bibliotheque National, 
Paris), a coleo da biblioteca de Henry tinha pouca relevncia como legado individual, uma vez que ele deixara tudo o que possua para seu "sobrinho, Conde Stuarton".
Esse fato  parte, e tendo se livrado do primeiro obstculo, os ministros hanoverianos mostraram o testamento corrido de Henry, de 1802. Graas  sua natureza dbia, 
os termos do testamento ("em favor daquele prncipe a quem por direito lhe cabe, em virtude da relao consangnea de jure")332 tinham sido estrategicamente empregados 
para favorecer Carlos Emmanuel IV, ex-rei de Sardenha. Ele tinha abdicado recentemente para entrar para a Ordem dos Jesutas, e assim o legado Stuart passou convenientemente 
para um monge que, era bvio, no tinha filhos! Carlos Emmanuel escreveu para o Parlamento do rei George, denunciando a nomeao, pois sabia que os Stuarts estavam 
vivos e bem de sade. Na verdade, morando com ele em Sardenha desde 1797, Marguerite e seu filho Edward eram residentes em sua casa, s margens do Corso, em Roma. 
A carta, porm, foi ignorada em Westminster, e toda a questo foi abafada na Inglaterra. A histria hoje registra o desvio na sucesso Stuart, vindo de Sardenha, 
atravs de Modena, at a Bavria. A realidade  que a legtima Casa Real de Stuart (Stewart) ainda existe hoje, e h muito tempo tem um interesse ativo na administrao 
constitucional europia.
Em 1809, surgiu uma disputa pelas lealdades soberanas entre os dois filhos de George III. Ela ficou conhecida como a Guerra dos Irmos. O prncipe Edward, duque 
de Kent (o pai da rainha Vitria), era um maom livre, enquanto seu irmo, o prncipe Augusto Frederico, duque de Sussex, era Cavaleiro Templrio. O problema de 
Edward era que os colegas templrios de seu irmo apoiavam os Stuarts, e ele tentou fazer com que eles mudassem sua aliana para com a Casa reinante de Hanover. 
No conseguiu, mas chegou a um acordo, criando uma espcie de loja ao estilo dos Templrios dentro da estrutura manica existente. Ela ficava sob os auspcios do 
protetorado de Kent, e seguia o Rito de York ingls da Maonaria, enquanto os Templrios originais seguiam o Rito escocs, do protetorado do prncipe Edward James 
Stuart, 2o. conde de Albany.
Enquanto os Stuarts exilados estavam na Frana e na Itlia, eles se envolveram profundamente com o crescimento geral e a disseminao da Maonaria, sendo os patronos 
do Rito escocs exportado, que tinha graus mais altos e guardavam mistrios mais profundos que outros sistemas manicos. Proeminente nesse movimento era o primo 
e mentor de Charles Edward, o conde de St. Germain. O envolvimento dos Stuarts era firmemente baseado nos direitos e privilgios estabelecidos, com um desejo de 
iniciar irmos na verdadeira antiguidade e no pedigre da Arte.
Na Inglaterra, o inerente segredo das lojas semelhantes a clubes forneciam a perfeita facilidade para intrigas ocultas contra os Whigs e a sucesso alem. Por todo 
o pas, as sociedades jacobitas e as lojas Tri foram se tomando intimamente ligadas - o que as transformou em alvos prioritrios para a Inteligncia Whig, cujos 
agentes do servio secreto se infiltravam nas fraternidades. Em anos mais recentes, a maonaria inglesa ignorou a intriga poltica, tomando-se mais preocupada com 
a representao alegrica e os cdigos de amor fraterno, f e caridade. Na Europa, porm, muitas lojas intelectuais de base cientfica no estilo tradicional ainda 
existem.
Em 1817, um Dr. Robert Watson comprou em Roma alguns dos documentos do cardeal Henry a respeito da dinastia Stuart. Ele pagou 23.00 (equivalente  cerca de 619.00 
atuais), e se preparou para publicar seu contedo. Mas, antes que tivesse uma chance de fazer isso, os arquivos foram confiscados pela polcia papal e levados a 
Londres, de modo que seu contedo nunca se tomou conhecido. Algum tempo depois, o mdico recebeu pagamento de Westminster por ter sido privado de sua propriedade. 
No contente com isso, Watson insistiu em seu direito aos documentos - e foi encontrado morto (supostamente por suicdio) em 1838. Os documentos nunca apareceram 
em domnio pblico. O Jacobite Peerage Register, de 1904, registra que aquilo foi feito especificamente para evitar que o contedo dos documentos fosse revelado 
a Carlos Emmanuel de Sardenha.

Assim como o cardeal Henry, o abade Waters tambm perdeu suas posses e se tornou pensionista do rei George. Waters, um executante para Charlotte de Albany, era a 
custdia de vrios outros documentos dos Stuarts - e essa custdia constitua a rota para a sua futura renda hanoveriana. Em 1805, o abade foi obrigado a entreg-los 
ao governo britnico. Depois de muito tempo, alguns foram depositados no castelo Windsor, onde esto at hoje. Quanto ao resto, o paradeiro  convenientemente desconhecido.
Em virtude dessas aquisies documentrias, parecia fcil que o prncipe Edward James fosse totalmente excludo dos registros histricos na Gr-Bretanha. Mas no 
era o caso na Europa continental, onde ele aparece em documentos guardados pelos fiducirios Stuarts, e tambm nos textos de Ren, do visconde Chateaubriand, do 
abade James Waters, da princesa Caroline Murat e de outros. Embora os Stuarts sejam ignorados pelas autoridades britnicas desde a morte do cardeal Henry, os descendentes 
do prncipe Edward James, conde Stuart, 2o. conde de Albany, tm tido participao ativa em questes sociais, polticas, militares e soberanas nos ltimos dois sculos. 
Freqentemente, aconselham os governos em assuntos constitucionais e diplomticos em um esforo de promover os ideais de servio pblico e tolerncia religiosa, 
de acordo com sua casa reinante, e se interessam particularmente por questes de comrcio, guerra e educao.
Em 1888, o neto do prncipe Edward, Charles Benedict James Stuart, 4o. conde de Albany, tinha planejado visitar a Gr-Bretanha. Ele deveria ir a uma Exibio Stuart 
na Nova Galeria, em Londres, patrocinada pela Ordem da Rosa Branca e cujos principais organizadores eram Bertram, conde de Ashburnham e Melville Massue, marqus 
de Ruvigny. Mas a exibio foi totalmente prejudicada pelos agentes hanoverianos, e o prncipe Charles Benedict foi encontrado assassinado na Itlia.
No houve nenhuma exposio em 1888, mas no ano seguinte ocorreu uma exibio bem diferente. Em vez de homenagear os Stuarts, como estava planejado, a exibio foi 
promovida para celebrar o bicentenrio da Revoluo Whig, que tinha deposto James VII (II) e os Stuarts em 1688. A nova patrocinadora da exibio era a prpria rainha 
Vitria, e o evento foi usado como um disfarce para obteno de mais documentos valiosos do legado Stuart. Expulsos de seu patronato, lorde Ashburnham e o marqus 
de Ruvigny dirigiram seus futuros interesses para as sociedades cavalheirescas da Europa: a Ordem do Reino de Sio, os Cavaleiros Protetores do Santo Sepulcro e 
a Ordem do Sangral.
Apesar dos esforos da rainha Vitria para suprimir a popularidade dos Stuarts, houve uma significativa revitalizao dos jacobitas no fim do sculo XIX. Os conselheiros 
da rainha tentaram enfatizar a tnue reivindicao de Vitria  descendncia Stuart para a excluso da prpria herana escocesa dos Stuarts. Como resultado, o Thane 
Banquo e a linhagem escocesa do rei Alpin desapareceram dos registros Stuart revisados pelos hanoverianos. Lorde Lyon, rei de Anns, escreveria, mais tarde: "O relato 
tradicional da famlia de Banquo, Thane de Lochaber, e atravs dela da descendncia dos antigos reis da Esccia,  hoje desacreditada". Desde aquela poca, a linhagem 
bret dos Stuarts  enfatizada - por que algum deveria desacreditar uma linha de descendncia para promover outra  algo alm da compreenso normal.
     Os futuros membros da famlia real escocesa foram proeminentes na resistncia belga durante a Segunda Guerra Mundial. Hubert Pierlot, primeiro-ministro da Blgica, 
era um amigo ntimo dos Stewarts, que tinham voltado  grafia original do nome em 1892. Naquele ano, eles se mudaram para o Chteau du Moulin, nas Ardenas belgas, 
onde viveram at 1968. Esse castelo fora dado originariamente  famlia em 1692 pelo rei Lus XIV.
Em 1982, a cidade de Bruxelas homenageou os Stuarts com uma grande recepo. E em 14 de dezembro de 1990, os tabelies de Bruxelas assinaram, registraram e autenticaram 
uma Carta atualizada da Casa Real de Stewart, detalhando a completa descendncia da famlia desde os tempos de Robert, o Bruce, at hoje.
Atualmente existem vrias linhagens descendentes do prncipe Edward James, 2o. conde de Albany. Elas incluem os condes de Derneley e os duques de Coldingham. De 
maior destaque, porm, na principal linha da descendncia legtima de Charles Edward Stuart e seu filho Edward James,   o 7o. conde de Albany: pincipe Michael James 
Alexander Stewart, duque de Aquitnia, conde de Blois, chefe da Sagrada Famlia de So Columba, Grande Comandante Cavaleiro da Ordem do Templo em Jerusalm, Grande 
Oficial Patrono da Sociedade Internacional de Oficiais da Comisso para o Commonwealth e Presidente do Conselho Europeu de Prncipes.
A primeira descendncia Stewart vem do pai do rei Artur, rei Aedndos escoceses, de um lado, e do prncipe Nascien do Midi de Septimania, de outro. Sua descendncia 
escocesa  ainda mais antiga, passando do rei Lcio e Silria a Brn, o Abenoado, e Tiago/Jos de Arimatia, enquanto a sucesso Midi se origina da linha masculina 
ancestral dos merovngios pelos reis pescadores at Jesus e Maria Madalena. Juntando as linhagens a partir de seu ponto inicial no primeiro sculo a.C., a descendncia 
est na sucesso da Casa Real de Jud. Essa  uma linhagem verdadeiramente nica de sangue soberano do rei Davi em uma das descendncias-chave que compem a  A Linhagem 
do Santo Graal.




A COROA DA AMRICA

Sob as ruas de Roma, as catacumbas da era pag guardam os restos mortais de mais de seis milhes de cristos. Se fossem colocadas em uma fileira nica, as passagens 
se estenderiam por 880 quilmetros. Ironicamente, o fanatismo das Inquisies foi responsvel por mais de um milho de vidas porque as vtimas supostamente "no 
eram" crists!
No decorrer dos sculos, milhes de judeus foram perseguidos e mortos como resultado do anti-semitismo iniciado pela ento recente Igreja Crist. Tal ato foi perpetrado 
principalmente sob o disfarce da acusao de deicida, e se descontrolou totalmente durante o holocausto no incio da dcada de 1940. Alm disso, dezenas de milhes 
de vidas russas (soviticas) foram perdidas durante a brutal ditadura de Stlin - um totalitarismo autocrata que desprezava toda forma de religio. Grandes nmeros 
como esses ultrapassam os limites da imaginao, mas essas lembranas no podem ser confinadas a regimes selvagens do passado. Os feudos religiosos em todo o mundo 
continuam como eram no distante passado, e a limpeza tnica da Inquisio ainda  evidente hoje em dia.
Na teoria, o Comunismo foi introduzido para realizar uma ambio socialista, mas o sonho logo morreu quando a gigantesca mquina chegou ao poder por meio da opresso 
militar. O capitalismo, por outro lado,  igualmente cruel porque venera os balancetes acima do bem-estar das pessoas. Como resultado, milhes so condenados a morrer 
de fome nas regies mais pobres, enquanto vastas montanhas de comida so empilhadas em outros lugares. Mesmo nos Estados Unidos, onde a Constituio promove os ideais 
de liberdade e igualdade, vemos um abismo cada vez maior entre os grupos privilegiados e subordinados. Comunidades ricas esto agora fechando-se atrs de barricadas, 
em ambientes encerrados atrs de muralhas, enquanto os sistemas de assistncia social do Ocidente entram em falncia.
A histria tem comprovado muitas vezes que o governo absoluto dos monarcas ou ditadores  um caminho para a disparidade social. Entretanto, a alternativa democrtica 
do governo eleito tambm se mostra freqentemente desigual. Mesmo os parlamentos eleitos podem se tomar egotistas e ditatoriais em um mundo onde aqueles com o poder 
de servir se consideram os mestres. Alm disso, em pases como a Gr-Bretanha, que tm uma estrutura poltica multipartidria, o povo freqentemente se depara com 
o governo de ministros que chegaram ao poder com os votos de uma minoria. Nessas circunstncias, quem defende os direitos individuais? Os sindicatos, alguns diro 
- mas, independentemente de tais organizaes tambm serem politicamente parciais, elas ainda esto sujeitas ao controle governamental. Embora possam ter um peso 
de afiliao, os sindicatos no tm autoridade final para se equipararem ao parlamento. No que diz respeito ao sistema judicial, seu propsito  zelar pela justia 
legal, no moral.

Outros na Gr-Bretanha citam Sua Majestade, a Rainha, como a guardi do povo; mas o pas tem uma monarquia parlamentar na qual o soberano reina somente com o consentimento 
de Westminster. Na falta de uma Constituio escrita, os monarcas britnicos no tm o poder de defender direitos e liberdade individuais. O atual herdeiro ao trono 
realmente tentou superar as restries, ocasionalmente dizendo o que pensa, s para sofrer recriminaes por parte do sistema. Como uma criana vitoriana, ele deve 
ser visto "e no ouvido, enquanto os banqueiros, industrialistas e advogados controlam o destino da nao.
Freqentemente ouvimos polticos citando a Constituio britnica, como se ela realmente existisse como um privilgio documentado, mas no existe. Ela  simplesmente 
um acmulo de velhos costumes e precedentes que dizem respeito a sanes parlamentares, somadas a um nmero de leis especficas definindo determinados aspectos. 
Desde que a Declarao de Arbroath da Esccia, em 1320, foi anulada pelo Tratado da Unio da Inglaterra, em 1707, a mais antiga Constituio escrita ainda existente 
 a dos Estados Unidos. Ela foi adotada em 1787, ratificada em 1788 e efetivada em 1789. Naquele mesmo ano comeou a Revoluo Francesa, que aboliu o feudalismo 
e a monarquia absoluta na Frana, influenciando a poltica em boa parte da Europa. Nos dois sculos depois da Revoluo, a Frana e outros Estados europeus (sendo 
a Inglaterra uma notvel exceo) adotaram constituies escritas para proteger os direitos e as liberdades individuais. Mas quem defende essas constituies em 
nome do povo?
Uma alternativa popular  monarquia absoluta ou  ditadura foi encontrada no republicanismo. A Repblica dos Estados Unidos foi criada basicamente para libertar 
a nao emergente do despotismo da Casa de Hanover, da Inglaterra. Seus cidados, porm, ainda se fascinam com o conceito da monarquia. Por mais republicano que 
seja o esprito, a necessidade de um smbolo central permanece. Nem uma bandeira nem um presidente podem cumprir esse papel unificador, pois em virtude do sistema 
partidrio os presidentes so sempre politicamente motivados. O republicanismo foi criado sobre o princpio do status fraterno, mas a sociedade ideal sem classes 
nunca poder existir em um ambiente que promove amostras de eminncia e superioridade por graus de riqueza e posses.
Na maioria das vezes, aqueles responsveis pela Constituio moralmente inspirada dos Estados Unidos eram Rosa-cruzes e maons - personagens notveis como George 
Washington, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, John Adams e Charles Thompson. O ltimo, que desenhou o Grande Selo dos Estados Unidos da Amrica, era um membro 
da Sociedade Filosfica Americana de Franklin - parente do Colgio Invisvel da Inglaterra. A imagem do Selo est diretamente relacionada  tradio alqumica, herdada 
da alegoria do antigo Terapeutato egpcio. A guia, o ramo de oliveira, as flechas e os pentagramas so smbolos ocultos dos opostos: bem e mal, masculino e feminino, 
guerra e paz, escurido e luz, etc. No verso (como se repete na nota do dlar) est a pirmide truncada, indicando a perda da Velha Sabedoria, cortada e forada 
para os subterrneos pela Igreja. Mas acima disso esto os raios da luz da esperana, incorporando o olho que tudo v, usado como smbolo durante a Revoluo Francesa.
Ao estabelecer sua repblica, os americanos no puderam escapar do ideal de uma monarquia paralela - um foco central de apego patritico, apoltico. Na verdade, 
ofereceram a George Washington a realeza, mas ele no aceitou porque no tinha uma herana qualificada imediata. Ele, ento, recorreu  Casa Real de Stuart. Em novembro 
de 1782, quatro americanos chegaram ao Palazzo San Clemente em Florena, a residncia de Charles III Stuart no exlio. Eram eles o Sr. Galloway de Maryland, dois 
irmos chamados Sylvester da Pensilvnia e o Sr. Fish, um advogado de Nova York. Eles foram conduzidos a Charles Edward por seu secretrio John Stewart. Tambm presente 
estava o Honorvel Charles Hervey- Townshend (futuro embaixador britnico) e a futura esposa do prncipe, Marguerite, condessa de Massilan. A entrevista (que girou 
em torno do dilema transatlntico contemporneo) est documentada nos arquivos do Senado americano e nos Manorwater Papers. Escritores como Sir Compton Mackenzie 
e Sir Charles Petrie tambm descrevem a ocasio em que Charles Edward Stuart foi convidado a ser o rei dos americanos.
Alguns anos antes, Charles tinha sido procurado tambm pelos homens de Boston, mas, quando a guerra da Independncia acabou, George Washington enviou seus prprios 
emissrios. Teria sido uma grande ironia se a Casa de Hanover perdesse as ex-colnias norte-americanas para os Stuarts - mas Charles declinou a oferta por vrias 
razes, uma das quais foi sua falta de um herdeiro legtimo do sexo masculino na poca. Ele sabia que sem um sucessor legtimo os Estados Unidos poderiam facilmente 
recair para Hanover quando de morresse, o que derrotaria todo o esforo de Independncia.

PRECEITO DO SANGRAL

Desde aqueles dias, muitos outros eventos radicais tm ocorrido: a Revoluo Francesa, a Revoluo Russa, duas grandes Guerras Mundiais e mais uma srie de mudanas, 
enquanto os pases mudam de um estilo de governo para outro. Enquanto isso, disputas civis e internacionais continuam como na Idade Mdia. Elas so motivadas por 
comrcio, poltica, religio e qualquer outra bandeira usada para justificar a constante luta por controle territorial e econmico. O Santo Imprio Romano desapareceu, 
os Reichs alemes falharam e o imprio britnico ruiu. O imprio russo caiu no Comunismo, que por sua vez tambm se desgraou e acabou, enquanto o Capitalismo titubeia 
na beira da aceitabilidade. Com o fim da Guerra Fria. a Amrica enfrenta uma nova ameaa ao seu superpoder, dos pases do Pacfico. Enquanto isso, as naes da Europa 
se unem no que parecia uma comunidade econmica bem equilibrada, mas que j est sofrendo das mesmas presses do costume individual e da soberania nacional que abalaram 
o Santo Imprio Romano.
Sejam as naes governadas por regimes militares ou parlamentos eleitos, autocratas ou democratas, e sejam elas descritas formalmente como monarquistas, socialistas 
ou republicanas, o produto final  sempre o mesmo: poucos controlam o destino dos muitos. Em situaes ditatoriais, essa  uma experincia natural, mas no deveria 
ser o caso em uma instituio democrtica baseada no princpio do voto da maioria. A verdadeira democracia  o governo pelo povo para o povo, em forma direta ou 
representativa, ignorando as distines de classe e tolerando as vises das minorias. A Constituio americana estabelece um ideal para essa forma de democracia, 
mas de modo semelhante a outras naes h sempre um grande setor da comunidade que no  representado pelo grupo que est no poder.
Como os presidentes e primeiros-ministros so politicamente comprometidos, e como os partidos polticos assumem respectivos turnos no poder, o resultado inevitvel 
 uma falta de continuidade para as naes envolvidas. Isso no  necessariamente ruim, mas no h uma instituio contnua confivel para defender os direitos civis 
e as liberdades do povo em condies de uma sempre mutvel liderana. A Gr-Bretanha pelo menos retm uma monarquia, mas  politicamente restrita, e portanto ineficiente 
em seu papel de Guardi do Reino. Os Estados Unidos, por outro lado, tm uma Constituio Escrita, mas ningum tem o poder de defender os princpios dela contra 
os sucessivos governos que deliberadamente visam apenas aos prprios interesses polticos.
Ser que h uma resposta para essa anomalia - uma que traga no s um raio de esperana, mas tambm uma luz brilhante para o futuro? Certamente h, mas sua energia 
depende daqueles que esto em servio governamental e compreendem seu papel de representantes da sociedade, e no lderes dela. Junto  administrao poltica, um 
defensor constitucional nomeado pode ter a autoridade de denunciar as potenciais disparidades e infraes da Constituio. Isso pode ser feito do modo previsto por 
George Washington e os Pais Americanos. Seu plano original era ter um Parlamento democrtico, combinado com uma monarquia constitucional operante, no submissa ao 
Parlamento nem  Igreja, mas comprometida com o povo e sua Constituio escrita. Em um ambiente assim, a soberania ficaria por conta do povo, enquanto o monarca 
(como um Guardio operante do Reino) faria um juramento de fidelidade  nao - no o inverso, como no caso da Gr-Bretanha, em que a nao presta homenagem  soberania 
do Parlamento e da monarquia.

A ambio no realizada dos Pais Americanos era que os ministros do governo fossem eleitos pelo voto da maioria, mas que suas aes fossem dirigi das dentro dos 
limites da Constituio. Como a Constituio pertence ao povo, seu defensor - como via George Washington - deveria ser um monarca cuja obrigao no  para com a 
poltica ou religio e sim a nao soberana. Pelo sistema natural de hereditariedade (nascer e ser criado para a tarefa), esse Guardio Constitucional proporcionaria 
uma continuidade de representao pblica atravs de sucessivos governos. Nesse sentido, tanto os monarcas como os ministros seriam servos da Constituio em nome 
da Comunidade do Reino. Esse conceito de governo moral  a verdadeira essncia do Cdigo do Graal, e existe dentro dos limites da possibilidade para toda nao civilizada.
Um primeiro-ministro britnico afirmou recentemente que no era o trabalho dele ser popular! Isso no  verdade. Um ministro popular  um ministro em que se pode 
confiar, e ter confiana eleitoral  algo que facilita o processo democrtico. Nenhum ministro pode honestamente expor um ideal de igualdade na sociedade, se ele 
for considerado dono de privilgios especiais, superior  sociedade. A estrutura de classes  sempre decidida a partir de cima, nunca de baixo. Por isso, aqueles 
que se encontram em pedestais feitos por si prprios deviam saltar deles, em nome da harmonia e da unidade. Jesus no estava se humilhando quando lavou os ps dos 
Apstolos na Santa Ceia; ele foi elevado ao reino de um verdadeiro Rei do Graal- o reino da igualdade e nobre servio. Esse  o eterno preceito do Sangral, e se 
expressa nas histrias do Santo Graal.com extrema clareza: S quando se pergunta "a quem o Graal serve?"  que a ferida do rei pescador pode ser curada e a terra 
devastada recuperar a fertilidade.





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